Como eu era antes de você, Jojo Moyes | Intrínseca

domingo, 25 de setembro de 2016

Como eu era antes de teu sorriso, à cicatriz das horas, do fôlego e da própria ferida?
Como eu era antes de teu fôlego, à luz da carne, dos ideais e de uma incerta alegria?
Como eu era diante de tuas razões, ao risco dos lábios e intenções que afugentam o dia?   
Como eu era antes de olhar pra trás e...
Como eu era antes de entender você?

No post de hoje, a primeira parte de nossa reflexão a respeito da literatura de Jojo Moyes. Confira a resenha de nossa colunista Regiane para o romance de Lou e Will. E claro, o segundo post da série será um debate sobre o livro "Depois de Você". Aguardem :)



Como eu era antes de Você
Por: Gih Medeiros

Eu sabia que seria difícil ler Como eu era antes de você, da Jojo Moyes. Como profissional de reabilitação física, já imaginava que conhecer a vida de Will Traynor me atingiria de diversas formas intensas. Por isso, foi com certo receio que iniciei a leitura, mas assim que me deixei envolver pela história, não consegui largar até ler a última linha.

Sob a voz de Louisa Clark, jovem inteligente, mas satisfeita com uma vida sem grandes ambições, nos deparamos com o panorama da família Clark, onde podemos nos identificar com a situação atual deles, que não é diferente da de muitas famílias que conheço, incluindo a minha própria, onde cada membro tem uma importância grandiosa para o sustento de todos. 

Ao perder o emprego que julgava estável, Louisa é obrigada a ultrapassar seus próprios limites e procurar outra fonte de sustento. Sem muita qualificação, acaba aceitando o trabalho de cuidadora, que começa um pouco pior do que ela esperava. Isso porque a pessoa a seus cuidados é o mal humorado, sarcástico e inteligente Will, um rico empresário que foi confinado a uma cadeira de rodas, após um acidente de moto. 


"Ser atirada para dentro de uma vida totalmente diferente - ou, pelo menos jogada com tanta força na vida de outra pessoa a ponto de parecer bater com a cara na janela dela - obriga a repensar sua ideia a respeito de quem você é. Ou sobre como os outros o veem" (pg 58)


A convivência entre ambos é desastrosa. Lou não consegue esconder as próprias emoções e tem dificuldade em lidar com a amargura que Will lhe direciona a todos os momentos, fazendo com que se sinta inábil e pouco inteligente. Will não consegue se adaptar a sua nova vida e se irrita com o excesso de cuidados com que o tratam, e mais do que isso, com a falta de sensibilidade das pessoas, ao ignorarem a sua vontade, como se a partir do momento em que perdeu seus movimentos, houvesse perdido a capacidade de decidir o que quer por conta própria.

Mais uma vez, Jojo Moyes consegue fazer com que haja uma identificação imediata com seus personagens, pois qualquer pessoa que já lidou com um portador de necessidades especiais, inicialmente se sentiu como Lou, e conheço muitas pessoas na  mesma situação que Will, que se queixam das mesmas coisas, que lutam todos os dias para garantir não apenas sua independência física, mas também a capacidade de decidir por si só, o que querem para a própria vida.

Assim que ambos conseguem se entender, um novo mundo se abre para eles. Com seu jeito marrento, provocador, Will consegue estimular Lou a sair de sua zona de conforto e buscar desenvolver seu potencial para alcançar objetivos maiores, e com seu jeito direto e sincero, Lou enfrenta Will e o desafia a se tornar alguém mais gentil, mais generoso com o próximo. Duas pessoas tão distintas e singulares, quando se encontram, certamente provocam mudanças na paisagem interior de cada um.

E em meio à convivência diária, diante dos percalços que enfrentam devido às complicações do quadro clínico de Will, uma delicada história de companheirismo e amizade surge entre eles, desaguando no mais terno e puro amor. Só que nem sempre o amor é suficiente e essa é uma verdade universal.

Repleto de reflexões, Como eu era antes de você não se trata apenas de um romance entre um tetraplégico e uma garota com gosto peculiar para roupas, mas sim, de pessoas, quem elas são e quem querem ser; sobre a força encontrada na família diante das dificuldades e sobre a incapacidade de manter uma família de verdade quando não há amor uns pelos outros, nem amor próprio; sobre respeitar o indivíduo e suas escolhas e também respeitar os desejos do próprio coração. 

"Você só vive uma vez. É sua obrigação aproveitar a vida da melhor forma possível" (pg 172)

Todos nós somos um pouco Will e um pouco Lou, mas acima de tudo, todos nós precisamos de um Will em nossas vidas, que nos instigue, nos impulsione, nos desafie, bem como precisamos de uma Lou, que nos confronte com a verdade e nos mostre que com otimismo e força de vontade, podemos realizar coisas impensáveis.

Certamente, esta é uma história que entrou na lista de favoritas e que vai me acompanhar por muito e muito tempo ainda. Espero que com vocês também.

<3


Sinopse: Aos 26 anos, Louisa Clark não tem muitas ambições. Ela mora com os pais, a irmã mãe solteira, o sobrinho pequeno e um avô que precisa de cuidados constantes desde que sofreu um derrame. Além disso, trabalha como garçonete num café, um emprego que ela adora e que, apesar de não pagar muito, ajuda nas despesas. E namora Patrick, um triatleta que não parece interessado nela. Não que ela se importe.
Quando o café fecha as portas, Lou se vê obrigada a procurar outro emprego. Sem muitas qualificações, a ex-garçonete consegue trabalho como cuidadora de um tetraplégico. Will Traynor, de 35 anos, é inteligente, rico e mal-humorado. Preso a uma cadeira de rodas depois de um acidente de moto, o antes ativo e esportivo Will desconta toda a sua amargura em quem estiver por perto e planeja dar um fim ao seu sofrimento. O que Will não sabe é que Lou está prestes a trazer cor a sua vida. E nenhum dos dois desconfia de que irá mudar para sempre a história um do outro.

JOJO MOYES nasceu em 1969 e cresceu em Londres. Estudou jornalismo e foi correspondente do jornal The Independent por 10 anos. Publicou seu primeiro livro em 2002, e desde então dedica-se integralmente à carreira de escritora.

Debate: A construção da figura do autor e a divulgação literária | Editora Jaguatirica + Livraria Blooks (RJ)

quarta-feira, 21 de setembro de 2016
Como promover um autor independente? Como o autor independente pode estar presente nas redes sociais? Que espaço a imprensa dedica aos novos autores? Essas são algumas das questões que permearão o debate “Literatura e comunicação - a construção da figura do autor e a divulgação literária”, que acontece no dia 22 de setembro (quinta-feira), às 19h, na Blooks Livraria (Praia de Botafogo 316 - Espaço Itaú de Cinema). 


O encontro, que faz parte da série de debates sobre edição e literatura promovidos pela editora Jaguatirica em parceria com a Blooks Livraria, contará com a participação de Valéria Martins, diretora da Oasys Cultural, empresa de divulgação e agenciamento de literatura, Dani Fernandes, editora de conteúdo do site Boletim Leituras e Jaciara Rodrigues, assessora de imprensa especializada em mercado editorial.

O bate-papo será mediado pela editora-assistente e responsável pela gestão das redes sociais na Jaguatirica, Hanny Saraiva. Os eventos são destinados a jovens autores, profissionais do mercado editorial e interessados em literatura.

Serviço: 22/09 - 19h - Literatura e comunicação - a construção da figura do autor e a divulgação literária |  Local: Blooks Livraria (Praia de Botafogo 316 - Espaço Itaú de Cinema)
Convidados: Valéria Martins, diretora da Oasys Cultural, empresa de divulgação e agenciamento de literatura, Dani Fernandes, editora de conteúdo do site Boletim Leituras e Jaciara Rodrigues, assessora de imprensa especializada em mercado editorial.
Mediadora: Hanny Saraiva, editora-assistente da Jaguatirica.



A Editora Jaguatirica foi criada em 2012 com a proposta de atender novos formatos editoriais para autores independentes, auxiliando-os e dando suporte em todo o processo de publicação e divulgação de suas obras. Possui catálogo com mais de uma centena de títulos impressos e digitais. Em 2016  lançou o Til, selo editorial voltado para a autopublicação, a fim de criar melhores condições para autores, driblando os altos custos de logística e distribuição.

Desde 2015 a editora atua no mercado editorial português por meio de seu escritório de representação em Lisboa. Em parceria com agentes literários, gráficas e editoras locais, a editora carioca tem sido uma ponte entre autores portugueses que almejam publicações no mercado brasileiro, e autores brasileiros que buscam visibilidade para sua obra nos mercados da Europa. Entre autores portugueses, já publicou o poeta António Carlos Cortez, O tempo exacto, e está trabalhando no novo livro do poeta Luís Filipe Cristóvão.

Poesia Errante, de Carlos Drummond de Andrade - Editora Record



O nascimento do amor é também o amanhecer do poema. Ou o seu indício. Em Poesia Errante, encontramos versos de um Drummond cotidiano, em um fascínio de alvoradas, beijos da amada e o sabor de seus manuscritos. Encontrei esta edição (publicada em 1988 pela Record) em um sebo aqui do Rio, mas acredito que muitos destes textos estejam em outras coletâneas. No site da Record, inclusive, encontramos ótimas seleções de poemas do autor (clique nas capas abaixo para ser redirecionado para o site). Nesta postagem, compartilhamos então um pouco da obra drummondiana publicada em Poesia Errante:

http://www.record.com.br/livro_sinopse.asp?id_livro=26334 O teu casaco
O teu casaco preto agasalhou-me
numa noite de inverno e de tristeza.
Do seu tecido e tepidez fcou-me
algo mais que calor: mas a beleza
de o corpo ter no meu unido, ao jeito
de um pássaro aninhado no meu peito.

http://www.record.com.br/livro_sinopse.asp?id_livro=26335Nascer
Nascer
outra e outra vez
indefinidamente
como a planta sempre nascendo
da primeira semente;
pensar o dia bom
até criar a claridade
e nela descobrir
http://www.record.com.br/livro_sinopse.asp?id_livro=26336a primeira sílaba
da primeira canção.

Procuro uma alegria
Procuro uma alegria
na mala vazia
do final do ano
e eis que tenho na mão
- flor do cotidiano –
o vôo de um pássaro
e de uma canção.


 
A companheira

A companheira
da vida inteira,
que a meu lado
une o passado
ao novo dia
em harmonia,
a sempre forte
e meu suporte
quanto vacilo,
porte tranquilo,
voz de carinho
no meu caminho,
leal, paciente
constantemente,
simples, discreta
força do poeta,
quero-a no instante
final – constante
com sua mão
acarinhando
em gesto brando
meu coração.


Versos de fim de ano

I
Você sabia que a lua
ainda não foi visitada?
Que há sempre uma lua nova
dentro de outra, e encantada?

É lá que vivem as graças
que nesta quadra do ano
a gente sonha e deseja
a todo o gênero humano.

Mas a lua, preguiçosa,
nem sempre atende à pedida?
A gente pede assim mesmo
até melhorar a vida.

II
É tempo de pesquisar no tempo
uma estrela nova, um sorriso;
de dizer à nuvem: sê escultura;
e à escultura: sê nuvem.

Tempo de desejar, tempo de pensar
madura e docemente o bom tempo de acontecer
(e mesmo não acontecendo fica desejado),
pássaro-mensageiro, traço
entre vida e esperança
como satélite no espaço.

III
Na volta da esperança,
um princípio de vida:
ser outra vez criança
por toda, toda a vida.

  
Carlos Drummond de Andrade nasceu em Itabira do Mato Dentro - MG, em 31 de outubro de 1902, começou a carreira de escritor como colaborador do Diário de Minas, que aglutinava os adeptos locais do incipiente movimento modernista mineiro. Fundou com outros escritores A Revista, que, apesar da vida breve, foi importante veículo de afirmação do modernismo em Minas. Ingressou no serviço público e, em 1934, transferiu-se para o Rio de Janeiro, onde foi chefe de gabinete de Gustavo Capanema, ministro da Educação, até 1945. Em 1954 começou a colaborar como cronista no Correio da Manhã e, a partir do início de 1969, no Jornal do Brasil. Alvo de admiração irrestrita, tanto pela obra quanto pelo seu comportamento como escritor, Carlos Drummond de Andrade morreu no Rio de Janeiro RJ, no dia 17 de agosto de 1987, poucos dias após a morte de sua filha única, a cronista Maria Julieta Drummond de Andrade.

Poesia de Domingo

domingo, 18 de setembro de 2016
Retratos em branco e preto, a poesia que o dia não apagou: em um domingo, o fim de tarde é para o corpo um descanso, e também saudade e desconforto. Neste quase vinte de setembro, a voz de nossos autores espelha horizontes e rotinas, e anunciam primaveras. 

Uma feliz semana com os versos de Clarice, Drummond, Tom, Elis, Vinicius e Adélia!


Clarice Lispector - Atenção ao Sábado

Acho que sábado é a rosa da semana; sábado de tarde a casa é feita de cortinas ao vento, e alguém despeja um balde de água no terraço; sábado ao vento é a rosa da semana; sábado de manhã, a abelha no quintal, e o vento: uma picada, o rosto inchado, sangue e mel, aguilhão em mim perdido: outras abelhas farejarão e no outro sábado de manhã vou ver se o quintal vai estar cheio de abelhas.

No sábado é que as formigas subiam pela pedra.

Foi num sábado que vi um homem sentado na sombra da calçada comendo de uma cuia de carne-seca e pirão; nós já tínhamos tomado banho.

De tarde a campainha inaugurava ao vento a matinê de cinema: ao vento sábado era a rosa de nossa semana.

Se chovia só eu sabia que era sábado; uma rosa molhada, não é?

No Rio de Janeiro, quando se pensa que a semana vai morrer, com grande esforço metálico a semana se abre em rosa: o carro freia de súbito e, antes do vento espantado poder recomeçar, vejo que é sábado de tarde.

Tem sido sábado, mas já não me perguntam mais.

Mas já peguei as minhas coisas e fui para domingo de manhã. 

Domingo de manhã também é a rosa da semana. 

Não é propriamente rosa que eu quero dizer.



Carlos Drummond de Andrade - Poema que aconteceu

Nenhum desejo neste domingo
nenhum problema nesta vida
o mundo parou de repente
os homens ficaram calados
domingo sem fim nem começo.

A mão que escreve este poema
não sabe o que está escrevendo
mas é possível que se soubesse
nem ligasse.


Elis Regina - Domingo em Copacabana
Compositores: Paulo Peres Tito / Roberto Faissal

Copacabana cheia
Bom é domingo mesmo
Dias de sol
Vêm alegrar o nosso amor
Mar azul, onda azul
Vem beijar meus amores

Copacabana bela
Lua de luz acesa
Ando na calçada cheia
Sem pensar
Ah, Rio até sozinha
Da beleza do meu Rio

Da Tv Rio até o forte
Gente que passa sem ter norte
Copacabana
Eu vou sonhar junto de ti

Copacabana bela
Lua de luz acesa
Ando na calçada cheia
Sem pensar
Ah, Rio até sozinha
Da beleza do meu Rio

Da Tv Rio até o forte
Gente que passa sem ter norte
Copacabana
Eu vou sonhar junto de ti


Tom Jobim - Domingo azul do mar

Quando eu vi o seu olhar
Sorrindo para mim
Neste domingo
Domingo azul do mar
Eu compreendi que nada terminou

Vi então que o coração
Sabe adivinhar em tanta dor
Que havia de chegar em nosso amor
O domingo azul do mar

Nossos amigos que me encontravam
Falavam de você
O banco antigo, lugares vazios
Falavam de você

Mas agora que eu senti
Tremer a sua mão na minha mão
Eu vejo este domingo azul do mar
Refletido em seu olhar



Vinicius de Moraes - Soneto de um Domingo

Em casa há muita paz por um domingo assim.
A mulher dorme, os filhos brincam, a chuva cai...
Esqueço de quem sou para sentir-me pai
E ouço na sala, num silêncio ermo e sem fim,

Um relógio bater, e outro dentro de mim...
Olho o jardim úmido e agreste: isso distrai
Vê-lo, feroz, florir mesmo onde o sol não vai
A despeito do vento e da terra que é ruim.

Na verdade é o infinito essa casa pequena
Que me amortalha o sonho e abriga a desventura
E a mão de uma mulher fez simples, pura e amena.

Deus que és pai como eu e a estimas, porventura:
Quando for minha vez, dá-me que eu vá sem pena
Levando apenas esse pouco que não dura.



Adélia Prado - Grande desejo

Não sou matrona, mãe dos Gracos, Cornélia,
sou mulher do povo, mãe de filhos, Adélia.
Faço comida e como.
Aos domingos bato o osso no prato pra chamar cachorro
e atiro os restos.
Quando dói, grito ai.
quando é bom, fico bruta,
as sensibilidades sem governo.
Mas tenho meus prantos,
claridades atrás do meu estômago humilde
e fortíssima voz pra cânticos de festa.
Quando escrever o livro com o meu nome
e o nome que eu vou pôr nele, vou com ele a uma igreja,
a uma lápide, a um descampado,
para chorar, chorar, e chorar,
requintada e esquisita como uma dama.



Lançamentos de Setembro Editora Rocco

sábado, 17 de setembro de 2016
No post de hoje conheceremos as novidades das Editoras Rocco, Bicicleta Amarela, Fábrica 231, Fantástica Rocco e Rocco Jovens Leitores. Como são muitos os lançamentos, postaremos as sinopses de nossos livros preferidos :)



OS VERANISTAS
Emma Straub

Autora de romances e contos que conjugam sucesso de público e de crítica, Emma Straubnarra, em seu primeiro livro lançado no Brasil, uma história sobre família, amizade, afetos e frustrações, sob o sol da paradisíaca Maiorca.

Frannye Jim comemoram 35 anos de casamento e o diploma de segundo grau da filha, Sylvia. Na encantadora casa alugada na ilha espanhola, os três contam ainda com a companhia de Bobby, o filho que mora na Flórida com a namorada dez anos mais velha, e do casal de amigos Charles e Lawrence. A promessa de dias leves e tranquilos, no entanto, é quebrada pelas tensões que envolvem as relações familiares. Frannye Jim na verdade vivem uma crise no casamento, e cada um dos demais personagens é confrontado com seus próprios dramas, à medida que se relacionam com o outro.

Com uma prosa elegante e por vezes cômica, Emma Straubenvolve o leitor na complexa teia de sentimentos de que é feita qualquer família, num livro recomendado por ninguém menos que JojoMoyes(Como eu era antes de você) e Elizabeth Gilbert (Comer, rezar, amar).


A OUTRA CASA 
Sophie Hannah

Autora de A vítima perfeita, lançado pela Rocco na FLIP 2015, e escolhida pelos herdeiros de Agatha Christie para dar vida nova ao célebre detetive Hercule Poirot, a inglesa Sophie Hannah constrói, emA outra casa, uma trama sofisticada em que o suspense é apenas um dos elementos da narrativa.

Na história, os detetives Simon Waterhousee Charlie Zailersão obrigados a interromper sua lua de mel para atuar num caso sombrio envolvendo o casal Connie e Kit Bokskille um corpo de mulher revelado em circunstâncias inusitadas, quando Connie resolve pesquisar casas à venda num site imobiliário na internet. Com doses equivalentes de humor, aventura e mistério, Sophie Hannah entretém o leitor e, ao mesmo tempo, o convida a uma instigante reflexão sobre relacionamentos familiares, profissionais e amorosos.


MUNDO DAS HORAS FINAIS 
(O ÚLTIMO POLICIAL #3) 
Bem H. Winters

Há menos de duas semanas para o asteroide Maia atingir o planeta, as pessoas vivem atrás de barricadas, entocadas em porões e abrigos de emergência, o dinheiro se tornou inútil e água é a moeda mais valiosa. Enquanto todos esperam o fim, o detetive HankPalace ainda tem um último caso para resolver. Sua irmã Nico está envolvida com um grupo radical que possui um plano para salvar a humanidade. Hankentão embarca numa jornada por uma América destruída, na tentativa de encontrar a irmã e descobrir mais sobre o suposto plano. De Massachusetts para Ohio, o detetive passa por zoológicos abandonados, restaurantes desertos, encontra gente de todos os tipos em diferentes graus de desespero, até chegar a uma central de polícia vazia, onde as evidências de um crime brutal mexem com seus instintos investigativos. Com o tempo se esgotando, Hanksegue as pistas, mas não tem certeza se está preparado para o que pode encontrar, no desfecho da premiada trilogia O último policial.




UMA MENSAGEM DE ESPERANÇA
Tom Michel

Ao resgatar um pinguim de um vazamento de óleo na costa uruguaia, o inglês Tom Michellnão imaginou que ganharia um amigo para toda a vida. Recusando-se a ser devolvido ao mar e deixar seu salva-vidas, a desengonçada ave ganha o nome de Juan Salvador e passa a fazer parte do dia a dia de Tom, levando alegria e uma mensagem de esperança e amizade a todos que conviveram com ele.

Esta é a história real e comovente da inusitada amizade entre um jovem professor de inglês vivendo na Argentina durante o regime militar nos anos 1970 e um pinguim. Um livro de memórias sobre saber adaptar-se e que mostra como a convivência com os animais pode trazer alegria e otimismo, mesmo nos tempos mais sombrios.


A MÁGICA TRANSFORMADORA DO F*
Sarah Knight

Um livro perfeito para os estressados e sobrecarregados de plantão aprenderem a dizer não, sem culpa, para o excesso de obrigações e compromissos desnecessários.

Nesta paródia brilhante do bestsellerA mágica da arrumação, de Marie Kondo, Sarah Knight, ex-editoraque trocou uma rotina opressora por uma carreira freelance, apresenta um guia prático para quem deseja se livrar de dramas familiares, da exigência pelo corpo perfeito, da opinião alheia e de outras bobagens que tanto consomem o tempo e a mente, sem parecer desagradável, mas praticando a mais límpida e amigável sinceridade.

Uma autoajuda diferente e bem-humorada, ideal para os tempos atuais.




EU ESTOU AQUI
Clélie Avit

Vencedor do prêmio Nouveau Talent 2015, Eu estou aqui, da professora e escritora francesa Clélie Avit, é uma emocionante história de amor e superação que tem início quando Thibault, ainda se recuperando de um divórcio que levou embora suas esperanças, entra por acaso no quarto errado do hospital onde fora visitar o irmão. No leito, uma mulher dorme e ele encontra uma paz que há muito não sentia. Em coma há cinco meses, Elsa sofreu um acidente numa escalada, e a família já não acredita em sua recuperação. Mas, tomado por um sentimento que ele mal consegue definir, Thibaultpassa a visitá-la sempre que possível e, a cada dia, aumenta sua certeza de que está apaixonado por Elsa e de que ela ouve cada uma de suas palavras. Uma declaração de amor à vida e aos pequenos gestos que são capazes de transformá-la.

O livro chega ao Brasil pela coleção <3 Curti, do selo Fábrica231, dedicada a histórias românticas com final feliz.

Org. Renata Frade

Nove talentos da literatura nacional, que conquistaram os corações e mentes de leitores, em um livro de contos inesquecível. Organizado por Renata Frade, responsável pelo projeto LitGirlsBr, que visa a aproximar escritoras e leitoras e fomentar o debate sobre literatura nacional, O livro delas reúne histórias de Bianca Carvalho, Carolina Estrella, Chris Melo, Fernanda Belém, Fernanda França, Graciela Mayrink, Leila Rego, Lu Piras e Tammy Luciano, e apresenta o que há de mais representativo no estilo de cada escritora.

Do sobrenatural ao chick-lit, passando por romance, aventura, drama e denúncia social, a coletânea agrada desde os leitores jovens adultos aos mais velhos. Em comum, o talento das nove autoras para contar belas histórias.




CRIATURAS ESTRANHAS
Org. Neil Gaiman

Dezesseis histórias fantásticas, algumas escritas há mais de cem anos, outras inéditas, selecionadas por ninguém menos que o aclamado autor deCoralinee outros tantos sucessos, Neil Gaiman.

Como o título sugere,Criaturas estranhasé uma coletânea de contos povoada por seres fantásticos, magníficos e às vezes assustadores. Assinadas por autores clássicos de ficção científica e fantasia, como Anthony Bouchere Diana WynneJones, a escritores contemporâneos, como NnediOkorafore o próprio Gaiman, as histórias, que parecem ter saído de um sonho, ou talvez de um pesadelo, têm em comum o olhar atento e único de Neil Gaiman para o insólito. Cada conto é precedido de um comentário do escritor, que visa a provocar ainda mais a imaginação do leitor.


POR UM TOQUE DE SORTE 
(TRILOGIA LEPRECHAUN #2)
Carolina Munhóz

De Dublin a Paris, Rio de Janeiro e Hollywood, eles estão por toda parte.

No segundo livro da série Trindade Leprechaun, inspirada nas lendas irlandesas e iniciada comPor um toque de ouro, Carolina Munhóz dá continuidade à história da jovem Emily O’Connell, uma garota bonita e rica, dona de um império fashion, que descobre ser herdeira de uma rara linhagem Leprechaun. Ela só não esperava que o legado sobrenatural vindo desses pequenos seres mágicos considerados guardiões de potes de ouro escondidos pudesse levá-la para o centro de um esquema perigoso e cruel.

EmPor um toque de sorte, Emily deixa seu mundo de glamour para trás em busca de um impostor que rouba toques de ouro. Será que ela será capaz de cumprir sua jornada? Isso ela só vai descobrir no final do arco-íris. Se chegar até lá.




Oscar Wilde, adaptação de Clarice Lispector

Um clássico do escritor irlandês Oscar Wilde traduzido para jovens por ninguém menos que Clarice Lispector.

Dando continuidade à publicação de histórias universais adaptadas pela grande escritora brasileira, comoO chamado selvagem, de Jack London, Viagens de Gulliver, de Jonathan Swift,A ilha misteriosa, de Julio Verne, eO talismã, de Walter Scott,O retrato de Dorian Grayapresenta aos leitores brasileiros o gênio singular e o humor mordaz de Oscar Wilde.

Na trama, Dorian Gray é um jovem belo e virtuoso que tem seu retrato pintado por BasilHallward, um artista sensível que procura imortalizar na tela toda a beleza, pureza e inocência de seu modelo. Ao ser apresentado a Henry Wotton, no entanto, Dorian é seduzido pelo estilo de vida libertino do lorde e de seus amigos, e mergulha numa vida de vícios e devassidão que se refletem, não em sua aparência real, mas no retrato, que revela o envelhecimento e a corrupção de sua alma.

O retrato de Dorian Grayé mais um volume da coleção Os Favoritos, uma seleção imperdível do melhor do clássico universal pela ótica da maior escritora brasileira de todos os tempos.

Tarde de Sábado, por Cecília Meireles


Houve um tempo em nossas cidades onde uma antiga tradição oferecia aos passantes alguma fortuna: ao som de um caixa de música, que na verdade um instrumento de fole e teclas, crianças como os nossos pais se reuniam para contemplar o Realejo, onde um belo pássaro, ao convite da canção e dos olhares dos pequenos, retirava de uma pequena caixa um pedaço de papel que, ao ser aberto, anunciava escritos de boa sorte e vida.

Talvez em algum recanto ainda hajam tradições de rua assim. Aqui em nossa geografia, encontro em Cecília esta prosperidade que de algum modo nos escolhe, assim como aquele tanto de sonho que escolhemos. E "Tarde de Sábado" é um belo conto sobre este "lugar antigo".



Tarde de Sábado

"A tardezinha de sábado, um pouco cinzenta, um pouco fria, parece não possuir nada de muito particular para ninguém. Os automóveis deslizam; as pessoas entram e saem dos cinemas; os namorados conversam por aqui e por ali; os bares funcionam ativamente, numa fabulosa produção de sanduíches e cachorros-quentes. Apesar da fresquidão, as mocinhas trazem nos pés sandálias douradas, enquanto agasalham a cabeça em echarpes de muitas voltas.

Tudo isso é rotina. Há um certo ar de monotonia por toda parte. O bondinho do Pão de Açúcar lá vai cumprindo o seu destino turístico, e moços bem falantes explicam, de lápis na mão, em seus escritórios coloridos e envidraçados, apartamentos que vão ser construídos em poucos meses, com tantos andares, vista para todos os lados, vestíbulos de mármore, tanto de entrada, mais tantas prestações, sem reajustamento — o melhor emprego de capital jamais oferecido!

Em alguma ruazinha simpática, com árvores e sossego, ainda há crianças deslumbradas a comerem aquele algodão de açúcar que de repente coloca na paisagem carioca uma pincelada oriental. E há os avós de olhos filosóficos, a conduzirem pela mão a netinha que ensaia os primeiros passeios, como uma bailarina principiante a equilibrar-se nas pontas dos sapatinhos brancos.

Andam barquinhos pela baía, com um raio de sol a brilhar nas velas; há uns pescadores carregados de linhas, samburás, caniços, muito compenetrados da sua perícia; há famílias inteiras que não se sabe de onde vêm nem se pode imaginar para onde vão, e que ocupam muito lugar na calçada, com a boca cheia de coisas que devem ser balas, caramelos, pipocas, que passam de uma bochecha para a outra e lhes devem causar uma delícia infinita.

Depois aparecem muitas pessoas bem vestidas, cavalheiros com sapatos reluzentes, senhoras com roupas de renda e chapéus imensos que a brisa da tarde procura docemente arrebatar. Há risos, pulseiras que brilham, anéis que faíscam, muita alegria: pois não há mesmo nada mais divertido que uma pessoa toda coberta de sedas, plumas e flores, a lutar com o vento maroto, irreverente e pagão.

E depois são as belas igrejas acesas, todas ornamentadas, atapetadas, como jardins brancos de grandes ramos floridos

Por uma rua transversal, está chegando um carro. E dentro dele vem a noiva, que não se pode ver, pois está coberta de cascatas de véus, como se viajasse dentro da Via-láctea. Todos param e olham, inutilmente. Ela é a misteriosa dona dessa tardezinha de sábado, que parecia simples, apenas um pouco cinzenta, um pouco fria. E a moça que vem, com a alma cheia de interrogações, para transformar seus dias de menina e adolescente, despreocupados e livres, em dias compactos de deveres e responsabilidades. É uma transição de tempos, de mundos. Mas os convidados a esperam felizes, e ela não terá que pensar nisso. Ela mal se lembra que é sábado, que é o dia de seu casamento, que há padrinhos e convidados. E quando a cerimônia chegar ao apogeu, talvez nem se lembre de quem é: separada dos acontecimentos da terra, subitamente incorporada ao giro do Universo."


Texto extraído do livro "Escolha o seu sonho", publicado pela Distribuidora Record em 1964.
Disponível no site Releituras.


Índia: Além do Olhar - Marleine Paula | Ateliê Editorial

sexta-feira, 16 de setembro de 2016

É hora de partir, meus irmãos, minhas irmãs
Eu já devolvi as chaves da minha porta
E desisto de qualquer direito à minha casa.
Fomos vizinhos durante muito tempo
E recebi mais do que pude dar.
Agora vai raiando o dia
E a lâmpada que iluminava o meu canto escuro
Apagou-se.
Veio a intimação e estou pronto para a minha jornada
Não indaguem sobre o que levo comigo.
Sigo de mãos vazias e o coração confiante.

(Rabindranath Tagore)


Difícil precisar o início da chamada Literatura de Viagem. Enquanto gênero literário, consiste em um universo de narrativas acerca das experiências, descobertas e reflexões de um viajante, realizadas durante ou após o período de sua jornada, que tanto pode ser 'documental' (isto é, o autor esteve em tal país ou travessia) como 'ficcional' (o autor atravessa mundos por ele imaginados). Afinal, toda volta e distanciamento da casa produz histórias, assim como a voz de um explorador da antiguidade e a de um personagem urbano de nossos dias encerra uma paixão, rica em saudade e pertencimento.

Se fôssemos criar uma "sinopse de séculos", poderíamos citar alguns de seus viajantes mais conhecidos: Ulisses, Penélope e demais mitologias; Colombo, Crusoé, criaturas do mar e cartografias; Quixote, tavernas e romances de cavalaria; a conquista do Oeste, Faulkner, o deserto e o sublime; os séculos 18 e 19 e seus artistas, em um êxtase de carne, África e Oriente; Baudelaire, a Passante, a tuberculose e a melancolia; histórias de Kerouac e estradas, e também as de nossos pais em uma Kombi atravessando rodovias; e claro, o diário do nômade, do escoteiro, do viajante apaixonado, do amor não correspondido, e também a selfie naquela excursão para o Rock in Rio ou a Disney.

Em algum ponto de cada particular história haverão pistas de seus autores, assim como indícios de nós mesmos. Como diria Cecília, "um poeta é sempre irmão do vento e da água: deixa seu ritmo por onde passa.", e com a Literatura de Viagem não poderia ser diferente.


No post de hoje conheceremos as impressões da autora Marleine Paula a respeito de sua viagem à Índia, em um período de vinte e poucos dias, como parte de seu trabalho no campo das Relações Internacionais. No livro Índia: Além do Olhar, publicado pelo Ateliê Editorial, Marleine compartilha um pouco da história e costumes deste país ao mesmo tempo tão desigual e tão rico.

O livro inicia com uma reflexão de Otavio Paz: "A primeira coisa da Índia que me surpreendeu, como a todos, foi a diversidade feita de violentos contrastes: modernidade e arcaísmo, luxo e pobreza, sensualidade e ascetismo, desleixo e eficácia, mansidão e violência, pluralidade de castas e de línguas, deuses e ritos, costumes e ideias...". E neste será neste país de constrastes que Marleine iniciará a escrita de uma história ao mesmo tempo secular e, principalmente, cultural e religiosa.

Segundo a autora, para falar sobre a Ìndia é preciso 'partir das urbes para a civitas, das cidades para a sociedade', sem esquecer de sua cultura.

A Índia é atualmente o segundo país mais populoso do mundo e as partes I e II do livro tratam dos aspectos gerais de sua história e economia, assim como das caracterísitcas de suas principais Cidades (urbes): Mumbai, Déli, Jaipur, Agra, Fatehpur Sikri, Khajuraho e Varanasi.


A terceira parte do livro fala da Sociedade (civitas) indiana. Segundo Marleine, "A Índia vive, ao mesmo tempo, na Idade Média e no século XXI. Miséria e riqueza, progresso e atraso convivem pacificamente em todas as cidades. (...) O ensino superior, sobretudo na área de informática, é privilegiado. (...) O ensino médio é de baixa qualidade. Os serviços públicos, principalmente educação básica e sáude, são muito precários. (...) O povo indiano é espalhafatoso, barulhento, faz protestos por tudo, (...) envolve-se em brigas. A saudação (...) é o tradicional namastê, que significa 'eu reconheço o divino em você'. (...) Invenções indianas: jogo de xadrez, sistema decimal e um precursor do sistema heliocêntrico, mil anos antes de Galileu! (...) A música indiana que se ouve nas ruas é uma masala, isto é, uma mistura de pop, salsa, rock, folclore e até hinos religiosos. (...) A Índia tem 22 línguas oficiais  reconhecidas pela Constituição. (...) O sânscrito é a língua sagrada." (p. 79-82). Além destas observações gerais, a autora analisa o sistema de castas, o papel da mulher, do casamento e da família indiana, além, é claro, do fundamental papel da religião para a manutenção e existência desta sociedade.

O último capítulo trata especificamente da Cultura, trazendo informações valiosas sobre a Literatura, o Cinema, a Medicina Aiurveda e também sobre a Culinária do país.

Muito mais que um guia de viagem, "Índia: Além do Olhar" apresenta ao leitor uma generosa leitura a respeito de um país ao mesmo tempo tão ancestral e tão à espera de um futuro, e que de alguma forma, aos olhos mais atentos, em muito se parece com o nosso Brasil...

Diário de Bordo, de Cecília Meireles | Global Editora

quarta-feira, 14 de setembro de 2016

Quando o tempo em seu abraço
quebra meu corpo, e tem pena,
quanto mais me despedaço,
mais fico inteira e serena.
Por meu dom divino, faço
tudo a que Deus me condena.

Da virtude de estar quieta
componho o meu movimento.
Por indireta e direta,
perturbo estrelas e vento.
Sou a passagem da seta
e a seta - em cada momento.


(in Mar Absoluto e Outros Poemas)



Foi em 1945 que os versos de Cecília Meireles anunciaram o mar enquanto metáfora para o transitório e a impermanência. Em Mar Absoluto e Outros Poemas, a voz do texto é a do passado, assim como a da travessia, sendo o poema a própria imagem de uma eternidade que pelos corpos se manifesta e esvai, como brisa e despedida, ou rastro de sonho, ou destroços e uma herança, todos estes tão próximos, tão familiar... Era o poema então tua-nossa família?

Quem tivesse um amor, nesta noite de lua,
para pensar um belo pensamento
e pousá-lo no vento!...
Quem tivesse um amor - longe, certo e impossível -
para se ver chorando, e gostar de chorar,
e adormecer de lágrimas e luar!
Quem tivesse um amor, e, entre o mar e as estrelas,
partisse por nuvens, dormente e acordado,
levitando apenas, pelo amor levado...
Quem tivesse um amor, sem dúvida nem mácula,
sem antes nem depois: verdade e alegoria...
Ah! Quem tivesse... (Mas quem tem? Quem teria?)

(in Mar Absoluto e Outros Poemas)


Diário de Bordo, uma publicação de 2016 da Global Editora, resgata este olhar imenso de Cecilia, que sempre atento à grandiosidade do mundo e da terra por que percorre seus pés. Conheça melhor este lançamento obra assistindo o booktrailer realizado pela Global:




Diário de Bordo - Crônicas ilustradas de uma viagem marítima a Portugal

Sinopse: A história de Cecília começa antes de seu nascimento, inicia-se nos Açores, onde nasceram seus antepassados. A beleza e o silêncio do mar foram enriquecidos com os mistérios e o lado obscuro da morte – revelando uma poesia mística, lírica e serena. Diário de Bordo é o relato de uma viagem marítima, com destino a Portugal, que durou 22 dias. Os textos, em bela prosa, descrevem, inúmeras vezes, o matrimônio entre os mistérios do oceano e os céus enormes, em que procurou captar as constantes mudanças de cor e movimento, conforme as horas do dia, as nuvens, a força e a direção dos ventos.  A obra é composta também por ilustrações de Fernando Correia Dias, artista plástico português e marido da poeta, que a acompanhou nessa viagem. As crônicas e ilustrações foram publicadas pelo diário A Nação, sob o título Diário de Bordo.

Há as viagens que se sonham e as viagens que se fazem – o que é muito diferente.
O sonho do viajante está lá longe, no fim da viagem, onde habitam as coisas imaginadas.
Cecília Meireles

Esta obra, em que Cecília registra suas minuciosas impressões, não retrata somente a beleza dos mares, mas também os que, na terceira classe, regressavam, vencidos e humilhados, a Portugal, sem terem realizado o sonho da América. Entretanto, foi a partir dessas crônicas, que o mar se instalou na sua poesia como tema, paisagem e símbolo. A poetisa que merecia ser lida torna-se a poetisa que não podia deixar de ser lida, graças a um livro editado em Lisboa em 1939 e dedicado aos portugueses, com poemas em sua maioria escritos nos mesmos dias em que este Diário de Bordo, durante a estada em Portugal e nos primeiros dois anos da imensa mágoa da viuvez. O nome do livro é Viagem.

Canção

No desequilíbrio dos mares,
as proas giram sozinhas...
Numa das naves que afundaram
é que certamente tu vinhas.

Eu te esperei todos os séculos
sem desespero e sem desgosto,
e morri de infinitas mortes
guardando sempre o mesmo rosto

Quando as ondas te carregaram
meu olhos, entre águas e areias,
cegaram como os das estátuas,
a tudo quanto existe alheias.

Minhas mãos pararam sobre o ar
e endureceram junto ao vento,
e perderam a cor que tinham
e a lembrança do movimento.

E o sorriso que eu te levava
desprendeu-se e caiu de mim:
e só talvez ele ainda viva
dentro destas águas sem fim.




Clarice Lispector - Todos os contos e Felicidade Clandestina | Editora Rocco

segunda-feira, 12 de setembro de 2016

Gosto de imaginar esta dança de pés tortos e seus ruídos. Pela cidade, pisamos em falso, e parece-me tão verdade que seja amor, porém com giz escrito (fere a lousa o traço e o eco: amor, amo, r...). Porque é do coração que pulsa o abrigo, assim como o precipício: "Através de seus graves defeitos — que um dia ela talvez pudesse mencionar sem se vangloriar — é que chegara agora a poder amar. Até aquela glorificação: ela amava o Nada. A consciência de sua permanente queda humana a levava ao amor do Nada. E aquelas quedas — como as de Cristo que várias vezes caiu ao peso da cruz — e aquelas quedas é que começavam a fazer a sua vida."

Como náufragos, teu corpo em arquipélagos pesa, assim como o meu; diante do mar, resta-nos recobrar o fôlego, e ouvir o amor em seus dias de âncora, e também embarcação.

Hoje, doze de setembro de dois mil e seis, páginas e páginas anunciaram o amor (e suas ruínas) a partir de ensaiada biografia. Talvez não nos caiba um novo comentário sobre este emaranhado das águas; no entanto, prefiro acreditar em um outro Verbo, de um prenome também Clarice: "A mulher não está sabendo: mas está cumprindo uma coragem. Com a praia vazia nessa hora, ela não tem o exemplo de outros humanos que transformam a entrada no mar em simples jogo leviano de viver. Lóri está sozinha. O mar salgado não é sozinho porque é salgado e grande, e isso é uma realização da Natureza. A coragem de Lóri é a de, não se conhecendo, no entanto prosseguir, e agir sem se conhecer exige coragem. (...) E agora pisa na areia. Sabe que está brilhando de água, e sal e sol. Mesmo que o esqueça, nunca poderá perder tudo isso. De algum modo obscuro seus cabelos escorridos são de náufrago. Porque sabe — sabe que fez um perigo. Um perigo tão antigo quanto o ser humano."

(ambas as citações entre aspas foram tiradas do livro Uma aprendizagem ou o Livro dos Prazeres)

E por falar em Lispector, nada melhor que uma saudação a uma de suas melhores obras, e também uma pequena nota a uma publicação póstuma, organizada pela Editora Rocco, contendo um universo-sem-fim de suas histórias:


Miopia Progressiva

"Se era inteligente, não sabia. Ser ou não inteligente dependia da instabilidade dos outros. Às vezes o que ele dizia despertava de repente nos adultos um olhar satisfeito e astuto. Satisfeito, por guardarem em segredo o fato de acharem-no inteligente e não o mimarem; astuto, por participarem mais do que ele próprio daquilo que ele dissera. Assim, pois, quando era considerado inteligente, tinha ao mesmo tempo a inquieta sensação de inconsciência: alguma coisa lhe havia escapado. A chave de sua inteligência também lhe escapava. Pois às vezes, procurando imitar a si mesmo, dizia coisas que iriam certamente provocar de novo o rápido movimento no tabuleiro de damas, pois era esta a impressão de mecanismo automático que ele tinha dos membros de sua família: ao dizer alguma coisa inteligente, cada adulto olharia rapidamente o outro, com um sorriso claramente suprimido dos lábios, um sorriso apenas indicado com os olhos (...).

Às vezes, pois, ele tentava reproduzir suas próprias frases de sucesso, as que haviam provocado movimento no tabuleiro de damas. Não era propriamente para reproduzir o sucesso passado, nem propriamente para provocar o movimento mudo da família. Mas para tentar apoderar-se da chave de sua "inteligência". Na tentativa de descoberta de leis e causas, porém, falhava. E, ao repetir uma frase de sucesso, dessa vez era recebido pela distração dos outros. Com os olhos pestanejando de curiosidade, no começo de sua miopia, ele se indagava por que uma vez conseguia mover a família, e outra vez não. Sua inteligência era julgada pela falta de disciplina alheia? (...)

Mais tarde, quando substituiu a instabilidade dos outros pela própria, entrou por um estado de instabilidade consciente. Quando homem, manteve o hábito de pestanejar de repente ao próprio pensamento, ao mesmo tempo que franzia o nariz, o que deslocava os óculos - exprimindo com esse cacoete uma tentativa de substituir o julgamento alheio pelo próprio, numa tentativa de aprofundar a própria perplexidade. (...)

Uma vez ou outra, na sua extraordinária calma de óculos, acontecia dentro dele algo brilhante e um pouco convulsivo como uma inspiração. Foi, por exemplo, quando lhe disseram que daí a uma semana ele iria passar um dia inteiro na casa de uma prima. Essa prima era casada, não tinha filhos e adorava crianças. "Dia inteiro" incluía almoço, merenda, jantar, e voltar quase adormecido para casa. E quanto à prima, a prima significava amor extra, com suas inesperadas vantagens e uma incalculável pressurosidade - e tudo isso daria margem a que pedidos extraordinários fossem atendidos. Na casa dela, tudo aquilo que ele era teria por um dia inteiro um valor garantido. Ali o amor, mais facilmente estável de apenas um dia, não daria oportunidade a instabilidades de julgamento: durante um dia inteiro, ele seria julgado o mesmo menino. (...)

Aos poucos, durante a semana precedente, o círculo de possibilidades foi se alargando. E, com a capacidade que tinha de suportar a confusão - ele era minucioso e calmo em relação à confusão - terminou descobrindo que até poderia arbitrariamente decidir ser por um dia inteiro um palhaço, por exemplo. Ou que poderia passar esse dia de um modo bem triste, se assim resolvesse. O que o tranqüilizava era saber que a prima, com seu amor sem filhos e sobretudo com a falta de prática de lidar com crianças, aceitaria o modo que ele decidisse de como ela o julgaria. (...)

Lá pelas tantas, limpando os óculos, tentou, embora com certa isenção, o golpe da inteligência e fez uma observação sobre as plantas do quintal. Pois quando ele dizia alto uma observação, ele era julgado muito observador. Mas sua fria observação sobre as plantas recebeu em resposta um "pois é", entre vassouradas no chão. Então foi ao banheiro onde resolveu que, já que tudo falhara, ele iria brincar de "não ser julgado": por um dia inteiro ele não seria nada, simplesmente não seria. E abriu a porta num safanão de liberdade. (...)

Nesse dia, pois, ele conheceu uma das raras formas de estabilidade: a estabilidade do desejo irrealizável. A estabilidade do ideal inatingível. Pela primeira vez, ele, que era um ser votado à moderação, pela primeira vez sentiu-se atraído pelo imoderado: atração pelo extremo impossível. Numa palavra, pelo impossível. E pela primeira vez teve então amor pela paixão. (...) Foi apenas como se ele tivesse tirado os óculos, e a miopia mesmo é que o fizesse enxergar. Talvez tenha sido a partir de então que pegou um hábito para o resto da vida: cada vez que a confusão aumentava e ele enxergava pouco, tirava os óculos sob o pretexto de limpá-los e, sem óculos, fitava o interlocutor com uma fixidez reverberada de cego."

Fragmentos de conto de Clarice Lispector publicado em Felicidade Clandestina. RJ: Rocco, 1998.



Um salto no tempo agora: conheçam Todos os contos, uma publicação recente também da Rocco.

Sinopse: Autora de romances e contos que figuram entre os mais emblemáticos da literatura brasileira, Clarice Lispector é considerada uma das mais importantes escritoras do século XX. Nesta coletânea, que reúne pela primeira vez todos os contos da autora num único volume, organizado pelo biógrafo Benjamin Moser, é possível conhecer Clarice por inteiro, desde os primeiros escritos, ainda na adolescência, até as últimas linhas.

Todos os contos foi lançado nos Estados Unidos em 2015, figurando na lista de livros mais importantes do ano do jornal The New York Times e ganhou importantes prêmios, como o Pen Translation Prize, de melhor tradução. Agora é a vez de os leitores brasileiros (re)descobrirem por completo esta contista prolífica e singular.

Mais sobre a obra: Organizado de forma cronológica, “Todos os contos” começa com as histórias que Clarice escreveu na metade dos anos 1940, quando, depois de emigrar da Ucrânia, onde nasceu, em 1920, e passar pelo Nordeste, já estava radicada no Rio de Janeiro. É dessa época seu primeiro conto conhecido, “O triunfo”, publicado no jornal “Folha de Minas” em dezembro de 1944, já depois do impacto causado por “Perto do coração selvagem”.

A antologia reúne ainda textos dos livros “Laços de família”, “A legião estrangeira” (1964), “Felicidade clandestina” (1975), “Onde estivestes de noite” (1974), “A via crucis do corpo” (também de 1974) e “Visão do esplendor” (1975). E dois contos incompletos publicados em “A bela e a fera” (1979), dois anos depois da morte de Clarice.

Você se lembra de mim?, de Megan Maxwell - Editora Planeta de Livros | Resenha por Gih Medeiros

domingo, 11 de setembro de 2016


A figura da mulher independente e bem sucedida nunca esteve tão em voga quanto na atualidade, mesmo que ainda soframos com atitudes que estão intrinsecamente ligadas à cultura mundial no que diz respeito à igualdade de gêneros. Acalme-se, esse não é um texto feminista. Também não é um texto machista. Eu acredito na igualdade de gêneros, no sentido de que não existem papeis pré-estabelecidos para homem ou mulher. Cada um tem um papel determinado a desempenhar na própria jornada e não tem nada a ver com a biologia que determina se temos órgãos diferentes. Ser bem sucedida é uma ideia que varia de pessoa para pessoa e não tem nada a ver com ser capaz de fazer o mesmo que um homem faz, ou até melhor em alguns casos. Tem a ver com a desenvoltura de sua própria capacidade em relação ao que espera de si mesma. Não é uma competição para mostrar ao mundo que podemos sim, montar móveis, pagar as contas da casa ou ser astronauta. É um estado de espírito que envolve sermos melhores a cada dia, do que éramos até ontem.

Inicio a resenha com esse assunto porque o livro Você se lembra de mim?, de Megan Maxwell, fala sobre a figura da mulher e da força que temos dentro de cada um de nós através da história de vida de duas mulheres, Carmen e Alana, em momentos de vida e locais distintos, mostrando que ser mulher nunca é fácil, mas com certeza é compensador se sabe o valor que tem.

Em 1960, Carmen e Loli, duas jovens irmãs de origem espanhola, decidem ir para a Alemanha em busca de um emprego que lhe proporcionasse melhores oportunidades, já que na região em que moravam a economia encontrava-se frágil e pouco havia a se fazer, especialmente para as mulheres. Com a cara e a coragem, elas iniciam uma nova vida em um país desconhecido, com uma língua que não compreendem e com um trabalho exaustivo que consome todo seu tempo, sem que haja o retorno financeiro esperado. 

Além de tudo isso, o choque cultural impressiona as irmãs, principalmente Loli, que se escandaliza ao ver jovens como ela, fumando e usando calças compridas. Carmen, de inteligência e visão avançadas para as mulheres da época, rapidamente se adapta à nova vida e estilo de vida, aproveitando cada conquista e pedaço de liberdade, mas com um bom senso que não a deixa se tornar uma figura vulgar nem irresponsável. Tudo o que ela quer é ser dona de si. 

Assim como elas, várias jovens de diversos lugares da Europa acabam migrando para a Alemanha, que na época era uma grande potência industrial, a fim de conseguir um emprego para seu sustento e da família. Entre essas jovens, Carmen e Loli fazem amizade com Renata, jovem alemã que poderia ser considerada “pra frentex” como dizemos hoje em dia, e Tereza, jovem espanhola interiorana que é super conservadora, fazendo um curioso contraste com as amigas. 

Além de pessoas buscando emprego, a Alemanha naquele período tem em várias de suas cidades, bases militares de diversos países, entre elas bases americanas repletas de jovens soldados que são treinados duramente para que episódios como os da 2ª Guerra Mundial não se repitam. Com tantos jovens solteiros e tentando aproveitar a vida como se não houvesse amanhã, seria inevitável que Carmen, Loli e as amigas acabassem se enturmando. Apesar dos soldados americanos serem vistos com desconfiança pelas jovens, seu rock and roll, amor à pátria e senso de liberdade acabam conquistando muitas das garotas. É nesse cenário que Carmen conhece o cabo Teddy, e inicialmente ela sente repulsa por suas investidas, e despreza seu jeito sorridente e bonachão, passando a provoca-lo sempre que surge uma oportunidade. Mas, com o tempo, percebe que gosta do jogo de provocação entre eles, até que finalmente decidem recomeçar do zero e se conhecer de verdade.

O amor entre eles surge de forma arrebatadora e a necessidade de estarem juntos cresce na mesma medida em que o tempo de se separarem por causa da guerra do Vietnã se aproxima. Desesperados, acabam se entregando um ao outro sem reservas, mesmo antes de se casarem, o que não era bem visto na época, mas Carmen nunca foi do tipo que se importa com convenções e Teddy entende a importância de viver o presente, já que o futuro em uma guerra é uma incógnita constante. Em meio a juras de amor eterno, feitas pessoalmente enquanto estavam juntos e por carta, quando Teddy parte com sua unidade eles apoiam e dão suporte um ao outro. 

O que eles não imaginavam era que Carmen se encontraria grávida e solteira, em uma sociedade que condenava mulheres nessa situação. Mas, decidida a cuidar de seu bebê e confiante em um futuro com Teddy, ela segue firme, trabalhando e cuidando de si, enquanto o amor de sua vida segue para um cenário de horror e medo, sem perder a esperança de ver sua menina (referência ao livro) novamente. Mas o tempo passa e Carmen deixa de receber notícias de Teddy. Com a gravidez avançando, ela se vê desesperada e sem notícias de Teddy, já que não há nenhum laço jurídico que os una, restando-lhe somente a alternativa de voltar para a casa dos pais, na Espanha. Mas como fará isso sem causar vergonha à sua família? Ela consegue lidar com os falatórios das pessoas, mas será justo submeter seus pais a tal desgosto?

35 anos depois, encontramos Alana, jornalista renomada que trabalha em uma revista de variedades em Madri. Bem sucedida na carreira, mas sem sorte alguma no amor, ela segue sua vida aproveitando cada pedaço de sucesso com suas amigas e com a mãe, Carmen, que mesmo passando por tantas dificuldades a criou com muito amor e carinho. A história de vida de sua mãe lhe inspira e ao mesmo tempo a aterroriza. Inspira baseado na força e coragem de uma mulher que enfrentou uma situação inconcebível para a época, e aterroriza com a sombra de um passado não esclarecido e o sofrimento por um amor perdido.

Cética em relação aos homens, por suas próprias experiências mal sucedidas, Alana segue sua vida de maneira a não se contentar com a visão de que não se pode ser feliz sozinho. Mas, justamente quando a maior oportunidade de sua carreira se apresenta, ela conhece Joel Parker. Uma atração impossível de ser negada surge entre eles, mas Alana resiste o quanto pode quando descobre a ocupação de Joel: fuzileiro naval da marinha americana. Amedrontada, Alana foge por instinto, mas se vê em uma encruzilhada quando seu coração tenta falar mais alto. Será que vale a pena passar pelo que sua mãe passou? As chances da história se repetir martelam a cabeça da jovem que se vê cada vez mais confusa, e ao mesmo tempo, cada vez mais curiosa para saber o que de fato aconteceu com seus pais.

Ao iniciar a leitura de Você se lembra de mim?, fiquei gratamente surpresa por ver a nota da autora esclarecendo que parte do livro foi inspirado pela vida da própria mãe. Isso definitivamente me ganhou, e com avidez e carinho iniciei a leitura. Como leitora e pessoa curiosa que sou, os relatos biográficos exercem um certo apelo nesse sentido, de forma que eu posso conhecer um pouco da jornada de pessoas tão distantes e distintas, através de um livro de memórias, diário ou enredos inspirados por histórias reais. E com esse livro a experiência foi muito vívida e gratificante.

Falando de amor, amizade e autoconhecimento através de reviravoltas, momentos engraçados, românticos e sensuais, embalados por uma trilha sonora magnífica, Megan consegue nos apresentar uma ficção parcialmente baseada em história real, que nos leva a conhecer um pouco mais sobre a vida de uma mulher na década de 60 na Europa, quando a figura feminina ainda tinha pouca visibilidade sobre seu potencial, ao mesmo tempo em que nos faz passear pela vida de pessoas adultas no presente, que como eu e você, estão dispostas a ganhar o mundo com o esforço de nosso trabalho. E quem sabe encontrar alguém que desfrute de tudo isso conosco? Pode até ser um loiro, alto e nitidamente perigoso, cantando e dançando despretensiosamente Bad Medicine do Bon Jovi (referência ao livro). Quem não adoraria isso?



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