domingo, 26 de março de 2017

Dica de Leitura: O Filho Eterno, de Cristovão Tezza | Editora Record | Texto por Gih Medeiros


"O tempo. O pai tenta descobrir sinais de maturidade no seu Peter Pan e eles existem, mas sempre como representatividade. (...) Ele jamais fará companhia ao meu mundo, o pai sabe, sentindo súbita a extensão do abismo, o mesmo de todo dia (e, talvez, o mesmo de todos os pais e de todos os filhos, o pai contemporiza) - e, no entanto, o menino continua largando-se no pescoço dele todas as manhãs, para o mesmo abraço sem pontas"

No dia 21 de Março celebrou-se o Dia Internacional da Síndrome de Down. Muitas pessoas ainda enxergam a Síndrome como uma patologia/doença, mas na verdade trata-se de uma condição genética que gera características físicas em seus portadores, assim como a maioria de nós carrega em nosso DNA algumas características que nos definem fisicamente e mentalmente (sim, tem um monte de gente por aí com alterações no DNA e não fazem ideia!!! Chocante? Não se espantem, isso é o que nos torna indivíduos ímpares!!!).

Em meu trabalho, lido muito com crianças com Síndrome de Down em sua fase de desenvolvimento, assim como com outras crianças que não possuem nenhuma alteração visível, mas que ainda assim apresentam dificuldades motoras por falta de estímulos adequados.

Mas enfim, não estou aqui para falar sobre questões técnico-científicas (embora eu me empolgue com esse assunto - risos), e sim para falar de literatura. Alguém aí já leu algum livro cujo personagem fosse uma pessoa com Síndrome de Down? Em minha estante, tenho dois, mas o que realmente explora a figura de uma pessoa com Síndrome de Down é O Filho Eterno, de Cristóvão Tezza, um relato incrível de um pai que tem que aprender a lidar consigo mesmo ao descobrir que o tão esperado filho não é exatamente como ele esperava. O processo de rejeição, de busca por tratamento, o preconceito que ele próprio sente pelo filho... é tudo meio chocante à primeira lida, mas depois você começa a entender e se por no lugar desse pai que tem que aprender a se desfazer dos sonhos almejados para o seu varão tão aguardado, e a desenvolver novos sonhos onde essa pessoinha, que faz parte de quem você é, pode ser o que quiser na vida, desde que você também acredite nele e seja capaz de receber todo o amor que ele está disposto a te dar. 

É sem dúvidas um dos melhores livros que já li, do tipo que não te deixa ser a mesma pessoa depois que a leitura é finalizada, e eu deixo aqui como indicação a vocês, como uma leitura alternativa aos romances água-com-açúcar e fantasias que tanto privilegiamos para nos distrairmos das agruras diárias. Ah, caso decidam ler, não se esqueçam de deixar uma caixinha de lenços por perto... Vão precisar!!!

Uma linda semana a todos nós, beijinhos!!!
<3



Num livro corajoso, Cristovão Tezza expõe as dificuldades, inúmeras, e as saborosas pequenas vitórias de criar um filho com síndrome de Down. O autor aproveita as questões que apareceram pelo caminho nestes 26 anos de Felipe para reordenar sua própria vida: a experimentação da vida em comunidade quando adolescente, a vida como ilegal na Alemanha para ganhar dinheiro, as dificuldades de escritor com trinta e poucos anos e alguns livros na gaveta, e a pretensa estabilidade com o cargo de professor em universidade pública. 

Com precisão literária para encadear de maneira clara referências de anos e situações tão díspares, Cristovão Tezza reforça, com a publicação de O filho eterno, seu lugar entre os maiores escritores brasileiros. 

The Heart of Betrayal - Mary E. Pearson | Darkside Books | Texto por Jonatas T. B.



“Aqui, digo, pressionando meu punho cerrado nas costelas dela.
E aqui, com a mão em seu esterno.
Dou a ela a mesma instrução que me fora dada pela minha mãe.
É a linguagem do saber da criança,
Linguagem esta tão antiga quanto o próprio universo.
É o ver sem olhos,
E ouvir sem ouvidos.
Foi assim que minha mão sobreviveu naqueles primeiros anos.
Como sobrevivemos agora.
Confie na força que existe dentro de você.
E, um dia, você deverá ensinar sua filha a fazer o mesmo.”
(Os últimos Testemunhos de Gaudrel - Pág.182)


Tive o prazer de ler The Heart of Betrayal, o segundo volume de Crônicas de Amor e Ódio, uma emocionante saga romântica narrada em um universo fantástico criado por Mary E. Pearson. O livro continua a história sobre fuga de Jezelia, agora capturada por Kaden, o assassino e lado direito do Komizar que reina as terras bárbaras e estéreis de Venda. Lia (como prefere de ser chamada) é humilhada diante dos líderes de outras províncias, a despeito das tentativas de Kaden protegê-la, chegando até a ser vestida com sacos de tecido. Quando o assassino é questionado por que não a matara antes, ele argumenta que a princesa possui o precioso Dom, mas no fundo não tirara sua vida porque estva apaixonado.

A situação do príncipe Rafe, para quem tinha sido prometida a mão de Lia em casamento, também não é das mais vantajosas. Temendo que acontecesse, entregou-se disfarçado de emissário do Reino de Dalbreck para ficar mais próximo possível e proteger sua futura esposa. No entanto, Lia finge estar submetida aos desejos de Kaden, ganhando aos poucos liberdade para transitar e conhecer o reino.

Apesar de pertencer a um reinado inimigo, Lia tem a simpatia quase que instantânea do povo, seja por apreciarem a forma como conta as histórias de Morrighan, sua terra natal, ou pelo fato de ter o mesmo nome de uma personagem messiânica pertencente ao folclore das regiões mais distantes de Venda, uma mulher também chamada Jezelia. Dia a dia a jovem descobre que há muito mais nobreza do que imaginava nos ritos e costumes daquele povo bárbaro, ainda que vivessem de pilhagem e a liderança fosse sucedida com base na espada. Conforme investiga os corredores escuros e passagens secretas do Sanctum (a principal cidadela de Venda), descobre seus segredos místicos e aparições enigmáticas, provando-se a si que os antigos mitos de origem são algo mais que lendas, são uma realidade cujo destino de Lia não se poderá discernir.

Assim como o primeiro livro da série, a narrativa é em primeira pessoa alternando-se em alguns capítulos para o ponto de vista de outros personagens como Kaden e Rafe. Então, são evidentes os sentimentos e conflitos internos, o que pessoalmente me causou certa angústia, pois eu sabia claramente os objetivos dos personagens e que entrariam em conflito logo adiante. Por exemplo, as pretensões de Rafe em oposição às de Kaden pelo amor de Lia. Sempre imaginava como seria o desfecho provavelmente trágico deste impasse amoroso.

Esse novo volume é um verdadeiro jogo de engano e mentiras, cujos jogadores muitas vezes arriscam suas vidas por mero orgulho. É também um cenário grandioso a ser explorado, um mundo fantástico com a mesma proporção dos inúmeros mistérios que povoam cada floresta e corredor sombrio. Se você aprecia essas características em uma história, The Heart of Betrayal será uma ótimo opção.

Características físicas do livro: A capa dura possui arte e impressão caprichada. O design e a tipografia são bem agradáveis. Gosto muito do mapa que nesta edição está na cor vermelha-sangue. O papel é bem leve e resistente, o que facilita na leitura quando estiver deitado. Acabamento excelente, como tudo que já li da editora Darkside até hoje.


Abaixo, sinopses do segundo e terceiro volumes da série:


The Heart of Betrayal 
Mary E. Pearson

A série Crônicas de Amor e Ódio, iniciada com THE KISS OF DECEPTION, virou a queridinha dos leitores mais apaixonados. Encantou os fãs de fantasia do mundo todo - e pegou os brasileiros pelo coração.

A história de Lia inspirou muitos leitores a embarcarem em uma jornada extraordinária repleta de ação, romance, mistério e rivalidade, pintados em um universo deslumbrante criado pela premiada escritora Mary E. Pearson, que consegue - como poucos - erguer um mundo poderoso e repleto de personagens cativantes.


The Beauty of Darkness
O volume final da fantasia que arrebatou os leitores brasileiros

A trilogia Crônicas de Amor e Ódio chega ao fim de maneira arrasadora. Iniciada em The Kiss of Deception, a série encantou os fãs de fantasia - e conquistou os corações dos brasileiros.

A história de Lia inspirou muitos leitores a embarcarem em uma jornada extraordinária repleta de ação, romance, mistérios e autoconhecimento, em um universo deslumbrante criado pela premiada escritora Mary E. Pearson, onde o poder feminino é a força motriz capaz de mudar e fazer toda a diferença no novo mundo em construção.
sexta-feira, 24 de março de 2017

Pré-Venda: Pedro Bandeira e Guido Carlos Levi - Melodia Mortal: Sherlock Holmes investiga as mortes de gênios da música | Editora Rocco


Meu nome é John H. Watson, M.D. Tornei-me conhecido em todo o mundo escrevendo histórias dos outros. Na realidade, de um outro, o meu amigo Sherlock Holmes. Como testemunha, sempre estive presente em suas aventuras, mas é provável que minha figura não tenha sido marcante para os leitores, ofuscado que sempre fui pela imagem do meu biografado. No entanto, se alguém encontrar estes manuscritos, talvez não se importe de conhecer um pouco da vida de quem popularizou o morador que fez famosa a então desconhecida Baker Street, 221B.

Pedro Bandeira não é apenas um escritor, mas um (senão O) expoente da literatura infantojuvenil brasileira! É autor da série Os Karas (os idosos que nem eu certamente lembrarão com aquela saudade dos livros A Droga da Obediência e A Droga do Amor), além do clássico de A Marca de uma Lágrima e dezenas de outros títulos, felizmente ainda presentes nos catálogos das editoras.

Quem ainda não teve a oportunidade de conhecer o trabalho do autor, pode se juntar a nós e contar os dias para o lançamento de Melodia Mortal, seu primeiro trabalho de ficção adulta, escrito em parceria com Guido Carlos Levi. O projeto será publicado pelo selo Fábrica 231 da Rocco e já está em pré-venda na Amazon <3

Confira a sinopse: "Será que Mozart foi assassinado por Salieri? Tchaikovsky morreu de cólera ou envenenamento? Chopin morreu mesmo tuberculoso? E Beethoven, foi vítima do alcoolismo? A resposta, ou pelo menos algumas hipóteses plausíveis para essas perguntas, estão em Melodia mortal, estreia na ficção adulta de um dos maiores autores para o público juvenil do país. Escrito a quatro mãos por Pedro Bandeira com o médico Guido Levi, o livro examina, à luz dos conhecimentos da medicina contemporânea, os indícios possíveis sobre as mortes polêmicas de alguns grandes compositores da música clássica. E quem conduz a investigação é ninguém menos que Sherlock Holmes, auxiliado pelo seu fiel escudeiro, o doutor John H. Watson, que narra as aventuras do detetive na empreitada. Talvez não seja possível, tanto tempo depois, elucidar a causa dessas mortes que a medicina da época não foi capaz de precisar, mas a diversão é garantida neste romance cheio de teorias científicas e enigmas que formam um intricado quebra-cabeça, na tradição da melhor literatura policial."

Apenas: imperdível!!! <3


Leia um trecho de Melodia Mortal no site da Rocco :)

Os Veranistas - Emma Straub | Editora Rocco

"A partida sempre chegava como uma surpresa, não importava quanto tempo fazia que as datas vinham se aproximando no calendário. Jim havia feito as malas na noite anterior, mas, agora, momentos antes da partida agendada, sentia-se inquieto. Estava levando livros suficientes? (...) Estava levando seu tênis de corrida? (...) Em outro lugar da casa, Jim ouvia a mulher a filha em idênticos acessos de pânico de última hora, subindo e descendo às pressas as escadas, com um derradeiro item esquecido em uma pilha perto da porta.

Jim teria retirado das malas certas coisas se possível: o último ano de sua vida e os cinco anteriores, que o haviam subjulgado; o jeito com o Franny o olhava do outro lado da mesa de jantar à noite; (...) os dias monótonos que teria que preencher ad infinitum."


Férias frustradas em família. Parece título de filme dos anos 80, e poderia também ser uma breve descrição para o livro Os Veranistas, da autora Emma Straub.

Em uma narrativa meticulosa, Emma transforma em ficção o cotidiano de uma típica família americana: a história tem início com Jim, esposo e marido, atualmente afastado de suas atividades profissionais (ou seja, demitido), vivendo a chamada crise de meia idade, e fazendo as malas para uma viagem em família rumo a ilha de Maiorca, na Espanha. Passagem aérea em mãos, Jim tenta convencer sua esposa e filha de que esta é uma oportunidade em anos, e que o descanso e reencontro entre familiares e amigos será ótimo para acalmar os ânimos e reaproximá-los, afinal, apesar dos pesares (e eram muitos os pesares mesmo), ainda eram uma família, eram ainda a família Post.

É claro que uma despesa de viagem assim, em meio a uma demissão recente, só poderia ser na verdade um álibi de Jim para (tentar) colocar em prática seu plano de reconciliação, afinal, ele realmente desapontara sua esposa e filhos, e o livro segue com esta crença de que algumas semanas de paradisíacas férias farão com que Jim novamente conquiste a atenção e respeito de sua família - ou pelo menos um pouco de tranquilidade (e menos louças atiradas na parede) em sua própria casa.

Por entre malas e aeropostos, a autora nos apresenta Franny, a esposa, que, por culpa de Jim (assim acredita), carrega as amarguras (e sim, histerias) de um relacionamento de muitas décadas, mas que ainda necessário. Afinal, o que diriam os vizinhos de seu fracassso como mãe, exímia anfitriã de jantares e reuniões, e claro, esposa de Jim? Não, não, um divórcio não estava nos planos de Franny, mesmo após O Incidente (mais conhecido como "pisada de bola" de Jim), já que seu orgulho era maior que qualquer adversidade, e manter o nome dos Post seu nome e reputação era mesmo uma questão de princípio.

A terceira personagem Veranista é Sylvia, a filha recém-universitária que, muito a contragosto, embarca nesta viagem com os Post, já sabendo que um reencontro com seu irmão Bobby (o irmão mais velho e "bon vivant") e um curso intensivo de espanhol eram as "surpresas" que a aguardavam em Maiorca. Com esta "disposição" no rosto e alguns livros ena mala, Sylvia começou a rascunhar uma irônica, porém previsível, lista de afazeres pré-faculdade:

"Sylvia abriu novamente a agenda e retornou à lista que havia elaborado: Coisas para Fazer Antes da Faculdade. Até o momento, havia apenas quatro entradas: 1. Comprar lençóis extralongos. 2. Geladeira? 3. Pegar um bronzeado. (Artificial?) (Ah, me matar primeiro.) (Não, matar meus pais.) 4. Perder a virgindade. Sylvia sublinhou o último item da lista, em seguida desenhou alguns rabiscos na margem. Aquilo abrangia basicamente tudo." 

Quando em Maiorca, após alguns mapas e estradas errados, Jim, Franny e Sylvia chegaram a um vilarejo paradisíaco, onde uma paradisíaca residência os aguardava. Outros personagens também se juntaram ao trio: Bobby e sua namorada Carmen (uma mulher bonita e independente, porém muito mais velha que Bobby - Carmen fora uma espécie de chefe-supervisora de Bobby!, e nem é preciso dizer que este era um grande desgosto para Franny, não é mesmo), além de Charles (melhor amigo e confidente de Franny) e seu marido Lawrence. 

A história de Emma Straub é assim feita de minuciosos hábitos, confissões, desaforos e desejos da familia Post; Os Veranistas acaba sendo um livro extremamente detalhado, e por vezes denso, que quase se arrasta, como um relacionamento que sobrevive graças a esta desnecessária porém desmedida atenção ao nada, a cada coisinha que desfaz ou providencia o nosso caminho. Os Veranistas é então uma história sem muitas estórias (ainda que um amor de praia, um desejo de juventude e uma traição de escritório sejam alguns dos episódios quase incendiários desta viagem em família), e portanto uma espécie de (irônica) alegoria para o cotidiano de qualquer um de nós que se disponha a não mais viver sozinho.

"Apesar das circunstâncias, Franny estava satisfeita (...) por ter seus dois patinhos juntos sob seu teto mais um pouco. (...) O coração era um órgão complexo em qualquer idade. Os adolescentes não eram menos suscetíveis à verdadeira mágoa e à luxúria do que a serem atropelados por um ônibus. Na realidade, as chances eram dramaticamente mais elevadas.

(...) Franny fechou os olhos e pousou o rosto no ombro de Jim. (...) Não havia nada mais difícil ou mais importante na vida do que concordar, todas as manhãs, em manter o curso, retornar ao antigo eu, de muitos anos atrás, e tomar a mesma decisão. (...) Franny entrelaçou firmemente ambos os braços no braço direito de Jim, pronta para qualquer turbulência adiante."


Os Veranistas - Emma Straub

Uma quinzena de férias com hospedagem numa casa confortável, com piscina, em local ensolarado, repleto de praias belíssimas, na companhia da família e de amigos íntimos nem sempre corresponde a momentos agradáveis e de lazer. Em Os veranistas, a escritora Emma Straub analisa as contraditórias relações de afeto na contemporaneidade, deslocando para Palma de Maiorca, na Espanha, um grupo de sofisticados nova-iorquinos que estão vivendo uma fase de transição de suas vidas, enquanto superam traições amorosas. O resultado é um romance encantador sobre a vida em família, a amizade e o amor.

 Montando cenas incômodas, em que eclodem as pequenas rusgas permitidas pela intimidade entre pessoas que se conhecem profundamente, Emma Straub entrega os personagens ao leitor, que os recebe como membros de sua própria família. Os hábitos de cada um, que irritam ou encantam os demais, compõem essa extensa e intensa reunião de figuras notáveis, mas que são tão familiares quanto as que encontramos no dia a dia. Uma narrativa que hipnotiza o leitor por sua aparente simplicidade e, principalmente, pela profundidade do que discute: a dificuldade das escolhas numa sociedade em que todas as ligações podem ser facilmente desfeitas.
quinta-feira, 23 de março de 2017

#TBT - O Pequeno Príncipe | Resenha por Jonatas T. B.

- Eu posso levar-te mais longe que um navio, disse a serpente.
Ela enrolou-se na perninha do príncipe, como um bracelete de ouro:
Aquele que eu toco, eu o devolvo à terra de onde veio, continuou a serpente. Mas tu és puro. Tu vens de uma estrela ...
O pequeno príncipe não respondeu.
- Tenho pena de ti, tão fraco, nessa Terra de granito. Posso ajudar-te um dia, se tiveres muita saudade do teu planeta. Posso ...
- Oh! Eu compreendi muito bem, disse o pequeno príncipe. Mas por que falas sempre por enigmas?
Eu os resolvo todos, disse a serpente.
E calaram-se os dois.
 

Há pouco mais de um ano Rebeca me concedeu a oportunidade de escrever com toda liberdade resenhas a respeito de livros que de algum modo preencheram positivamente minha vida. Confesso nunca ter sido fã de resumir ou criticar ou descrever qualquer coisa de maneira objetiva feito resenhas, mas, como aqueles que acompanham Papel Papel há tempos já sabem, notei que havia algo de diferente nos textos do blog, uma qualidade especial na forma como se transmitia as ideias, algo que ia para além de aparente pessoalidade e autenticidade almejados por tantos outros. Algumas vezes acontecia de maneira sutil, outras explicitamente, mas era evidente, pois sempre me deparava com teor poético raro neste tipo de texto, o que me fez perceber não se tratar apenas de resenhas comuns, mas de pequenas peças que expressavam exatamente aquilo que uma obra de arte essencialmente pretende ao encontrar conosco: a beleza.

Isso me encorajou a escrever. Tudo que escrevi desde então foi tentativa de imitar e reproduzir o mesmo teor poético dos textos do Papel Papel. Uma das minhas maiores felicidades foi a resenha sobre O Pequeno Príncipe, de Antoine de Saint-Exupéry. “Antoine de Saint-Exupéry retorna ao deserto”. Além de ser o texto que mais gosto, depois de tê-lo escrito, recebi um convite de Rodrigo Ferreira para participar no site Nerd Geek Feelings. Entre tantas pessoas talentosas, lá conheci um sujeito com voz de galã chamado Sérgio Silva. Ele é muito importante nesta história porque foi ele quem deu vida produzindo versões em áudio de uma resenha sobre a HQ Soppy (Phillippa Rice) e uma adaptação em HQ de Coração das trevas (Conrad). E é este sujeito com voz de galã que também deu vida ao texto “Antoine de Saint-Exupéry retorna ao deserto” que vocês poderão ouvir.



 Escute a versão narrada da resenha de O Pequeno Príncipe feita em parceria com o Vooozer
uma plataforma de áudio criada para dar voz a internet.
Aperte o play, escute o áudio e dê sua opinião nos comentários :)


De certo modo esta postagem é uma carta pública de agradecimento a todos que participam do Papel Papel (Bruno Fraga, Regiane, Rafa Vieira, Giselle Passos , Rebeca) e do Nerd Geek Feelings (Raquel Pinheiro, Midian Araújo, Mariane Kelczeski, Sofia Maia, Gustavo Almeida e Emanuel Victor, Rodrigo Farias, Sérgio Delduque, Tatiana Stefani, Luiz Alexandre Andrade). Espero que apreciem esta pequena confissão sobre as inúmeras experiências maravilhosas em nossa jornada pelo universo da literatura.

Um forte abraço a todos!
Jonatas

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