domingo, 8 de maio de 2016

O nosso tempo é agora, uma crônica de Regiane Medeiros


Por acaso, por um triz, só pra contrariar tua direção.
Humberto Gessinger


Noite passada sonhei com um ex-namorado. Não sei se foi porque um amigo citou o nome dele e ficou na minha memória após tanto tempo sem pensar na figura, ou se foi pura coincidência mesmo. O fato é que no sonho ele me fazia um pedido de desculpas, que até a algum tempo atrás eu acreditava que merecia e que nunca veio. 

Ao acordar, o sonho me fez pensar na leitura que fiz essa semana, Super Desapegada da autora Jaqueline de Marco. Na história, a personagem principal é uma pessoa que tem dificuldade em deixar as coisas de lado, tem medo de sair da zona de conforto, não consegue desapegar do passado, mesmo tendo noção de que isso não leva a lugar algum. 

Quantos de nós não estamos na mesma situação, apegados a detalhes de um passado que pode ser recente ou longínquo, mas que criou amarras em nossos pés, nos impedindo de seguir adiante? Admita, você já saiu com seu novo affair e não sentiu a fagulha que desperta aquele arrepio pela coluna, porque ficou comparando o pobre rapaz trêmulo e nervoso com seu ex-namorado que exalava testosterona e só de te olhar já fazia seus joelhos falharem e um calor gostoso se espalhar por seu corpo. Assim como deixou sua vida estagnada porque o homem com quem viveu 30 anos faleceu, e apesar de estarem separados há anos, você ainda esperava que ficassem velhos juntos. Da mesma forma você, que sempre arruma desculpa para ficar em casa no sábado à noite, alegando que está cansada demais para sair e conhecer novas pessoas, mas que na verdade não sente interesse por nada e não faz nada para mudar a situação, pois está acostumada demais a ser sozinha e tem medo de gostar de alguém de novo.

São muitos os casos de pessoas que estão deixando o tempo passar e se queixam de suas vidas, mas não tem forças para mudar. Porque mudar é arriscado. É abrir a porta ao desconhecido. É proporcionar a chance de ter seu coração magoado, de novo. É correr o risco de não concretizar os seus sonhos.

Só que se você não fizer nada, então nada vai acontecer. Os seus desejos nunca vão sair do papel ou do seu coração. Você nunca mais vai conhecer alguém interessante. Você nunca vai conseguir fazer uma viagem sozinha para aquele lugar que ninguém mais quer ir. O livro que você tanto quer que seja conhecido por outras pessoas nunca vai sair da gaveta da sua escrivaninha.

O que estou dizendo, primeiramente a mim mesma, é que não tem problema em se arriscar, assim como não é necessário esquecer o seu passado. O problema é nunca fazer nada por si própria, nunca tentar experimentar algo diferente, nunca desapegar daquilo que não te faz mais feliz. E o mais importante é que nunca é tarde demais para começar a realizar os nossos sonhos. Porque é como diz o David Cook, vencedor do 7° American Idol em 2008, o tempo da nossa vida é agora.

“And I’ll taste every moment
And live it out loud
I know this is the time
This is the time
To be more than a name
Or a face in the crowd
I know this is the time
This is the time of my life
Time of my life”

Time of my life, David Cook, 2008


Regiane Medeiros, maio 2016


2 comentários on "O nosso tempo é agora, uma crônica de Regiane Medeiros"
  1. Realmente é difícil desapegar do passado, temos medo de quebrar a cara outra vez, não nos permitimos algo novo, algo que possa trazer felicidade ou simplesmente novas histórias pra contar!

    AMEI O TEXTO! Me fez pensar em muitas coisas! Muitas atitudes que devem ser repensadas!

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    1. Aquele tipo de texto que temos que revisitar de vez em quando não é? E aí, encontramos surpresas como esse comentário lindo, que ainda não havia sido respondido! Muito obrigada e desculpa a minha negligência! Espero que as coisas tenham melhorado pra ti depois dessa leitura e de repensar as atitudes que lhe incomodavam!
      Beijinhos!!!
      <3

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