terça-feira, 31 de janeiro de 2017

Bob Dylan - Crônicas | Editora Planeta | Resenha por Gih Medeiros


O mundo da Literatura foi sacudido em 2016 por uma notícia totalmente inesperada (inclusive pelo protagonista da tal notícia): o vencedor do 113° Prêmio Nobel de Literatura foi Robert Allen Zimmermam, mais popularmente conhecido como Bob Dylan.

Li muitos textos defendendo a escolha da Academia Sueca, mas também muita gente “reclamando” que não achava a premiação justa, já que Bob “nem é um escritor de verdade, ele é um músico!!! Enquanto muitos de nós lutamos a vida inteira para receber um mísero reconhecimento, ele sem esforço algum consegue essa façanha! Marmelada!!!!!”. Quando li coisas do gênero, fiquei chocada com a mesquinharia da mentalidade de alguns pseudo-influenciadores digitais! Vamos nos resignar à nossa insignificância galera, que tal???

A premiação se deu porque, de acordo com a Academia, Bob Dylan “criou novos modos de expressão poética no quadro da tradição da música americana". Mas não foi a primeira vez que a Academia premiou alguém de fora do círculo literário tradicional. Em 1913, o indiano Rabindranath Tagore, músico e também poeta e prosador, foi premiado pela Academia Sueca, mas acho que não causou tanto burburinho negativo na época quanto agora – risos – já que segundo o site da Academia Nobel, é o Nobel de Literatura mais popular atualmente – o de Dylan está em segundo lugar, podem conferir – muitos risos. 

Estou falando tudo isso porque finalizei recentemente a leitura de um livro muito desejado por mim, a autobiografia do Bob Dylan, Crônicas – volume 1, publicado em 2004 pela Editora Planeta de Livros e relançado no final de 2016. Confesso que conhecia muito pouco sobre a figura do Bob, apesar de conhecer algumas de suas épicas canções – Like a Rolling Stone, Knockin' on Heaven's Door, Bringing It All Back Home – muitas versões feitas por outros artistas, mas ano passado assisti ao filme A Música Nunca Parou e ouvi Mr. Tambourine Man que faz parte da trilha sonora e essa canção me derrubou, sério! Imediatamente me pus a buscar vídeos do Dylan cantando essa música e encontrei diversos vídeos dele novinho cantando, tocando violão e harmônica ao mesmo tempo e usando ternos gastos e simples e fiquei me recriminando por nunca ter parado para ouvir Bob Dylan de verdade.

Essa experiência de conhecer o músico, me levou a querer conhecer o escritor e foi com imensa curiosidade que iniciei a leitura. Dylan inicia seus relatos a partir do momento em que chega à Nova York em 1961, durante um inverno cruel, em busca das lendas vivas da música folk e em busca da própria maneira de fazer música:

“Quando cheguei, o inverno estava de matar. O frio era brutal, e cada artéria da cidade estava entupida de neve, mas eu tinha vindo do norte enregelado, um cantinho da terra onde bosques sombrios congelados e estradas glaciais não me chateavam. Eu podia transcender as limitações. Não estava em busca de dinheiro nem de amor. Tinha um senso de percepção ampliado, estava firme no meu rumo” – pg. 15.

Com a cara a e a coragem, Dylan começou seu caminho tocando em pubs, cafés e alguns bares que mantinham o microfone aberto para artistas de todos os gêneros: cantores, atores, comediantes, instrumentistas, etc, e dessa forma começou a travar conhecimentos com pessoas que o levariam a se tornar o grande astro que se tornou, ainda que isso não tenha acontecido de maneira tranquila.

Uma das coisas que mais me chamou atenção na escrita do Dylan, foi o fato de que ele não descreve as pessoas de maneira estereotipada, falando sobre suas características físicas, ele nos mostra as características da personalidade, a forma como a voz soava, de que maneira essas pessoas o faziam se sentir, e é encantador e apaixonante ao descrever figuras que o influenciavam positivamente e que são conhecidas do público que acompanha a história da música mundial:

“Eu estava sempre à procura de alguma coisa no rádio. Assim como trens e sinos, o rádio fazia parte da trilha sonora de minha vida. Movi o dial para cima e para baixo, e a voz de Roy Orbison irrompeu pelos pequenos alto-falantes. (...) Orbison, contudo, transcendia todos os gêneros – folk, country, rock and roll e praticamente qualquer coisa. O lance dele misturava todos os estilos e algo que ainda não fora sequer inventado. (...) Com ele, era sempre do bom e do melhor. Soava como se estivesse cantando no topo do Olimpo e a coisa era séria” – pg. 41.

“Passar o tempo com Bono era como jantar em um trem – parece que você está em movimento, indo a algum lugar. Bono tem a alma de um antigo poeta e você tem que ter cuidado perto dele. Ele pode rugir até a terra tremer” – pg. 189.

Talvez a grande surpresa, tenha sido descobrir que o Dylan mostrado na mídia não é quem a gente imagina. Por volta de seus 30 anos, Dylan já era pai de família e mundialmente conhecido por suas canções. Durante esse período na América, várias questões políticas assolavam o país, além da guerra do Vietnã e coincidentemente ou não, as canções de Dylan de certa forma retratavam as injustiças sofridas pelas minorias, o que levou as pessoas a elegerem Dylan como a voz daquela geração, como se ele fosse o representante que eles precisavam. Mas, para Dylan, isso não passou de um mal-entendido que lhe causou imensos transtornos:

“Tudo o que eu havia feito era cantar canções totalmente sinceras e que expressavam novas realidades poderosas. Eu tinha muito pouco em comum com a geração da qual supostamente era a voz e a conhecia menos ainda. Havia deixado minha cidade natal apenas dez anos antes, não estava vociferando as opiniões de ninguém. Meu destino assentava-se na estrada com o que quer que a vida trouxesse, não tinha nada a ver com representar qualquer tipo de civilização. Ser verdadeiro consigo mesmo, esse era o meu lance. Eu estava mais para vaqueiro do que para flautista de Hamelin.

As pessoas gostam de pensar que fama e riqueza se traduzem em poder, que isso traz glória, honra e felicidade. Talvez traga, mas às vezes não. Me vi enterrado em Woodstock, vulnerável e com uma família para proteger. Contudo, se você olhasse a imprensa, me veria retratado como qualquer coisa menos isso”
 – pg. 128



Diante da persistência de tal situação, Dylan se viu sem opção a não ser desconstruir a imagem que a mídia tinha dele. Dessa forma, começou a escrever canções que nada tinham a ver com seu repertório anterior, voltando-se para canções mais pessoais, introspectivas, ligadas a uma visão muito particular de mundo. Isso causou estranheza inicialmente, mas Dylan conseguiu manter a qualidade de seu trabalho e continuou fazendo sucesso, mas dessa vez sem se sentir atormentado por um rótulo que ele não almejava.

“A velha imagem lentamente se desvaneceu e, com o tempo, não me vi mais sob o dossel de uma influência maligna. Por fim anacronismos diferentes foram lançados sobre mim – anacronismos de dilemas menores, embora pudessem parecer maiores. Lenda, Ícone, Enigma (“Buda em Trajes Ocidentais” era o meu favorito) – coisas desse tipo, mas estava tudo bem. Esses títulos eram plácidos e inofensivos, surrados, fáceis de carregar por aí. Profeta, Messias, Salvador – esses são os difíceis” – pg. 137.

Durante os 5 capítulos em que o livro foi dividido, Dylan compartilha conosco as agruras do início de carreira em Nova York, seu primeiro contrato com uma gravadora (antes mesmo de completar a maioridade), a amizade com Woodie Guthrie (o cantor que mais o influenciou quando decidiu que abraçaria a música folk tradicional e sobre quem compôs uma canção), suas primeiras composições e turnês, os primeiros amores e desamores, sua família e terra natal, os recomeços na carreira, a reconstrução da própria figura em diversas fases de sua carreira. E tudo com uma linguagem lírica, poética, que nos deixa com um sorriso espontâneo nos lábios, sem que percebamos.

É uma viagem incrível dentro da mente de um homem que se reinventou tantas e tantas vezes dentro de um cenário que pode ser muito cruel com aqueles que não tem a força de espírito e convicção no que fazem necessárias para se manter sempre em movimento.

Na era medieval na Europa, uma manifestação muito comum da literatura se dava através do Trovadorismo, onde poesias eram declamadas acompanhadas de melodias e isso é mundialmente aceito dentro da Comunidade Literária. Sendo assim, deixo essas perguntas no ar: seria Bob Dylan um Trovador de nosso tempo? E nesse caso, não seria ele merecedor de um prêmio literário pelo conjunto de sua obra que se mantém viva e atual desde os anos 60? 

Convido vocês a conhecerem o trabalho dele, suas composições atemporais, conhecidas ou não do grande público para poderem chegar a alguma conclusão.

Um beijo grande!
<3


Bob Dylan - Crônicas
2ª edição


“Eu tinha vindo de muito longe e começado muito de baixo. Mas agora o destino estava prestes a se manifestar. Senti como se ele estivesse olhando direto para mim e para mais ninguém.”

Nestas notáveis memórias sobre os primeiros anos de sua carreira, Bob Dylan nos guia pela Nova York dos anos 1960, a cidade mágica cheia de possibilidades que encontrou ao buscar o sucesso – festas esfumaçadas atravessando na noite; descobertas literárias; amores passageiros e amizades verdadeiras. Crônicas: Volume 1 é uma coleção íntima e pessoal de lembranças de um tempo extraordinário, de descobertas e resistência.

Lançado originalmente em 2004, foi considerado um dos livros do ano por jornais e revistas como The New York Times, The Washington Post, The Economist, Newsday, People e Guardian – e comparado, por Mikal Gilmore, da Rolling Stone, aos melhores escritos pessoais de Henry Miller. Revelador, poético, apaixonado e bem-humorado, o livro Crônicas: Volume 1 é uma janela fascinante dos pensamentos Bob Dylan, escancarando suas influências. Com seu dom inigualável para contar histórias e a personalidade que são as marcas registradas de suas músicas, Dylan faz desta obra uma reflexão sobre as pessoas e os lugares que ajudaram a moldar sua vida e sua arte.


Lançamentos Editora Martin Claret

Fundada em 1970, a Editora Martin Claret é uma casa publicadora paulistana que já conta com mais 500 títulos em catálogo, principalmente de obras-primas da literatura universal e das ciências humanas. 

Em nosso mundo dos blogs, a Martin Claret tem sido há alguns anos reconhecida por seu belíssimo trabalho com a obra de Jane Austen e, recentemente, com reedições de histórias universais, como as de Peter Pan e Mowgli.

Nesta postagem, destacamos alguns de seus tão aguardados lançamentos:


http://www.martinclaret.com.br



As máscaras do destino
Florbela Espanca


A poetisa Florbela Espanca (1894 – 1930) é considerada pela crítica como um dos grandes nomes da literatura portuguesa. Com a morte do irmão, Apeles Espanca, em 1927, Florbela fica cada vez mais doente e começa a escrever a obra narrativa (publicada postumamente): As Máscaras do Destino, em homenagem ao irmão. Da mesma forma, este trabalho integra na obra florbeliana um novo desejo da autora, que agora se aventura pelo mundo dos contos. Certamente, se não fosse sua morte prematura, Florbela dar-nos-ia, a leitores e críticos, uma vasta obra em prosa; por isso se faz necessário, para compreender seus últimos passos como escritora, conhecer como ela inicia suas produções contistas.


Razão e Sensibilidade / Orgulho e Preconceito / Persuasão
Jane Austen


O fascínio que os escritos de Jane Austen exercem, mais do que se manter, torna-se maior no curso do tempo. A obra desta aclamada escritora tem sido constantemente adaptada para o teatro, cinema e televisão; nos meios acadêmicos, tem gerado abundantes e fecundos estudos de sua dimensão estética, sociológica e histórica; em vários países, inclusive o Brasil, são-lhe dedicados ativos e entusiasmados fã-clubes; e, na web, há um número assombroso de páginas que remetem a Jane Austen. Esta edição especial reúne Razão e Sensibilidade, Orgulho e Preconceito e Persuasão — três dos mais lidos romances desta que é uma das mais lidas e amadas autoras inglesas em todo o mundo.


Charlotte Brontë

“Villette” é, de muitas formas, um romance delicado e deliciosamente difícil. Tudo o que diz respeito à sua heroína, Lucy Snowe é encoberto por uma névoa de inacessibilidade e uma certa escuridão que sustenta a narrativa. Lucy se muda para a cidade fictícia de Villette, onde será professora de inglês em um internato. Ali, será confrontada pelos traumas do passado enquanto completa seu percurso de heroína, com os dessabores e conquistas de uma mulher vitoriana, mas eternamente atual. Uma obra-prima de Charlotte Brontë.




A festa ao ar livre e outras histórias
Katherine Mansfield


Katherine Mansfield, uma das mais célebres escritoras do século XX, cria uma obra capaz de transcender gerações. Seus contos tratam da solidão e da felicidade de maneiras bem pontuais, cada trecho é capaz de despertar sentimentos únicos no leitor. Todos os contos de A festa ao ar livre e outras histórias, publicados integralmente no Brasil pela primeira vez, se iniciam no meio de um acontecimento, sem a prévia apresentação das personagens e suas ações. Mansfield é tão brilhante que consegue transitar fluidamente por estilos, tornando os contornos literários tão borrados quanto os traços de um artista impressionista.



Memórias da casa dos mortos
Fiódor Dostoiévski


Em 1849 Fiódor Dostoiévski vivenciou uma catástrofe pessoal: detido por motivos políticos, foi condenado a trabalhos forçados e perdeu seus direitos civis. Ficou recluso na chamada Casa dos mortos, presídio siberiano onde eram mantidos os criminosos mais temíveis da Rússia, e lá conheceu a degradação humana em todas as suas nuanças horripilantes. Em 1860, quando ia retomar a carreira literária ao término de sua pena, essas trágicas experiências inspiraram-lhe uma verdadeira obra-prima: Memórias da Casa dos mortos. Estabelecendo neste livro um sutil paralelo entre a sua história íntima e a de tantas outras vítimas da cadeia russa, Dostoiévski inaugurou uma longa e caudalosa corrente de “memórias do cárcere” cujos representantes até hoje são direta ou indiretamente influenciados por ele.


Fausto
Johann Wolfgang von Goethe


Com a sua temática arquetípica e grandiosidade estética, o Fausto se impõe como ápice e síntese da obra pioneira de Johann Wolfgang von Goethe. A obra-prima do autor nos transporta à tragédia do protagonista que, desiludido, faz um pacto com o demônio Mefistófoles. Esta edição possui ainda um prefácio e notas escritas por Daniela Kahn, doutora em Teoria Literária e Literatura Comparada pela USP.






O engenhoso fidalgo Dom Quixote de La Mancha
Miguel de Cervantes


O Engenhoso Fidalgo Dom Quixote de la Mancha é um livro dividido em duas partes. Escrito por Miguel de Cervantes, tendo o primeiro volume publicado em 1605 e o segundo volume publicado sob o pseudônimo Alonso Fernández de Avellaneda em 1614. O protagonista da obra de Cervantes é Dom Quixote, fidalgo castelhano que, por ler muitos de romances de cavalaria, acaba enlouquecendo e tentando imitar os heróis presentes nas histórias que lê. A obra narra as aventuras de Dom quixote, um pseudo-herói, que parte  pelo mundo para viver seu próprio romance de cavalaria ao lado de Sancho Pança, fiel amigo que, dos dois, é o que possui uma visão mais realista sobre o mundo.


Histórias de Mowgli: do livro do jângal
Rudyard Kipling


Criado, alimentado e educado por lobos, Mowgli é filho do Jângal , tipo de floresta característica da Índia. E é ali que o menino-lobo vive grandes aventuras com seus amigos — o urso Baloo, a cobra Kaa, a pantera Bagheera , entre outros, e descobre as coisas mais importantes da vida: a amizade, a lealdade , a solidariedade, a sabedoria, a destreza e o amor. Um clássico que nos ensina a sobreviver à selva da vida.






Sabedoria das parábolas
Huberto Rohden


Leitor: você tem nas mãos um livro extraordinário. Segure-o com reverência e carinho. Sua mensagem de vida, há mais de 2.500 anos orienta e ilumina a Humanidade.

Seu autor oral – Jesus de Nazaré – foi o homem mais enigmático que passou pelo planeta Terra. Ensinava aos seus ouvintes por meio de parábolas, e o centro de sua mensagem é a ideia do “Reino de Deus” que, metafisicamente, está dentro de cada um de nós.

“A vós – dizia ele a seus discípulos –, vos é dado compreender os mistérios do Reino de Deus, mas ao povo só lhe falo por parábolas.”

Esta tradução, extensivamente comentada e analisada pelo filósofo e educador Huberto Rohden –, um dos mais respeitados estudiosos da vida de Jesus –, foi retirada do Novo Testamento também traduzido por Rohden, a partir do texto grego do primeiro século.

Esclarece o professor Rohden: “As parábolas nos convidam a um profundo conhecimento metafísico e místico, cujo transbordamento espontâneo se revelará infalivelmente em autorrealização.”

segunda-feira, 30 de janeiro de 2017

O Livro Delas | Editora Rocco - Fábrica 231


O medo de amar é o medo de ter
de a todo momento escolher
com acerto e precisão
a melhor direção
(Beto Guedes)


O medo de amar é o medo de perder a história desse amor. Porque é amor aquilo que acreditamos, e também o que em nosso cotidiano escrevemos. Embora cego ou incerto, é amor o que habita em nossas páginas, e este é o motivo de nos tornarmos 'cronistas de nós mesmos'.

Conhecer O Livro Delas me fez perceber que é também amor toda pequena esperança, assim como todo grande punhado de expectativas. Afinal, pra falarmos da vida que passou, e do futuro que a cada momento construímos, é preciso levar no peito esta vontade de realização, sem deixar de acreditar na escrita como parte deste processo de crescimento.

Nesta reunião de nove histórias, as autoras compartilham universos muito próprios (quem já leu seus trabalhos anteriores consegue perceber estas digitais), como também páginas que poderiam estar em nossos diários: lembra aquele dia em que encontramos o amor em uma carta, e com um sorriso mudamos toda a prosa de uma vida? E quando com uma separação amarga ferimos o coração, e com cicatrizes enfrentamos a crueldade de quem dizia nos amar?

Nesta união de nove mulheres, entendemos que o amor é uma adição de horas nubladas e radiantes, assim como de alegrias e ventos, que sopram suas cores, e refletem seus arrepios, e de algum modo eternizam a vívida saudade e o abstrato pulsar de nossos sentimentos.

Chega o dia em que afirmamos nossas verdades em tudo o que fazemos, e encontrar um pouco de si em cada história Delas é a prova de que o amor é mesmo universal, e presente em todo coração que vive e sofre e segue e escreve.

A cada folha que cai, há uma vida que fica. No coração do leitor, no coração Delas.



"Você vai passar parte da vida começando e terminando relacionamentos sem se dar conta de que entre os beijos e as brigas o amor aconteceu. Você amou seu primeiro namorado magricela da escola. Amou o cara que te deu uma aliança de compromisso, lhe jurou amor eterno e terminou dois meses depois. Amou aquele que ficou tanto tempo a ponto de te fazer pensar que não iria embora, mas foi. E quer saber? Aquele garoto que ficou com você só por um verão também te amou. E teve outro que você nem notou porque estava ocupada amando outro. Tudo isso é amor.

(...) Daqui pra frente, não feche os olhos para o amor que existe e se repete em nossas vidas. Porque, às vezes, não tinha que durar, só tinha que acontecer."

(Chris Melo)


O Livro Delas

Nove talentos da literatura nacional, que conquistaram os corações e mentes de leitores, em um livro de contos inesquecível. Deliciosas vivências cotidianas sobre amor, amizade, experiências familiares felizes e dramáticas, viagens estão presentes nas histórias de O livro delas, assinado por Bianca Carvalho, Carolina Estrella, Chris Melo, Fernanda Belém, Fernanda França, Graciela Mayrink, Leila Rego, Lu Piras e Tammy Luciano. A obra, que sai pelo selo Fábrica231, será lançada no dia 28 de agosto, das 10h às 12h, na Bienal Internacional do Livro de São Paulo, com a presença das autoras, além da organizadora Renata Frade, mestre em Literatura Brasileira e sócia-fundadora da Punch!. O livro compõe o primeiro projeto multiplataforma de literatura nacional para jovens no país, LitGirlsBr, criado pela empresa. 

Cada conto de O livro delas apresenta o que há de mais representativo no estilo de cada escritora. Do sobrenatural ao chick-lit, romance, aventura, drama, denúncia social, agrada desde os leitores jovens adultos aos mais velhos. 

“Nove mulheres. Nove escritoras: Bianca, Chris, Carolina, Graciela, duas Fernandas, Leila, Lu e Tammy. Nove personalidades da nova e pujante literatura nacional. Nove contos independentes, mas entrelaçados pelo absoluto domínio, das nove, da arte de contar belas histórias. Modernas, profundas, leves, intensas. Um pêndulo entre a doçura e a aspereza, entre o romance e o suspense, entre o leitor e as nove. Cada trama daria um bom livro, se assim desejassem. Mas que, condensadas em contos irresistíveis, cumprem à risca o ditado menos é sempre muito mais. Histórias para serem saboreadas num domingo à tarde, num sábado à noite ou no meio de uma semana qualquer. Sobre mim, sobre você, sobre elas próprias, talvez. Sem nove horas, direto ao ponto”, afirma o bestseller Maurício Gomyde, em O livro delas. 

A versão em e-book conterá ainda entrevista e artigos exclusivos que abordam a importância da literatura nacional destas autoras na formação de leitores e no crescimento e amadurecimento do mercado editorial nacional, assinados pelas jornalistas e blogueiras Frini Georgakopoulos e Melissa Marques e pela doutora em Educação pela USP e professora adjunta da Universidade Federal do Sul da Bahia (UFSB) Gabriela Rodella.  
domingo, 29 de janeiro de 2017

Uma semana e(m) um dia # 15

No post de hoje, música, livros, gordices, cadernos e escritores ocupam os pensamentos de nossos colunistas. Confiram o décimo quinto post da série Uma semana e(m) um dia.


Bruno 

Estava escrevendo parte da resenha que publicarei aqui no blog essa semana, sobre o best seller holandês Tentativas de Fazer Algo da Vida e lembrei de uma citação contida no livro sobre uma interessante música holandesa, música essa que achei muito bela mesmo não entendendo nenhuma palavra, nem procurei tradução com receio de decepção, pois a canção soa para mim tão serena que não quero atrapalhar minha positiva interpretação pessoal, espero que vocês sintam o mesmo. Ouçam aqui.



Jonatas

Esta última semana passei praticamente todo o tempo escrevendo para participar do concurso de literatura infanto-juvenil Barco a Vapor, promovido pela Fundação SM. Rebeca me indicou o concurso no final do ano passado, porém, não consegui terminar meu livro e participar da 12ª edição. Curiosamente indiquei meu amigo, Lucas Carvalho, que foi o vencedor com o livro Deslumbres e assombros de uma jornada fabulosa. Acredito que alguns leitores do Blog Papel Papel, assim como nós, também sejam escritores e se interessem pela oportunidade. Então, deixo a dica aqui para vocês. E me desculpem por não falar nada de interessante além disso. Na verdade, tenho uma história inteirinha para contar, mas pelas regras desse tipo de concurso, não posso no momento. Mas prometo que até o final de ano falarei um pouco sobre ela. 

Uma ótima semana a todos!



Rebeca

Embora o verão permaneça, e permaneça intenso como um forno de padaria, resolvemos visitar a Babilônia Feira Hype, um evento de moda e gastronomia super tradicional aqui no Rio. Já comentei no Instagram a respeito das marcas cariocas de moda alternativa, então, neste post de domingo, vamos falar de amores, vamos falar de gordice, vamos falar de batata-frita!! 

Risos.

Seguindo a onda da gourmetização de qualquer coisa (afinal, desde que o combo Copa do Mundo + Olimpíadas literalmente arrombou as contas do Estado, o Rio de Janeiro passou a ser um dos lugares mais caros do mundo, e com uma sensação de bem estar social muito próxima a de um país africano - calor incluso), uma das modas alimentares da cidade é este consumo de batatas-fritas em uma embalagem de papel em formato de cone. Tento não ser totalmente pessimista em relação ao encarecimento até do ar que respiramos, afinal, pelo menos os designers, donos de gráfica e empreendedores da cidade estão ganhando uma boa grana por aí, e é assim que a vida segue. Há que se trabalhar e produzir, então, se é pro consumidor gastar um valor inflacionado por qualquer produto que lhe ofereça alguns minutos de prazer e gordice, que esse produto chegue até nós em sua melhor forma, ou seja, bem bonito, com um bom aroma e, preferencialmente, com um sabor que se destaque (afinal, no caso das batatas, se for pra ser uma mera batata, 'bora lá no McDonald's mesmo, ou no restaurante do bairro, não é?). Enfim. 

Sem mais críticas ao Estado Brasileiro (por ora), especialmente o Fluminense, recomendo o trabalho da galera do Del Toro pra quem estiver pelos eventinhos de rangos alternativos da cidade. Essa batata do cone custou 8 reais (haviam concorrentes com o mesmo produto ao custo de 15 reais!) e estava muuuuuito crocante, muito bem feita, quentinha, frita recentemente. Não experimentei os burguers da casa pois o calor era assustador e minha pressão baixa pedia apenas um carboidrato "leve" e muito sal. 

Então é isso. Aos amigos dos estados e cidades do interior, fica a pergunta: com 8 reais, que tipo de lanche você consegue comprar aí em sua vizinhança? Essa inflação bizarra já chegou até aí também? Conta pra gente nos comentários :)


Regiane

Fui convidada pela minha amiga Hida, do Blog da Hida a participar de um projeto dela em parceria com a loja de cadernos personalizados Meu Libretto

Lembram dos caderninhos que a gente passava no final do ano pro pessoal deixar mensagens e decorar, na época da escola? A ideia do projeto Meu Libretto Viajante é bem parecida. Um grupo de 4 pessoas, cada uma com o seu Libretto Viajante, vai decorar de acordo com suas próprias habilidades artísticas (prevejo tendinites à vista - risos) e enviar para que as demais façam o mesmo, fazendo dessa uma experiência coletiva de criatividade e colaboração. 

O Meu Libretto Viajante chegou essa semana e  estou ansiosa para começar a decorá-lo! A loka da papelaria que há em mim já está comprando adesivos, fitas decorativas, canetas, separando textos e afins para compartilhar com as gurias!!!

E vocês, estão participando de algo diferente?

Tenham uma linda semana, beijoooooo.


[Conversando com Rafa #4] Diário de uma Fã, de Denise Barbosa | Por Rafa Vieira



Todos nós temos um sonho. Às vezes, aquele sonho que não é revelado para ninguém, como por exemplo o de viver uma história de amor com seu ídolo ou personagem, seja ele de livro, música ou de tv. Tanto que olhamos para cada página, cada letra de música, cada aparição em um episódio com uma louca vontade de estar junto dele e poder viver em seu mundo. Mas... e se isso realmente acontecesse? Se pudéssemos conquistar o amor de nosso ídolo?

Acabei de ler o livro Diário de uma fã, da autora Denise Barbosa. A personagem principal é a Bárbara, uma apresentadora de telejornal em uma emissora famosa. Sua vida é bem rotineira, e ela tem um fusca chamado Bob que a acompanha desde sua juventude. Ela até tenta namorar com Fred, mas seu ciume e possessão a faz questionar o porquê de se apegar a ele. O motivo? Bom, talvez o motivo de se apegar a um relacionamento destrutivo e nunca querer ter outro pode ser definido em: um cantor de cabelos ruivos e encantadoramente talentoso. Ou, em outras palavras, Luca Becker, um amor de sua juventude que a fez sentir sentimentos controversos, como raiva, amor incondicional e fúria. Afinal, não é fácil namorar um popstar, e Bárbara sentiu na pele o que a fama pode fazer com um relacionamento, e não é fácil se esquecer de tudo isso.

Sempre gosto de colocar coisas pessoais em minhas resenhas, me sinto mais próxima das pessoas e de suas histórias, então, sim, eu já sonhei acordada com personagens, cantores e atores. Gosto de pensar que um dia vou conhecê-los e quem sabe tirar uma casquinha (kkkk), mas sei que não é fácil namorar alguém que tem uma exposição enorme, que é sempre vigiado e que nunca poderá ir na esquina com você sem um fotografo saindo de trás de uma moita e te assustando.

Não namoro um cara famoso, mas sei como é ter alguém que tem um "brilho" a mais que eu; estudei no mesmo lugar que meu namorado e sempre as pessoas diziam que eu estava sempre à sombra dele; comparações entre nós sempre existiram. Ele era bom em tudo e eu um desastre enorme nos estudos e isso me incomodava bastante, mas estamos juntos e conseguimos superar isso.

Como sempre, retiro uma lição de cada livro que leio e esse não foi diferente. Se você gosta de uma pessoa, você tem que fazer sacrifícios, nem tudo é perfeito, sempre vai ter uma coisa ou outra pra atrapalhar. Não vou dizer especificamente sobre namorar um popstar, mas você pode namorar um engenheiro brilhante, um mecânico brilhante, um aluno brilhante, seja qual for a profissão e sua exposição ou não, mas sempre haverão pessoas dizendo como as coisas devem ser. Muitas vezes não temos escolha, devemos segui-las em seus caminhos, mesmo que isso machuque alguém. Mas cabe a esse alguém conversar e procurar entender também o que se passa em você, até porque, muitas vezes, você pode não quer viver do jeito que está vivendo, então, alguns sacrifícios devem ser feitos para que a sua vida e a vida dessa pessoa se tornem melhores, para assim poderem viver em paz e juntos.

Não deixe de entender o outro, por que se ficar de birra, de egoísmo, de "tem que ser do meu jeito e ponto" ,pode-se perder o grande amor da sua vida, e muitas vezes a vida não nos dá uma segunda chance. A pessoa se magoa, você se magoa e ficam os dois remoendo aquele velho arrependimento do "eu podia ter feito tal coisa pra melhorar a situação". Pois é, mas não fez e a vida cobra um preço alto por isso...

Devemos seguir o coração às vezes, e parar de pensar somente com o cérebro, por que assim ficamos menos frios e egoístas e não teremos mágoas ou arrependimentos. E mais, não vamos precisar nos apegar em relacionamentos destrutivos, bebidas ou qualquer outro tipo de fuga para sermos felizes, nos sentiremos completos.

A autora Denise está de parabéns, adorei o livro e ele me fez pensar muito sobre como é necessário nos sacrificarmos um pouco por quem nós amamos e procurar entendê-lo. Espero que quem o leia tenha essa mesma visão. 

Essa foi a opinião de hoje, simples, mas sincera.

Abraços.
Rafa Vieira



Babi é uma menina comum, universitária, que se apaixona por Luca, um popstar da música.

Ela, que na adolescência nutria paixões platônicas por seus ídolos, não imaginava que um dia poderia se envolver com um superstar. Entretanto, quando se vê na posição de namorada de Luca Becker, não consegue se adaptar ao mundo da fama, holofotes e fãs ensandecidas.

Valeria a pena tentar? Ou seria melhor não se arriscar e permanecer no caminho de uma vida normal e pacata?

O problema é quando o coração fala mais alto.
sexta-feira, 27 de janeiro de 2017

Lançamentos Editora Morro Branco


Uma das alegrias deste início do ano foi conhecer a editora paulistana Morro Branco, que já chegou no meio literário trazendo histórias intensas em edições caprichadíssimas! Não tem como não se apaixonar <3

Sobre a Morro Branco: "Uma editora formada com foco na promoção de autores e ideias dentro de uma visão global, a Editora Morro Branco faz sua estreia no universo literário prezando acima de tudo pela qualidade de seus títulos e formação de novos leitores. Iniciando seu catálogo com o primeiro livro da série de Fantasia e Aventura Steampunk A Biblioteca Invísivel, de Genevieve Cogman, no qual espiões bibliotecários viajam até diferentes realidades e momentos no tempo para recuperar importantes livros e manuscritos, a Editora procura simbolizar sua própria busca eterna e incessante pelos melhores títulos e autores, estejam onde estiverem.

Mas este é só o começo da multifacetada e dinâmica trajetória planejada pela Editora, que inclui em seu cronograma de lançamentos premiadas obras globais como Bienes Historie, da norueguesa Maja Lunde, Lovestar e Timakistan do islândes Andri Snaer Magnason, Färjan do sueco Mats Strandberg, The Trouble with Goats and Sheep, da britânica Joanna Cannon e Our Endless Numbered Days, da também britânica Claire Fuller."

Dos lançamentos desta virada de ano, estão alguns já bem conhecidos em nossas redes sociais:


A Biblioteca Invisível
Genevieve Cogman

Irene é uma espiã profissional da misteriosa Biblioteca, uma obscura organização que existe fora do tempo e espaço e que coleciona livros e manuscritos de diferentes realidades. E junto com seu enigmático assistente Kai, ela é enviada para uma Londres alternativa com a missão de recuperar um perigoso livro. Mas quando eles chegam, ele já foi roubado. As principais facções do submundo londrino estão prontas para lutar até a morte para achar este mesmo livro, e tudo é imensamente dificultado pelo f ato de que o mundo está infestado pelo Caos - as leis da natureza foram distorcidas para permitir a existência de criaturas sobrenaturais e mágicas imprevisíveis. Enquanto seu novo assistente guarda seus próprios segredos, Irene logo se vê envolvida e m uma aventura repleta de perigo, pistas e sociedades secretas, onde a natureza da própria realidade está em perigo e falhar não é uma opção.


Tudo que Deixamos Para Trás
Maja Lunde

Em 1852, William é um deprimido biólogo inglês, que deseja criar um novo tipo de colmeia capaz de trazer reconhecimento para sua família. Em 2007, George é um apicultor americano que luta para manter o negócio produtivo e acredita que seu filho pode ser a salvação de sua fazenda. Em uma China futurista, quando todas as abelhas desapareceram, Tao trabalha com polinização manual. Enquanto passa seus dias pendurada em árvores, deseja para seu filho uma educação e vida melhores do que a sua. Mais do que uma distopia sobre o desaparecimento das abelhas, em que passado, presente e futuro se encontram, Tudo Que Deixamos Para Trás é uma poderosa história sobre o relacionamento entre pais e filhos e o sacrifício que fazemos por nossas famílias.



Nossos Dias Infinitos
Clara Fuller

Todos os pais mentem. Mas algumas mentiras são maiores do que as outras. "Datas só nos fazem perceber quão finitos nossos dias são, quão mais perto da morte ficamos a cada dia que passa. De agora em diante, Punzel, vamos viver seguindo o sol e as estações". Ele me pegou no colo e me girou, rindo. "Nossos dias serão infinitos". Com aquela última marca, o tempo parou para nós em 20 de agosto de 1976".

Peggy tinha oito anos quando seu pai a levou para viver em uma remota cabana no meio de uma floresta europeia. Lá ele lhe disse que sua mãe e todas as outras pessoas do mundo morreram. Agora eles precisam viver da terra e sobreviver ao rigoroso inverno. Mas até quando a pequena Peggy vai acreditar na história de seu pai? Até quando você pode ficar são, quando o mundo está perdido? o que acontece quando você para de crer em tudo? 

PS: Se você curtiu a sinopse, a Editora disponibilizou Nossos Dias Infinitos com preço promocional de lançamento na Amazon! E o melhor: digitando o cupom LANCAMENTO10 você ainda ganha mais 10% OFF. Aproveite! A promo vai só até amanhã (28/01), às 23h59. Clique para participar.



E aí, curtiram o trabalho da Morro Branco? Wishlist sim ou com certeza? <3 <3 <3 

#TBT - Vale a pena ler de novo: Mark Twain + Aniversário de 1 ano do Jonatas aqui no Blog

Hoje não é quinta, mas é uma data que vale um #TBT: em vinte e sete de janeiro do ano passado, nosso amigo Jonatas T.B. compartilhou sua primeira resenha aqui no blog! Taí uma data pra se comemorar, não é mesmo? :)

Na ocasião, Jonatas apresentou suas obras preferidas de Mark Twain. Relembre a resenha:



Ele seria um pirata! Isso! E só agora descobria sua vocação! Seu nome conquistaria fama mundial e faria todos os povos estremecerem! Que glória singrar os mares no veleiro negro, o Espírito dos Mares, com sua bandeira tremulando ao vento! E, no ápice da fama, ele reapareceria no velho povoado, irromperia na igreja com a pele curtida pelo sol e pelas intempéries, trajando sua roupa de veludo preto, botas compridas, faixa vermelha, cinto munido de pistolas, faca enferrujada de crimes, chapéu de plumas e a bandeira negra com caveira e tíbias cruzadas. Daí, escutaria o murmúrio de êxtase da criançada sussurrando: 'É Tom Sawyer, o pirata! O vingador do mar das Antilhas!'.

As crianças nascem sem nada saber a respeito do mundo, mas creio não estar errado em afirmar que também são as criaturas mais íntimas da imaginação, como se ainda carregassem consigo um pedacinho das infinitas possibilidades do misterioso lugar que estavam antes de nascer. Foi depois de mais ou menos quatro parágrafos que Tom me segurou pelo braço e me levou para lá. Quando percebi, já estava embarcado com Joe Harper e Hunckleberry Finn, seus amigos piratas, retornando àquela ilha que achava ter desaparecido no horizonte da memória.

Durante a travessia do Mississipi, eu não recordei se brincava de pirata quando criança, mas, assim como Tom, sabia que as brincadeiras nunca chegavam ao fim, porque, ainda que as coisas se tornassem sérias como um tesouro enterrado de verdade ou o testemunho da morte de uma pessoa real, as nossas mentes infantis coloriam tais eventos com tonalidades de uma tarde brincando de piratas. Foi aí que chegamos, eu junto a Tom boiando numa jangada, às fronteiras invisíveis entre a imaginação e a sensibilidade.


Jane Austen - Parte 4 | Obras contemporâneas - Editora Verus | Por Regiane Medeiros


Para finalizar nossa viagem pelo mundo literário de Jane Austen, vamos falar sobre algumas obras contemporâneas que são baseadas em sua obra.




Uma delas, se trata de O Diário Secreto de Lizzie Bennet, escrito pela dupla Bernie Su e Kate Rorick e trata-se de uma adaptação de Orgulho e Preconceito. O livro é baseado em uma websérie super bacana que conta a história de Lizzie Bennet, uma jovem pós-graduanda em Comunicação que tem duas irmãs, a doce e tímida Jane e a divertida e inconsequente Lydia.

O livro é em formato de diário, e através dele podemos acompanhar a jornada de Lizzie e das pessoas que estão ao seu redor durante um ano. Quem já leu Orgulho e Preconceito, saca logo que todas as principais características dos personagens estão lá: a sagacidade e sarcasmo de Lizzie, a doçura de Jane, a imaturidade de Lydia, o pragmatismo do Sr Bennet, a obsessão pela vida amorosa das filhas da Sra Bennet. Também podemos ver o orgulhoso Sr Darcy, alvo do ódio de Lizzie e sua família (exceto Jane, que sempre vê o melhor em todo mundo), Charlotte, a leal amiga de Lizzie, George Safadão Wickham e companhia.

Gostei muito dessa adaptação, e gosto de pensar que parece com algo que a própria Jane Austen escreveria se vivesse nos dias de hoje. Alguns personagens merecem destaque quando comparados a seus originais:

- Charlotte: aqui, ela é muito mais que a melhor amiga da protagonista, ela é inteligente, sarcástica e lutadora, corre atrás dos seus sonhos de maneira prática e objetiva, bem diferente da original, que eu entendo a personalidade e atitudes pelo contexto histórico em que vivia, mas de quem não era muito fã. Eu amo essa Charlotte moderna!!!

- George Safadão Wickham: gente, o George Wickham de Orgulho e Preconceito é o típico bad boy, que você sabe que não presta, mas mesmo assim se deixa seduzir, mas esse aqui, honestamente, atropela o original com um tanque de guerra. Sério! Ele é muito mais sedutor e muito mais canalha!!!! Conseguiu surpreender!

- Caroline: Falsiane, teu nome é Caroline! Ela arrasou, só digo isso!

- Gigi Darcy: melhor cupido de todos os tempos! Um doce de menina!!!

- Lydia: gostei bastante da espontaneidade dela, e é bem mais inteligente, apesar de ser avoada, do que a original. Seu drama pessoal, toma proporções diferentes aqui, e acabei torcendo por ela, de verdade.

Uma versão à altura da original, e assim como em Orgulho e Preconceito, fiquei com gostinho de quero mais!!!!

Uma dica: é possível assistir pelo youtube os episódios da websérie The Lizzie Bennet Diaries e vermos os vídeos que a Lizzie fez durante seu projeto!!!!

E para nosso deleite já está disponível em todas as livrarias a continuação: As Épicas Aventuras de Lydia Bennet, que relata os acontecimentos que sucederam logo em seguida ao término de O Diário Secreto de Lizzie Bennet, agora sob a voz de Lydia, que já não é mais uma menina tola e pronta para ser a piada da vez na cidade. Imperdível!!!!





Para finalizar, quero falar sobre o livro Primeiras Impressões, outra versão moderna de Orgulho e Preconceito, e adivinhem? Foi escrito por uma brasileira, a Laís Rodrigues de Oliveira e uma parte do enredo se passa em terras brasileiras, o que nos leva imediatamente para dentro da história.

Liz é uma estudante da área de Literatura que quer ser escritora. O Sr Darcy é um político de uma família tradicional de políticos. Essa Liz é um pouco mais séria, mais madura que a original, mas ainda é a mente sensata da família. Darcy é um político e isso por si só já nos causa calafrios – risos - mas confesso que me apaixonei totalmente por ele. Ele é intenso, forte, decidido e encantador quando baixa a guarda.

Os demais personagens também são parecidos com suas versões originais, principalmente Lídia, Collins e Catherine, a Terrível, que me deram nos nervos – mais risos – o que deixou a leitura bem fluida apesar dos cenários e situações serem diferentes. Jane e Charles, co-protagonistas dessa história atemporal, também estão presentes e seu drama toma proporções mais maduras e atuais também, pegando-nos desprevenidos!!!

O romance entre os protagonistas foi tecido de maneira delicada e surpreendente, de forma natural como no original, ainda que em um cenário da atualidade, onde os relacionamentos se dão de maneira mais rápida e brusca.

Laís conseguiu manter as principais características de nossos protagonistas, e ao mesmo tempo dar-lhes novos aspectos, novas nuances em suas personalidades, que só contribuíram para que eles se tornassem inesquecíveis e únicos. Jane ficaria orgulhosa!!!

Existem outras obras inspiradas pela literatura de Jane Austen em minha estante, mas ainda não tive a oportunidade de lê-las. Por enquanto estou, digamos, colecionando – gargalhadas – mas, vou falar sobre elas no futuro, quando a oportunidade de apreciá-las devidamente surgir.

Obrigada pela companhia até aqui! Se conhece outras obras inspiradas por Jane Austen, indique-nos nos comentários, será muito bem vindo!

Beijos,
Gih


Primeiras Impressões 
Laís Rodrigues de Oliveira 


Primeiras Impressões é uma adaptação moderna do clássico Orgulho e Preconceito de Jane Austen. O romance eterno de Lizzie e do Sr. Darcy é situado desta vez entre paisagens paradisíacas do Brasil e cenários surpreendentes dos Estados Unidos, em um relacionamento complexo entre uma carioca sarcástica e brilhante e um político americano de uma família conservadora.


Editora Verus

Lizzie Bennet é uma jovem estudante de comunicação que resolve fazer um vlog como projeto para a faculdade, postando vídeos em que reflete sobre sua vida e a de suas irmãs. Quando dois amigos ricos e charmosos chegam à cidade, as coisas começam a ficar mais interessantes para as irmãs Bennet — e para os seguidores de Lizzie na internet.

De repente, Lizzie — que sempre se considerou uma garota bastante normal — se torna uma figura pública. Mas nem tudo acontece diante das câmeras. E, felizmente para nós, ela escreve um diário secreto...

Com reviravoltas que vão deliciar os fãs de Jane Austen, assim como novos leitores, O diário secreto de Lizzie Bennet expande o fenômeno da web série que encantou quase dois milhões de espectadores e faz uma releitura inédita de Orgulho e preconceito.



Continuação de O diário secreto de Lizzie Bennet. Baseado na premiada série de web The Lizzie Bennet Diaries, este livro é estrelado por Lydia, a espevitada irmã de Lizzie, conforme ela encara as alegrias e os tropeços no caminho de se tornar adulta na era digital. Antes de Lizzie começar seu popular vlog, Lydia era apenas uma garota normal tramando maneiras de matar aula e criar a identidade falsa perfeita para entrar nas baladas. Talvez ela não tivesse muito foco, mas amava sua família e se divertia para valer. Até que o vlog de Lizzie transformou as irmãs Bennet em sensações da internet, e Lydia adorou virar o centro das atenções, conforme as pessoas assistiam, debatiam, postavam no Twitter, no Tumblr e em blogs sobre a vida dela. Mas então Lydia aprendeu que nem toda atenção é positiva... Depois que seu ex-namorado, George Wickham, aproveitou a fama recém adquirida de Lydia, traiu sua confiança e destruiu sua reputação, ela não é mais uma garota ingênua e despreocupada. Agora, Lydia terá de batalhar para reconquistar a confiança e o respeito de sua família e encontrar seu lugar no mundo. Este livro começa exatamente no ponto em que O diário secreto de Lizzie Bennet parou e oferece uma nova abordagem a Orgulho e preconceito.

quarta-feira, 25 de janeiro de 2017

Volta às Aulas solidária - Campanha de arrecadação de Material Escolar



O post de hoje tem como objetivo incentivar nossos amigos e parceiros a participar de uma ação solidária. No post de segunda-feira já apresentei um "spoiler" da ideia, que vou compartilhar de forma detalhada hoje com vocês :)

Na maioria das instituições de ensino do país, fevereiro tornou-se o mês da Volta às Aulas, e certamente você, seus irmãos e filhos já percorreram diversos sites e papelarias para adquirir itens da lista de material escolar.

Nada melhor que uma mochila repleta de cadernos, canetas e lápis de cor, não é mesmo?

Então, já sabendo que muitos de nós somos apaixonados por papelaria, e provavelmente temos na prateleira inúmeros produtinhos que nem tiramos da embalagem, surgiu a ideia: vamos participar de uma campanha de doação de material escolar?  :)

Este é um tipo de ação que você pode realizar em seu bairro ou cidade, claro! Mas gostaria de apresentar pra vocês duas instituições aqui do Rio de Janeiro que eu já realizei um primeiro contato (ou seja, não são instituições "fantasmas" rs) e que ficariam muito felizes de receber o seu carinho e solidariedade!



A Arte Salva é um projeto social de iniciativa da atriz Karina Duarte, que ampara crianças do Jardim Gramacho, no município de Duque de Caxias / RJ. Por meio do amor pelas artes, o grupo de voluntários do projeto realiza oficinas artísticas com as crianças da comunidade, e até hoje tem realizado seu trabalho unicamente através de doações e parcerias. As oficinas do A Arte Salva em geral recebem uma média de 60 crianças, mas o grupo já realizou oficinas com até 150 participantes.

Pra conhecer mais detalhes do projeto, visite a página do Facebook do A Arte Salva.



Harmonicanto é uma Oscip (Organização de Interesse Público), idealizada por Cássia Oliveira, que funciona na Comunidade do Cantagalo, em Copacabana/RJ. Atualmente, o projeto atende 50 crianças, de 7 a 14 anos, realizando atividades de reforço escolar, oficinas de arte e música. Algumas crianças do projeto também participam do Conjunto Musical Harmonicanto, que já realizou diversas apresentações pela cidade.

Pra conhecer mais detalhes desta iniciativa, visite o site do Harmonicanto.




Sempre que pensamos em doação, imaginamos uma contribuição voluntária de uma quantia em dinheiro. Só que muitas vezes pode ser ainda mais simples ajudar uma instituição: aquele utensílio ou móvel que não combina mais com sua decoração pode, por exemplo, ser o melhor dos presentes; roupas, alimentos e materiais de limpeza e higiene também são artigos mais que necessários; e claro, quando pensamos em assistência à criança, é indispensável uma contribuição em forma de brinquedos, livros e artigos escolares.

E como nossa proposta aqui é incentivar uma doação para o período de volta às aulas, segue uma sugestão de materiais de uso frequente da A Arte Salva e da Harmonicanto:

  • Cadernos
  • Potes de Tinta Guache 
  • Caixas de lápis de cor
  • Pacotes de papel A4
  • Telas para pintura
  • Canetas esferográficas
  • Lápis preto e borrachas
  • Potes de massinha colorida
  • Papel crepom
  • Cartolina

Para entrar em contato diretamente com as instituições e enviar sua doação, escreva para:

Karina Duarte - aartesalvaluz@gmail.com
Cássia Oliveira - administrativo@harmonicanto.org.br


Caso você, leitor, parceiro e empresa possa e queira participar deste movimento, fale conosco também! O Blog Papel Papel se coloca à disposição para divulgar o seu trabalho e marca em nossas redes, como forma de agradecimento por sua participação <3

 
Na foto, equipe de voluntários e crianças e jovens da Harmonicanto
terça-feira, 24 de janeiro de 2017

[Conversando com Rafa # 3] Sob a luz dos seus olhos, de Chris Melo | Editora Rocco


"Seis anos deixaram de existir. As lembranças que surgiam aos poucos agora me assolam de tão rápidas. Escuto a voz dele me chamando de Lisa, carregando bem no som do S por causa do sotaque tão bonito. A voz vibrante, forte, quase vigorosa demais para um mortal. A palavra 'saudades' escrita em português, o jeito que ele me forçava a conversar depois de muito silêncio dizendo apenas 'fale comigo'. Ele sabe que ainda não existe a menor possibilidade de eu conseguir esconder alguma coisa depois de ouvir isso, principalmente porque essa frase sempre vinha acompanhada de um olhar que dizia 'confie em mim'".

Estou parada com o tablet na mão, com a ultima página do livro Sob a luz dos seus olhos, da autora Chris Melo. Estou sem palavras e as lágrimas insistem em cair. Isso não é normal para mim, pois nem sempre me emociono. Poderia dizer tudo sobre esse livro mas, ao mesmo tempo, não consigo descrevê-lo. Estou tentando encontrar palavras que transmitam a emoção e a história linda que esse livro possui.

O livro nos apresenta Elisa, uma jovem editora bem sucedida que mora em São Paulo, e que leva uma vida pacata, bem regrada, onde não há espaço para amores e sentimentos do gênero, apenas uma ficada daqui e dali, nada mais que isso. Até que ela tenta sentir algo a mais por seu vizinho Cadu, mas sempre sem sucesso. O que não sabemos é o que levou uma jovem de 29 anos ser tão fria em relação ao amor.

Quando Elisa tinha 23 anos e era uma mera estagiária em Londres da mesma revista que atualmente trabalha, ela encontrou inesperadamente o cara dos seus sonhos, lindo, louro e forte, um príncipe encantado. Com ele, viveu noite incríveis, sensações desconhecidas, e claro, um amor sem tamanho, um amor tão grande e intenso que ela sentia que iria explodir de felicidade. O nome desse príncipe encantado era Paul, um jovem aspirante a ator, boêmio, e que nunca levava nada a sério, até que conheceu Elisa e seu mundo virou completamente.

A vida real é dura, assim como nos livros, dura e cruel. Em meio a felicidade, arco-íris e fogos de artificio que se resumia o amor dos dois, uma desgraça se abateu sobre Elisa, que descobriu que estava com Leucemia, e optou por deixar Paul e voltar ao seu país e fazer um tratamento. Não contou a Paul sobre a doença, e ele se sentiu magoado e terminou o relacionamento.

Seis anos depois, Paul surge como um fantasma e abala sua vida regrada e fria, e então o livro começa, e surgem várias aventuras e momentos românticos.

Eu, particularmente, não penso muito em como seria o homem ideal, nem em casamento e muito menos filhos, talvez por eu ser independente demais e querer sempre alcançar algo maior. Nunca vivi um conto de fadas, meu namoro começou de forma tradicional e seguimos tradicionais, sem muita aventura ou situações loucas. Quando leio um livro assim, me imagino no lugar do personagem e sinceramente, me bateu uma tristeza, e senti o que Elisa sentiu, e foi como meu coração tivesse sido esmagado e alguém tivesse pisando nele.

Mas também retirei uma lição valiosa (como sempre, procuro alguma moral ou lição nos livros que leio): o amor é muito mais que estar com uma pessoa, ou simplesmente abraçar e beijar; o amor é o que move uma relação, é um sentimento que nos faz ultrapassar limites, sejam eles emocionais ou físicos, como quando alguém que amamos está passando por uma situação ruim e retiramos forças que nem sabemos de onde vêm, e vamos atrás, apoiamos a pessoa amada, e, na maioria das vezes, juntos conseguimos resolver nossos problemas.

É também amor conversar sobre besteiras e anseios, é dividir experiências e criar novas, é acordar todos os dias e saber que existe alguém que se importa com você e que não está nem aí para seus defeitos, se seu corpo é ou não é perfeito, e que sabe de cor o que você gosta, e que vê o melhor em você, mesmo que outras pessoas insistam que você é estranho ou cheio de defeitos horríveis.

Amar é também brigar e no fim do dia se reconciliar, sentir ciúmes, e saber que quando você chegar de uma viagem ou do trabalho haverá alguém ansioso pela sua chegada, e querendo sua companhia.

Se você tem alguém do seu lado, valorize, pois amanhã ele pode não estar mais ao seu lado. É triste, mas a vida não se importa se você está feliz ou não, ela tira com a mesma rapidez com que deu. Diga então que ama, cutuque, brinque, saia e viva com essa pessoa momento incríveis.

Bom, o livro da Chris é maravilhoso, uma verdadeira lição de vida, e sempre vou lê-lo, para me lembrar que o amor existe, e que basta procurá-lo dentro de nós mesmos.

Essa foi a opinião de hoje, simples, mas sincera.

Atenciosamente,
Rafa Vieira 


Chris Melo | Editora Rocco

Considerada a “Nicholas Sparks de saia” pelos fãs, Chris Melo estreia na Rocco com um envolvente romance sobre o poder extraordinário do amor. A trama conta a história de Elisa, que embarca para a Inglaterra decidida a começar sua vida adulta, levando na bagagem seus planos e sonhos para o futuro; e Paul, um artista tentando se encontrar e que vive intensamente cada momento. O que poderia ser apenas um encontro casual entre dois jovens tentando achar o seu lugar no mundo se transforma, pelas mãos da autora, numa profunda jornada de autoconhecimento, superação, perdão e recomeços. 

A autora Chris Melo exerce um encantamento com sua escrita dinâmica, prendendo a atenção com cada uma das idas e vindas da protagonista. Primeiro as leitoras retornam com Elisa à Inglaterra, para depois acompanharem, imersas em um sem fim de sentimentos, as decisões que ela precisará tomar para ficar ou não ao lado de Paul, seja em São Paulo, em Londres ou em Hollywood. Impossível largar o livro antes de saber o desfecho da história.