sexta-feira, 1 de julho de 2016

Ficando com o que é bom, belo, bonito - Uma crônica de Gih Medeiros

 

Durante alguns anos, usei bastante uma determinada rede social (desde a época em que não era tão divulgada e muito mais legal), mas terminei desativando meu perfil por motivos pessoais. Acabei voltando através de um novo user, só para poder divulgar meus textos, porque senti que estava perdendo oportunidades e fui chamada a atenção por conta disso (minha friend/beta-reader me passava o sermão, típico dos capricornianos empreendedores, toda vez que eu enviava um texto para ela).

Nesse retorno, tomei a decisão de me manter afastada de algumas pessoas do passado, mas nem sempre isso é possível, já que a própria rede social te sugere pessoas para criar vínculos. Uma dessas sugestões acabou sendo um ex-namorado, com quem não tenho contato há mais de 10 anos. Inclusive estranhei quando vi a sua foto e nome, porque ele não gostava de redes sociais e sempre criticava quem as usava (o ser humano é um paradoxo em si, eu sei rs).

Ao olhar sua foto o reconhecimento foi instantâneo, pois ele não mudou nada. Mas assim como o reconhecimento, o desconforto também foi imediato ao vê-lo acompanhado na foto. Não foi ciúmes, já não sinto isso por ele há muito tempo. Só bateu aquele estalo sabe, do tipo, “ele seguiu em frente sem mim”.

Essa sensação durou muito pouco, porque o que predominou em seguida foi uma saudosa melancolia, uma familiar sensação de “eu me lembro de você”. Eu me lembro do seu riso fácil e escandaloso quando eu pedi desculpas por ter chorado no nosso primeiro encontro – nunca convide alguém em quem está interessado, para ir ao cinema assistir um filme que já desperta lágrimas só pelo pôster como em A Paixão de Cristo, dirigido pelo Mel Gibson. Eu me lembro da sua teimosia quando achava que estava certo sobre determinado assunto, mesmo que eu provasse o contrário. Eu me lembro de como ficava nervosa ao preparar alguma comida para ele, porque sabia o quanto era sincero com relação a isso.

Eu me lembro de como me senti especial e querida, ao ver uma faixa de Dia dos Namorados em frente ao local onde trabalhava, mesmo tendo lhe dito que não gostava dessas demonstrações públicas de afeto. Eu lembro de como era gostoso passear pelos parques de Santo André e São Caetano do Sul segurando sua mão, tão maior que a minha, porque não tínhamos dinheiro para ir a nenhum outro lugar e de como usávamos a tampinha do iogurte como colher, porque só dava para comprar o iogurte mesmo.

Eu lembro de como a gente falava sobre música, especialmente música brasileira. E de como algumas músicas marcaram para sempre nosso tempo juntos. Lembro de não poder ouvir Equalize da Pitty durante algum tempo, porque imediatamente me recordava de você cantando-a para mim: “Às vezes se eu me distraio, se eu não me vigio um instante, me transporto pra perto de você. Já vi que não posso ficar tão solta, que vem logo aquele cheiro que passa de você pra mim, num fluxo perfeito”. Lembro de como o ritmo entre nós rolava fácil, “parece que foi ensaiado” e de como a gente se orgulhava de dizer “eu acho que eu gosto mesmo de você, bem do jeito que você é”.

Claro que nem tudo foi tão bom e tão bonito o tempo todo. Se fosse o caso, eu não estaria escrevendo essas linhas agora. Mas, assim como na famigerada rede social que promoveu esse breve reencontro, eu prefiro ficar com as coisas boas, as bonitas. E antes de fechar a janela do navegador, olho para sua foto mais uma vez e relembro o som gostoso da sua risada. Sem remorsos ou mágoas. Apenas uma bela lembrança, como “um filme todo em câmera lenta”.


Por: Gih Medeiros


11 comentários on "Ficando com o que é bom, belo, bonito - Uma crônica de Gih Medeiros"
  1. Amo seus textos Gih! Me identifico com eles, parabéns! ♥

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    1. Fico imensamente feliz ao saber disso flor <3
      Muito obrigada!!!
      bjooooo

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  2. Este comentário foi removido pelo autor.

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  3. Minha querida, vi a divulgação no seu Insta e vim correndo te ler, fiquei megaultracuriosa rsrsrss e simplesmente amei o texto. Muito bom e é claro que houve total identificação! Depois vou voltar e caçar mais textos de sua autoria por aqui. Amei o blog e parabéns pela crônica.
    Beijo, beijo!
    She

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    1. Que maravilha ver você por aqui! Fico muito feliz que tenha gostado! Tem outros textos aqui na mesma linha, espero que goste também! Um beijo enorme!!! E sucesso sempre!!!! <3
      Bjoooo

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  4. Que bonito e profundo e sincero... Lindo!

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    1. Obrigada miga!!!! Dedicado a você!!! <3
      Bjos

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  5. Que bonito e profundo e sincero... Lindo!

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  6. Parabéns Rehhh, muito bom o texto...

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    1. Obrigada Rob! Feliz de te ver por aqui, volte mais vezes hahahah
      Bjos!!!

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  7. Parabéns Rehhh, muito bom o texto...

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