Every Exquisite Thing, de Matthew Quick

by - 08:15:00

- We can't know for sure.
- Why?
- The story ends.
- But you could write more!
- No, I can't. There's no more to write.
- Why?
- Just the way it is. The story ends where it ends.

- Não dá pra saber.
- Por quê?
- A história acaba?
- Mas você poderia ter escrito mais!
- Não, não poderia. Não há mais nada para escrever.
- Por quê?
- Simples assim. A história acaba onde precisa acabar.

(p. 17)


Todas as coisas permanecem. Todas as coisas bonitas, tão bonitas como você, permanecem, neste algum momento em que percebemos o extraordinário em algo simples. Assim é a delicadeza; assim é Every exquisite thing, o novo livro de Matthew Quick.

Nanette O'Hare é a nossa protagonista, cuja adolescência divide-se em silenciosas conversas com Mr. Graves, seu melhor amigo e professor, e também junto ao time de futebol da escola, onde ocupa o posto de exímia artilheira, ainda que contra a sua vontade. "Não é porque você é boa em algo que precisa continuar executando essa coisa", dirá Booker, seu novo amigo, em um ponto futuro da história.

Era quase Natal quando Nanette recebeu do senhor Graves um pequeno pacote e uma dedicatória: "Just a little something from one cafeteria avoider to another" (Uma lembrança de um solitário-do-refeitório para outro). Dentro do pacote havia um livro, The Bubblegum Reaper, há décadas esgotado, porém vivo no coração do professor, e agora dedicado a sua aprendiz: "I promised myself that I'd pass my copy on to the right student whenever he or she came along, (...) and I have a feeling that it might be the perfect read for you. Maybe even a rite of passage for people like us". (Prometi que daria a minha cópia para o estudante certo, quando ele ou ela aparecesse, (...) e eu sinto que esta seria uma leitura perfeita pra você. E talvez um rito de passagem para pessoas como nós). Não preciso dizer que Nanette leu toda a história em uma noite e que seu mundo não seria mais o mesmo depois de suas páginas, certo?

A identificação com The Bubblegum Reaper fez com que Nanette conhecesse pessoalmente seu autor, Nigel Booker, hoje um senhor dividido entre uma vida solitária e a solidão da literatura. E a proximidade com uma obra literária propicia todo um encontro de mundos, e também um tanto de incertezas: The Bubblegum Reaper era como 'manifesto' para jovens como Nanette, e amizade com Booker uma bússola (ainda que meio fora de rumo) para as dores da adolescência. Neste momento da história, as narrativas pessoais de Nigel Booker (inclusive as descritas em The Bubblegum Reaper - que aqui não comentaremos, por motivos de "seria spoiler") se aproximam de todo o punhado de pessoas que passa a acompanhá-lo; afinal, tudo o que nos move não apenas permanece, mas ilumina este percurso (por vezes silencioso) chamado vida.


"There are a lot of lonely kids in this world, but the problem is that they don't know about each other. If the lonely kids could just team up, a lot of good things would happen, but the world is incredibly afraid of lonely people teaming up, and so does its best to the keep them apart.
Why?
Because lonely people often have great ideas but no support. People with support too often have bad ideas but power. And you don't give up power. (...) (And) I think you should meet this kid who's been sending me poetry. (...) He calls himself Little Lex."

"Existem muitos jovens solitários neste mundo, mas o problema é que eles não se conhecem. Se todos os solitários pudessem se unir, coisas incríveis poderiam acontecer, mas o mundo teme esse encontro, e faz o possível para mantê-los distantes.
Por quê?
Porque os solitários geralmente têm grandes ideias, mas nenhum apoio. E pessoas que tiveram oportunidades geralmente possuem ideias péssimas, e muito poder. E não se abandona o poder... (...) Eu acho então que você deveria conhecer esse garoto que tem me enviado alguma poesia. Ele gosta de ser chamado de Pequeno Alex."


E o que acontece após o encontro de Nanette com Booker e o livro The Bubblegum Reaper? Matthew Quick primeiramente dedica toda uma importância ao papel que uma obra literária (ou musical ou artística, ou até uma simples carta, como em A Sorte do Agora, onde seu protagonista, Bartholomew Neil, encontra nas palavras de Richard Gere - sim, o ator - uma espécie de porto seguro para os dias difíceis, e também uma forma de encontrar a si mesmo ao escrever uma carta-reposta - na verdade, mais de uma - para o senhor Gere) pode exercer em nossa vida, especialmente nos dias de desamparo e insegurança (lembram da referência ao "Uma Aflição Imperial" em A Culpa é das Estrelas? É por aí.). Em seguida, o autor apresenta-nos Little Alex, personagem fundamental neste novo mundo a ser descoberto por Nanette, e também essencial para a vida de outros personagens que aparecerão ao longo da história.

Every Exquisite Thing é um livro de interrogações e descobertas, e finais nem sempre felizes - afinal, a alegria estará sempre nas pequenas lições e vitórias de nossa vida, e também no entendimento de seus acidentes e desvios...

Can love win? (Pode o amor vencer?) Se não tentarmos, bem, não saberemos.


Release de lançamento: Every Exquisite Thing. Little, Brown & Company (May 2016)

Nanette O’Hare is an unassuming teen who has played the role of dutiful daughter, hard-working student, and star athlete for as long as she can remember. But when a beloved teacher gives her his worn copy of The Bubblegum Reaper—the mysterious, out-of-print cult-classic—the rebel within Nanette awakens. (Nanette O'Hare é uma jovem retraída que desde sempre mantém o seu papel de filha obediente, estudiosa e atleta. Mas ao receber de um estimado professor um exemplar usado de The Bubblegum Reaper - uma misteriosa obra clássico-cult já fora de catálogo, a rebeldia que há em Nanette desperta.)

As she befriends the reclusive author, falls in love with a young troubled poet, and attempts to insert her true self into the world with wild abandon, Nanette learns the hard way that sometimes rebellion comes at a high price. (Quando inicia uma amizade com um autor recluso, e se apaixona por um jovem e problemático poeta, e decide confrontar o mundo com o seu verdadeiro eu, será nessa hora que Nanette entenderá que é preciso pagar um alto preço para viver o melhor de sua vida).


Ps: Querida Intrínseca, será que rola de adicionar este Matthew Quick à lista dos para-ser-traduzido? <3

You May Also Like

2 comentários

  1. Oii Rebs, tudo bem?
    Aii adorei a resenha! Amo livros sobre descobertas, evolução e até mesmo
    reinvenção, e me pareceu que esse livro tem tudo isso e muito mais!
    Tomara que a Intrínseca traduza ele, ia facilitar muito a minha vida haha

    Beijos,
    Ana | Blog Entre Páginas
    www.entrepaginas.com.br

    ResponderExcluir
  2. Estou lendo esse livro no momento e meu deus.... é cada coisa que leio e penso "sim sim sim!!!! muito eu" <3

    ResponderExcluir

Visitas