Achados e Perdidos, de Brooke Davis | Editora Record

terça-feira, 30 de agosto de 2016


Fere o sol teu continente de sardas e nervos. Embora agosto, o atravessar do mundo torna-se invasivo, como um domingo de insônia ou verão, onde a lembrança desfaz a madrugada, o brilho dos olhos, e o dia seguinte.

Do alto da cidade o interior reflete a paisagem: Lembra aquele dia em que... Sim, gostávamos de... Quando foi que partimos?

É preciso um largo gesto para encenar a saudade; teus olhos, porém, encerram toda memória, e em dois ou três passos transbordam o que ficou de nós mesmos: Quando foi que...

Tropeço.

"Ela logo percebeu que tudo estava morrendo ao seu redor. Insetos, laranjas, árvores de Natal, casas, caixas de correio, trenzinhos de parque de diversão, canetinhas hidrográficas, velas, gente velha, gente jovem e gente que não era nem uma coisa nem outra. Só depois que registrasse 27 criaturas diferentes em seu Livro das Coisas Mortas - Aranha, o Pássaro, Vovó, a gata Gertrude do vizinho, entre outros - ela descobriria que seu pai também viraria uma Coisa Morta. E que ela anotaria isso ao lado do número 28, em letras tão grandes que tomariam conta de duas páginas: MEU PAI. Que, durante algum tempo, seria difícil saber o que fazer além de ficar olhando aquelas letras até já não conseguir mais lembrar o que significam. Que ela faria isso usando uma lanterna, sentada no corredor em frente ao quarto de seus pais, ouvindo sua mãe fingir que estava dormindo." (p. 11)

Mesmo ator e cena e filme, até que a vida embaralhe o ensaio e o script: fotos sem rosto, travesseiros sem corpo, tua presença, nua, como um dia de inverno, quando foi que...

Para encerrar a dor, o caderno de Millie abriga uma Coleção de Inesquecíveis: folhas para alguns, papéis para ninguém, para todos reticências - porque sim, Millie, é preciso anotar o melhor de nossos dias, ainda que o amanhecer entristeça a bondade e o crepúsculo engrandeça propósitos ruins.

Embora literatura, a vida continua em seu movimento - como um pássaro que da copa escapa, e destrói o seu ninho, e em um galho próximo esboça um assovio.

Pouco temos a dizer sobre isso.


Um fato sobre o mundo que sabemos com certeza é a nossa habilidade em transformar o cotidiano em um soneto triste. E também a de entendermos que o outono é a segunda chance de toda natureza (desfolhar-se é renovar a própria espera, e desfazer os nós de todo o medo: "Millie acendeu todas as velinhas e sentou-se na grama. (...) As velas (...) balançaram suavemente. (...) O céu estava cheio de estrelas e agora parecia que havia estrelas também na árvore e no chão, como se Millie tivesse feito do mundo inteiro uma enorme noite estrelada. Ela se levantou e passeou pelo seu céu; será que seu pai não estaria fazendo o mesmo lá em cima?").

Quando foi que...

Nestes momentos de exposição e choro, o enredo consome o coração (o nosso, o de Brooke Davis), desfaz o corpo (tua enseada), em uma sensação de nada e despedida, como se o pouco rimasse com perdão, esperança ou triste riso. Millie acredita nisso, e em diferentes momentos da história nos diz: - Mamãe, estou aqui. Eu também, Millie... Apesar. De. Tudo. Estamos. Bem. Aqui, eu sei.

(Tropeço)
(Respiro)
(Recomeço)
(Respiro)

Assim é todo parágrafo, e também Achados e Perdidos, onde é preciso recobrar o passo, e acreditar que a vida os levará a um horizonte menos triste, ou pelo menos sincero. Porque é possível que o coração peça um par de décadas para entender esta "vida pequena" (quando foi que...), e o reencontro (consigo, com o mundo, com o riso esquecido) será a estrofe de partida para Millie e Agatha e Karl, e quem sabe um épico estribilho. 

"Ele havia abraçado Millie e a sensação era de ter ganhado algo que não merecia, mas que gostaria muito de merecer. Com certeza um dia ele também havia abraçado seu filho assim, porém a sensação agora parecia completamente nova. E agora aquela mulher estava ali também, tornando sua vida mais interessante, mais complicada." (p. 127)


Sinopse: Millie Bird é uma garotinha de apenas 7 anos que já sabe muita coisa. Ela já descobriu que todos nós um dia vamos morrer. Em seu Livro das Coisas Mortas, ela registra tudo o que não existe mais. No número 28 ela escreveu “MEU PAI". Millie descobriu também, da pior forma possível, que um dia as pessoas simplesmente vão embora, pois a mãe dela, abalada com a morte do marido, a abandona numa grande loja de departamentos. Ela só não está triste porque conheceu Karl, o Digitador, um senhor de 87 anos que costumava digitar com os próprios dedos frases românticas na pele macia de sua mulher. Mas, agora que ela se foi, ele digita as palavras no ar enquanto fala. Ele foi colocado pelo filho em uma casa de repouso, porém, em um momento de clareza e êxtase, ele escapa, tornando-se então um fugitivo. Agatha Pantha é uma senhora de 82 anos que mora na casa em frente à de Millie e que não sai mais, nem conversa com ninguém, há sete anos. Desde que o marido morreu, ela passou a viver num mundinho só dela. Agatha preenche o silêncio gritando, pela janela, com as pessoas que passam na rua, assistindo à estática na televisão e anotando em seu diário tudo o que faz. Mas, quando descobre que a mãe de Millie desapareceu, ela decide que vai ajudar a menina a encontrá-la. Então, a adorável garotinha, o velhinho aventureiro e a senhorinha rabugenta partem em uma busca repleta de confusões e ensinamentos, que vai revelar muito mais do que eles imaginam encontrar.

Achados e Perdidos, de Brooke Davis. Ed. Record, 2016

Thomas e sua inesperada vida após a morte, de Emma Trevayne | Editora Seguinte

terça-feira, 23 de agosto de 2016

Emma Trevayne é o tipo de autora cujas histórias você não imaginaria se apaixonar. Afinal, mundos e mistérios encantados talvez estejam mais ao alcance de leitores de bibliotecas nerd-geek, e não de nós-mortais chegados aos contos e prosas e poesias. No entanto, quando nos permitimos conhecer histórias totalmente inesperadas, é bem possível que daí surjam grandes leituras! E com os livros de Emma Trevayne não poderia ser diferente :)

Nesta postagem, nosso colunista Jonatas T. B. compartilha suas impressões a respeito do pequeno Thomas e suas aventuras. Confira!

Sinopse: Thomas tem apenas doze anos, mas vai viver aventuras de outro mundo! Roubar túmulos é um negócio arriscado. É, na verdade, um péssimo negócio. Para Thomas Marsden, a partir de uma noite de primavera em Londres (véspera do seu aniversário de doze anos), esse passa a ser um negócio também assustador. Isso porque, deitado em uma cova recente, ele encontra um corpo idêntico ao seu. Esse é apenas o primeiro sinal de que alguma coisa esquisita está acontecendo. Desesperado para conhecer a sua verdadeira história e descobrir de onde vem, Thomas será apresentado à magia e ao ritual, às fadas e aos espiritualistas, e vai se dar conta de que, para ele, a morte está muito mais próxima da vida - e é bem menos assustadora - do que imaginava.

Leia também a resenha de Voos e Sinos e Misteriosos Destinos



O que aconteceu com Thomas Marsden?


I

E se por terrível obra do acaso você vivesse nas regiões mais miseráveis de Londres no período da Revolução Industrial? Então, para sobreviver, tivesse que sair de casa à noite, num frio capaz de congelar o solo, a fim de desenterrar cadáveres no cemitério a e furtar seus bens? Imagine: numa dessas noites, não uma fria, mas uma noite de primavera, quando está prestes a completar doze anos, de repente, após se esforçar e se sujar todo de terra misturada com suor, você encontra um corpo com a mesma aparência que a sua. Igualzinho, como se olhasse no espelho. A cor dos olhos, os lábios. Até a marca de nascença. E mão fria do morto está segurando uma folha. Você desdobra. Lê. É uma mensagem pessoal, junto com dois convites para uma sessão de invocação de espíritos.

Este é o início do fim da dura vida de Thom Marsden, o menino que protagoniza o novo livro de nossa já conhecida Emma Trevayne: “Thomas e sua inesperada vida após a morte” (também publicado pela editora Seguinte). Nesta fabulosa aventura, em meio a percalços terríveis, toda perspectiva de mundo do pequeno Thom se modifica após encontrar o cadáver gêmeo. As pistas irão revelar-lhe os segredos de sua estranha origem, dando início a uma jornada, acompanhado dos pais e de amigos verdadeiros, em direção a perigos piores que a própria morte.

“Como se escutasse Lucy contando-lhe uma história antes de dormir, Thomas ouviu enquanto Cravo-de-Defunto falava de como surgiu o reino das fadas. Sua voz estava enfraquecendo, e ele fazia uma careta cada vez que se mexia, mas não parou. No passado, o reino das fadas e o reino humano tinham sido um só, colocados um em cima do outro, no mesmo lugar, da forma como Thomas tinha pensado sobre Londres no dia anterior”.


II


Há pouco escrevi uma resenha para o blog Nerd-geek feelings e fiquei com a sensação de ter muito a falar sobre a história. Em especial, porque vi nela reflexos do livro anterior de Trevayne: “Voos e sinos e misteriosos destinos”. Algumas perguntas se aninharam no fundo da minha cabeça...

As fadas e outras criaturas mágicas, de onde vêm exatamente? Aliás, eram os mesmos tipos de fadas, já que na história de Jack elas não pareciam temer o ferro, enquanto na de Thom, não podiam nem mesmo ouvir sinos. Ou será que elas eram vulneráveis apenas ao ferro do nosso mundo? Os portais interdimensionais são criados pela mesma espécie de mágica? Quantos mundos existiriam? Será que a alma com que as máquinas são preenchidas para se moverem sozinhas seriam as mesmas almas dos mortos no nosso mundo?  E, por acaso, haveria a possibilidade de Thomas e Jack Foster terem se esbarrado em algum beco londrino?

São algumas questões a respeito de um mundo mágico, obscuro e intrigante que, se Emma Trevayne pudesse nos responder através de novas aventuras, me fizeram bastante feliz. Então, deixo aqui, Srtª. Trevay, meus agradecimentos com sabor de dúvida, que só entenderá quem ler toda a história: o que acontece depois do final?




Toda Prosa, de Adriana Sydor | Travessa dos Editores

sexta-feira, 19 de agosto de 2016
"vontade de escrever uma carta de mil linhas
nela, os arrepios da pele,
a boca seca,
o tremor das mãos,
as vontades,
os receios,
e tudo aquilo que me percorre,
(...) risada, calmaria e amor."
(p. 49)


O coração desperto rascunha um poema. Na primeira estrofe, imagina-o descalço, ao pé da página, como se o tempo fosse uma rima para a alegria e sinônimo para tudo o que não esquecemos.

Um pouco de sol aquece o verso, e a febre é parte da cena: tudo sempre tão novo, como primavera ou lábios frescos! Porém a vida transborda pela margem, e fere o desejo, e faz com que a escrita então arranhe e estremeça.


 

"quantas coisas cabem num minuto? nem sabia que alguma coisa inteira acontecia num único minuto. nem em corrida de Fórmula 1 consigo imaginar isso. (...) com tanta coisa no planeta, e o volume só aumenta, preciso eu sair das páginas do diário privado para expor imperfeições em público?" (p. 36)

Quantas coisas cabem em você, em nós, neste nó de coisas que em um único minuto desconhecemos? 

Em Toda Prosa, Adriana Sydor traduz a leveza de seus dias, ainda que a chuva inunde a tarde, e o pé no chão tropece nos versos e ruas de Curitiba. 

Porque é preciso falar do vento que embaraça os fios e da árvore derrama seus ninhos, e entorpece também a náu e o navegante, que em êxtase recitam versos de medo e vontade, assim como os meus, e os seus, neste chiado de página, sob a letra miúda, à esquina de um poema imenso, onde nos encontramos, aqui, lá fora, em eternidade.

Toda Prosa é todo imensidão e muitas vozes, e nos faz pensar o quanto a vida pode ser uma conquista, e também uma dádiva, repleta de sal e luz, agridoce e festim, brilho no olhar e primavera, e uma ou duas tardes onde os olhos se fecham, e inundam, em vermelhidão de lágrimas ou corpos quentes, nesta realidade que é ao mesmo tempo sonho, página de jornal e verdade, e raiz de poesia.


Adriana Sydor, Toda Prosa. Curitiba, PR: Travessa dos Editores, 2015
Conheça Mil Compassos, o Blog da autora :)


"o clima nos provoca, chovendo nossas angústias diárias, trancamos as janelas, despedaçamos as soleiras, transformamos praças em alamedas. (...) trabalhamos muito, trabalhamos o tempo inteiro, trabalhamos pelo mundo, trabalhamos sobretudo para ver se o tempo passa rápido e se uma migalha de raio dourado nos chega para esquentar o rosto e aliviar a alma. mas enquanto isso não acontece, trabalhamos e reluzimos e refletimos em pingos e gotas.
em Curitiba, somos orvalhos constantes." (p. 102)


"o amor não deixa espaço vazio. e quando a solidão tenta se aproximar, ela já não tem boa música e incomoda e atrapalha e perturba e enlouquece. a solidão fica ali, escondidinha, a espiar.
o amor não consegue esperar." (p. 171)


Recebidos e comprinhas de Agosto: Intrínseca, Sextante, Gente, Ateliê Editorial, Record e Planeta

sexta-feira, 12 de agosto de 2016



É só a gente tirar uns dias off do mundo e do escritório que a caixa postal fica assim, lotada e linda! #partiuferiasdenovoprarecebermaiscartinhas <3

Vou postar as comprinhas primeiro (os dois primeiros livros), e depois os recebidos:


Taí um livro que eu queria desde sempre (mesmo custando 39.90 rs) e que eu não conseguiria esperar algum saldão da Amazon para adquirir <3 No entanto, apesar de gostar demais do autor, só pela sinopse e primeira folheada não deu pra sentir se essa história é tão intensa quanto as anteriores... Ainda assim, é um dos poucos autores que pretendo ler tudo na vida (aliás, já falei bastante do Matthew nesse post aqui), então, logo logo compartilharei mais esta leitura com vocês aqui no blog :)


Calma, calma, a vida mudou mas (ainda) nem tanto assim rs. Porém, há momentos em que a gente precisa reavaliar os hábitos e comportamentos de sempre, e enxergar a vida de outra forma, pensar no futuro, sabe... e entender que o alicerce de qualquer mudança (pra melhor!) é uma combinação de foco, motivação e planejamento. E autores como Gustavo Cerbasi conseguem transmitir este conhecimento e experiência de maneira organizada e acessível. Portanto, ainda que o "casais" do título não faça parte de sua realidade (tanto presente como em uma perspectiva futura), dê uma chance para essa literatura menos... 'sonhadora', digamos assim. Você pode realmente se surpreender com a leitura :)

Olha, gostando mesmo de conhecer o trabalho da Editora Gente, que também possui uma linha editorial voltada a "vida prática", com foco em comunicação, finanças e organização pessoal (o livro da Thais Godinho também é da Gente!). E o lançamento do Márcio Giacobelli faz parte desse nicho literário, e com certeza estará em nossas resenhas do segundo semestre :)


Pra quem já leu nossa resenha sobre o País de Gales, prepare-se para em breve conhecer a Índia com mais este lançamento da Ateliê Editorial :) Pelo que pude folhear, o livro traz um relato de viagem muito bem organizado, e rico em detalhes, onde o leitor encontrará tanto fatos históricos sobre o país e suas principais cidades, como também impressões gerais sobre os hábitos, cultura, religão e sociedade indiana. Taí, uma leitura bem interessante, hein! Aceitam um spoiler? O livro ainda traz algumas receitinhas vegetarianas maravilhosas! <3

Sheila Walsh é palestrante, escritora e apresentadora de tv. Após recuperar-se de uma grande depressão, passou a dedicar-se ao projeto Women of Faith, uma organização norte-americana voltada para o desenvolvimento pessoal e espiritual de mulheres nos Estados Unidos. Ainda não iniciei esta leitura mas, só pela sinopse, acredito que será uma experiência de algum modo inspiradora: "A autora best-seller Sheila Walsh acredita que seja possível levar uma vida mais simples, tendo o amor como foco, mesmo em um mundo extremamente complexo. Atualmente, muito se fala sobre o essencialismo, mas será que sabemos o que isso realmente significa? Descubra uma maneira mais simples de vida e de amor. Baseado no exemplo de Jesus e de sua caminhada, Respostas de Deus para problemas complicados retomará a essência da felicidade e da saúde espiritual. É hora de voltar ao plano inicial de amar a Deus e aos outros, sem maiores preocupações. Só assim será possível encontrar beleza nas coisas simples da vida."


Apenas: um livro que tem tudo pra nos fazer chorar litros! rs :) Confira a sinopse: Millie Bird é uma garotinha de apenas 7 anos que já sabe muita coisa. Ela já descobriu que todos nós um dia vamos morrer. Em seu Livro das Coisas Mortas, ela registra tudo o que não existe mais. No número 28 ela escreveu “MEU PAI". Millie descobriu também, da pior forma possível, que um dia as pessoas simplesmente vão embora, pois a mãe dela, abalada com a morte do marido, a abandona numa grande loja de departamentos. Ela só não está triste porque conheceu Karl, o Digitador, um senhor de 87 anos que costumava digitar com os próprios dedos frases românticas na pele macia de sua mulher. Mas, agora que ela se foi, ele digita as palavras no ar enquanto fala. Ele foi colocado pelo filho em uma casa de repouso, porém, em um momento de clareza e êxtase, ele escapa, tornando-se então um fugitivo. Agatha Pantha é uma senhora de 82 anos que mora na casa em frente à de Millie e que não sai mais, nem conversa com ninguém, há sete anos. Desde que o marido morreu, ela passou a viver num mundinho só dela. Agatha preenche o silêncio gritando, pela janela, com as pessoas que passam na rua, assistindo à estática na televisão e anotando em seu diário tudo o que faz. Mas, quando descobre que a mãe de Millie desapareceu, ela decide que vai ajudar a menina a encontrá-la. Então, a adorável garotinha, o velhinho aventureiro e a senhorinha rabugenta partem em uma busca repleta de confusões e ensinamentos, que vai revelar muito mais do que eles imaginam encontrar.


Livros, livros, preciso de férias pra tantos livros (ou um trabalho que me permita resenhar um monte de livros por dia! rs) <3

A Casa dos Seis Tostões - Paul Collins | Ateliê Editorial

quinta-feira, 11 de agosto de 2016

Em uma livraria, guias de viagem podem ocupar uma tarde inteira. Páginas e páginas de praias, arranha-céus, catedrais, ruínas... Se pudesse viajar pra qualquer lugar do mundo, qual você escolheria?

Dizem que toda viagem tem início com essa vontade de céu, mar ou estrada... e que nem sempre é necessário passaporte e tênis para partir. Afinal, idealizar o futuro ou aqueles quinze dias de férias já é o início de uma grande jornada, e quem sabe de um grande destino!

Concordam? :)

Em A Casa dos Seis Tostões, publicado pela Ateliê Editorial, o autor Paul Collins realiza ambos os sonhos: cruzar continentes para escrever um livro, e conhecer novos mundos enquanto percorre inúmeras livrarias.

Parece ficção, mas a viagem de Paul Collins acontece em um vilarejo real, localizado no País de Gales, chamado Hay-on-Wye, ou, carinhosamente, A Cidade dos Livros, onde a população de páginas é infinitamente superior a de casas, jovens, gatos ou mesmo anos de fundação da cidade.


"É difícil saber quantas vezes fomos expostos a uma palavra, a um rosto, a uma ideia, antes de nos termos apropriado deles (...): 'A história de uma ideia é, necessariamente, a história de muitas ideias. As ideias, como os rios caudalosos, nunca têm uma única nascente. (...) E, justamente por causa disso, muitas vezes é difícil achar a nascente de um rio ou os primórdios de uma ideia.'

Pode-se dizer o mesmo deste livro. Eu o escrevi; meu nome está na página de rosto. Mas ele não proveio totalmente de mim: proveio de muitos autores, e de muitos livros, sem um ponto de partida claro. Eu não conseguiria nem mesmo dizer como este livro começou de verdade."
(p. 20)

Sinopse: Paul Collins e sua família abandonaram as colinas de San Francisco para se mudarem para o interior do País de Gales – para se mudarem, na verdade, para a vila de Hay-on-Wye, a “Cidade dos Livros”, que ostenta mil e quinhentos habitantes e quarenta livrarias. Convidando os leitores a entrarem em um santuário para os amantes dos livros, A Casa dos Seis Tostões é uma meditação sincera e muitas vezes hilária sobre o que os livros significam para nós.

Paul Collins, A Casa dos Seis Tostões - Perdido numa cidade de livros. SP: Ateliê Editorial, 2016.

 

Se toda viagem tem início com um sonho, o que dizer de um sonhador que encontrou nos livros a razão de seu destino? Por seu entusiasmo e pesquisa, o autor Paul Collins poderia ser considerado um "idealizador literário"; porém, para o velho vilarejo de Hay-on-Wye, este "sobrenome livresco" é destinado ao quase centenário Richard Booth (uma espécie de "prefeito" da cidade) que, não satisfeito em transbordar prateleiras com sua obsessão coleção, decidiu construir um castelo e povoá-lo unicamente com livros.

Parece surreal, mas o sonho de Booth literalmente tomou conta de toda a vizinhança, transformando-se no próprio espírito da cidade, que, com o passar dos anos, tornou-se um "santuário" de publicações inimagináveis (como por exemplo um livro dedicado aos modos e costumes da Inglaterra Vitoriana, assim como um inusitado 'dicionário' com todos os livros de capa vermelha já publicados no mundo - !?), atraindo leitores e livreiros de todas as partes, seja para uma visita ou para conduzir um novo empreendimento na cidade.

Paul Collins narra esta viagem com uma riqueza de detalhes, além de muita graça e curiosidade; mesmo sem conhecer os personagens e autores e livros mencionados, o leitor se sentirá em Hay-on-Wye, e certamente disposto a conhecer mais desta inusitada vizinhança compartilhada por Collins.

Taí uma leitura leve, envolvente e divertida, e literalmente Literária :)


"... a coisa mais interessante na Booth's é que ela está lotada de coisas que não serão vendidas nem em mil anos. Deve-se manter equilibrada a proporção entre o totalmente obscuro e o instantaneamente familiar: se se tiver muito mais de um ou do outro, chegarão sem falta a falência ou a insipidez. Precisa-se de alguns livros esquisitos 'sem valor' porque (...) a impossibilidade de reconhecer alguns títulos em seu estoque dá a toda a seleção uma aparência de profundidade. E nao há como saber o que as pessoas podem querer realmente. Cada um tem ideias pessoais de valor; uma história que corre entre os livreiros fala de um comerciante de livros que, tendo perguntado a um proprietário rural por quanto ele venderia a antiga biblioteca da família este lhe respondeu: O preço de duas cadelas." (p. 139)


"Existe, no final da Castle Street, uma livraira empoleirada na esquina. (...) A livraria se chama Bookend, e é um nome muito apropriado, pois trabalha basicamente com saldos: é de fato um fim para esses livros. Uma vez fizeram uma liquidação na qual se pagava um preço fixo por uma cesta cheia de livros, pagando por peso exatamente como se faz quando se vai comprar um saco de batatas ou um carregamento de bauxita.

(...) Evitei entrar nessa livraria durante todo o tempo em que estive aqui. Eu costumava comprar saldos de livros com frequência, feliz da vida por encontrar uma pechincha, mas agora é muito deprimente pensar nisso. Para qualquer autor, há algo profundamente melancólico na mesa de saldos de uma livraria. (...) Os caminhos que levam à mesa de saldos são tantos que estão além da nossa compreensão. (...) Às vezes, as pessoas simplesmente não compram esses coitados de jeito nenhum. (...) O que é bem estranho, considerando que isso custa ao editor admitir que (...) eles também não sabem como vender o livro dele." (p. 244-245)


"- Essa tal de internet, não sei pra que serve.
- Não serve pra nada. Ninguém ganha dinheiro com ela.
- Os clientes não podem ver o livro. E num livro usado o estado de conservação é tudo.
- É isso mesmo. Eles não podem pegá-lo e dar uma boa olhada, senti-lo. - O homem balançou a cabeça com autoridade. - Então, para que serve?

Fico tentado a interromper, para corrigi-los, mas então decido: não, vamos deixar assim. Compro livros usados na internet o tempo todo; para um pesquisador que depende de livros velhos, é uma ferramenta notável. E as pessoas ganham dinheiro com isso, sim. Mas quando se procura um livro na internet, normalmente já se sabe o que se está procurando. Procurar um livro específico em Hay é um trabalho sem esperança; só se consegue encontrar os livros que procuram a gente, aqueles que nem se sabia que se deviam procurar." (p. 51)

Flor da Pele, de Javier Moro

segunda-feira, 8 de agosto de 2016


Flor da Pele, de Javier Moro

Imagine que você mora no sertão nordestino. Sua família é grande e vocês mal tem o que comer. O calor é insuportável e a sede se faz presente constantemente. Imagine que você como irmã mais velha tem que ser responsável por seus irmãos, mesmo que ainda seja uma criança, porque seus pais precisam trabalhar e não tem ninguém para ficar com vocês. Imagine que uma doença incurável se alastra pela região e o maior medo de todos é que alguém conhecido seja vítima desse mal. Para azar de sua família, sua mãe é a mais nova vítima e não há nada a ser feito, a não ser rezar pela alma dela, limpar toda a casa para impedir que os outros contraiam tal doença e cuidar para que seus irmãos menores não sintam demais a falta da mamãe.

Já deu um nó na garganta? Acredito que a maioria de nós já ouviu uma história parecida, principalmente em um país como o nosso, onde a migração é tão constante, mesmo em tempos difíceis nas metrópoles.

Mas vamos transportar esse cenário para a Espanha, mais precisamente durante o século XVII, quando a varíola, doença existente em nosso meio desde muito tempo, causou uma epidemia que atravessou os mares e poderia facilmente ter gerado uma catástrofe de proporções mundiais, não fosse a preocupação do rei com as colônias além-mar e a persistência de um médico obcecado por seu trabalho.

Acompanhamos essa história através da vida de Isabel Zendal, que muito cedo perdeu a mãe para a varíola. Sendo a mais velha entre seus irmãos, teve que assumir o papel que sua mãe ocupava, cuidando das tarefas de casa e dos irmãos. Mas, em um período onde as pessoas precisavam trocar o pouco que tinham com os vizinhos para terem o que comer, seu pai se viu diante de uma decisão que mudaria a vida de Isabel para sempre. Ele solicitou ao pároco da cidade que arranjasse um emprego para Isabel, mas isso significaria que provavelmente ela teria que ir embora e deixar a família, mas seria uma boca a menos para alimentar e ainda poderia contribuir com o sustento. Como filha obediente, ela aceitou, sofrendo em silêncio o que o destino lhe reservava. A outra opção para a família seria morrerem de fome ou terem de entregar um dos pequenos para adoção ou ainda, como algumas famílias faziam, praticar um infanticídio, o que estava fora de cogitação para a família Zendal.

Isabel se mudou e aprendeu a lidar com a saudade. Também descobriu que seu destino não era tão ruim quanto pensava, afinal ela agora morava com uma família rica e importante e seu trabalho continuava a ser o de cuidar de crianças pequenas; a diferença é que agora, recebia algum dinheiro para isso, além de ter roupas, teto, comida e proteção. A menina cresceu, e se tornou uma jovem respeitável, mostrando uma capacidade de aprendizado e praticidade que a tornou indispensável para a família que a tinha acolhido.

Ingênua e doce, Isabel acabou conhecendo Benito, um militar, e se rendeu aos encantos e lábia do jovem que sonhava ir para a América e fazer fortuna. Tomada de paixão e com receio de seu amor lhe esquecer, quando chegou o momento de separarem, Isabel entregou seu corpo e coração a Benito, recebendo em troca promessas de um futuro promissor juntos.

Mas o tempo passou e Isabel se viu em uma situação insustentável para uma mulher na época: estava grávida e solteira. Desesperada e com vergonha de sua atitude, decidiu contar à família para quem trabalhava que estava esperando um filho, se resignando com o fato de que provavelmente seria posta na rua. O que Isabel não esperava, era que sua patroa cairia vítima da varíola e que seria indispensável para os cuidados da senhora, já que provavelmente estava imune à doença, devido à sua convivência com ela quando criança. Seu zelo e carinho para com essa mulher nunca seriam esquecidos e o patrão, vendo o potencial de Isabel, indicou-a para um trabalho que não lhe pagaria muito mais do que ganhava, mas que abriria um novo horizonte em sua vida, tirando-a da condição de criada.
Isabel assume a direção de um orfanato e cria seu filho junto a tantos outros que são deixados por famílias que não tem condição nenhuma de criá-los.

Paralelamente à jornada de Isabel, a epidemia da varíola se espalha pelos territórios espanhóis, principalmente no novo mundo. O dr. Balmis, médico cirurgião do exército espanhol, é um grande estudioso do processo que hoje conhecemos como vacinação, onde ao receber uma pequena quantidade do vírus de uma patologia, nosso corpo cria os anticorpos necessários para combatê-la. Ele convence o rei do processo e é designado como diretor de uma expedição que levará a vacina contra a varíola até as colônias espanholas no continente americano. Para isso, ele precisa de crianças, que servirão como meio de transporte para o vírus. Seu plano de trabalho encontra resistência na comunidade médica, mas o rei sente a urgência da situação e autoriza a expedição.

É nesse momento que a vida do dr. Balmis esbarra com a de Isabel, e ela sem saída, acaba se tornando a primeira mulher a participar de uma campanha de vacinação, sendo reconhecida atualmente como a primeira enfermeira da história a participar de um feito desses.

Atravessando os mares, vacinando milhares de pessoas por onde passam, a convivência entre duas pessoas de temperamento tão distintos não poderia ser mais complicada e explosiva. O único alento de Isabel é a presença de Josep Salvany, médico assistente de Balmis. Ambos descobrem com o passar do tempo, uma cumplicidade e admiração mútuas. Para Isabel, Salvany é o ideal de um homem bom, sendo sempre generoso e preocupado com todos ao seu redor, inclusive colocando a própria vida em risco, já que sofre com a fraqueza dos pulmões há anos. Para Salvany, Isabel é o bálsamo que faz com que a empreitada da qual aceitou participar, seja mais leve do que é de fato. Em sua presença, ele se sente seguro, forte, querido.

Mas, assim como Salvany, Balmis também vê as qualidade de Isabel e sua beleza o encanta, sua força e inteligência o causam admiração, e ele se vê apaixonado pela jovem, que não retribui seu afeto, ao contrário, chega a sentir repulsa pela atitude do médico, que não se importa com as crianças, nem com ninguém além de si mesmo e o trabalho a que se propôs.

Entre amores e desamores, vencendo dificuldades com a natureza e com a corrupção de políticos locais, o trio leva a cabo a expedição, e no novo mundo, Isabel acaba encontrando o lugar a que realmente pertence e sua vocação como profissional da medicina se manifesta mais forte do que nunca. Ela finalmente deixa para trás o status de mãe solteira, algo que era considerado quase um crime na época e se torna dona do seu próprio destino.

Javier Moro descreve a jornada de Isabel, de maneira muito clara e vívida, transportando-nos para dentro do navio ou da selva, para os conflitos das crianças ou de consciência dos personagens principais dessa empreitada que salvou o mundo de uma epidemia global. Isabel foi uma mulher forte e inteligente, à frente de seu tempo, generosa e capaz de despertar fortes paixões por onde passou, deixando uma profunda impressão em todos que a conheceram e na história da humanidade. Através de sua vida, podemos acompanhar um momento histórico importantíssimo do surgimento do movimento iluminista e a quebra de paradigmas na medicina tradicional, além do surgimento de um procedimento que até hoje salva vidas.

Gratidão eterna a Isabel Zendal por ter doado boa parte de sua vida a cuidar de crianças e pessoas necessitadas, e por ter propiciado o controle de um mal antigo, que poderia facilmente levar ao fim da humanidade como conhecemos hoje. Principalmente por inspirar a força que existe dentro de cada uma de nós, mulheres que amam, que trabalham, que tomam as rédeas da própria vida e se tornam senhoras de seus destinos.

Quer conhecer mais dessa história? Conheça o trabalho do autor Javier Moro.

Por Regiane Medeiros



Flor da Pele, de Javier Moro. Publicado pela Editora Planeta de Livros.

Sinopse: Estamos no início do século XIX, e a varíola, também conhecida como “flor negra” pelas marcas que deixa na pele daqueles que são infectados, é a doença mais temida do mundo. Não há rico ou pobre, criança ou velho, que esteja a salvo. Ao menos até pesquisadores começarem a testar um método ousado, porém eficaz, que consiste em provocar infecções atenuadas em pessoas saudáveis, tornando seus organismos resistentes ao mal. É nesse momento que uma jovem mãe solteira, Isabel Zendal, torna-se a primeira enfermeira da história numa missão internacional. 

Acompanhada por vinte e duas crianças com idades entre três e nove anos, ela parte rumo aos territórios espanhóis no além-mar para levar a recém-descoberta vacina da varíola à populações pobres. A expedição é liderada pelo médico Francisco Xavier Balmis e por seu ajudante, Josep Salvany, que enfrentarão a oposição do clero e a corrupção de autoridades locais – e também disputarão o amor de Isabel. A história real de amor e coragem de Isabel Zendal, à qual o best-seller Javier Moro teve acesso após ampla pesquisa, é retratada neste romance com a mesma riqueza de detalhes e delicadeza de outros sucessos do autor, como Paixão índia e O sári vermelho.

Novidades das Editoras - Agosto 2016

domingo, 7 de agosto de 2016
É só a gente ficar um tempinho ausente que as editoras nos presenteiam com um milhão de lançamentos, não é verdade? :D Bom, pra você que também não consegue decidir o próximo livro da próxima Black Friday da Amazon rs, seguem algumas indicações de nossas editoras parceiras:

Abra a boca e mostre os dentes
Marcel Devides

Em seu livro de estreia, Marcel Devides convida o leitor, especialmente aquele que dirige seu negócio ou carreira, a viver melhor de acordo com sua própria essência. Relatando experiências profissionais, pessoais, desafios e superações, o autor propõe às pessoas que lutem por atingir suas metas. É um caminho que exige dedicação, perseverança, motivação e amor pelo que faz. O importante nesse percurso é “mostrar-se” para realizar seus sonhos. Ao final de cada capítulo, o livro traz dicas importantes para obter êxito em suas escolhas.


Ateliê Editorial

Produção Gráfica para Designers
Tradução: Alexandre Cleaver

Produção Gráfica para Designers é um guia essencial para designers gráficos de todos os níveis de experiência, focado na pré-impressão e em como preparar arquivos destinados à impressão nos principais softwares gráficos do mercado. Ele explica como tratar imagens, ajustar trapping e fazer a mistura das cores que serão impressas do jeito que você espera. Abrange digitalização e resolução e dá dicas técnicas para garantir a qualidade de impressão de cada imagem. Há também uma lista de verificação que pode ser usada na hora de enviar um trabalho para a gráfica e um glossário muito útil.


Autografia

Me Formei. E Agora?
Priscila Bellizzi

Este trabalho é destinado a todos os recém-formados, profissionais em transição de carreira ou novos entrantes no mercado de trabalho (ou mesmo aqueles que resolveram tomar um novo rumo e empreender). Com a leitura desta obra, você conseguirá acompanhar oportunidades, mudanças, entraves de trajetórias pessoais e profissionais, além de ter acesso à dicas para melhorar sua organização, aprendizado, relacionamento e aumento de percepção global e específica. Você também faz parte deste trabalho, o uso de ferramentas de coaching e mapas mentais contribui com a interação do conteúdo, viajando pelas páginas desta obra você chegará ao seu objetivo. Boa Viagem!


Chiado Editora

A Aventura Culinária
Eva Gonçalves

Eva Gonçalves é uma auto didata, apaixonada por cozinha desde criança, e autora do blog “A Aventura Culinária”. Em 2015, aos 35 anos, foi finalista do programa televisivo Masterchef Portugal. Nesse mesmo ano decidiu abraçar, finalmente, o mundo da gastronomia tornando-se Chef no restaurante Naturalliving.






Editora Gente

Casa organizada
Thais Godinho

Uma casa deve nos servir – e não o contrário!

Este livro veio para desmitificar a ideia de que é preciso investir muito tempo na casa para deixá-la organizada.

Thais Godinho defende que a organização da casa não precisa – nem deve – ser uma tarefa desgastante. Você também se sente frustrado por ver seu tempo perdido em arrumações que logo serão perdidas? Sua casa vira uma bagunça pouco tempo depois de você colocar tudo no lugar? Aqui você verá que organizar a casa é fazer dela um lugar que funcione para você. É transformar o lugar no qual você mora em um refúgio para aproveitar os dias e que faça você ter vontade de voltar. Aqui você verá que é possível ajustar as expectativas em relação à casa de acordo com o seu estilo de vida sem deixar de lado a satisfação de ter um lugar com a sua cara.

Depois de ler este livro, você terá a certeza de que é possível ter uma casa organizada mesmo com uma rotina cheia de compromissos e sem precisar contratar alguém para ajudar.

- Aprenda a manter sua casa organizada por meio de simples ações diárias
- Crie um sistema de organização em que todos participem
- Saiba como aliar cuidados com a casa ao trabalho e aos estudos

Tenha, de uma vez por todas, a casa que sempre sonhou


Global Editora

Poemas Traduzidos
Manuel Bandeira

Esta é a marca primordial destes Poemas traduzidos: um exercício bandeiriano de trazer para o nosso idioma poemas de Rilke, Baudelaire, Hölderlin, Goethe, García Lorca, Emily Dickinson, Elizabeth Bishop, entre tantos outros poetas. Poemas traduzidos com excelência, pois, assim como afirmou o próprio Bandeira, só poderia traduzir bem os poemas que gostaria de ter escrito.

A seleção e a apresentação desta edição são de Paulo Henriques Britto, poeta e tradutor – autor também de Trovar Claro (1977), com o qual recebeu o Prêmio Alphonsus de Guimarães, da Fundação Biblioteca Nacional, e Macau (2003), com o qual recebeu o prêmio Portugal Telecom de literatura brasileira. Já traduziu mais de cem livros, entre obras de William Faulkner, Elizabeth Bishop, Lord Byron, John Updike, Thomas Pynchon e Charles Dickens.

A obra apresenta a imagem do frontispício da 3ª edição do livro publicada em 1956 pela Editora José Olympio, na Coleção Rubáiyát e, também, fotos de Manuel Bandeira em sua residência, na Avenida Beira-Mar, no Rio, na década de 1950. Além disso, traz fotos do poeta alemão Friedrich Hölderlin (1770-1843) e do poeta francês Paul Verlaine (1844-1896). E, como em todas as obras do autor editadas pela Global Editora, a cronologia completa do nosso poeta de Pasárgada.

Hedra

Dez poemas da vizinhança vazia
Iuri Pereira

Neste livro, o autor reúne 42 poemas e 4 traduções. Primeiro livro de poesia de Iuri Pereira, trata das relações afetivas e do esgarçamento dos vínculos amorosos na cidade e na vida moderna. A tônica é a importância das relações humanas e a dificuldade de vivê-las de forma plena. Assim, a maior parte dos poemas trata da amizade, como forma de resistência à vida administrada dos “homens ocos” que nos tornamos. Eminentemente lírico, o poeta percorre reminiscências e também projeta sua imaginação na busca de formas de vida e convívio que impliquem uma vizinhança de amigos.


Jaguatirica

Poesia da cabeça aos pés
Danilo Mendes

Poesia da cabeça aos pés é uma obra sensível que nos permite pensar a vida através dos versos simples sobre sentir, ser e querer. Assim como Alberto Caeiro – a persona de Fernando Pessoa que encarna o poeta das sensações – a poesia de Danilo Mendes assimila os sentidos de cada parte de seu corpo, e cada parte assume sua própria voz e seu próprio gesto. Poeta petropolitano, leitor de Saramago, Žižek, Rubem Alves e Jürgen Moltmann, Danilo reside atualmente no Rio de Janeiro, onde se forma em Teologia pela Fabat-RJ. Poesia da cabeça aos pés é sua estreia em poesia.


Planeta de Livros

Filosofia para corajosos
Luiz Felipe Pondé

O objetivo deste livro é ajudar o leitor a pensar com a sua própria cabeça. Para tal, o filósofo e escritor Luiz Felipe Pondé, autor de vários best-sellers, se apoia na história da filosofia para apresentar argumentos para quem quer discutir todo e qualquer tipo de assunto com embasamento.  Afinal, os grandes filósofos estudaram, pensaram e escreveram sobre os temas essenciais com os quais ainda lidamos no mundo contemporâneo. O livro está dividido em três partes: “Uma filosofia em primeira pessoa”, onde o autor conta como ele entende a filosofia; “Grandes tópicos da filosofia ao longo dos tempos”, que traz um repertório básico dos temas que todo mundo precisa conhecer mais a fundo; e “Por que acho o mundo contemporâneo ridículo”, uma análise ferina da sociedade atual.


Rocco

O livro delas
Várias autoras


Nove talentos da literatura nacional, que conquistaram os corações e mentes de leitores, em um livro de contos inesquecível. Deliciosas vivências cotidianas sobre amor, amizade, experiências familiares felizes e dramáticas, viagens estão presentes nas histórias de O livro delas, assinado por Bianca Carvalho, Carolina Estrella, Chris Melo, Fernanda Belém, Fernanda França, Graciela Mayrink, Leila Rego, Lu Piras e Tammy Luciano. A obra, que sai pelo selo Fábrica231, será lançada no dia 28 de agosto, das 10h às 12h, na Bienal Internacional do Livro de São Paulo, com a presença das autoras, além da organizadora Renata Frade, mestre em Literatura Brasileira e sócia-fundadora da Punch!. O livro compõe o primeiro projeto multiplataforma de literatura nacional para jovens no país, LitGirlsBr, criado pela empresa.

Cada conto de O livro delas apresenta o que há de mais representativo no estilo de cada escritora. Do sobrenatural ao chick-lit, romance, aventura, drama, denúncia social, agrada desde os leitores jovens adultos aos mais velhos.
 

Se eu pudesse viver minha vida novamente, de Rubem Alves



Renato Russo, Tempo Perdido



Conhecida é a música sobre o Tempo, e também sua literatura, assim como inúmeros os artistas que encontram voz neste lugar-do-passado. Em Se eu pudesse viver minha vida novamente (título, aliás, de um poema de autoria discutível, por ora atribuído a Jorge Luis Borges), Rubem Alves dedica aos leitores crônicas de sonhos e conquistas, memórias e perdas, insatisfações e quedas (principalmente estas). Grandiosas aos olhos de quem as percebe, suas histórias têm início "quando (eu) era menino lá no interior de Minas", onde, assim como nós, brincava na calçada, lia contos de fadas e vampiros, e desejava uma vida de algum modo simples, onde não houvesse nada mais que boa vontade e poesia.

Mas... e quando a vida cresce e alguns sonhos se despedem?

Diz o autor: "'Como é que o senhor planejou a sua vida para que chegasse onde chegou?" Percebi logo. Ele me admirava. Queria ser como eu. Queria que eu lhe contasse o segredo. Que lhe revelasse o caminho. Mas minha resposta pôs a perder as suas expectativas. Foi isso que lhe disse: "Eu estou onde estou porque todos os meus planos deram errado". Isso é absolutamente verdadeiro. As pontes que eu construíra para chegar aonde eu queria ruíam uma após a outra. Eu era então obrigado a procurar caminhos não pensados. (...) Sofri a dor da solidão e da rejeição. Mas foi esse espaço da solidão na minha alma que me fez pensar coisas que de outra forma eu não teria pensado." (p.13)

Se eu pudesse viver minha vida novamente é um livro não apenas biográfico, e tampouco de histórias antigas: em suas páginas encontramos o pulso de uma vida, ainda que em golpes, porém, à luz da literatura, que melancólica e sábia nos ensina: "o que a gente acumula é parte da gente".

Vida que segue então...


Sinopse: Neste livro, Rubem Alves viaja no tempo e no espaço. Lança o olhar sobre os sonhos, sobre as perdas e ganhos, detendo-se nos pequenos detalhes que fazem toda a diferença, recorrendo a memórias ora felizes ora dolorosas, quase sempre com um toque de nostalgia que não é arrependimento, mas sim uma saudade gostosa de algo vivido em plenitude.


"Esta cena está fora do tempo, paralisada. Não tem antecedentes. Não tem consequentes. Ela aparece pura e eterna na memória, como se fosse um belo quadro. Ou um sonho que se repete. E basta que ela seja lembrada para que a alma deseje voltar. Não é parte de um passado. É sempre presente.

(...) A lembrança da vida da gente se guarda em trechos diversos; (...) contar seguido, alinhavado, só mesmo sendo coisas de rara importância. Tem horas antigas que ficaram muito mais perto da gente do que outras de recente data. Toda saudade é uma espécie de velhice." (p. 87)

Coisa curiosa foi a pequena enquete que fiz a respeito desse livro, meses atrás, com os amigos do Instagram. Todos disseram ter interesse em conhecer este Rubem Alves, por terem anteriormente conhecido outras de suas obras, e que assim como eles eu me surpreenderia com a leitura. Coisa curiosa também é perceber que esta não é uma leitura fácil; pensar a vida que poderíamos ter vivido pressupõe alguma pausa ou fim, e não é sempre que o coração compreende a memória e a finitude.

Pouco conheço de biografias e obras póstumas; mas entendo que para o escritor haverá sempre a expectativa de uma página seguinte: "Parece estranho, mas o fato é que memórias são também objetos que acumulamos (...). Quando eu morrer, vão se perder. Mas não quero que se percam. Tenho de dá-las para alguém que tome conta delas. Aí me vem a aflição por escrever. Quando escrevo, estou lutando contra a morte. (...) Quem cuidará delas? (...) Mas, talvez, essa seja uma pergunta ociosa, impossível de ser respondida. Eu apenas tive a ilusão de possuir um rebanho, apenas tive a ilusão de haver acumulado objetos, memórias, ideias. Esse rebanho nunca foi meu. (...) Assim, não há por que me preocupar. Minhas ovelhas não ficarão abandonadas." (p.47-49)

Então, um dia você acorda e sente saudade. Ou percebe que este é um sentimento que não adormece, permanece pelo caminho, de mãos dadas com o dia ou à espreita na próxima esquina. E quando a dor não passa, nos resta escrevê-la: "vejam só que coisa mais pobre: uma herança onde as coisas deixadas são palavras." (p. 66)

Este talvez seja um dos livros mais bonitos que já conheci. E também um dos mais difíceis de serem lidos. Se eu fosse você, também deixaria perder-se por entre as estórias de Rubem Alves, e a cada lembrança e choro deixaria revolucionar-se.


"As estórias são flores que a imaginação faz crescer no lugar da dor. (...) Curar a dor, isso elas não podem fazer. Mas podem transfigurá-la. A imaginação é a artista que transforma o sofrimento em beleza. E a beleza torna a dor suportável. Por isso escrevo estórias: para realizar a alquimia de transformar dor em flor. Minhas estórias são as minhas poções mágicas... Não há contraindicações nem é preciso receitas..." (p. 155)

Se eu pudesse viver a minha vida novamente, teria conhecido Rubem Alves mais cedo...


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