quinta-feira, 14 de dezembro de 2017

Tour pelo Real Gabinete Português de Leitura | Por Mich Fraga


E já tem vídeo novo no ar!! TOUR COMPLETO pelo Real Gabinete Português de Leitura, uma biblioteca portuguesa tradicionalíssima que fica no Centro do Rio de Janeiro, onde foram gravadas várias cenas da novela global "Tempo de Amar". O vídeo mostra vários detalhes da biblioteca e foi gravado com muito carinho. EU AMO ESSE LUGAR!

Antes do video, um pouco de história: O Real Gabinete Português de Leitura é uma biblioteca portuguesa que se encontra no rua Luís de Camões, número 30, no Centro do Rio de Janeiro. 

Foi fundado em 1837 por dois portugueses que desejavam promover a cultura entre a comunidade portuguesa que vivia, até então, na capital do Império. O prédio foi construído no estilo neomanuelino, como pode-se perceber pela faixada, e inaugurado pela Princesa Isabel e seu marido, Conde D'Eu, no ano de 1887.

O Real Gabinete mantém suas portas abertas para a visitação gratuita de segunda à sexta, de 8h às 18h.

No vídeo de hoje, compartilho com vocês então um pouco da minha visita ao Real Gabinete, um dos locais mais inspiradores da cidade pra quem ama literatura!

sexta-feira, 8 de dezembro de 2017

Calendário 2018 para Download


E chegou o momento de compartilharmos o Calendário 2018 do Blog Papel Papel <3 Idealizado em formato A4, você pode utilizá-lo como um calendário de parede ou ainda como um planner mensal de mesa. Ao longo do mês compartilharemos outros posts relacionados a organização, estudos e papelaria, fiquem ligados nos posts aqui do Blog e no Instagram :)


Como em 2017 tentamos a hospedagem do Planner em plataformas como Issuu e Drive e muita gente comentou da dificuldade de fazer o download do arquivo, pensamos em enviar o pdf diretamente para o email de nossos leitores <3 Então, para receber o pdf com o Calendário 2018 - Planner Mensal Blog Papel Papel - Versão Minimalista, basta preencher o formulário abaixo que em até 1 dia enviaremos o arquivo diretamente em sua caixa de email :) Espero que curtam esta novidade!

 
quinta-feira, 7 de dezembro de 2017

[Novidades das Editoras] 78, de Marcelo Cid | Editora 7Letras


"Eu era jornalista esportivo, desempregado mas orgulhoso, escolado em revezes, por baixo, mas seguro de meu valor. Um colega mais antigo, editor de um grande diário, me havia feito a proposta: ele precisaria de um jornalista free-lancer para cobrir a final com o Brasil – se ela acontecesse. Por esse motivo, mais do que os outros, eu torcia tanto pela Seleção... Uma viagem naqueles dias poderia me fazer bem, psicologicamente, para não falar do dinheiro.

Lembro de ter acordado tarde naquele sábado, de comer um misto-quente com pingado, que era ao mesmo tempo café da manhã e almoço, e de decidir dar uma volta pelo Centro, perto da quitinete onde eu morava. O entusiasmo pela Copa do Mundo já havia passado, restava, se tanto, um interesse desapaixonado. Aqui e ali, eu via ruas enfeitadas com bandeirinhas verdes, amarelas e vermelhas – mistura curiosa de decoração junina e torcida pela Seleção.

Faltando uns vinte minutos para o começo do jogo eu cheguei ao bar na São João. Foi quando o vi, sentado na calçada, apoiado numa árvore, acho que era uma palmeira – o homem misterioso cuja vida, misturada com a minha, tentarei contar aqui."

Enquanto Brasil e Itália disputam o terceiro lugar da Copa do Mundo de 1978, o jornalista esportivo Rafael peleja com o cotidiano e sua política. Neste fim de década, a juventude paulistana parecia mover-se entre as discussões de bar e o furor da mobilização, pois era preciso posicionar-se ou afirmar a sua alienação. Em busca de um novo emprego e da cura para um amor mal resolvido, Rafael narra os acontecimentos de 1978 como alguém que escreve um diário passional, onde pauta do dia ocupava-se seus próprios interesses, embora uma e outra revolta (o exílio de Clarice; o AI-5; uma sucessão de Papas, atentados e suicidas) fossem inevitáveis em seu relato.

Nesta escrita diária, um inesperado encontro dá o tom da narrativa: entre o intervalo da jogo e a esquina mais famosa de São Paulo, Rafael depara-se com um intrigante personagem, o mendigo José Simeão que, em meio ao anonimato das ruas, acaba por tornar-se figura quase onipresente nesta paulicéia dos anos setenta. Nas palavras do autor, “O mendigo, considerado louco no ambiente urbano do século XX, poderia ser considerado um sábio místico se estivesse no século XVII”, considera o autor, oferecendo uma chave instigante para a leitura de sua mais recente obra. 78 pode ser interpretado como uma metáfora do constante embate entre modernização e atraso presente na cultura brasileira. No texto, vêm à tona temas como misticismo, religiosidade, futebol, contracultura e política, durante o período da transição democrática brasileira.

1978 é um período de contrastes entre avanço e retrocesso, entre misticismo e ciência, entre o rudimentar e o refinado. E ainda: “No Brasil, muitas vezes, o que é antigo é tido como condenável. Este livro fala de resistência, da virtude do que é ancestral”, provoca Cid.

O livro, publicado pela Editora 7Letras, será lançado nesta quinta-feira em Brasília (DF), cidade onde mora o escritor.

Sobre o autor: Marcelo Cid é diplomata em Brasília e escritor. Autor de livros de contos e romances, traduziu obras em latim e é organizador de obras de crítica literária e de uma antologia de literatura. Publicou pela 7Letras, Ateliê Editorial e EDUC. Seu romance Unicórnios foi finalista do Prêmio São Paulo de Literatura em 2011.
quarta-feira, 6 de dezembro de 2017

Unboxing Turista Literário - novembro 2017 | Por Mich Fraga


Chegou o momento de abrir mais uma malinha do Turista Literário! E se você não conhece esse serviço de mistery box, o Turista Literário é um clube de assinaturas mensal que oferece total imersão sensorial no livro do mês.

Todos os itens são surpresas, a unica certeza que temos é que será um livro recém lançado com diversos itens sensoriais (itens de ouvir, tocar, cheirar e comer) e todos têm a ver com o enredo do livro.


Eu sou completamente apaixonada pelo serviço do Turista Literário e a cada mês sou surpreendida positivamente!

Como diria Donatello: "santa tartaruga!" A caixinha de novembro está sensacional!


Espero que gostem da resenha de mais esta caixinha!
Até a próxima,
Mich


terça-feira, 5 de dezembro de 2017

Projeto Sobre a Escrita: Primeiros depoimentos + Texto da Fernanda Rosa


(Trecho de Sobre a Escrita: A Arte em Memórias, de Stephen King)


Que este blog teve início a partir de conversas, talvez muitos não saibam, mas é bem provável que a sua relação com a escrita literária também tenha acontecido assim, como um projeto que foi tomando forma justamente por ter essa característica coletiva, de colaboração e prosa entre amigos. É claro que a escrita intimista, presente em diários, anotações e poesias, acaba sendo nossa primeira experiência literária, e é bem possível que esta expressão permaneça por muito tempo em nossas vidas. Ainda assim, tornar público aquilo que sentimos, sob esta edição do texto, não é tarefa fácil, e nem sempre conseguimos levar nossos projetos adiante quando estamos sozinhos, daí a necessária companhia de quatro ou inúmeras mãos e, principalmente, incontáveis leitores.

Seguindo nesta reflexão, até porque o ato criativo envolve muita aceitação e (auto)crítica, e é por isso não é de hoje que muitos escritores, ao entenderem a escrita enquanto profissão e - por que não - destino, publicam obras dedicadas a uma reflexão de seu próprio ofício. Stephen King é um deles, e  foi a partir de sua autobiografia literária que pensamos em realizar este projeto de escrita colaborativa aqui no Blog.

Neste primeiro momento, estamos conversando com amigos leitores e blogueiros a respeito de nossas motivações para escrever. Segue um trechinho de uma prosa da Di Azevedo (que, aliás, compartilhou um belo poema em nossa página do Instagram recentemente) com a Regiane Medeiros:

Di - Eu não sei se isso acontece com todos os escritores. Eu não me considero uma escritora, mas gosto de escrever. De uns meses pra cá, venho investindo em um livro (antes, eu só escrevia poemas) e o que percebi é que colocamos muito de nós mesmos nas histórias. Às vezes me pergunto se a personagem é uma pessoa diferente ou se sou apenas eu, com um nome diferente, escrevendo o que já vivi...

Regiane - É também uma sensação libertadora, não? Poder compartilhar um pouco do que somos através da arte, seja qual for; é um privilégio que poucos conseguem fazer sem se perderem no processo. Quanto mais você se doa, mais você descobre quem é no mundo e qual o seu papel nele.



Talvez seja uma pergunta direta demais (ou quem sabe até meio abstrata, já que nem sempre nossa vontade criativa caminha ao lado de objetivos definidos - mas deveria!, e a gente sabe, se esforça pra entender isso...), mas fica o desafio:


Qual a sua motivação para escrever?  


Convidamos você, leitor, estudante, autor, blogueiro (todo mundo!) para participar desta reflexão e, quem sabe, com esta troca-desabafo entre aficcionados por literatura e letras, a gente já começa 2018 com uma melhor visão acerca de nossos projetos, não é mesmo? <3 Gostaria de participar desta conversa também? Envie uma direct em nosso Instagram (@blogpapelpapel) ou mande um alô pelo email contatopapelpapel@gmail.com :) Vamos continuar com esta série de postagens de depoimentos aqui no Blog e no Insta, e também vamos em breve lançar uma sugestão de leitura coletiva que tem tudo a ver com este tema da descoberta do autor e do criativo que existe em cada um nós :)


(Trecho de Sobre a Escrita: A Arte em Memórias, de Stephen King)


Pra encerrar o post de hoje, vamos ao texto que a jornalista e blogueira Fernanda Rosa enviou pra gente :) Confira:


Letras pra que te quero

A alfabetização foi um processo complicado para mim. Era difícil assimilar que algumas palavras eram faladas de um jeito, mas escritas de outro.

Não entrava na minha cabecinha de 10 anos que, por exemplo, enquanto falávamos "palmera" deveríamos, na verdade, escrever "palmeiiiiiiiiira". E essa comilança de letras e confusão entre "g" e "j", "ss" e "ç" deixava minha mãe de cabelo em pé e preocupada com a possível chegada de uma reprovação em Língua Portuguesa, no final do ano letivo (o que nunca aconteceu, graças ao bom Deus rs).

E, mesmo derrapando nas curvas sinuosas da boa escrita, eu teimava em escrever, especialmente sobre mim mesma. Nem sei dizer quantos diários tive ao longo da infância e da adolescência.

Até que o tempo passou, eu cresci e descobri a leitura nas páginas de José de Alencar (até hoje meu escritor favorito <3). Foi aí que comecei a me interessar pelas engrenagens e gatilhos da Língua Portuguesa. Logo depois, com a escolha do jornalismo para vida, esse interesse cresceu, floresceu e virou amor.

Atualmente, no meu trabalho, escrevo sobre saúde pública, um tema fascinante e que sempre dá pano para manga. Já nas horas de lazer, escrevo sobre cultura, novelas latinas, o idioma espanhol, os países que falam espanhol... Enfim! Escrevo porque sinto que é no correr das linhas que o mundo se ilumina. Afinal, juntando uma letrinha à outra, costurando palavras e sentido, construímos saberes.

Se, antes eu escrevia para me enxergar e me encontrar, hoje escrevo para enxergar (e também mostrar) os mundos que encontro por aí. Sim, "mundos", exatamente no plural porque quem lê e escreve gosta mesmo é de enxergar a pluralidade da vida.


Fernanda Rosa 
segunda-feira, 4 de dezembro de 2017

The girl from evrywhere - O Mapa do Tempo, de Heidi Heilig | Editora Morro Branco



The girl from everywhere - O Mapa do Tempo

Mapas têm a força de um testemunho, e também a da imaginação: cidades inventadas, ruínas presentes, todo um arquipélago descrito em naquim, esquadro e um bom pergaminho. Porque afinal, o registro do cartógrafo nem sempre é o do capitão, e quem dirá o do pirata! É preciso então estudar a terra obscura, e também o que se apresenta à vista, e não desviar do caminho até que este novo mundo faça parte de nosso destino.

Na ficção de Heide Heilig, Slate e Nix atravessam mares e séculos em uma tentativa de (re)encontrar um porto seguro, este lugar-presente onde possam novamente habitar. Nesta busca por tudo o que deixaram pra trás, pai e filha se utilizam das técnicas de Navegação, e dos mistérios de seus mapas e bússolas, com a intenção de chegar à cidade de Honolulu, em 1868, na esperança de que esta exatidão de data e local faça com que finalmente regressem à sua Casa.

Slate é o capitão desta história, ou imagina ser. Sua filha Nixie, embora muito jovem, é quem afinal decifra a lógica dos mapas e conduz a náu para cada novo destino. Atravessar correntezas e intempéries e lutar pela sobrevivência deveria ser uma rotina como outra qualquer; a ambição de Slate, no entanto, transformou a tripulação do navio Temptation (sua filha, principalmente) em agentes de um plano que pulsava unicamente em seu coração: retornar ao Hawaii de sua juventude e impedir que um fato irreversível interrompa o curso de uma vida tão esperada.


Voltar ao passado e reparar os seus erros poderia ser a realização de um sonho, mas a realidade a ser enfrentada era bem clara: ao retornar para o ano de 1868, talvez houvesse uma chance de Slate recomeçar sua vida, não fosse o fato de que Nix ainda não havia nascido. Ou seja, voltar ao passado poderia significar uma possibilidade de recomeço, mas também a incerteza de encontrar sua filha no dia seguinte...

The girl from everywhere é um young adult onde as angústias de Nix (por saber dos sonhos de seu pai) são a cada momento confrontadas com esta intuição de que há uma segunda chance para muitas das coisas do mundo, mas será que haveria também para a sua família?

Navegando por realidades tão distantes como o Coliseu e as ferrovias, o livro de Heidi traz a cada página este dilema de acreditar que toda reparação é possível, ainda que maior seja o desejo de apenas seguir o curso de cada dia.

Mas em que ponto a história redireciona seus ventos? Quando o amor passa a ter a força de uma tempestade, e o desejo a claridade de um horizonte - ainda que tudo fique bem mais confuso neste momento... E não estamos aqui falando apenas de Slate e seu passado: entre uma aventura e outra, Nix entenderá que o coração bate em alturas incompreensíveis, e que é preciso aprender a navegar por estes novos horizontes, e quiçá suas tormentas.

The girl from everywhere é um livro de ficção com uma trama bem organizada e instigante, e um final que irá deixar os leitores bem surpresos. Como sempre, mais uma belíssima aposta editorial da Morro Branco! Recomendamos :)


Heidi Heilig

Nix é uma viajante do tempo. Ela e seu pai, Slate, velejam a bordo do Temptation, um navio pirata repleto de tesouros. Ao longo do caminho eles encontram amigos, uma tripulação de refugiados do tempo e até mesmo um charmoso ladrão que pode significar muito mais para Nix. Tudo que Slate precisa é um mapa certo para viajar a qualquer tempo e lugar, real ou imaginário: seja para a China no século 19; terras vindas direto das Mil e Uma Noites ou até mesmo uma mítica versão da África. Apesar das inúmeras possibilidades, o pai de Nix está obcecado com um mapa específico: Honolulu, 1868 – o ano de nascimento de Nix e a última vez em que ele viu sua esposa viva. E, por uma chance de reencontrá-la mais uma vez, Slate está disposto a sacrificar tudo e a todos. Quando o desejado mapa aparece, Nix vê sua própria existência em perigo e agora deve descobrir o que quer, quem é, e aonde realmente pertence, antes que seu tempo acabe. Para sempre.