Depois do Fim, de Daniel Bovolento - Editora Planeta | Resenha por Gih Medeiros

quarta-feira, 26 de outubro de 2016
http://www.planetadelivros.com.br/depois-do-fim-livro-221607.html

Depois do Fim

Fim. Término, encerramento, conclusão. Fim. 

Fim da viagem, fim do dia, fim da refeição, fim do período de descanso, fim do horário de verão, fim do texto, fim do relacionamento. Fim.

O término de qualquer origem pressupõe que algo existiu, teve seu tempo determinado, ou sua função realizada, e o momento de se transformar em outra coisa chegou. Sim, porque o fim de algo não necessariamente leva à extinção do que existiu, pode haver uma mudança de paradigma e outra coisa surgir daí. Especialmente quando se trata de relacionamentos e os sentimentos dos envolvidos. Essa é a premissa de Depois do Fim, novo livro de crônicas de Daniel Bovolento (publicitário e criador do blog Entre Todas as Coisas, além de colunista em portais como Casal Sem Vergonha e Área H), publicado pela Editora Planeta de Livros.

O que acontece quando você tem que terminar um relacionamento que, a seu ver, não faz mais sentido? E o que ocorre quando você acha que tá tudo bem, mas seu companheiro não vê assim e decide pôr um fim na relação de vocês? Como seguir em frente com um turbilhão de sentimentos conflituosos atrapalhando seu caminho? Como lidar com o fato de que machucou alguém que foi tão importante pra você? Como suportar a dor de ser rejeitado após entregar partes de você que mais ninguém tinha acesso? Dureza, não?

“Será que a gente vai transformar o amor que a gente tinha em falta?” (pg. 16)

Estar em nenhum dos dois lados é fácil, por mais que as pessoas em geral acreditem que quem terminou é algum tipo de vilão. O processo de decisão do fim é difícil e aterrorizante, já que as dúvidas sobre a assertividade dessa ideia corroem lentamente o afeto que ainda nos liga ao outro, tornando cada momento amargo até que não há mais nada a fazer a não ser nos libertar desse sentimento opressor de que estamos enganando uma pessoa tão importante em nossas vidas.

Ser deixado também é doloroso. Ser alvo de uma rejeição não é algo com o qual nós humanos, estamos acostumados a lidar. Ouvi de uma pessoa recentemente que a dor de ser deixado era maior do que a da perda de um ente querido, isso porque a pessoa que morre não escolhe o seu destino, e a pessoa que deixa o companheiro escolhe isso. Saber que a pessoa que é alvo do seu afeto escolheu deixar para trás tudo o que construíram juntos, de fato, é pra dilacerar nosso coração.

“Quando acaba, ambos saem um pouco mais destruídos (ou aliviados). Mas os dois sentem, os dois sofrem, os dois têm visões diferentes do seu lado da moeda. Por mais que às vezes pareça que é, o amor não é um simples e fácil jogo de cara ou coroa” (pg. 45)

Mas uma coisa é certa, todos nós nos recuperamos desses finais dolorosos. Talvez a dor não passe, algumas delas nós carregamos a vida toda, mas acabamos nos acostumando à sua presença, como uma velha companheira que nos lembra de tempos melhores. Afinal de contas, nós lamentamos aquilo que consideramos ter perdido, e isso só ocorre com as coisas boas, com as pequenas delicadezas, os gestos despretensiosos que constroem os relacionamentos bloco por bloco, as singularidades que nos unem ao outro.

“É como se algo te despertasse pra vida e colocasse nas suas mãos mais uma chance de ser leve, mais uma chance de preencher essa caixa que tu leva no peito e que ainda não deu lugar a ninguém que ficasse sem incomodar, sem remexer tudo de uma maneira errada, sem fazer com que você sentisse tudo isso porque finalmente o amor chegou” (pg. 214)

Com maestria e simplicidade, Daniel nos leva através de desabafos, lembranças e diálogos, a vivenciar as sensações que esse momento tão delicado e crucial, provoca. A cada texto você se pega vivendo a dor, tristeza, melancolia e por fim esperança. Sim, esperança! Pois para cada final, sempre há um novo começo e não podemos nunca perder isso de vista em nossa jornada.

 

Sinopse: Como fica a minha vida depois de você? Como é que a gente faz para esquecer alguém?
Os primeiros vestígios do fim, as despedidas, deixar alguém, ser deixado, o recomeço, a necessidade de se acostumar a viver sozinho de novo, os flashbacks, as ligações de madrugada, a falta que persiste, os novos encontros, os velhos encontros, a gente encontrando a gente, um mundo novo surgindo, a luz no fim do túnel. Em Depois do fim, Daniel Bovolento conta a trajetória de todo mundo que terminou alguma coisa e tem que aprender a lidar com as diferentes dores e superações de quem perdeu um amor. 

São 50 textos em que se misturam crônicas e desabafos sobre recomeço, aprendizado e a esperança de um novo final feliz. “Cada um de nós encontra uma maneira diferente de encarar o fim. Cada um de nós passa por fins diferentes, por mais que tenhamos tido histórias parecidas.”
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