domingo, 20 de novembro de 2016

Uma semana e(m) um dia # 5

E chegamos ao quinto post da série Uma semana e(m) um dia! Pra quem não conferiu nossas postagens anteriores, seguem os links: post #1, #2, #3 e #4. Neste domingo, Bruno, Jonatas, Rebeca e Regiane falam sobre passeios pela cidade, livros, música e filmes.


Bruno

Sei que o post se chama "Uma semana em um dia", mas, devido a monotonia dos meus dias de semana, vou focar no sábado: O Jardim Botânico é um dos lugares mais lindos do Rio de Janeiro. O bairro homônimo já tem seu charme, mas o parque, fundado em 1808, é ainda mais espetacular, e prova viva do bom gosto Imperial claramente visto nas gigantescas Palmeiras Reais. O Sábado nunca é ruim quando visita-se um lugar como esse e o passeio tornou meu dia perfeito.

Do outro lado da rua, muito utilizado por quem estaciona o carro pretendendo visitar o Jardim Botânico, fica o Jockey Club Brasileiro, que definitivamente vale um olhar mais carinhoso, não só pela beleza de sua arquitetura e imponência, mas nas sextas, sábados e domingos, para aqueles que gostam de uma boa e velha aposta, assistir a um turfe e torcer para seu escolhido cruzar a chegada na frente tornam o dia inesquecível.

Somente duas observações: não havia trocado de roupa desde sexta, isso explica a vestimenta inadequada para o passeio. Também sei que o blog é fofo e que UFC e Corrida de Cavalos podem soar assuntos masculinos demais, mas, para uma pessoa que tem como filme favorito O Poderoso Chefão, é o que dá pra fazer.


Jonatas

Recebi da editora Veneta, por intermédio do blog Nerdgeek Feelings, a graphic novel Coração das Trevas, por Catherine Anyango e David Zane Mairowitz, uma adaptação do clássico de Joseph Conrad No coração das trevas (disponível no catálogo da Editora Hedra). O livro é bastante conhecido por inspirar o filme Apocalipse Now, de Francis Ford Coppola, e conta a história Charles Marlow, um inglês contratado por uma companhia de comércio belga para comandar um barco a vapor através de um rio que atinge o coração do continente africano.


Ainda não terminei a hq - e semana que vem publicarei uma resenha no Nerdgeek! - mas posso dizer que ela ressalta os pontos mais relevantes da narrativa de Conrad, e a arte gráfica não deixa a desejar. Os traços esfumaçados ganham forma como um rosto negro emergindo na névoa, exprimindo a angústia e decadência de um mundo ainda a ser explorado. É interessante que a aparência de Marlow lembra bastante uma imagem famosa de Conrad, tendo em vista que o próprio Conrad trabalhou boa parte da vida como marinheiro e também navegou nos rios que entranham a África. 

Elogiado por nomes como Virginia Woolf e Jorge Luís Borges, Coração das trevas nos traz um senso cruel, porém claro, a respeito do homem diante da natureza crua. Um mundo ainda virgem, despido de qualquer toque artístico, racionalista, civilizador, cuja única forma de nos relacionarmos harmoniosamente com tal natureza seria se despíssemos a margem de nossa própria loucura. 

Sim, há morte. Mas não sei dizer se a morte aqui é exatamente motivo de tristeza. A lição mais prática que tive até agora foi: na natureza não há férias ou aposentadoria. Se na natureza espelharmos apenas o que há de mais negro no coração humano, só haverá descanso no fim do atalho.


PS: Assim como o Bruno, também vou postar fotos do Jardim Botânico:




Rebeca


A História do Blues é uma das narrativas que mais me impressiona. Saber que foi (e é) possível compartilhar o que se passa no coração, e ainda fazer música com isso, mesmo em meio a um cenário biográfico e social dos mais dolorosos, é algo de uma grandeza impronunciável.

De raízes afro-americanas, o Blues é uma espécie de canto e confissão daqueles que, sob o sol, a escravidão e a pobreza das lavouras (mais especificamente, dos estados do Alabama, Mississipi, Louisiana e Geórgia), lutavam pela sobrevivência. Como se encontrassem forças neste canto, as frases do Blues eram como um lamúrio ritmado, e que refletiam o pouco que se podia compreender de suas próprias vidas. Com o passar dos anos e das Guerras e da adaptação dos povos a uma nova realidade social norte-americana, o Blues foi se instrumentalizando, e, em proximidade com o Jazz e os Spirituals, tornou-se uma espécie de identidade destes povos do Sul dos Estados Unidos.

Enfim, pra quem quiser conhecer melhor a História do Blues, recomendo este documentário, e claro, também um livro: no meu passeio de ontem na Primavera Literária, finalmente encontrei a autobiografia B. B. King - Uma Vida de Blues, publicada pela Editora Generale / Évora. Tenho certeza de que todos que se interessam por música e história irão gostar desta biografia! Conheça a sinopse: "B. B. King tem o blues correndo por suas veias. Ele cresceu na parte rural pobre do Delta do Mississipi e teve seu primeiro contato com o blues aos 9 anos, quando sua mãe faleceu. Tornou-se o homem responsável pela família e usou esse desafio como fonte de inspiração e se lançou na carreira musical mais celebrada na história dos Estados Unidos. B. B. King tem uma notável trajetória e esta autobiografia retrata em detalhes o turbilhão de aventuras que passou, desde a década de 1940 em Memphis até a década de 1990 em Moscou. Mas acima de tudo, a história de B. B. King é a história do blues – da evolução do country acústico para o elétrico urbano ao nascimento e explosão do rock 'n' roll – e do triunfo do Rei do Blues através da sua caminhada pelo sucesso para manter inabalável a verdadeira música que ritmava seu coração".

Trecho do livro: "Encaro cada show como um teste", ele diz certa noite ao passo que o ônibus sobe a Interestadual 55, rumo a Chicago. "Quero que o público se sinta como se estivesse num regresso ao lar. Mas será que consigo fazer as pessoas lá fora sentirem como se estivessem numa família? Será que consigo fazê-las sentir o quanto eu amo o blues? Será que as farei sentir o quanto o blues as ama? Se a resposta for sim, fiz meu trabalho. Mas se não, vou estar lá, na noite seguinte, tentando mais firme".

Ah, a história do Blues também foi construída por mulheres! A cantora Bessie Smith, por exemplo, filha de trabalhadores rurais do Tennessee, começou a cantar no início do século do século XX, logo após a morte de seus pais, como um modo de sustento para si e o que restou de sua família.

Quem dera aqui no Brasil, especialmente no Rio, o Blues fosse uma inspiração para as pessoas...


Regiane

Quando criança, fui muito tímida e introspectiva, não me sentia à vontade perto das pessoas, e passava muito tempo "pensando" (resposta padrão para quando me perguntavam o que eu estava fazendo sentada e olhando pro horizonte - risos, muitos risos!). Mas, isso me aproximou de duas artes que viraram minhas maiores paixões: literatura e cinema.

Desde que aprendi a ler, por volta dos 6 anos, comecei a devorar tudo que tinha letras. No começo eram coisas bobas, até que minha madrinha começou a me dar livros de presente e a paixão só aumentou. Um belo dia, ganhei um exemplar surrado, com as folhas todas soltas de uma história aparentemente inofensiva, mas que me causou uma enorme impressão pela força e amadurecimento de sua personagem principal - A Princesinha, de Frances Hodgson Burnett. Não demorou muito para que eu assistisse sua versão cinematográfica e continuasse me encantando com a jornada de Sara, uma menina acostumada a ter tudo o que o pai podia lhe dar, inclusive muito amor, e dona de uma imaginação superior, que acaba indo para uma escola de meninas enquanto seu pai vai à guerra. Lá, Sara descobre que o mundo não é tão belo quanto pensava e nem todos têm um coração tão afetuoso quanto seu pai. Mas, o espírito de Sara é forte e sua determinação em transformar sua existência em algo extraordinário é inspiradora para todos a seu redor e a todos que leram sua história. Imaginem o quanto esse enredo me marcou e me influenciou. Tanto que essa semana encontrei por puro acaso o DVD desse filme lindo e não hesitei em adquiri-lo, porque a garotinha que eu fui ainda está por aqui, precisando de inspiração, e essa pode ser encontrada sim em um belo filme dito infantil, mas que contém lições atemporais.
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