segunda-feira, 30 de novembro de 2015

Black Friday parte 1 - compras na Amazon

E chegou minha primeira compra na Amazon brasileira! Encomendei na Black Friday e chegou hoje, segunda-feira. Impressionante a logística desta empresa, estão de parabéns! 



Em relação aos produtos, todos vieram envoltos em plástico-filme, portanto, não chegaram arranhados ou sujos. Os livros estavam bem acomodados na caixa, protegidos também por estes "pacotes de ar". Um único "senão" foi o Eleanor & Park, que chegou com uma das quinas meio amassasinha, mas isso certamente foi um contratempo dos Correios pois a caixa de papelão também estava um tanto detonada dos lados.

Segue então o unboxing das comprinhas <3




Eleanor & Park - Rainbow Rowell
Novo Século

FINALMENTE encontrei Eleanor & Park por menos de 40 reais!!! Meio deselegante começar uma conversa assim mas a emoção é grande! <3 Confesso que já li a história quase toda em diversas idas a Saraiva rs, mas admiro a escrita de Rainbow Rowell e acredito que assim como Fangirl e Anexos (meu preferido eaté agora!) esta também seja uma leitura inesquecível. Se você já tiver lido e quiser compartilhar sua resenha, só deixar o link nos comentários :)




Equilíbrio e Resultado - Christian Barbosa
Editora Sextante

"Imagine que a vida é uma balança. Em um dos pratos está o equilíbrio – tudo o que fazemos para aumentar nosso bem-estar. No outro, está o resultado – todos os objetivos que conseguimos alcançar. Em outras palavras, equilíbrio tem a ver com quem você quer ser e resultado, com o que você quer ter. Em Equilíbrio e resultado, lançamento da Editora Sextante, Christian Barbosa defende que é possível conquistar as duas coisas ao mesmo tempo: ter sucesso na carreira e qualidade de vida."

Conheci o trabalho de Christian Barbosa em uma de suas parcerias com o autor Gustavo Cerbasi, especialista em Educação Financeira e co-autor do livro Mais Tempo, Mais Dinheiro. Sim, caro leitor, nem só de Romance vivemos, e com a idade em algum momento percebemos o quão importante é a relação entre produtividade, tempo, saúde (inclusive a financeira) e equilíbrio, seja na vida pessoal como na profissional. Não é auto-ajuda, é um livro para exercitar a reflexão, o planejamento e a conquista. E a Editora Sextante é repleta de títulos que compartilham dessa experiência e conhecimento. Super recomendo! E este do Christian com certeza será uma leitura especial neste fim de ano.




Erros Fantásticos: O discurso "Faça Boa Arte", de Neil Gaiman
Editora Intrínseca

Não acompanho a obra de Neil Gaiman (nem Sandman, nem Coraline, nem as fábulas recentemente revisitadas pelo autor, como João e Maria) mas este discurso em especial (proferido em 2012 para os formandos da University of the Arts na Filadélfia) despertou meu interesse. Primeiro, por gostar de autores que compartilham um pouco desta vulnerabilidade, dúvida e erro que acompanha qualquer criação artística; segundo, por pontuar em sua fala que "bom" não é o mesmo que "qualquer coisa". Porque para a Arte ser Boa é preciso não apenas o sonho, mas uma jornada de esforço, dedicação, fracasso e realização. E muitas vezes o próprio mundo da arte se esquece disso...

 


E estas foram as minhas primeiras comprinhas da Black Friday de novembro! Faltam ainda os pacotes da Saraiva e do Extra. Tomara que cheguem logo <3

E vocês, já receberam os-últimos-livros-do-ano? :)
quarta-feira, 25 de novembro de 2015

Wishlist Black Friday de Novembro

Compartilhando com vocês uma wishlist de obras ainda não comentadas no Instagram e de gêneros que conheço pouco (Young Adult, Romance e Sick-Lit). Se conhecerem alguma resenha sobre estes autores e livros, fiquem à vontade para compartilhar :)



A probabilidade estatística do amor à primeira vista - Jennifer E. Smith
Galera Record


Talvez o livro Young Adult mais resenhado nos blogs que acompanho e isso é bom! Porque a gente tem mesmo dias de leituras leves e o A probabilidade parece ser um livro ideal para acompanhar este sentimento. Mas se não estiver em promoção nesta sexta confesso que vou deixar para a wishlist de Natal.



Garota Imperfeita - Simmone Howell
V&R Editoras


Como encontrei poucas resenhas sobre este título (talvez por ser uma edição cara que nunca entra em promoção?), segue a sinopse que consta na orelha do livro: Skylark não é mais uma menina, mas os outros personagens dessa história não estão prestando atenção nesse fato. Gully, o irmão mais novo de Sky, tem dez anos e está obcecado por investigar uma tentativa de assalto; sua mãe foi embora para o Japão numa busca insana pela vida artística; seu pai, Bill, parece satisfeito em beber enquanto permanece imerso na loja de vinis e no passado; do alto do terraço, Nancy, a amiga mais velha e experiente, fuma um cigarro e diz que Sky deve se divertir mais; uma garota é encontrada morta e há cartazes com seu rosto estampado por todo o bairro; há uma estranha ligação entre a garota dos cartazes e Luke, o novo funcionário de seu pai. Nessa história, cada acontecimento tem sua própria melodia. E essa é a história de como Sky encontra seu lugar no mundo. Um lugar em que não existem garotas perfeitas. É também a história de uma garota louca e de uma ga­rota fantasma; de um garoto que não sabia de nada e de um garoto que achava que sabia de tudo. E é sobre vida, morte, luto e romance. Só coisa boa.

Interessante, não?



Além do tempo e mais um dia - Lu Piras
L&PM Editores


Tenho ressalvas em relação a sick-lit mas este enredo de superação de Além do tempo e mais um dia parece trazer um diferencial para o gênero. E pelo pouco que folheei deste trabalho percebi um modo de escrita me agradou bastante. Wishlist na certa! 



Prateleira "Novembro Azul" da Saraiva


Não sei se por coincidência estética ou curadoria temática mas passei um bom tempo folheando os 'livros tristes' da Saraiva rs. Tenho observado este Gigante Enterrado há algum tempo, assim como O menino do pijama listrado, mas minha desculpa de sempre é "não consigo no momento ler histórias que demandem uma caixa lenço de papel" :D

Esse A identidade da alma parece também interessante, apesar de ser um livro de um segmento que não acompanho (um misto de auto-ajuda com filosofia oriental). Só cogito conhecer mais da obra por ser uma publicação da Sextante, que é uma editora séria e que foge aos títulos-clichês do tipo "emagreça dormindo" ou "você é invencível". Mas não sei, muito provável que não compre nenhum dos livros da foto...



A. C. Meyer - Série After Dark
Universo dos Livros


A. C. Meyer é sinônimo de Romance. E confesso que se há um ano me perguntassem se eu incluiria o romance em minha wishlist eu certamente diria que não. Por falta de conhecimento de nossos bons autores nacionais mesmo, mas especialmente pelo trauma com a leitura de algumas comédias românticas dos últimos tempos, então, acaba sendo 'mais fácil' dizer que não acompanho muito este gênero. Daí que a vida e a prateleira do leitor 'dá voltas' e ao folhear Fascinada por você eu realmente adorei a escrita de A. C. Meyer! Tão bom quando isso acontece, não é mesmo? E felizmente tive o prazer de conhecê-la pessoalmente em uma sessão de autógrafos aqui no Rio neste mês de novembro e foi tudo muito especial. Afinal, ouvir o comentário do autor a respeito de sua obra é sempre uma grande experiência, e meu interesse em acompanhar esta trilogia só aumentou depois disso :) Então... torcida extrema por uma promoção na Black Friday! (mas acho que vou acabar comprando antes rs) <3



Indicação para os leitores:



Surpreendente! - Maurício Gomyde
Intrínseca



Fico feliz de encontrar muitas resenhas deste que é certamente um dos melhores lançamentos nacionais do ano! <3 Mas pra quem ainda não teve a oportunidade de conhecer a obra do Maurício, coloque Surpreendente! como prioridade em sua wishlist. Sério :)



E vocês, como está a lista para sexta-feira? Será que teremos uma Black "Furada" Friday ou conseguiremos nossos sonhos literários por 9.90 ou quase isso?

Ansiedade, muita ansiedade <3

terça-feira, 24 de novembro de 2015

[Tag] Sobre Café e Filmes


Um bom café pra começar o dia. Ou um chá, um mate, um Nescau ou um copo de banana com Whey. Mas no imaginário das manhãs e dos filmes tudo começa mesmo com um bom café. E aqui no Blog selecionamos um Top 5 de filmes com cenas onde o coadjuvante é o café e seus dramáticos encontros em cafeterias.



1. Bonequinha de Luxo
(Breakfast at Tiffany's, 1961)
Dirigido por Blake Edwards. Adaptação da obra de Truman Capote.
 

Um filme que amanhece com a imortal cena de Audrey Hepburn diante da vitrine da joalheria Tiffany's junto a um croissant e um copo de café. Pois mesmo que o glamour da noite não permaneça no dia seguinte, importa que os sonhos persistam, e neste filme a personagem de Audrey (Holly Golightly) continuará em sua busca por conforto e uma boa vida, e quem sabe até um verdadeiro amor.




2. O Fabuloso Destino de Amélie Poulain
(Amélie, 2001)
Um filme de Jean-Pierre Jeunet

  
Um amor que surge entre olhares e xícaras de café. E intuições. Porque para amar é preciso estar vulnerável, disposto aos sinais do mundo. E aos poucos Amélie conseguirá decifrar os mistérios de tudo isso.




3. Brilho eterno de uma mente sem lembranças 
(Eternal sunshine on the spotless mind, 2003)
Dirigido por Michel Gondry



Neste filme o café ocupa um papel bem secundário na trama, mas em alguns momentos Clementine (Kate Winslet) e Joel (Jim Carrey) encontram-se em um interlúdio de sentimentos, e o café talvez represente bem este intervalo.

Uma das cenas mais lembradas é a da conversa no restaurante, quando Clementine observa que a falência de um relacionamento pode ser percebida nos casais que saem para jantar e mal se olham e tampouco conversam.



4. 500 dias com ela 
(500 days with Summer, 2009)
Dirigido por Marc Webb



Uma cena típica: Tom (Joseph-Gordon Lewitt), o mocinho tímido e indie, se apaixona por Summer (Zooey Deschanel), a mocinha independente que não deseja ter um relacionamento sério tão cedo. Confesso que este não é um de meus filmes preferidos mas, como é uma história onde infinitos términos e recomeços são acompanhados por café e drinks, vale também conferir :)



5. Cinquenta tons de cinza 
 (Fifty Shades of Grey, 2015)
Dirigido por Sam Taylor-Johnson. Adaptação da obra de E. L. James.


Olha, se até em Cinquenta tons de cinza temos uma cena regada a hormônios e cafeína, não há dúvidas de que café, histórias e livros são mesmo uma combinação perfeita, não é? :)






E você, lembra de alguma história que se passa na companhia de um café ou em uma cafeteria? Compartilha com a gente :)




Referências:

Para uma história completa do Café, visite a página da ABIC (Associação Brasileira das Indústrias de Café).

Páginas lindas sobre café, comidinhas e filmes:


domingo, 22 de novembro de 2015

[Resenha] Resposta Certa e O Substituto, de David Nicholls

A vida aos dezoito ou trinta pode ser o testemunho de muita coisa que deu certo: bons amigos; faculdade e carreira definidos; um casório, um romance ou algo parecido. Em Resposta Certa e O Substituto, David Nicholls apresenta seus personagens vivendo o contrário de tudo isso.


Em algum momento, gostaria de ter uma ideia original. Gostaria de ser desejado, ou talvez até amado, mas vou esperar pra ver. E, quanto a um emprego, ainda não sei bem o que quero, mas que seja algo que eu não odeie ou me deixe doente, e isso significa não precisar me preocupar com dinheiro o tempo todo. E são todas essas coisas que uma formação universitária vai me proporcionar.
Terminamos as cervejas e as coisas saem do controle. Tone joga meus sapatos no mar e tenho que voltar pra casa só de meias.
(pg. 18)

Brian Jackson é um rapaz de quase 18 anos que ansiosamente aguarda o dia em que deixará a casa dos pais e a companhia de Tone e Spencer, seus melhores amigos, para iniciar uma nova vida como universitário. Como futuro estudante de Literatura Inglesa, Brian levará consigo apenas uma jaqueta, algumas camisas compradas em um brechó e um paletó de veludo marrom herdado de seu pai, cuja combinação o deixará com "o visual de um jovem oficial do exército traumatizado, com uma certa gagueira e um caderno cheio de poesias trazido das brutalidades do front". Além do figurino-de-vovô-com-óculos, nosso jovem protagonista incluirá em sua mala uma coleção de fotografias, livros (poesias, claro, e também uma cópia d'O Manifesto Comunista) e discos, especialmente os da cantora Kate Bush, sua musa de todo o sempre. E será com esta aparência estranhamente idealizada que o jovem Jackson iniciará seus primeiros dias na universidade. 

Como na maioria das histórias de David Nicholls, Resposta Certa é também ambientada na Inglaterra dos anos 1980, onde além da cultura punk, nerd e hippie era necessário ao jovem tomar partido nas disputas políticas da época, a saber, a escolha entre a ala revolucionária dos simpatizantes soviéticos ou a dos jovens conservadores dos times de remo e críquete. E já nas primeiras horas de seu primeiro dia na universidade Brian teria contato com estas duas realidades, especialmente após ter sido acomodado em uma casa-república ocupada pelos esportistas Josh e Marcus, e em sua primeira festa no campus ter sido confrontado por Rebecca, a jovem militante dos partidos estudantis e aparência digna de uma espiã da KGB. E neste caótico reconhecimento de amizades, costumes e territórios, Brian, já um tanto embriagado, encontra num quadro de avisos a chance poderia determinar sua nova vida: o teste de seleção para o time do Desafio Universitário.

Desde criança Brian e seu pai tinham o hábito de assistir programas de perguntas e respostas da TV. E ainda que errassem a maioria das questões, Jackson pai e filho nutriam um gosto por essa Cultura Geral onde o conhecimento de nomes, datas e acontecimentos históricos aliado a teoremas matemáticos e obras literárias poderia ser a oportunidade de ser especialmente lembrado, e quem sabe até bem sucedido. E Brian sempre sonhou com esta notoriedade. Será que no Desafio Universitário ele seria finalmente reconhecido?


Em uma carreira profissional que já durava onze anos, até agora Stephen C. McQueen havia interpretado seis cadáveres, cada um deles (...) comunicando o pathos de não estar vivo. Para não ser selecionado sempre para o mesmo papel, ele omitiu essas experiências no seu currículo, atribuindo aos vários cadáveres nomes intrigantes e carismáticos, como Max ou Oliver, em vez dos mais específicos (...) Cadáver ou Vítima. Mas o fato havia se espalhado pela indústria - ninguém fazia aquilo melhor do que Stephen C. McQueen.
(pg. 16)
Quanto à celebridade, ele não tinha desejo de ser famoso (...); não tinha vontade de se ver num ímã de geladeira ou numa caixa de cereais.(...) Só queria a fama de estar sempre trabalhando. A fama de ser reconhecido.
O que aumentava ainda mais a frustração de estar preso a um trabalho de interpretação que praticamente não envolvia interpretar nada.
(pg. 32)     

Como uma versão balzaquiana de Brian Jackson, o protagonista de O Substituto parece mesmo seguir os passos de nosso jovem estudante do Desafio Universitário: após uma década atuando em papéis inexpressivos no teatro, no cinema e na TV, Stephen C. McQueen (um quase-homônimo do verdadeiro Steve McQueen) ainda acredita que sua vez está apenas chegando, e que o reconhecimento de seus anos de trabalho e estudo logo virá. Algum dia, talvez, mas virá.

Aos dezesseis anos Stephen abandonara o sonho dos pais (uma carreira no ramo da programação de computadores) para dar início a sua "preparação como ator": primeiramente, comprou um exemplar de segunda mão da obra de Stanilavsky e passou a imitar as pessoas que via no ônibus; também começou a fumar, comprou um sobretudo e matriculou-se em diversos cursos de arte. Os anos passaram e após uma década de papéis secundários e pouco dinheiro Stephen conheceu Alison, com quem compartilhou em um período de três anos um modesto apartamento num subsolo de Camberwell, junto a móveis de MDF, garrafas de vinho barato e pôsteres que eram também o "cenário-inspiração" para Sophie, sua filha, que após o divórcio obviamente recebeu a guarda da mãe, desta vez casada com Colin, um banqueiro de investimentos que obviamente as levaria para uma vida em uma mansão de cinema. 

Após inúmeras decepções e terapias, Stephen parece ter finalmente encontrado a oportunidade de sua vida: a participação em um grande espetáculo teatral onde o mundialmente famoso Josh Harper, o 12º homem mais sexy do mundo, encenaria Lord Byron, o poeta e romancista há séculos admirado por toda a Inglaterra. Logo, a peça seria um sucesso e a vida de nosso azarado protagonista poderia finalmente mudar! Não fosse por um pequeno detalhe: Stephen participaria da peça como ator-substituto de Josh Harper. Ou seja, só atuaria como Lord Byron quando Josh se ausentasse dos palcos. Algo que dificilmente aconteceria.

Tanto a história de Brian como a de Stephen é contada em detalhes tão improváveis que é impossível não rir. Mesmo nas piores situações, David Nicholls convida o leitor a lidar com as adversidades de forma bem humorada, como se a empatia pelos personagens atrapalhados fosse um motivo para perseverar em nossas lutas - e igualmente evitar o caminho por eles escolhido. Ambos os personagens (assim como o excêntrico Douglas, de Nós) convivem neste universo de segundas chances e recomeços, não importa se aos quinze, trinta ou cinquenta, e esta 'característica' do autor talvez seja uma de minhas maiores motivações em conhecer mais de sua obra. Para uma observação um tanto menos 'otimista', acrescento: não gostei muito dos desfechos das histórias de Brian e Stephen. Até entendo que ambos foram condizentes com a trajetória de seus personagens, e Nicholls foi generoso em permitir algumas surpresas em cada história; difícil comentar sem spoilers, mas posso dizer que há um final um tanto acelerado para cada personagem, como se tanto o autor como Brian, Stephen e o leitor em uníssono dissessem: "então é isso, chega de tristeza, 'bora pensar positivo que alguma coisa a partir de agora vai ter que dar certo".

O que não deixa de ser um bom conselho.


David Nicholls. O Substituto. RJ: Intrínseca, 2013.
_____. Resposta Certa. RJ: Intrínseca, 2012.
sexta-feira, 20 de novembro de 2015

Livros Interativos

Feriado no Rio de Janeiro é sinônimo de vou ficar em casa e colocar o blog, a leitura e a vida em dia. Como muitos cariocas, eu poderia-estar-pegando a estrada para curtir um fim de semana na praia mas, por motivos de: 1) tá um mormaço bizarro; 2) o trânsito no Rio é uma eterna fadiga; 3) tenho pressão baixa e de outubro até abril eu quase morro, então, sim, bora ficar no aconchego da mp3 e da geladeira.

Coca-Cola e classic Rock no estoque, nesta solene sexta em que escolho ficar em casa, resolvo curtir alguns momentos junto aos livros interativos para, em seguida, compartilhá-los aqui no blog com vocês. Vamos então às sinopses-resenhas de Jardim Secreto, Segredos de Paris, Crie sua Redação e O Diário Mais Legal do Mundo :)


Jardim Secreto

Pioneira no segmento de livros para colorir, minha edição do Jardim continua intacta e sem cores. Talvez pela complexidade das ilustrações, que demandam um tempo infinitamente maior para uma pintura dedicada e igualmente à altura da perfeição de cada desenho. Sim, este deveria ser um livro anti-stress e apenas uma atividade para se sentir feliz MAS... não consigo. Tenho toc e a idade (e talvez alguma miopia) não me permite esta admiração minuciosa de cada detalhe, florzinha e sapinho ao longo das 96 páginas do Jardim. 


Segredos de Paris

Mais um lançamento da Sextante com lindas ilustrações e, desta vez, com uma temática que foge ao flora-fauna-natureza. É um livro que chega a ser até narrativo pois em cada página encontramos paisagens urbanas, arquiteturas e outros símbolos culturais desta cidade dos sonhos. É realmente lindo <3 E há também um volume dedicado a Nova York. Recomendo os dois :)


Crie sua Redação

Como já apresentado aqui no blog, Crie sua Redação é um livro interativo com atividades voltadas a criação textual, portanto, não encontraremos aquele um milhão de figurinhas para colorir rs, ainda que hajam sim diversas ilustrações prontas para um Faber Castell. Minha experiência com o livro está sendo bem divertida! Mas to participando das atividades com algumas colagens, ao invés de lápis e tinta, portanto, qualquer semelhança com um diário não será mera coincidência rs.


O Diário Mais Legal do Mundo - Um livro interativo pra quem tem Fé

Quando eu terminar o Crie sua Redação certamente dedicarei alguns bons dias a esse Diário, que além de ser um livro de atividades (e desta vez com uma quantidade maior de texto ao invés de ilustrações) é também uma publicação que convida a uma reflexão sobre o nosso cotidiano, personalidade, sonhos, futuro, e claro, Fé. Publicado pela Thomas Nelson.


E você, também coleciona e curte livros interativos? Qual o seu preferido? Compartilha com a gente :)

domingo, 15 de novembro de 2015

[Resenha] O leitor do trem das 6h27


Segunda-feira. Ele não vira o domingo passar. Levantou-se muito tarde, deitou-se muito cedo. Um dia sem. Sem vontade, sem fome, sem sede, sem nem sequer uma lembrança. Rouget e ele haviam ocupado o dia andando em círculos, o peixe em seu aquário, ele em seu conjugado, já à espera dessa segunda-feira que ele detestava. (p.69)


A Sobra


Em cores de lápis e tinta, diários e cartas abrigam sonhos e vida. Em cada página, traços e vestígios do que já vivemos, como se no hábito e na confissão um qualquer momento pudesse mesmo ser infinito. Porque é preciso conservar para não perecer, e nesta voluntária escrita permanecemos de algum modo vivos.

Mas há momentos em que o arquivo não é possível. Talvez por náusea ou melancolia, ou quando o hábito torna-se ressonância e a lembrança mero átimo de vida. Em dias assim, as horas se arrastam, o desejo se esvai e a repetição é tudo o que possuímos.

Guylain Vignolles acorda e conta seus passos, os carros estacionados, a quantidade de postes e o bom dia ao velho e seu cachorro, que diariamente retribuem o cumprimento, como se a manhã só começasse com esta passagem de Guylain, que do número quarenta e oito da alameda de Charmilles caminha até a estação rumo ao trem das 6h27. E esta rotina de transporte e cidade tem há anos sido a primeira página de seu diário.

Dentro do vagão, incontáveis anônimos e algum pouco sorriso. Como se na escrita de seu melhor parágrafo, Guylain senta-se no banco retrátil, retira da pasta algumas páginas e em voz por vezes alta inicia uma nova leitura. Ao som dos trilhos e das histórias, os vinte minutos da viagem são como uma canção para os ouvidos apáticos das quase sete.

Ao chegar ao trabalho, o brilho da leitura esmaece e uma jornada de destruição se inicia: sob a ignorância de seus colegas e chefe, Guylain desperta a Zerstor 500, esta máquina-Coisa cujas mandíbulas trituram matérias e sonhos ao longo de cada dia. O cotidiano na Usina poderia apenas conter as dores de um trabalho qualquer, mas Guylain se importava demais, de modo que a destruição dos materiais era ao mesmo tempo o triturar de seu coração. O que era de certo modo uma realidade.

Ao voltar para casa, Guylain não compartilhava suas páginas; ele que um dia sonhou em tornar-se Editor, hoje apenas deseja voltar ao seu conjugado, onde Rouget de Lisle o saudará com bolhas de ar e incontáveis voltas em seu aquário. E após algum sono o dia seguinte igualmente recomeçaria.


"É nas cicatrizes dos gueules cassés, os militares sobreviventes da Primeira Guerra Mundial com sequelas de combate, sobretudo deformações no rosto, que é possível ler as guerras, Julie, não nas fotos dos generais em seus uniformes engomados e recém passados", disse-me um dia minha tia enquanto nós lustrávamos vigorosamente com flanelas os ladrilhos para dar-lhes o brilho de outrora. (p.95)


E o sobressalto


O amor acontece quando menos esperamos. Até num trajeto das 6h27. Ainda sob o tremor deste encontro, Guylain Vignolles desejará sobreviver a este dia e outros mais, até que a possibilidade de amar torne-se mesmo realidade. E será sob este sonho de uma vida junto a alguém de igual simplicidade, bom gosto e existência que os dias de Guylain serão descritos como algo mais que o aquário da casa e também o do peixe.

O leitor do trem das 6h27 é uma história onde o melhor dos destinos pode ser encontrado até nas mãos dos corações mais abatidos. E o livro torna-se perfeito pela narração extraordinária de tudo isso.

Certamente um dos grandes lançamentos da Intrínseca deste ano! E tudo o mais que eu disser será como um spoiler, então, confira :)


Jean-Paul Didierlaurent, O leitor do trem das 6h27. RJ: Intrínseca, 2015.


quinta-feira, 12 de novembro de 2015

Enquanto a Black Friday não vem...

... a pilha de acumulados só aumenta. Quem nunca. Mas vamos aos primeiros comentários dos livros que já folheei:


Um livro inteligente. Pelo menos em seus capítulos iniciais. Mas como estou por volta da página 100 e o livro tem 566 páginas, há um certo não-otimismo em acreditar que a história possa ficar repetitiva em breve. Espero que não mas... nunca se sabe. 

O livro começa com a angústia do jovem Marcus Goldman, que mesmo com muita grana, leitores e um bestseller em mãos simplesmente não consegue acreditar em sua carreira, e tampouco escrever uma qualquer linha de seu próximo livro. Ainda que a expectativa de seu editor e agente fosse um sucesso atrás do outro. No caso, um contrato de cinco livros. De sucesso.

Vida boa ou falência: qual o destino do jovem Goldman?

Ainda não sei. Porque a trama só realmente acontece quando o tal Harry Quebert entra em cena. E há detalhes detalhes e detalhes em cada cena. Livro bem construído. Mas longo. Como um longo episódio de Law and Order com uma pitada de Stephen King. Enfim, vale a leitura. E quem sabe ainda neste ano completo a resenha aqui. Aguardemos.


O Manuscrito é também uma história que se passa nos bastidores do mundo literário, onde escritores e agentes lutam por ambições individuais em uma atmosfera de rápido declínio. Especialmente entre os profissionais de gerações anteriores, que mesmo jovens, ainda em seus quarenta anos, perdem a esperança e o vigor quando em um jogo onde a competitividade é medida pela pouca idade, poder de sedução e sexo. E assim como na história de Harry Quebert este elemento real-cotidiano consegue realmente prender o leitor. No entanto, o autor de O Manuscrito tem um pouco daquela escrita que eu sempre reclamo aqui: a que minuciosamente descreve o momento em que o personagem abre os olhos, levanta da cama, calça pantufas e prepara um chá enquanto responde emails e se surpreende com as notícias do dia. Logo, leitura interrompida na página 80. Mas não descarto a leitura. Ainda. Vamos ver.


Esse é um dos livros mais bem escritos do ano!! Palmas para sua tradução também! Mas confesso que por ser a história muito DENSA e sensível e real e poética eu simplesmente não consegui continuar. Por motivos de: não-podemos-estar-chorando em cada página no momento. Sério. Livro lindo demais! Só isso que consigo por enquanto dizer. E leiam leiam leiam! Ou pelo menos comprem e deixem na estante para um dia existencial e reflexivo. Só não esqueça da caixa de lenço.


Então. Juro que tentei. Tentei embarcar neste clássico universo do Sr. King, ainda mais nesta edição linda (parabéns aos designers e editores da Suma de Letras!). Mas minha inaptidão para histórias de personagens decepados e mortos-vivos realmente é um impedimento. Sou fraca pra esse tipo de leitura, tem jeito não. Risos.


Meu segundo 'então' nesta lista. Então, gente. Posso dizer que a viagem de amor e autoconhecimento estrelada por Julia Roberts em algum momento dos anos dois mil ainda passa por minha memória. E acredito que eu ainda vá gostar desta história quando iniciar a leitura desta edição pocket de Comer, rezar, amar. Mas ainda não iniciei. Talvez por ter esquecido na prateleira com os acumulados do gênero 'li metade e não gostei'. O que é de certo modo injusto pois mal folheei este livrinho e só tirei da embalagem Comprometida, seu companheiro de promoção Black Friday na Saraiva, tipo hoje pra fazer essa foto. Portanto, caso alguém aí tenha feito resenha desses dois, deixem o link que eu to curiosa pra saber o quão fofo ou não é a escrita desse mundo todo aí, ok? 

É isso, pessoal. E como novembro tem Black Falência Friday, e quem sabe algum livrinho de parceria chegando por aqui, tenho uma ligeira impressão de que demorarei um pouquinho mais na leitura desses 'moços' todos aqui do post...

E vocês, quais as pendências da semana/mês/semestre? Compartilha nos comentários :)

quinta-feira, 5 de novembro de 2015

[Resenha] És fascinação, amor | Sobre o livro "Fascinada por você", de A. C. Meyer

- Um dia o sonho acaba. Eu to esperando ele acabar.
(Elis Regina)

O que seria da literatura sem as histórias de amor e do romance sem o final feliz? Em Fascinada por você, terceiro volume da série After Dark, a autora A..C.Meyer compartilha os ideais desse amor romântico, de modo quase cinematográfico, onde cada detalhe e gesto contribui para a construção de um encontro perfeito, com toda a possibilidade de um para-sempre de seus personagens. E é preciso hoje certa coragem para falar desse amor de pequenas vitórias e otimista, especialmente quando o ambiente da cultura parece-nos a cada momento desconstruir o coração e a intensidade de seus sentimentos.

Não que não haja afeto; talvez relações menos doces, ou 'desapegadas', e algum menor incentivo às do tipo eu te amo e casa comigo?. Tudo bem, são escolhas. Mas quando toda uma geração de autores compartilha desse 'modo antigo' de falar sobre o amor, é preciso considerar que algum grande público ainda talvez sonhe com a permanência dos encontros. Na literatura e na vida fora dos livros. E é preciso alguma infância para conservar o amor assim.

É preciso também prudência. Porque a expectativa tanto pode ofuscar o presente como fascinar a razão. E o fascínio é uma espécie de limite entre a afeição e o risco.


Nobody said it was easy
No one ever said it would be this hard
(Coldplay)

Nesta sequência literária, A.C.Meyer retoma a história às vésperas do casamento de Danny e Julie, cujo romance, construído nos livros anteriores, será a atmosfera dos primeiros capítulos de Fascinada por você. E nesta atmosfera de união e companheirismo, Rafe e Jenny, então protagonistas da série, e que em um episódio anterior viveram um breve porém intenso amor, repensarão as escolhas do presente, desafiarão o remanescente passado, e juntos compartilharão a esperança de uma nova história.

Neste universo de casais, cada capítulo apresenta o ponto de vista de um personagem distinto - em especial, o de Rafe e Jenny, cujas sensações e expectativas transbordam a cada parágrafo e encontro. O livro segue nesta narrativa ao mesmo tempo dinâmica e pessoal, como se o leitor por vezes estivesse lendo um diário, e em outros momentos na cena junto aos personagens.

Um outro importante ponto de vista para a história será o de George, o melhor amigo e wedding planner de todo o grupo, que reafirma seu companheirismo ao encorajar os sonhos, chorar junto nos momentos de luta, e vibrar a cada realização de seus amigos. E como se em um brinde a este personagem tão gentil, a autora dedica a George uma surpresa que com certeza irá emocionar a todos.

Por falar em surpresa, um inesperado fato também surge na vida de Rafe e Jenny, este quase-casal que por pouco não perde as esperanças de um futuro melhor e feliz. Porque afinal, quando a alma turva, enxergamos sob a luz do fascínio, permitindo que escolhas cotidianas em algum momento irrompam em dores, e com a eventual participação de personagens doentios. Em Fascinada por você, A.C.Meyer nos oferece então esta virada quase cinematográfica, partindo de um diário de realizações para um inventário de indecisões e emoções partidas.

No entanto, para que haja amor, é preciso liberdade, e esta só é possível quando o tempo e o destino se tornam nossos aliados. E quanto a George, Rafe e Jenny, fica a certeza: esta foi a primeira lição que compreenderam.


A. C. Meyer, Fascinada por você. SP: Universo dos Livros, 2015.
segunda-feira, 2 de novembro de 2015

[Resenha] Perdão, Leonard Peacock - Um livro de Matthew Quick

Realmente não dissemos muito mais do que isso, nada de extraordinário aconteceu, só a conversa idiota de garotos daquela idade.
Talvez seja o tipo de onda que apenas garotos assim podem ter e entender.
Havia centenas de adultos bebendo, jogando e fumando naquela noite, mas aposto que nenhum deles teve a mesma onda que Asher e eu.
Talvez seja por isso que os adultos bebem, jogam e se drogam: porque não conseguem mais ter isso naturalmente.
Talvez a gente perca essa capacidade à medida que envelhece.
Asher com certeza perdeu.
(p. 110)


try to erase it from the blackboard


Não consigo imaginar este livro sem uma trilha sonora como Jeremy. Principalmente por ser o menino do vídeo um pouco como Leonard Peacock: uma voz que em algum momento grita. Ainda que não entendamos a intensidade de suas histórias, talvez Leonard e Jeremy desejem apenas lembrar-nos que a cada momento algum menino (como eles, como nós mesmos) gostaria de ser ouvido. E quando a voz encontra o fôlego de um silêncio, talvez seja a melhor hora para retribuirmos a escuta, quem sabe até com algum sorriso.

Apesar de não conseguir dizer os porquês de tanta música aqui no blog e tampouco por que apenas Pearl Jam em mais de um post, acredito que durante a leitura muitas das histórias saiam do papel e passem a conviver em nossas lembranças; daí essas aproximações, como se o texto-do-autor encontrasse o-diário-do-leitor ou algo próximo disso. Ou ainda algum outro sentimento indizível, como o que sinto ao ouvir as histórias de Matthew e Eddie, e que provavelmente você sente junto a infinitos outros autores. Aliás, infinito é uma palavra que define bem esse sentimento, esse isso.

Perdão, Leonard Peacock talvez seja o livro 'mais denso' de Matthew Quick. E não por lidar com o suicídio como tema (olá, Por lugares incríveis), mas por compartilhar em cada página uma angústia do tipo insuperável, sem alguma perspectiva de que tudo irá acabar bem. Nos outros livros do autor, especialmente em Quase uma Rockstar, a narrativa de acontecimentos trágicos é de alguma forma acompanhada por um flashback de boas lembranças, o que torna o passado algo precioso demais, e portanto algum motivo para resistir aos piores dias. Leonard Peacock não consegue esta superação; os acontecimentos da infância são ainda fortes demais.

A história se passa na Filadélfia, em um cenário comum a inúmeros adolescentes, onde apenas os mais fortes e populares sobrevivem. E nos corredores da escola e da vida Leonard tem sido forte apenas por resistir aos longos dias. Não há muitos personagens; poucos foram os encontros significativos em sua vida. Daí o cotidiano ser acompanhado apenas por Walt, o vizinho idoso e fã de cinema dos anos quarenta; Lauren, a jovem cristã por quem acreditou se apaixonar; e Herr Silverman, professor de Holocausto, cujas aulas e conselhos serão realmente importantes para Leonard.

Como alternativa aos dias ruins, Herr Silvermann sugere que Leonard escreva algumas Cartas para o Futuro, destinada àqueles com quem gostaria de compartilhar seus próximos dias. Escrever seria importante, especialmente em momentos tristes, pois a carta poderia tornar-se uma promessa, uma espécie de "oi, estarei aí sim, no futuro, para encontrá-los". Só que O Pior dos Dias Ruins chega e Leonard Peacock acredita que as cartas e tudo o mais são apenas alguma bobagem sem sentido. Até o momento em que uma das poucas vozes em que mais confia o encontra pelo caminho.

Para quem já está acostumado com o gênero sick-lit e personagens introspectivos, esta será também uma obra importante; recomendo a leitura! Afinal, embora triste, Leonard tem suas razões, e realmente merece ser ouvido.


Como medir o sofrimento?
Quer dizer, o fato de eu viver em um país democrático não garante que minha vida seja livre de problemas.
Longe disso.
(p. 84)


Matthew Quick, Perdão, Leonard Peacock. RJ: Intrínseca, 2013.
Leia um trecho em pdf.