quinta-feira, 28 de abril de 2016

Comprinhas no Submarino - STAR WARS



Há muito tempo, numa galáxia muito distante, mais exatamente no ano de 1977, o compositor John Williams seria escalado para a criação um tema musical desta que seria a aposta do cinema de ficção de todos os tempos. E para acompanhar este ambicioso projeto cinematográfico, idealizado por George Lucas, sua trilha sonora não poderia ser diferente: majestosa e épica, a composição de Williams viria a tornar-se uma espécie de Hino de toda uma geração!

Após algumas décadas de hiatos e filmes, e impulsionada pela produção de um novo episódio (que creio que todos assistimos no ano passado e ansiosos assistiremos sua continuação ainda em 2016), muitas editoras redescobriram esta narrativa de impérios e conquistas e, felizmente, para a alegria de todos os nerds deste planeta, inúmeras sagas e spin-offs foram e continuam ainda sendo publicados. Uma das coleções mais conhecidas é a publicada pela Editora Aleph, cujos títulos (bem, apenas alguns :/) foram por nós adquiridos em uma recente promoção no site do Submarino <3

Como a fila de leitura anda intergalática, ou melhor, kilométrica, postaremos por enquanto as sinopses de três dos títulos escolhidos. E claro, como toda história merece uma boa resenha, indicamos a leitura dos textos já compartilhados pelos seguintes blogs parceiros: Desbravadores de Mundos, Nerd Geek Feelings e Cantinho de Leitura da Mari.

E que a Força (do texto) esteja sempre com vocês! :)


Steve Perry

São tempos sombrios na galáxia. Enquanto a princesa Leia organiza uma missão para resgatar Han Solo do terrível Jabba, o Hutt, Darth Vader vasculha a galáxia atrás de Luke Skywalker, com o objetivo de recrutá-lo para o lado sombrio da Força.

Para atender a ordem do imperador Palpatine, o Lorde Sombrio une seus esforços a Xizor, poderoso líder de uma organização criminosa. Mas Vader não é o único a querer as graças do imperador, e seus planos podem ser colocados em risco, já que o chamado Príncipe Negro pode ter outros interesses nessa empreitada.


John Jackson Miller

A República foi destruída, e agora a galáxia é governada pelos terríveis Sith. Obi-Wan Kenobi, o grande cavaleiro Jedi, perdeu tudo... menos a esperança.

Após os terríveis acontecimentos que deram fim à República, coube ao grande mestre Jedi Obi-Wan Kenobi a missão de proteger aquele que pode ser a última esperança da resistência ao Império. Vivendo entre fazendeiros no remoto e desértico planeta Tatooine, nos confins da galáxia, o que Obi-Wan mais deseja é manter-se no completo anonimato e, para isso, evita o contato com os moradores do local. No entanto, todos esses esforços podem ser em vão quando o “Ben Maluco”, como o cavaleiro passa a ser conhecido, se vê envolvido na luta pela sobrevivência dos habitantes de um oásis esquecido no meio do deserto e em seu conflito contra o perigoso Povo da Areia.


Troy Denning

Uma última aventura para Han, Luke e Leia. Provação se passa 40 anos após o acontecimentos do filme STAR WARS – Episódio VI. A trama se inicia quando Lando Calrissian pede ajuda para enfrentar um grupo de piratas em uma de suas minas. Dois grandes vilões, movidos por vingança e ambição e talvez ainda mais perigosos que o próprio Império, farão o ex-contrabandista e a esposa, agora cavaleira Jedi, se unirem novamente a Luke nessa aventura que explora dinâmicas da Força de uma forma nunca antes feita. Repleto de ação do começo ao fim, Provação traz de volta os principais personagens da saga Star Wars em uma trama que combina perfeitamente chantagens, sequestros e batalhas tão épicas quanto as da trilogia original.


E vocês, já estão com as leituras de Star Wars em dia? Compartilhem aqui nos comentários os links para as resenhas de vocês! Esperamos em breve postar nossas impressões sobre estes títulos também <3

terça-feira, 26 de abril de 2016

Recebidos de Abril - Editora Record


O primeiro beijo e o primeiro poema (ou carta de amor) são, possivelmente, dois acontecimentos dos mais importantes de nossas vidas. E ainda que a descoberta do corpo e a do texto aconteçam em um cenário pouco ideal, ou, se com muita sorte, sob o melhor dos encantamentos, o que importa é a história que contamos sobre estes mundos: parágrafos de intensa lembrança ou simples indiferença?

Dentre as datas comemorativas dos últimos meses, comemoramos no Brasil o Dia da Poesia, em 14 de março, e o Dia do Beijo, em 13 de abril. Pensando nestes eventos, a Editora Record, através dos selos Verus e José Olympio, destaca entre os seus lançamentos O Primeiro Último Beijo, de Ali Harris, e Toda a Poesia de Augusto dos Anjos, que de alguma forma se aproximam destas celebrações. Aqui no Blog, em breve compartilharemos resenhas, mas por ora uma breve apresentação e sinopse destes lançamentos.






Sinopse: Um dos poetas mais importantes e estudados do país em novo projeto gráfico.

A banalidade, o pessimismo, a morte, o escatológico, a ciência e o cotidiano são as principais matérias-primas para Augusto dos Anjos, autor paraibano que desafiou, de forma corajosa e independente da crítica, os formatos, as convenções e as temáticas tradicionalmente associadas à poesia de então. Contemporânea e ao mesmo tempo retrato de uma época, a obra de Augusto mantém-se questionadora e, portanto, necessária. A presente coletânea, cuja organização e prefácio são de Ferreira Gullar, é de enorme importância histórica e literária. Um verdadeiro presente.

Neste volume estão reunidos cerca de 140 poemas do paraibano Augusto dos Anjos, escritor que figura entre os grandes nomes da literatura brasileira. Os primeiros 58 textos fazem parte da obra Eu, lançada em 1912, quando Augusto dos Anjos ainda era vivo. Os outros poemas nunca chegaram a ser publicados em livro pelo próprio autor e só alcançaram o grande público em compilações póstumas. Esta edição da obra completa do poeta, que chega às lojas pela José Olympio, é enriquecida ainda por um estudo crítico de Ferreira Gullar.


DEBAIXO DO TAMARINDO

No tempo de meu Pai, sob estes galhos,
Como uma vela fúnebre de cera,
Chorei bilhões de vezes com a canseira
De inexorabilíssimos trabalhos!

Hoje, esta árvore, de amplos agasalhos,
Guarda, como uma caixa derradeira,
O passado da Flora Brasileira
E a paleontologia dos Carvalhos!

Quando pararem todos os relógios
De minha vida, e a voz dos necrológios
Gritar nos noticiários que eu morri,

Voltando à pátria da homogeneidade,
Abraçada com a própria Eternidade
A minha sombra há de ficar aqui!





O primeiro último beijo, de Ali Harris

  
Sinopse: Um livro sobre a luta para manter o amor da sua vida, mesmo quando o futuro é incerto.

O primeiro último beijo conta a história de amor de Ryan e Molly, de como eles se encontraram e se perderam diversas vezes ao longo do caminho. Na primeira vez em que eles se beijaram, Molly soube que ficariam juntos para sempre. Seis anos e muitos beijos depois, ela está casada com o homem que ama. Mas hoje Molly percebe quantos beijos desperdiçou, porque o futuro lhes reserva algo que nenhum dos dois poderia prever... Esta história comovente, bem-humorada e profundamente tocante mostra que o amor pode ser enlouquecedor e frustrante, mas também sublime. Na mesma tradição de P.S. Eu te amo e Um dia, O primeiro último beijo vai fazer você suspirar e derramar lágrimas com a mesma intensidade.


O beijo de "e se..."

Existe um breve momento, antes de se render totalmente a um beijo, em que você toma a decisão quase consciente de se deixar levar. Mas e se um dia, nesse exato momento, você perceber que não pode se deixar levar? E ficar desesperadamente presa? É como eu me sinto agora: presa a esse beijo por toda a vida.


Estamos ansiosos para devorar estas leituras! <3 E vocês, já tiveram a oportunidade de ler algum desses autores? :)

sábado, 23 de abril de 2016

O inverno que não acabou e outros contos, de Adriano de Andrade


Noturna é a paisagem, que em memória ou despedida acena: para enxergar o passo, é preciso claridade; para embalar o texto, há que se atravessar a neblina. Ainda assim, em julho ou à tarde, o que nos resta é a melancolia.

É no inverno que o autor traduz a raridade: em versos que escapam de seu interior, os primeiros passos rabiscam as paredes da casa e nos dizem que o assombro é um grito fechado, contrário e ensimesmado; de costas para o leitor, porém bem próxima, a infância é uma voz que à memória pertence, e que por vezes transborda no choro da própria noite, dos objetos, da companhia vazia de nós mesmos.

Nestes Outros contos, Adriano de Andrade retrata o que pela mão dos homens se desfaz: o lar, o encontro, qualquer nota de verdade; as velhas estrofes, o afago, tudo o que hoje são páginas, à beira do pó e esfareladas, a um dia de serem por nós esquecidas.

Enquanto o inverno não acaba, o autor e a tarde embalam suas cinzas: junto à lareira, pés de histórias, e um não-dito que saboreamos, ao gris de um mero conto, um fardo ou um pensamento.

* * *

Em parceria com o autor Adriano de Andrade, recebemos para resenha O inverno que não acabou e outros contos, uma publicação do Selo Novos Talentos da Editora Novo Século. Nossa colunista Regiane Medeiros já terminou a leitura e hoje compartilha suas impressões aqui no Blog. Como ainda estou iniciando a leitura (e a ansiedade de postar essa novidade acaba sendo maior que o ritmo de meu passar de páginas rs), compartilho sobre a obra apenas alguns parágrafos nesta introdução.

Você também pode conferir um dos contos no Issuu da Novo Século. Acompanhe também a fanpage do livro "O inverno que não acabou e outros contos" no Facebook

Sinopse: Um homem lutando contra as suas – amargas – lembranças; um psicopata oculto perturbando sua vítima em um cenário obscuro; dois mundos distintos que seguem caminhos paralelos e quase se cruzam; um erotismo imaginário preenchido com sofrimento alheio; o sonho perdido de uma criança e o vício na vida de um gênio. Elementos que compõem as narrativas curtas deste livro; uma seleção de contos para colocar suas sensações à flor da pele. Em um universo que percorre diferentes cenários relacionados às aflições que cercam o indivíduo, O inverno que não acabou e outros contos revela a eterna alternância dos sentimentos que resumem a esperança e a descrença na atitude humana.


“Conto é uma narrativa curta e que se diferencia dos romances não apenas pelo tamanho, mas também pela sua estrutura: há poucas personagens, nunca analisadas profundamente; há acontecimentos breves, sem grandes complicações de enredo; e há apenas um clímax, no qual a tensão da história atinge seu auge.” (Definição por Profa. Aline Duarte, Colégio Ari de Sá Cavalcante, Fortaleza – CE)

Em seu livro O Inverno que não acabou e outros contos, publicado pela editora Novo Século/Talentos da Literatura Brasileira, o mineiro Adriano de Andrade faz um excelente uso das características esperadas em um conto.

A cada página lida, é possível perceber a fluidez das palavras, que nos transportam para dentro do texto, nos fazendo ouvir “O ranger agudo da cadeira contra o assoalho da varanda não cessava, mesmo sem ter alguém sentado para fazê-la balançar” (pg 11), e experimentar sensações conflitantes como “não saber o que fazer, com o coração cheio, dilatado, preenchido por um sentimento que agora não tem mais destino, sem ter ninguém que possa receber todo aquele amor” (pg 25), diante da rejeição da pessoa amada.

Leva-nos a uma descarga de adrenalina diante do cenário de um suposto cativeiro, submetendo-nos ao terror psicológico que aflige o personagem narrador “Descalço, sentia o frio que vinha do piso molhado subir por entre meus dedos e arrepiar os pelos das minhas pernas. Tudo isso com uma respiração difícil e ofegante, por conta de uma corda presa ao meu corpo” (pg 58), bem como ao estado de excitação de um artista, promovido pela embriaguez, após tanto tempo lutando para se manter sóbrio, “Minha cabeça fervilhava à medida que a inspiração me sacudia. Comecei a pintar como havia muito não fazia. Um pouco tonto, é verdade, mas cheio de ideias” (pg 65).

Mas também nos leva por uma reflexão através de uma conversa até então inimaginável, sobre o processo de amadurecimento, que na maioria das vezes acompanha o avançar da idade: “As marcas que você carrega revelam o quanto você foi útil na vida de muita gente” (pg 68).

Magistralmente, Adriano faz com que através de histórias sombrias, alegres, tristes e reflexivas, enveredemos por sentimentos de pânico, horror, dores de amores perdidos, felicidade encontrada e compartilhada, saudades e melancolia, redescoberta e ausência, libertação e liberdade. 

Não contente, ainda faz graça com a própria maneira de ser do mineiro, sujeito com um modo bem peculiar de levar a vida, e que sabe exatamente como contar uma boa história, seja ela longa ou curta, verdadeira ou fictícia.

Acima de tudo, Adriano consegue fazer com que a cada leitura haja empatia, reconhecimento, assimilações. E isso somente uns poucos autores da atualidade conseguem, não é pra qualquer um.

“O que eu realmente queria era deixar meu passado em algum lugar, distante e guardado, para que ninguém mexesse nele, como se isso fosse possível.” (pg 15)

Resenha por Regiane Medeiros


Sobre o Autor: Nascido em Juiz de Fora–MG, Adriano de Andrade é graduado em Engenharia Elétrica, área em que desenvolveu seu mestrado e na qual trabalha atualmente. Morador de Niterói– RJ, seu mais recente reconhecimento no mundo literário foi a premiação do conto “Ruína”, incluído em uma coletânea a ser lançada ainda este ano. Em 2013, teve o texto “Conversa de asfalto” publicado no livro É duro ser cabra na Etiópia, de Maitê Proença. Participou também da coletânea Contos de todos nós (2009), com “Sete Palmos”, e de outras duas coletâneas de poesia, lançadas pela Câmara Brasileira de Jovens Escritores.
sexta-feira, 22 de abril de 2016

Entrevista com Raigor Ferreira, por Jonatas T. B.

Raigor Ferreira é um jovem autor de Goiânia que recentemente entrou em contato conosco para bater um papo e apresentar um pouco de seu trabalho. E como adoramos uma prosa, e não apenas um bom release rs, convidamos o Raigor para uma conversa com o Jonatas, pela proximidade de ambos com a literatura fantástica e o universo infanto-juvenil, e claro, pela alegria de contar boas histórias :) Acompanhe também esta rica conversa! 

O Príncipe Congelado - Disponível na Amazon
Outros contatos do autor: Skoob | Facebook | Instagram


1.  Raigor, fale um pouco de sua vida (qual idade, de onde és, se trabalhas, se estudas etc.).
Bom, tenho 22 anos, sou do interior de São Paulo, mas atualmente moro em Goiânia, onde estudo e trabalho. Curso Administração e trabalho na área também.

2. Conte-nos um pouco como você resolveu entrar no mundo da escrita.
Eu escrevo há bastante tempo pra mim mesmo, rs. Eu nunca vi o mercado literário brasileiro como algo possível para escritores amadores, então a escrita sempre me foi algo muito pessoal. Algo pra ser compartilhado só com amigos, parentes e tal... Mas por volta de abril/maio do ano passado, a Amazon lançou um concurso nacional de contos e acabei enxergando ali uma oportunidade de, ganhando o concurso ou não, lançar uma história que pudesse ser lida por pessoas que acessam a plataforma. Então, escrevi uma distopia, que pouca gente conhece, sobre um futuro sem água – Abnegação: um conto sobre a sensibilidade em tempos de seca – para concorrer ao concurso.

Depois que o concurso passou, eu senti que eu não devia parar por ali. Hoje, temos duas plataformas gigantes que são a Amazon e o Wattpad, que dão essa possibilidade de você criar e gerenciar a sua própria vitrine de escrita e, nesse ponto, eu já estava fascinado com essa possibilidade, e eu só tinha a certeza de que eu deveria publicar mais e mais histórias pela Amazon, que era a ferramenta mais próxima de mim no momento.

Daí, foi uma busca alucinada sobre escritos que comecei e nunca terminei, coisas que eu tinha escrito em algum lugar e que, quem dera, eu teria a sorte de nunca ter descartado e, no meio dessas coisas, eu lembrei do “Príncipe Congelado”, que foi um conto que escrevi em 2014, por um impulso de escrever uma história para minha prima, que tinha dez anos na época. Escrevi o conto á mão mesmo e tive muita sorte, eu acho, de ter encontrado esse manuscrito. Então, mudei pequenas coisas na história e senti que essa deveria ser a próxima história que eu viria a publicar na Amazon. Então, publiquei e o retorno foi chegando aos poucos, mas bem mais rápido do que eu poderia esperar.

Hoje, eu posso dizer que “O Príncipe Congelado” é o que vai me mover daqui pra frente na minha trajetória de escrita, por ter sido um conto que me proporcionou vários feedback’s, divulgações, contatos... Eu acabei conhecendo muita gente por causa desse conto que escrevi sem muito compromisso para que essa história viesse a ser conhecida por alguém, para além de mim e minha prima.

Essa falta de pretensão que aconteceu quando escrevi esse conto, acho que nunca mais vai acontecer, pois, agora, eu acredito que qualquer coisa que eu venha a escrever daqui pra frente terá potencial para ser lido, mesmo que não seja bem avaliado. Mas haverá pessoas para lerem. Hoje, eu consigo acreditar que esse público pequeno existe no mercado brasileiro. E é, com certeza, a maior lição que eu tiro dessa experiência com a Amazon, a de que existem leitores para lerem autores brasileiros, novos e independentes... esses leitores existem!!

Ah, e não posso deixar de citar a Editora Itacaiúnas, onde tenho poesias publicadas nas antologias que a editora promove. Foi muito importante também para que eu começasse a me reconhecer escritor.


3. Quais são suas principais influências literárias? Há outras influências fora da literatura (como filmes, séries, artes plásticas etc.)?
Eu acho muito difícil definir uma influência, porque é bem provável que tudo que eu leio acaba me influenciando de alguma forma quando escrevo. Então, aquilo que eu mais leio é, provavelmente, o que mais me influencia. Ultimamente, me sinto bem influenciado por literatura nacional, por que tenho lido muitos livros nacionais, rs. Mas falando especificamente do Príncipe e de uma nova história que estou escrevendo, que segue uma linha parecida, eu acho que tentei pegar algumas coisas que funcionaram muito no século XVII com o Perrault, ou no século XIX, com o Andersen.

Parece até vaidade minha dizer que “O Príncipe Congelado” se assemelha a esses clássicos, mas eu insisto em citar, porque todos os elementos que funcionam na história do Phelipe como um conto rápido e até previsível para quem cresceu lendo esses contos de fada vêm desse gênero das versões das histórias a La Grimm. Pode até ser que a pessoa comece a ler o meu conto e imagine que ele terá um final diferente, por ser nacional, apesar das influências estrangeiras, por ser contemporâneo, por ser um conto escrito nesse século perturbador em muitos sentidos, mas quando o leitor descobre que o conto tem uma moral e que a felicidade eterna foram preservadas na história, o conforto que ele sentirá, creio que vem muito das histórias que todos lemos quando criança, nessa época da infância que acreditamos com menos dificuldade de que tudo ficará bem quando chegar ao final. A maior verdade disso é que eu não tenho medo dos finais felizes. Tenho medo de um dia não conseguir escrevê-los. Medo de que, em algum livro, eu precise causar prejuízos aos meus personagens para que minha história tenha algum sentido. Felizmente, não foi o que precisei fazer com “O Príncipe Congelado”.

Houve comentários que aproximaram minha escrita no conto com a do Neil Gaiman, e eu até poderia dizer isso aqui, pois li muita coisa dele que pode ter me influenciado, mas acho que esse seria um auto-elogio que eu não sou capaz de lidar no momento, rsrsrs.

Também houve blogueiros que relacionaram “O Pequeno Príncipe” com a minha história. Mas eu acredito que seja mais a questão da ilustração de capa. O Príncipe do Exupéry e o Phelipe de Arvoredo tem semelhanças físicas bem evidentes, repararam? Hehehe.

Minha infância foi marcada basicamente pelo Lobato, pelo Ziraldo e pelos infinitos gibis do Maurício de Sousa que eu tenho até hoje. Ultimamente, tenho lido algumas obras do Pedro Bandeira. Então, falando de literatura infantil brasileira, acho que esses nomes podem me influenciar daqui pra frente em alguma obra, com certeza.


4. Quando decide que deve começar uma obra e como é sua rotina na experiência da escrita?
Eu sou a pessoa menos disciplinada possível com rotina de escrita. Não tenho métodos de quantidade de palavras, nem de páginas, tampouco de acontecimentos. É interessante pensar que eu me desafiei participar do NaMoWriMo por duas vezes - a maratona de escrita que acontece em novembro - e, em nenhuma dessas oportunidades, eu cumpri com a quantidade de palavras que o desafio propõe para os escritores. Nas duas vezes, eu sequer cheguei à metade das 50.000 palavras.

Espero e cobro de mim que eu seja mais disciplinado num futuro próximo, mas por enquanto, sou bem flexível com o que eu escrevo. Estou escrevendo uma história agora, por exemplo, que eu poderia terminá-la em, no máximo, nove ou dez semanas. Mas a julgar pelas minhas frequentes interrupções no processo de escrita dessa história, sei que a chance de eu terminá-la nesse tempo é praticamente zero.

Sobre decidir começar uma obra, diferente do que acontece com o processo em si, rs, eu já adquiri certa disciplina no sentido de saber qual a próxima história que eu devo escrever. Eu tenho uma ideia, dentre as histórias que eu planejo, de qual deve ser a próxima da lista. A próxima a ser lançada, seguindo aquilo que eu acredito que os leitores esperam de mim. Então, esse processo de organização da ideia, do contexto e dos personagens se tornou menos intuitivo e mais racional, pois quando me proponho, no ócio, a pensar na próxima história a ser contada, automaticamente, prevejo a relação que algum leitor possa fazer com a obra anterior e isso tem me influenciado bastante no meu cronograma de escrita.


5. Quais os gêneros literários que prefere ler e escrever?
Eu leio muito romance, até os mais piegas e clichês. Eu gosto, em certa parte do meu tempo como leitor, de ler escritores que abusam de frases feitas. Leio pra desanuviar a cabeça e não tenho medo de ler mais do mesmo. Acho importante, como escritor, saber que algo já foi reciclado por tantas vezes. Mas também leio muita fantasia e infantis. Gosto de biografias também. Enfim, leio várias coisas e não sei se tenho um gênero preferido pra ler. Já para escrever, é diferente. Narrativas juvenis mais imaginativas e fantásticas me atraem para a escrita, mais do que qualquer outro gênero.


6. Quais são os seus projetos para o futuro em relação à literatura?
Tem uma chuva de coisas. Tem a história do Príncipe Congelado em livro, abandonando o aspecto de conto e adquirindo uma narrativa, ainda episódica, mas um pouco maior. Tem essa história nova que eu não quero falar muito por pura superstição, mas posso dizer que é uma fábula também, com dois protagonistas da realeza que eu estou amando escrever. Eu brinco que estou passando mais tempo negociando essas histórias do que efetivamente as escrevendo.

Eu não quero abandonar a Amazon. Eu acho que ainda haverão muitas histórias minhas a serem publicadas na plataforma, inclusive nesse ano. Mas também me dedico para que essas histórias ultrapassem a Amazon, e tenho trabalhado bastante nesse sentido. 

Muito Obrigado pelo espaço!! 


quinta-feira, 21 de abril de 2016

O que se diz e o que se entende, de Cecília Meireles


"Se eu inventei palavras? Não. Isso nunca me preocupou. No inventar há uma certa dose de vaidade. 'Inventei. É meu.' O que me fascina é a palavra que descubro, uma palavra antiga, abandonada, e que já pertenceu a tanta gente que a viveu e a sofreu."
(Trecho de entrevista de Cecília Meireles a Pedro Block, em 1964)



Há na palavra um alicerce, e também o tropeço, assim determinado pelo erro do homem, que em seu próprio peso insiste, e maldiz, esta condição de pedra, sobre a qual poderia edificar uma casa, uma clareira, ou talvez um poema.

Ao distanciar-se da palavra, o homem emudece, assim como o texto, que desprende um punhado de ais, e tampouco chora, ou canta, sequer desperta, como eco em uma alegoria perdido.

Há no coração da palavra também um chamado, que insurge em um templo de homens, em sua maioria surdos, porém, às vésperas do entendimento e das pequenas felicidades, que para Cecília de atributo certas, pequenas felicidades, que muitos desacreditam, "só existem diante das minhas janelas". Ora, "é preciso aprender a olhar, para poder vê-las assim"¹! E de fato, é preciso estar atento ao que mundo inspira, e inflar o peito para em seguida encontrar vida, e colher o sopro destes versos e pedras.

Ao primeiro ano deste mil e novecentos, anuncia-se ao mundo a força de Cecília, que por um tanto de século viveria (e vive) como música, crônica e poema, e alvoradas, bondade e coretos, ainda a invocar "aquela ternura de épocas mais amenas, quando todos acreditávamos uns nos outros (...) e o futuro não era uma sombra indecisa, mas um sol radioso à espera de nossa passagem"².

Tendo na voz delicadeza única, em suas palavras o mundo tornar-se-ia também grande gesto, e uma quase gramática, de intermináveis sabores e arabescos, que de tão rebuscados eram como uma rima e sua profundidade, e, por sua leveza, tão breves como um oceano, Índico em sua maresia.

O que se diz e o que se entende é como um diário de pequenas gentilezas, que como a felicidade tornam-se imensas, indispensáveis, como a sabedoria de uma canção indiana, ou as que entoava Pedrina, a gentil pajem, e sábia mulher, que "interpretava o barulho dos trens; sabia a linguagem das flores; cantigas de roda; ladainhas e cânticos; histórias de lobisomem³", bem como as chaves do céu, de onde para São Pedro, junto aos astros e folguedos, um dia acenaria. 

É também bela em suas crônicas de transição e travessia; no ano em que nascera, Santos Dumont sobrevoara Paris, e nesta inventada proximidade encontramos também este voo em Cecília, que com suas mãos nos leva a grandes portos e altitudes em uma interminável viagem, onde crônicas e sonhos assombram cidades e calendários ("Devia ser bom viver como as grandes casas pensativas. Devia ser bom viver como a noite, que vai escondendo tudo e tudo transformando em sonhos"4), e hoje, ao tempo das perdas, tornam-se imortais.

Há na palavra então um alicerce, um firmamento-Cecília, onde calos e cores se acalmam, e bradam; à companhia deste alfabeto, intuímos histórias de outrora, e talvez a semelhança de nosso próprio destino: "A moça, porém, continuava, acima de todas as mudanças, a proteger a imagem do mundo com uma das mãos e a iluminá-lo com a outra."5

¹ Trechos de entrevista de de Cecília Meireles a Pedro Block, publicada na revista Manchete, em 1964.
² O que se diz e o que se entendep. 93
³ Idem, p. 52.
4 p. 121
5 p. 29


O que se diz e o que se entende, Cecília Meireles. Global Editora, 2ª edição, 2016.



"O meu assombro é pensarem que eu sempre quero dizer outra coisa. Não! eu sempre quero dizer o que digo." (p. 55)


"A arte de uma crônica é fazer do estranho algo familiar, falar dele delicadamente, como se fosse uma coisa normal, corrente em nosso cotidiano. Econômica, objetiva, empregando o termo exato, poeta o tempo inteiro, fulgurante nas observações, Cecília Meireles nos diverte, ensina, provoca, questiona, faz rir e pensar. Um livro que dá a sensação de ter sido escrito ontem; isso se chama clássico, a linguagem permanente, atual, que nos deixa fascinados." (Ignácio de Loyola Brandão, em seu texto de apresentação, p. 15.)




domingo, 17 de abril de 2016

Entrevista com Mavi Tartaglia, autora da Saga Destinados




“Aquilo não devia estar acontecendo. Eles eram destinados a ficar juntos, um precisava do outro mais do que poderiam imaginar. E de repente parecia que o universo não os queria mais unidos.

Mas como isso era possível? Existir um sem o outro era a mesma coisa que não existir. Eram dois corpos sem coração.

Katharina olhou pela última vez o castelo atrás de si, as flores abertas e as luzes brilhantes. Logan, pela janela, os olhos cheios de lágrimas, a olhava entrar no carro.

Ele a perdera. Para sempre.”

(Do Prólogo)



Recebemos da Textonovo Editora o trabalho de Mavi Tartaglia, que inicia neste segmento da literatura fantástica com a publicação de Destinados, o primeiro volume de uma série young adult que se passa em uma high school e apresenta como protagonistas Logan e Katharina, dois jovens cujo encontro e paixão fazem parte de um enigma, de uma história maior, que será desenvolvida ao longo desta Saga, que envolve o leitor em um universo de mistérios, intrigas, e certamente uma boa dose de romance.

Para quem acompanha o trabalho de autores como Stephenie Meyer, Destinados é uma boa recomendação nacional. O trabalho de Mavi tem uma escrita bastante coloquial, quase toda em diálogos, o que torna o texto bem jovem e de algum modo cinematográfico, ainda mais por ser retratado em uma high school, onde a velocidade dos acontecimentos e das relações dá o tom ao seu cotidiano. O livro ainda conta com a ambiência de uma playlist, representada por artistas como Colbie Caillat, Kelly Clarkson, Within Temptation, Bruno Mars e Adele.

Para falar um pouco mais deste trabalho, a autora Mavi Tartaglia gentilmente concedeu uma entrevista para o nosso blog, apresentando não apenas a Saga Destinados mas também sua trajetória como autora.


Sinopse: A vida de Katharina mudou completamente após um acidente que a deixou em coma e matou sua mãe. E ao acordar depois de meses sua vida (e ela) nunca mais seria a mesma. De volta à escola ela conhece Logan, um garoto bonito, misterioso e que mantém mais segredos do que ela imagina. Uma vez introduzida nesse mundo de mistérios e segredos jamais poderá deixá-lo. Ao remexer no passado, Katharina descobre que tudo que conheceu foi uma mentira e que seu destino estava traçado muito antes de nascer.


Mavi, como você iniciou sua carreira literária? Esta vontade de escrever surge em que momento de sua vida?
Sempre fui de escrever, desde nove anos de idade, mas eram pequenas histórias e nada muito sério. Foi aos 12 anos que acabei descobrindo minha vontade de escrever e que não poderia ficar sem isso. Começou com uma fanfiction de Crepúsculo e que aos poucos percebi que minha escrita melhorava e não paravam de pipocar ideias. Depois dessa primeira, nunca mais parei.

Destinados é uma saga, e portanto ainda em processo de produção e escrita. Pra quem ainda não conhece o primeiro volume da história, você poderia contar um pouco sobre a escolha dos personagens e sobre este universo de amores e inimizades em vivem? Uma outra curiosidade: desde o início você já pensou em aproximar essa trama cotidiana, que se passa em uma high school, ao universo da literatura fantástica?
Bom, Destinados na verdade surgiu como uma fanfiction de Crepúsculo. Nessa história, eu queria quebrar um pouco as imagens de bonzinhos que carcavam Edward e Bella. Queria dar um toque de obscuro em suas personalidades. Lá pelo terceiro capítulo que percebi que os personagens em minha mente não eram mais os de Stephenie Meyer quando escrevia. De repente eu imaginava uma Bella loira de olhos claros e um Edward com ar de escuridão o cercando. Foi nesse ponto que transformei a história em um original, com os personagens já ganhando vida sem eu perceber. Katharina se tornou especial pela força que vejo nela ao enfrentar perdas e ao mesmo tempo ainda ser muito jovem. Ela ser mergulhada nesse mundo sobrenatural tornou muito fácil criar quem a cercava e parecia certo essa trama de high school. É uma fase da vida dos jovens muito intensa, onde laços podem ser criados pelo resto da vida e você precisa fazer muitas escolhas. 

Mavi, qual o seu autor preferido? E o seu livro de cabeceira?
Não tenho um autor preferido. Sou muito do momento. Pego uma história e mergulho nela sem perceber. Algumas me cativam muito rápido e outras não, assim como já aconteceu de eu reler um livro e acabar não gostando na segunda vez que li. Mas posso dizer que meu livro preferido é A Menina que Roubava Livros. Me marcou muito a leitura dessa história. No momento, meus livros de cabeceira são História do Cinema Mundial (faço faculdade de cinema) e O mar infinito, continuação de A Quinta Onda.

Além da saga Destinados, você também desenvolve outros projetos literários, em outros gêneros e segmentos, como  poesia, crônicas ou outras temáticas que não o universo fantástico?
Meu foco é mais no romance, mas já escrevi poesias e músicas. As histórias que escrevo agora são ou do mundo fantástico ou voltadas para o drama, que são meus gêneros preferidos.

E quais os planos literários para 2016, Mavi? Seus leitores podem já ficar ansiosos com a continuação da história de Logan e Katharina?
Em 2016 espero finalizar minha outra Saga, agora que estou tendo mais tempo livre e se tudo der certo, lançar a continuação de Destinados. Logan e Katharina já têm a segunda parte da história finalizada e com uma temática mais pesada e adulta. 


Acompanhe o trabalho de Mavi Tartaglia:  Facebook  |  Blog

Sobre a Editora: A Textonovo Editora nasceu em abril de 1988 como Textonovo Serviços Editoriais Ltda. Como uma prestadora de serviços, atendeu a dezenas de clientes, produzindo trabalhos editoriais que iam da pesquisa à elaboração dos textos. Em 1992, mudou sua razão social para Textonovo Editora e Serviços Editoriais Ltda. e passou a atuar conforme o novo objetivo. Iniciou a produção editorial e fez uma série de parcerias para a publicação de livros em co-edição. Conquistou um prêmio Jabuti na categoria Melhor Obra de Ciência e Tecnologia e recebeu uma menção honrosa por Inovação em Livro de Texto.

Atualmente, a produção da editora passa dos 100 títulos, sendo que mais de noventa estão em comercialização. Seus focos são educação (adulto e infanto-juvenil), com destaque para os livros destinados ao ensino técnico, médio e profissionalizante; interesse geral, inglês e jurídico-financeiros, além de publicações de características diferenciadas.  
sábado, 16 de abril de 2016

O privilégio de ser quem eu sou, por Regiane Medeiros


"Nada como um pequeno desastre para colocar as coisas no lugar." 
Still do filme Blow-Up, de Michelangelo Antonioni (1966)



O privilégio de ser quem eu sou… Será???


I'm sorry for everything
Oh everything I've done
From the second that I was born
It seems I had a loaded gun
And then I shot shot shot a hole through
Everything I loved
I shot shot shot a hole through
Every single thing that I loved

Shots, Smoke+Mirrors
Imagine Dragons (2015)


Desde criança, eu sempre tive facilidade em fazer amizade com os garotos. Criada com 4 meninos, não poderia ser diferente.

Ao longo da vida, isso já me causou algumas dificuldades, como por exemplo, os paqueras se afastarem achando que algum dos meus amigos era meu namorado quando saímos juntos (eu digo a eles que queimam meu filme hahaha), ou eles falarem comigo como se eu fosse “um dos manos” (caras, eu sou uma MENINA!!! Manerem!!!) e o mais comum, que é as garotas se afastarem por ciúme, principalmente as namoradas deles.

Recentemente passei por uma situação assim. Entre um grupo de amigos com quem saía para shows, cinema e gulodices, havia o Sr. Bear (nome fictício) com quem eu me dava super bem, e que por um tempo até pensei que estava interessado em mim, pois me enviava mensagens de conteúdo dúbio. O interesse não era recíproco, mas eu tentava não deixar isso afetar nossa amizade. Até que... Ele arranjou uma namorada! Confesso que me senti aliviada, pois não teria mais de me preocupar com possíveis sentimentos da parte dele. Só que o Sr. Bear começou a ficar distante, já não saía mais com a nossa turma, nem mandava recadinhos engraçados nas redes sociais.

Infelizmente, essa é uma situação recorrente, mas ainda assim eu senti a sua ausência.

Passado um tempo, tentei retomar o contato pelo Whatsapp e conversamos durante um tempo, com a mesma camaradagem de antes, mas ao fim da conversa, ele acabou revelando que teria que apagar as mensagens, para que a sua namorada não visse, e quando questionei o motivo, ele respondeu que ela tinha ciúmes de mim. Fiquei tipo: “Oi??? Ela nem me conhece!!!” e a resposta dele é que era por isso mesmo que ela tinha ciúmes.


Depois disso, evitei contato com ele e admito que me chateou saber que ele havia deixado nossa amizade de lado para evitar problemas desse tipo. Claro que, se desde o começo ele tivesse nos apresentado, ela veria que não há motivos para qualquer tipo de ciúmes e talvez até tivéssemos nos tornado boas amigas.

Atualmente, eles estão casados e o Sr. Bear até teve a consideração de me avisar e enviar o convite (virtualmente, é claro), mas ao mesmo tempo me dispensando desse compromisso, e o meu amor-próprio me impediu de comparecer. Não sei se fiz certo, mas depois de todo esse tempo afastados, e por conta de um motivo bobo (na minha opinião) seria no mínimo constrangedor esse encontro.

E como se o destino colaborasse para a perpetuação da situação, há poucos dias uma amiga em comum, compartilhou no Instagram o print de uma memória do Facebook  de uns 3 anos atrás (sim, as redes sociais movimentam a nossa vida rsrs), onde o Sr. Bear dizia sentir saudades de nós duas. Qual não foi minha surpresa, a Sra. Bear fez um comentário, dizendo que eles precisam fazer um churrasco para ela conhecer a Dona Regiane Medeiros.

Esse comentário, independente das intenções da Sra. Bear, mexeu comigo no sentido de que, toda vez que alguém usa o termo “Dona” associado ao meu nome inteiro, não pode significar boa coisa. Minha experiência nesse sentido é vasta!!!

A situação toda só faz com que o sentimento de inadequação que me acompanha há tanto tempo, se prolongue e se renove a cada golpe. E honestamente, eu nada fiz para isso. Não estou bancando a vítima, mas é inegável para quem me conhece, que eu tenha uma certa propensão a atrair situações desconfortáveis, apenas por ser quem eu sou.

Mas, mesmo assim eu não pretendo mudar o meu jeito, nem deixar de ser amiga de quem eu gosto só pra evitar passar por situações assim novamente. Eu concordo com Nietzsche, quando ele afirma que: “Nunca é alto o preço a pagar pelo privilégio de pertencer a si mesmo”. E seja qual for o preço para ser quem eu sou, estou disposta a pagar.

"Se você quer que algo seja anunciado, peça a um homem; se quer que algo seja feito, peça a uma mulher"
domingo, 10 de abril de 2016

[Resenha] O mundo de vidro, de Maurício Gomyde


"Nunca tinha escrito nada como aquilo. Palavras que pareceram escritas com a alma e fora do seu estado normal de consciência. Passou o resto do dia pensando no que ela tinha provocado, já que era apenas alguém que tinha visto por alguns segundos de sua desinteressante vida. (...) Talvez fosse melhor ficar só em sonho." (p.33)

Tudo começou no dia em que escreveu uma carta e viu sua amada rasgá-la em mil pedacinhos. Na verdade a carta era uma espécie de poema, que mais tarde viraria uma canção de amor, dessas que ninguém imaginaria ser capaz de escrever, principalmente Ele, que já em seus trinta e poucos anos, e ainda vivendo como um cidadão-comum-médio-normal, de muitos sonhos porém poucos amores, uns dois ou três na verdade, embora fosse rapaz do tipo nem bonito nem feio, meio assim olhos verdes, magro, barriguinha de chope e boa gente e tal, mas olha, a vida não é fácil, tanto que sua melhor companhia tem sido apenas Horácio, O Papagaio, este sim um grande amigo!

Mas voltando à carta, que na verdade era canção e talvez livro: tudo começou no dia em que Ele, após uma insana intuição, também chamada 'coração desequilibrado', acreditou ter encontrado o amor de sua vida em um vagão do metrô às sete da matina. E deste encontro até a tal composição musical há muita história (e tropeço) pelo caminho, e a escrita de Gomyde nestes episódios é inesperadamente hilária! Aliás, esta é uma qualidade que será refinada a cada nova história e personagens (publicado em 2000, O Mundo de Vidro é o seu primeiro livro), transformando-se em bom humor e, especialmente, alegria de viver.

Pode-se também dizer que cartas e dedicatórias estão presentes em toda a obra de Gomyde, assim como o primeiro encontro e o improvável que se transforma em realização; não sei se esta será também sua interpretação mas, após ter lido por último este primeiro livro (nesta leitura fora de ordem, o primeiro foi o Ainda não te disse nada, que até hoje considero sua melhor história - se bem que meio empatado com O Rosto que precede o sonho, ou seja, não consigo decidir), percebo que para tornar-se um grande autor é preciso deste tanto de personagens que nos conduzem a uma outra margem da vida; como se fizéssemos uma curva em nossa percepção para em cada página encontrar histórias que confundem-se tanto com a nossa vida que até nos sentimos personagens do livro - e quem já leu Gomyde sabe que ele é mestre nisso.


"Ela ficou o domingo em casa, para dar um jeito na vida e apagar da memória cada resquício da relação que havia acabado de forma tão dura. (...) E as lágrimas despencaram. Lágrimas que seriam as últimas a correr por seu outrora grande amor. Passou o resto do dia bem, tomou sol, cuidou da pele e tentou se convencer de que uma nova vida começava.
E assim seria..." (p.73)

Mas a história do Mundo era também Dela, que ainda sem nome, porém com uma vida muito mais definida, faculdade e pós em Economia, emprego estável, uma beleza inacreditável, e quase um casamento. E nestas horas em que a vida parece estar completa vem o destino e sussurra um "não é bem assim", e tudo muda, desaba, desmorona, despenca, enfim, como se precisássemos desse empurrão do além pra nos dizer que não fomos tão cuidadosos naquilo que escolhemos... Ainda assim, a gente teima e chora e desiste e começa tudo outra vez. Com uma nova ajudinha, claro, da lua, do acaso, do destino, da insistência do menino... Hmm, disto agora não falaremos. 

Voltando ao cotidiano Dele, o desajeitado moço-comum-mediano-de-olhos-verdes: acho que vocês já perceberam que Gomyde cria um Mundo onde dois personagens tão diferentes se esbarram e, numa improvável amizade, se aproximam, e tudo fica meio complicado depois disso, certo? 

Bem... Quem sabe? 

O que é certo é que tudo o que é dito assim meio de repente, no meio da amizade, faz a mocinha fugir, e se for um eu-te-amo então, nossa, isso pode ser mesmo um problema, pode complicar a vida, e não há canção ou poema ou livro que faça o capítulo perdido voltar atrás... 

Bom.... Quem sabe? 

Mas olha, uma coisa é certa: desde sempre, do Mundo de Vidro ao Surpreendente!, encontramos um autor cuja escrita diz: "sim, eu escrevo pra você", e não há como fechar suas páginas sem se identificar com pelo menos um de seus personagens ou aventuras. Portanto, por isso aqui encerramos este texto, para que todos possam criar suas próprias impressões, e igualmente compartilhar este tanto de lembranças que da memória e do coração transbordam, e que de forma não tão inesperada assim abraçam e se vêem abraçadas nas histórias de um autor como Maurício Gomyde. 

"Era uma vez um mundo muito diferente. Um mundo que não existia na vida real e que só se criava a partir do exato instante em que ele fitava os olhos dela e ela, sem graça, dava um sorriso tímido. Ninguém mais o via, apenas eles dois." (p. 125)


Outras resenhas sobre o autor aqui no Blog:


sábado, 9 de abril de 2016

Entrevista com Naty Rangel, autora de Retratos de uma vida



“What you write becomes who you are… 
So make sure you love what you write!” 
O que você escreve transforma-se naquilo que você é, então, tenha certeza de que ama tudo o que escreve!

J.K. ROWLING


Uma das grandes alegrias de pertencer a este mundo dos blogs literário certamente é a de conhecer jovens autores e blogueiros que, assim como nós mesmos, compartilham praticamente os mesmos gostos, projetos, sonhos, ideais de vida. E falar de nossos projetos pessoais, seja em um post ou em uma cartinha, acaba sendo um de nossos melhores aprendizados, especialmente nestes momentos de criação, especialmente a literária.

Se você tem perfil no Instagram, possivelmente já viu o trabalho da Naty Rangel circulando por aí. E quando um jovem autor consegue fazer o seu trabalho circular em praticamente todo o país e de forma independente, contando apenas com seu trabalho e vontade de divulgação nas redes sociais, acredito que este autor certamente merece nossa atenção e carinho; afinal, de sonhos todos entendemos, e compartilhar o sonho de alguém é também uma espécie de realização. 

Ah sim, há que se mencionar: novos autores também são um sinônimo para nova plataformas de publicação. Naty escolheu a Editora Novaterra como parceira deste seu primeiro projeto literários, e quem nos acompanha aqui no blog sabe de nosso carinho e valorização das casas publicadoras jovens e/ou independentes, e por isso com alegria continuaremos a divulgar o trabalho de cada nova empresa que encontrarmos por aí. 

Então, pra falar sobre o livro "Retratos de uma vida", convidamos a própria Naty Rangel, para em breve entrevista conversar com a gente sobre suas paixões e projetos literários. Sobre o livro em si, prefiro não compartilhar muitos spoilers rs, pois além de ser uma história onde cada detalhe pode 'entregar o jogo' de seus personagens, a Naty é uma autora bem atenciosa, e certamente estará à disposição pra conversar com cada novo leitor e blogueiro que quiser conhecer melhor a sua obra. 

Mas só pra deixar vocês curiosos quanto ao texto: "Retratos de uma vida" conta a história de Jennifer Torres, cujo passado familiar e amoroso é ainda uma sombra e peso em sua vida, mas que ainda assim, com a ajuda e carinho de seu irmão, segue atrás de seus sonhos, e quem sabe de um novo amor... PS: Aceitam um spoiler? O livro da Naty tem uma escrita bem jovem, young adult mesmo, mas com uma pitada de hot em diversos momentos da trama. 

Ficou curioso? Acompanhe abaixo a entrevista com a autora :) 


Como começou o seu interesse por literatura? E em que momento decidiu que queria ser escritora?
Relativamente, tem pouco tempo. Comecei em 2006 a ler Harry Potter por indicação de uma amiga , mas achava que era a única história que eu gostaria, então só em 2012 que eu comecei a realmente expandir meu gosto literario. E sobre ser escritora, bom, só descobri quando terminei o Retratos de uma vida rs. Eu realmente não achava que ia terminar essa história pq eu já tinha tentado antes e desisti. Mas a realização do ponto final foi tão gratificante que eu quis mais e mais!

Como surgiu a ideia para "Retratos de uma vida"? Você pensa em uma continuação para esta história?
Acho que eu me realizei um pouco com a Jennifer já que eu sou apaixonada por fotografia, mas a ideia mesmo surgiu aos poucos. No inicio eu só tinha um pouco da história dela na cabeça e aos poucos fui desenvolvendo e os outros personagens iam surgindo. E a continuação já existe, na verdade. Eu postei ela por completo no wattpad, mas qua do publiquei com a Novaterra retirei pra não dar spoiler.

E o seu trabalho como blogueira? Este contato com leitores e autores diversos influencia em sua escrita?
Eu adoro ser blogueira, era outra coisa que eu tentava ser, mas acho que nunca achava um tema que me prendesse. Acho que influencia na minha escrita sim, gosto do fato disso me aproximar dos meus leitores e saber o que acham para melhorar onde preciso.

Quais suas maiores influências literárias? E qual o seu livro preferido? 
Olha, até uns dias atrás eu diria que ninguém nenhuma em especial, que eu pego im pouco de tudo que leio e gosto, mas reparei que eu me espelho um pouco na escrita das autoras Christina Hobbs e Lauren Billings (ou Christina Lauren) e misturar o sensual com humor foi tudo o que mais gostei nos livros delas e tento sempre fazer isso nos meus livros. Livro Favorito? que pergunta mais difícil, não esqueça que também sou leitora e tenho uns 20 livros preferidos. rs Vou citar Harry Potter porque foi a série que me fez gostar de ler apesar de ter amado de paixão o livro Todo Dia do David Levithan. rs

E quais os projetos para 2016, Naty? Alguma novidade para deixar seus leitores ainda mais ansiosos?
Olha, eu tenho a meta de finalizar meu primeiro livro para maiores de 18, Sob sua Vigilância, que já esta no finzinho no Wattpad e focar em outras duas histórias, mas essas só devem ser reveladas no próximo ano. Sempre postando no Wattpad, claro. A continuação de Retratos de uma vida já está escrita também. E espero ter mais novidades sobre isso esse ano também.
 

Siga a Naty Rangel:  Blog  |  Instagram

Sobre a autora: A carioca Naty Rangel formou-se em Design Gráfico e descobriu o amor pela leiutra há pouco tempo. Retratos de uma vida foi o primeiro livro finalizado e publicado pela autora, que pretende causar em seus leitores as mesmas sensações que a leitura lhe proporcionou nos últimos anos. Naty também é blogueira, microempresária e vive com o marido e o filho que ela considera o melhor feito de sua vida. 
quarta-feira, 6 de abril de 2016

Obras Completas de Álvaro de Campos - Edições Tinta da China



Tinta da China. Foi este o nome que saltou-me à vista. Em uma visita à livraria, descobri que este nome-nanquim pertence a uma casa editorial independente, que nascida em Portugal no ano de 2005. E não poderia ser diferente: Fernando Pessoa e seus outros-eus pertencem ao catálogo desta editora, que nesta rara surpresa encontro aqui no Rio de Janeiro. Abaixo, a sinopse desta bela edição de Álvaro de Campos, um dos literários heterônimos de Pessoa, e também "Acordar", um dos poemas mais incríveis do autor.


Sinopse: Poesia e prosa reunidas pela primeira vez num só volume. Um contributo de peso para a estabilização do cânone pessoano.

A obra de Álvaro de Campos está no âmago das vanguardas históricas, da poesia lírica moderna e da obra pessoana, tomada em conjunto. A Álvaro de Campos estão atribuídas as grandes odes sensacionistas, alguns dos maiores poemas lírico-dramáticos da literatura portuguesa e as «Notas para a recordação do meu mestre Caeiro», que deviam acompanhar o primeiro volume das obras reunidas projectadas por Pessoa: os Poemas Completos de Alberto Caeiro. Paradoxalmente, Pessoa atribuiu aos heterónimos e semi-heterónimos as suas principais obras, dando a Campos a «Ode Triunfal», a «Tabacaria» e a hagiografia laica de Caeiro. Campos escreveu ainda cartas e avisos incendiários, deu entrevistas e respondeu a inquéritos, e infiltrou-se na vida e na obra de Pessoa. É como se Álvaro de Campos tivesse surgido para cumprir um desígnio que Fernando Pessoa anunciara em 1915: «Portugal precisa dum indisciplinador.»




Acordar

 Acordar da cidade de Lisboa, mais tarde do que as outras,
 Acordar da Rua do Ouro,
 Acordar do Rocio, às portas dos cafés,
 Acordar
 E no meio de tudo a gare, que nunca dorme,
 Como um coração que tem que pulsar através da vigília e do sono.

 Toda a manhã que raia, raia sempre no mesmo lugar,
 Não há manhãs sobre cidades, ou manhãs sobre o campo. 
 À hora em que o dia raia, em que a luz estremece a erguer-se 
 Todos os lugares são o mesmo lugar, todas as terras são a mesma, 
 E é eterna e de todos os lugares a frescura que sobe por tudo.

 Uma espiritualidade feita com a nossa própria carne,
 Um alívio de viver de que o nosso corpo partilha,
 Um entusiasmo por o dia que vai vir, uma alegria por o que pode acontecer de bom,
 São os sentimentos que nascem de estar olhando para a madrugada,
 Seja ela a leve senhora dos cumes dos montes,
 Seja ela a invasora lenta das ruas das cidades que vão leste-oeste,
 Seja

 A mulher que chora baixinho
 Entre o ruído da multidão em vivas...
 O vendedor de ruas, que tem um pregão esquisito,
 Cheio de individualidade para quem repara...
 O arcanjo isolado, escultura numa catedral,
 Siringe fugindo aos braços estendidos de Pã,
 Tudo isto tende para o mesmo centro,
 Busca encontrar-se e fundir-se
 Na minha alma.

 Eu adoro todas as coisas
 E o meu coração é um albergue aberto toda a noite.
 Tenho pela vida um interesse ávido
 Que busca compreendê-la sentindo-a muito.
 Amo tudo, animo tudo, empresto humanidade a tudo,
 Aos homens e às pedras, às almas e às máquinas,
 Para aumentar com isso a minha personalidade.

 Pertenço a tudo para pertencer cada vez mais a mim próprio
 E a minha ambição era trazer o universo ao colo
 Como uma criança a quem a ama beija.
 Eu amo todas as coisas, umas mais do que as outras,
 Não nenhuma mais do que outra, mas sempre mais as que estou vendo
 Do que as que vi ou verei.
 Nada para mim é tão belo como o movimento e as sensações.
 A vida é uma grande feira e tudo são barracas e saltimbancos.
 Penso nisto, enterneço-me mas não sossego nunca.

 Dá-me lírios, lírios
 E rosas também.
 Dá-me rosas, rosas,
 E lírios também,
 Crisântemos, dálias,
 Violetas, e os girassóis
 Acima de todas as flores...

 Deita-me as mancheias,
 Por cima da alma,
 Dá-me rosas, rosas,
 E lírios também...

 Meu coração chora
 Na sombra dos parques,
 Não tem quem o console
 Verdadeiramente,
 Exceto a própria sombra dos parques
 Entrando-me na alma,
 Através do pranto.
 Dá-me rosas, rosas,
 E llrios também...

 Minha dor é velha
 Como um frasco de essência cheio de pó.
 Minha dor é inútil
 Como uma gaiola numa terra onde não há aves,
 E minha dor é silenciosa e triste
 Como a parte da praia onde o mar não chega.
 Chego às janelas
 Dos palácios arruinados
 E cismo de dentro para fora
 Para me consolar do presente.
 Dá-me rosas, rosas,
 E lírios também...

 Mas por mais rosas e lírios que me dês,
 Eu nunca acharei que a vida é bastante.
 Faltar-me-á sempre qualquer coisa,
 Sobrar-me-á sempre de que desejar,
 Como um palco deserto.

 Por isso, não te importes com o que eu penso,
 E muito embora o que eu te peça
 Te pareça que não quer dizer nada,
 Minha pobre criança tísica,
 Dá-me das tuas rosas e dos teus lírios,
 Dá-me rosas, rosas,
 E lírios também..



In Obras Completas - Álvaro de Campos. Portugal: Tinta da China, 2015.