Recebidos de Março | Editoras José Olympio, Harper Collins, Morro Branco e Martin Claret

sexta-feira, 31 de março de 2017

Já é quase abril, mas ainda dá tempo de conversar um pouco sobre os recebidos que chegaram por aqui neste finzinho de março :) Dentre os lançamentos, trilogia chick-lit da Harper Collins, uma divertida publicação jovem da Morro Branco, e duas intensas histórias publicadas pela José Olympio / Record. Conheçam:


Charlotte - David Foenkinos

Uma tragédia familiar pouco antes da Segunda Guerra Mundial marca a vida da pequena Charlotte, que já dava indícios da realizada artista que viria a se tornar. Obcecada pela arte e pela vida, a jovem, progressivamente excluída de todas as esferas sociais alemãs com a ascensão do nazismo, teve que abandonar tudo para se refugiar na França. Exilada, ela inicia uma obra pictural autobiográfica de uma modernidade fascinante.

David Foenkinos coloca em suas próprias palavras um tributo original, apaixonado e vivo a Charlotte Salomon. Esse romance assombroso e redentor, pautado na vida da trágica figura real que lhe serve de protagonista, é o relato de uma busca. Da busca de um escritor obcecado por uma artista.


Bartleby, o escrivão - Herman Melville

O personagem título é um jovem amanuense judicial que, cansado do trabalho burocrático, decide adotar o “não” como lema e o “nada” como estilo de vida. Publicada originalmente, de forma anônima, numa revista em 1853, Bartleby, o escrivão é uma daquelas obras que deixa os leitores confusos quando chegam ao final: não há uma resposta e sim questionamentos sobre quem seria esse personagem tão peculiar.

A narrativa de Melville, um dos percursores do absurdo na literatura, é tão curta quanto rica e múltipla; leitura para se perder em interpretações.




A atriz Libby Lomax encontrou seu refúgio no mundo dos filmes clássicos, nos quais as deusas imortais favoritas da tela parecem oferecer muito mais romance do que a vida real. Depois de um dia terrível no set de filmagens, onde ela passou a maior vergonha de todos os tempos na frente do elenco inteiro e, pior, do astro sexy e notório bad boy Dillon O’Hara, tudo o que Libby consegue fazer é se jogar no sofá e assistir Bonequinha de luxo pela milionésima vez. De repente, ela se surpreende ao ver a estrela do cinema, Audrey Hepburn, sentada bem ao seu lado, em seu vestidinho preto, clássicos óculos escuros e cigarrilha vintage, cheia de conselhos para dar. Mas será que Libby realmente é capaz de transformar sua vida de fracasso em um incrível blockbuster? Talvez, com um pouquinho da ajuda mágica de Audrey, ela até consiga…


Uma noite com Marilyn Monroe

Os últimos meses passaram como um furacão pela vida de Libby Lomax. Depois das confusões em que a atriz não tão bem sucedida se meteu com a ajuda da diva Audrey Hepburn, agora Libby não só está namorando o cara mais gato do planeta mas também parece ter encontrado uma alternativa profissional melhor que a anterior. É incrível como a vida pode melhorar!

Mas seu otimismo tem vida curta. Logo ela percebe que Dillon O’Hara não é, nem de longe, o namorado perfeito que esperava, e seu melhor amigo, Ollie, parece ter esquecido de Libby em meio a tanta confusão.

Ainda bem que Libby tem outra convidada mais que especial para lhe aconselhar... Agora é torcer para que desta vez Marilyn seja a chave para finalmente colocar a vida nos eixos!



Nesta conclusão hilária da série Uma noite com, Libby Lomax se vê em mais uma enrascada: lutar pelo melhor amigo e amor de sua vida, Olly, que parece ter partido para outra, ou se jogar de cabeça em uma aventura que pode se transformar em seu felizes para sempre? Grace Kelly é a convidada da vez, e ela tem uma lição importante a ensinar: se você quer algo, precisa lutar para conseguir!




As vibrantes cores e o caos da cidade de Mumbai embalam esta história de crime e mistério, que vai fazer você mergulhar de cabeça na cultura indiana.

No dia da sua aposentadoria, o inspetor Chopra herda dois grandes mistérios. O primeiro é o afogamento de um rapaz, cuja suspeita morte ninguém parece interessado em investigar. E o segundo é um bebê elefante.

Enquanto sua busca por pistas o leva através da movimentada cidade de Mumbai – das ricas mansões ao submundo sombrio das favelas – Chopra começa a suspeitar que pode haver bem mais por trás dos dois mistérios do que ele pensava. E logo, ele descobre que um determinado elefante pode ser exatamente o que um homem honesto precisa...



O Gato Preto - em quadrinhos - Edgar Alan Poe

A intrigante história de 'O Gato Preto' é narrada em primeira pessoa pelo personagem sombrio que desde criança possui uma grande afeição por animais, mas o destino mostra-se assustador quando um gato preto aparece em sua vida. Nesses quadrinhos desfrutamos um pouco do mistério, do fantástico e da alma do ser humano, que se revela aterrorizadora. Uma leitura imperdível.


E você, já leu alguns destes lançamentos? <3

Clube do Livro Leonardo Da Vinci #1 - Socorro Acioli

quarta-feira, 29 de março de 2017
Post do Clube do Livro passando pela sua timeline só pra dizer que vai ser amanhã, quinta 30 de março, nosso primeiro encontro na Livraria Leonardo Da Vinci no centro do Rio! Venha conversar com a gente! O tema do encontro será a obra da escritora Socorro Acioli, em especial, seu penúltimo livro pela Companhia das Letras, A Cabeça do Santo. Vagas limitadas! Preencha o formulário no Facebook e participe! :)

Conheça um pouco da bibliografia da autora: 



Publicações recentes pela Companhia das Letras:


A Bailarina Fantasma (2015)

Anabela mal podia conter a empolgação quando seu pai foi o arquiteto escolhido para coordenar uma obra no Theatro José de Alencar, em Fortaleza. A proposta era que aquela casa de espetáculos maravilhosa mantivesse as mesmas características de quando foi inaugurada há mais de um século, em 1910.

Em pouco tempo vira rotina para Anabela passar as tardes naquele teatro antigo fazendo a lição de casa enquanto o pai trabalha. Mas essa reforma acaba desenterrando mistérios escondidos há muitos e muitos anos… Para a surpresa de Anabela, uma bailarina translúcida e vestida de azul aparece dançando no palco e passeando pelos corredores, perseguindo Anabela. O que será que ela está fazendo ali? E por que será que apenas a garota consegue enxergá-la? Quem é essa bailarina e por que ela aparece?


A Cabeça do Santo (2014)

Pouco antes de morrer, a mãe de Samuel lhe faz um último pedido: que ele vá encontrar a avó e o pai que nunca conheceu. Mesmo contrariado, o rapaz cumpre a promessa e faz a pé o caminho de Juazeiro do Norte até a pequena cidade de Candeia, sofrendo todas as agruras do sol impiedoso do sertão do Ceará. 

Ao chegar àquela cidade quase fantasma, ele encontra abrigo num lugar curioso: a cabeça oca e gigantesca de uma estátua inacabada de santo Antônio, que jazia separada do resto do corpo. Mas as estranhezas não param aí: Samuel começa a escutar uma confusão de vozes femininas apenas quando está dentro da cabeça. Assustado, se dá conta de que aquilo são as preces que as mulheres fazem ao santo falando de amor. 

Seu primeiro contato na cidade será com Francisco, um rapaz de quem logo fica amigo e que resolve ajudá-lo a explorar comercialmente o seu dom da escuta, promovendo casamentos e outras artimanhas amorosas. Antes parada no tempo, a cidade aos poucos volta à vida, à medida que vai sendo tomada por fiéis de todos os cantos, atraídos pelo poder inaudito de Samuel. Em meio a esse tumulto, ele ainda irá se apaixonar por uma voz misteriosa que se destaca entre as tantas outras que ecoam na cabeça do santo.

Já consagrada por seus livros infantojuvenis, a escritora Socorro Acioli apresenta este seu primeiro romance dirigido ao público adulto, desenvolvido na oficina Como Contar um Conto, promovida por Gabriel García Márquez em Cuba.



Com a publicação de O coronel e o lobisomem, a Companhia das Letras tem o prazer de anunciar seu projeto de reedição das obras de José Cândido de Carvalho (1914-1989). 

A produção literária desse artífice da palavra ágil, do humor, de uma luxuriante imaginação e de um elenco inesquecível de personagens ganha agora uma nova roupagem, à altura de um autor que merece circular ainda mais entre os leitores de todas as idades. 

Ao longo dos próximos anos, obras como Por que Lulu Bergantim não atravessou o Rubicon, Um ninho de mafagafos cheio de mafagafinhos, Olha para o céu, Frederico! e outros títulos receberão tratamento editorial à altura de sua importância: projeto gráfico moderno e elegante, posfácios a cargo dos melhores autores e críticos contemporâneos, divulgação escolar, edições eletrônicas, antologias. 

O coronel e o lobisomem, obra-prima publicada em 1964, continua sendo até hoje um dos pilares do realismo mágico à brasileira. Adaptado com justiça ao cinema, é diversão literária para quase todas as idades. Conta a história de Ponciano de Azevedo Furtado, que enlouquece depois de deixar o campo pela cidade. Tudo isso, porém, numa linguagem viva, com situações que alternam o humor e o fantástico e com direito a sereias, onças, rabos de saia e - claro - o tal do lobisomem do título.



Publicações recentes pela Editora Gaivota/Biruta:

Aula de leitura com Monteiro Lobato (2013)

Aula de leitura com Monteiro Lobato acerta ao eleger como porta de entrada para questões de leitura a obra de Monteiro Lobato. Debruça-se particularmente sobre seus livros infantis e mais particularmente ainda sobre a adaptação lobatiana de D. Quixote. Entabulando profícuo diálogo com a melhor tradição recente dos estudos literários – Roger Chartier, Regina Zilberman e H. R. Jauss, para mencionar apenas três deles – o livro de Socorro Acioli vai, com certeza, marcar seu leitor com o selo de qualidade que marca o promissor encontro entre bons livros (como este) e seus leitores.



Inventário de Segredos (2010)

Ilustrador: Mateus Rios

O cordel O Inventário de segredos conta muitos segredos e toca naqueles nossos sentimentos mais humanos, num texto leve e muito divertido. Todos eles moram em uma pequena cidade chamada Urupemba, e suas vidas estão irremediavelmente entrelaçadas. É impossível resistir a um inventário de segredos, que revela, pela primeira vez, histórias que até então eram absolutamente secretas.






Sobre a autora: Nasceu em Fortaleza, em 1975. É jornalista, mestre e doutora em estudos de literatura pela Universidade Federal Fluminense, no Rio de Janeiro. Foi bolsista da Biblioteca Internacional da Juventude de Munique e aluna de Gabriel García Márquez, ganhador do prêmio Nobel, na oficina Como Contar um Conto, em Cuba. Escreveu diversos livros, entre eles Ela tem olhos de céu (editora Gaivota), que recebeu o prêmio Jabuti de literatura infantil em 2013.

Dartana - André Vianco | Editora Rocco | Texto por Gih Medeiros

terça-feira, 28 de março de 2017



Imagine que você um dia acorda, se levanta, veste uma roupa qualquer em modo automático e, de repente, não faz ideia de como faz para amarrar seus sapatos. Olha para suas roupas e não tem a mínima noção de como elas são feitas, que material é utilizado em sua fabricação, nem como conseguir mais delas. Sente fome, mas não tem o mais remoto conhecimento de como pode preparar uma refeição. Imagine que você passa o dia fazendo alguma atividade simples, como copiar em uma folha o que está escrito em um jornal, tentando fazer as conexões necessárias para entender os fatos narrados, até que finalmente uma cena se forma em sua mente, baseado no que acabou de copiar, e você, exultante, revive essa imagem na sua cabeça, repetidas vezes, acrescentando detalhes aqui e ali aos poucos, montando todo um cenário em sua imaginação... que se desfaz quando você dorme. Ao acordar, no dia seguinte, aquele lampejo de pensamento espontâneo se foi, tudo o que você supostamente aprendeu no dia anterior pela primeira vez se foi da sua mente, e você fica com a sensação de que algo está faltando dentro de si, mas não sabe dar nome a essa sensação, nem sabe se de fato ela é real... Assustador não?

Essa é a realidade do povo de Dartana, um planeta castigado por “uma maldição” que impede seus habitantes de absorver qualquer aprendizado que os faça evoluir em sua jornada difícil e miserável, cheia de restrições e desencanto. Para tentar acabar com essa maldição, de tempos em tempos surge um deus guerreiro que deve marchar até o Combatheon, um mundo que serve como plataforma de batalha para que os deuses que chegam de outros planetas, cujos habitantes também sofrem da mesma maldição, entrem em guerra. Mais do que a glória ou mostrar-se superior, tais deuses precisam da vitória para libertar seus planetas dessa “maldição do pensamento”.

“O deus viria para que o povo, sem saber, fizesse a única coisa que poderia fazer para encerrar a maldição do pensamento. O povo de Dartana marcharia atrás de seu deus de guerra para lutar, para combater junto ao portento divino, para fazer com que seu deus de guerra fosse o campeão contra outros tantos deuses” – pg. 10.

O exército que acompanha cada deus nessa empreitada é formado por soldados, homens que na maioria das vezes nunca pegaram em nenhum tipo de arma de combate, construtores, escolhidos entre aqueles que possuem algum tipo de habilidade natural para “montar” coisas ou “transformar” matéria prima bruta em algo útil, e as feiticeiras guerreiras, mulheres com poderes místicos que deveriam servir de interlocutoras entre o deus e os construtores e soldados durante a batalha, além de usarem seus poderes para curar os feridos.

“No chão mágico do Combatheon, os construtores estariam livres da maldição do pensamento e naquele novo lugar, ao mesmo tempo místico e sombrio, sua mente estaria livre para aprender, para entender o que as feiticeiras falavam e conseguiriam juntar os ingredientes e as peças, como se um toque do deus entrasse em sua cabeça e as fizesse entender e imitar e imitar as armas enxergadas em outras estrelas. Durante esse tempo, seria crucial que os soldados protegessem as feiticeiras, já que eram as únicas que falavam com os deuses e também as que tinham poder para curar os soldados feridos nos campos de batalha. Por isso, caso perdesse suas feiticeiras, o exército estaria condenado, pois nenhum construtor entenderia as ordens de seu deus. Se ficasse sem construtores, igualmente estaria perdido, pois nenhum soldado construiria tão rápido quanto um construtor; e se ficasse sem soldados, todo o exército desmoronaria quando fosse necessário defender o deus de guerra no momento em que ele congelasse os movimentos para se conectar com os jarros através do imenso manto de estrelas. As feiticeiras ensinavam que todos deveriam lutar por todos para manterem o deus de guerra em marcha. Um por todos e todos por um” – pg. 32.

Claro que a escolha de quem vai e de quem fica não é fácil. Sempre tem aqueles que desejam desafiar o perigo, sair de uma vida de privações e mesmice, ou aqueles que sentem em seu íntimo uma fé tão grande na vitória de seu deus que acabam se destacando dos demais e chamando a atenção das feiticeiras, que fazem a escolha dos candidatos mais prósperos entre a população. Mas há também quem não acredite em nada disso, e que na verdade crê em algo muito mais sinistro e perigoso, sussurrado por vozes estranhas em um raro lampejo de ideias: “Os deuses não deviam partir. Se eram donos de tanto conhecimento, por que não ficavam em Dartana e ensinavam sua magia e seus conhecimentos para os mortais? Os deuses, já que eram divinos, deveriam compartilhar, ter compaixão agora, antes de sumirem na luz do Portão de Batalha” – pg. 125.


Mas, uma vez ultrapassado o Portão de Batalha, não há mais volta, e os simplórios dartanas acabam sendo vítimas do tempo pois, ao chegarem ao Combatheon, a guerra já está instalada, e eles estão completamente despreparados para o que vão enfrentar, amargando derrotas, tentando lidar com a profusão de conhecimento que de repente acomete seus intelectos, e com a possibilidade de ficarem presos ali para sempre após seu exército ser dizimado junto com o deus que lhes prometeu a vitória.

Os poucos sobreviventes, perdidos em si mesmos e com parcas orientações deixadas pelo deus, precisam atravessar essa terra repleta de perigos e morte se quiserem encontrar uma maneira de voltar para casa, a agora distante Dartana. Mander, um general obcecado por vingança é quem vai lidera-los, junto a Jeliath, um jovem construtor ansioso por conhecimento; Parten e Thaidena, um jovem casal apaixonado de soldados, que temem mais do que tudo perderem um ao outro; Tazziat, uma feiticeira guerreira que não tem mais objetivos em lutar sem seu deus a guia-la, e Dabynne, uma feiticeira novata, que foi escolhida a preferida do deus de guerra, e que carrega sem saber, dentro de si, um segredo que pode ser a grande salvação de seu povo: “Sua condição única criou um elo entre a vida e a morte. Seu coração transbordará de amor e fará toda a história do seu povo mudar” – palavras do deus de Dartana, dirigidas à Dabynne – pg. 209.

Mas, para saber o desfecho dessa história eletrizante, só lendo esse que é o primeiro volume de uma trilogia que vai nos levar não apenas a nos distrair com uma fantasia digna dos maiores bardos da literatura fantástica, mas também a nos questionar sobre o poder do conhecimento e do aprendizado... Uma questão tão fundamental e tão pouco percebida pela maioria das pessoas atualmente.

Mesclando conceitos de universos múltiplos (ou multidimensionais) com a primitividade em que vivem as sociedades que não conseguem evoluir por não absorverem o aprendizado, nem conseguirem desenvolver os potenciais de suas inteligências, André Vianco mais uma vez surpreende, nesse que provavelmente é o texto mais complexo e mais detalhado de sua carreira, além de ter um enredo muito bem elaborado e cinematográfico, publicado pelo selo Fábrica 231 da Editora Rocco.

Cada detalhe desses mundos, da forma como as pessoas vivem, seus sentimentos, as batalhas físicas e mentais nas quais se envolvem, são perfeitamente visualizadas pelo leitor, que é levado para dentro dessa existência triste de um povo que mal consegue sobreviver sem o auxílio de seres místicos, como as feiticeiras, e que de repente é lançado no meio de um drama familiar, na cidade de Osasco (essa nunca fica de fora né André?), onde algumas pessoas mais sensíveis à existência desses outros mundos, servem de canal para os deuses buscarem conhecimento sobre armas e estratégias de guerra (afinal nós aqui da Terra, não sofremos da “maldição do pensamento”), mas que enquanto cedem às vozes dos deuses em suas cabeças, acabam espalhando medo e confusão pelo caminho, nesse thriller intenso e arrebatador, escrito por um autor que a cada obra, consegue ser totalmente original dentro do seu modo de escrita.

Tive o prazer e a honra de conhecer o André pessoalmente, em 2011, durante o lançamento de O Caso Laura, seu primeiro título pela Rocco. Já havia lido alguns livros dele por indicação do meu namorado na época e, depois disso, não parei mais de acompanhar as novidades que esse mago das palavras nos traz. O que posso dizer sobre a sua escrita é que ela é de uma versatilidade ímpar: cada livro seu parece ter sido escrito por uma pessoa diferente, mas ao mesmo tempo, quando se conhece o modo do André de contar histórias, você consegue reconhecer a sua marca, que é tão sutilmente estabelecida e bem desenvolvida que só os desatentos deixam passar. Mas, de uma coisa eu tenho convicção, é impossível ser desatento durante a leitura de qualquer uma das obras do André!!!



André Vianco

No insólito mundo de Dartana, os habitantes são incapazes de guardar conhecimento. Qualquer aprendizado é sumariamente esquecido quando dormem. A única esperança para acabar com este sofrimento é o nascimento de um deus guerreiro, capaz de vencer outros deuses e liberar o conhecimento para seus seguidores. Primeiro livro da nova trilogia de André Vianco, Dartana surpreende por apostar numa fantasia com ares de ficção científica, que bebe na fonte de clássicos do gênero como Star Wars. E André Vianco faz isso com enorme talento, mostrando por que é um dos grandes representantes do gênero fantasia no país.

O nascimento do deus Belenus é o sinal que todos aguardavam, a esperança de que o sofrimento pode estar chegando ao fim. E os jovens Jeliath e Dabbynne marcham junto das feiticeiras e dos soldados para o Combatheon, uma outra dimensão e uma arena onde um combate épico define a sorte de vários mundos.

A chegada em Combatheon não é como o imaginado, e agora Jeliath e seus amigos têm que lutar para sobreviver antes de pensar em salvar o seu mundo. Estranhas descobertas e inesperados reencontros fazem parte da nova realidade do grupo. Enquanto buscam novas armas através de uma estranha conexão com a Terra e a família de Gláucia e Doralice, os jovens ficam sabendo um pouco mais sobre o Combatheon, os misteriosos e poderosos deuses guerreiros e outros planetas e povos.

Em Dartana, André Vianco leva aos seus leitores uma história épica, sobre uma jornada onde a esperança não termina. Um livro recheado de ação intensa e grandes surpresas que mostra um universo incrível onde o inesperado é corriqueiro. Dartana é mais um sucesso com a marca de Vianco, agora pelo selo de entretenimento Fábrica231.

Dica de Leitura: O Filho Eterno, de Cristovão Tezza | Editora Record | Texto por Gih Medeiros

domingo, 26 de março de 2017

"O tempo. O pai tenta descobrir sinais de maturidade no seu Peter Pan e eles existem, mas sempre como representatividade. (...) Ele jamais fará companhia ao meu mundo, o pai sabe, sentindo súbita a extensão do abismo, o mesmo de todo dia (e, talvez, o mesmo de todos os pais e de todos os filhos, o pai contemporiza) - e, no entanto, o menino continua largando-se no pescoço dele todas as manhãs, para o mesmo abraço sem pontas"

No dia 21 de Março celebrou-se o Dia Internacional da Síndrome de Down. Muitas pessoas ainda enxergam a Síndrome como uma patologia/doença, mas na verdade trata-se de uma condição genética que gera características físicas em seus portadores, assim como a maioria de nós carrega em nosso DNA algumas características que nos definem fisicamente e mentalmente (sim, tem um monte de gente por aí com alterações no DNA e não fazem ideia!!! Chocante? Não se espantem, isso é o que nos torna indivíduos ímpares!!!).

Em meu trabalho, lido muito com crianças com Síndrome de Down em sua fase de desenvolvimento, assim como com outras crianças que não possuem nenhuma alteração visível, mas que ainda assim apresentam dificuldades motoras por falta de estímulos adequados.

Mas enfim, não estou aqui para falar sobre questões técnico-científicas (embora eu me empolgue com esse assunto - risos), e sim para falar de literatura. Alguém aí já leu algum livro cujo personagem fosse uma pessoa com Síndrome de Down? Em minha estante, tenho dois, mas o que realmente explora a figura de uma pessoa com Síndrome de Down é O Filho Eterno, de Cristóvão Tezza, um relato incrível de um pai que tem que aprender a lidar consigo mesmo ao descobrir que o tão esperado filho não é exatamente como ele esperava. O processo de rejeição, de busca por tratamento, o preconceito que ele próprio sente pelo filho... é tudo meio chocante à primeira lida, mas depois você começa a entender e se por no lugar desse pai que tem que aprender a se desfazer dos sonhos almejados para o seu varão tão aguardado, e a desenvolver novos sonhos onde essa pessoinha, que faz parte de quem você é, pode ser o que quiser na vida, desde que você também acredite nele e seja capaz de receber todo o amor que ele está disposto a te dar. 

É sem dúvidas um dos melhores livros que já li, do tipo que não te deixa ser a mesma pessoa depois que a leitura é finalizada, e eu deixo aqui como indicação a vocês, como uma leitura alternativa aos romances água-com-açúcar e fantasias que tanto privilegiamos para nos distrairmos das agruras diárias. Ah, caso decidam ler, não se esqueçam de deixar uma caixinha de lenços por perto... Vão precisar!!!

Uma linda semana a todos nós, beijinhos!!!
<3



Num livro corajoso, Cristovão Tezza expõe as dificuldades, inúmeras, e as saborosas pequenas vitórias de criar um filho com síndrome de Down. O autor aproveita as questões que apareceram pelo caminho nestes 26 anos de Felipe para reordenar sua própria vida: a experimentação da vida em comunidade quando adolescente, a vida como ilegal na Alemanha para ganhar dinheiro, as dificuldades de escritor com trinta e poucos anos e alguns livros na gaveta, e a pretensa estabilidade com o cargo de professor em universidade pública. 

Com precisão literária para encadear de maneira clara referências de anos e situações tão díspares, Cristovão Tezza reforça, com a publicação de O filho eterno, seu lugar entre os maiores escritores brasileiros. 

The Heart of Betrayal - Mary E. Pearson | Darkside Books | Texto por Jonatas T. B.



“Aqui, digo, pressionando meu punho cerrado nas costelas dela.
E aqui, com a mão em seu esterno.
Dou a ela a mesma instrução que me fora dada pela minha mãe.
É a linguagem do saber da criança,
Linguagem esta tão antiga quanto o próprio universo.
É o ver sem olhos,
E ouvir sem ouvidos.
Foi assim que minha mão sobreviveu naqueles primeiros anos.
Como sobrevivemos agora.
Confie na força que existe dentro de você.
E, um dia, você deverá ensinar sua filha a fazer o mesmo.”
(Os últimos Testemunhos de Gaudrel - Pág.182)


Tive o prazer de ler The Heart of Betrayal, o segundo volume de Crônicas de Amor e Ódio, uma emocionante saga romântica narrada em um universo fantástico criado por Mary E. Pearson. O livro continua a história sobre fuga de Jezelia, agora capturada por Kaden, o assassino e lado direito do Komizar que reina as terras bárbaras e estéreis de Venda. Lia (como prefere de ser chamada) é humilhada diante dos líderes de outras províncias, a despeito das tentativas de Kaden protegê-la, chegando até a ser vestida com sacos de tecido. Quando o assassino é questionado por que não a matara antes, ele argumenta que a princesa possui o precioso Dom, mas no fundo não tirara sua vida porque estva apaixonado.

A situação do príncipe Rafe, para quem tinha sido prometida a mão de Lia em casamento, também não é das mais vantajosas. Temendo que acontecesse, entregou-se disfarçado de emissário do Reino de Dalbreck para ficar mais próximo possível e proteger sua futura esposa. No entanto, Lia finge estar submetida aos desejos de Kaden, ganhando aos poucos liberdade para transitar e conhecer o reino.

Apesar de pertencer a um reinado inimigo, Lia tem a simpatia quase que instantânea do povo, seja por apreciarem a forma como conta as histórias de Morrighan, sua terra natal, ou pelo fato de ter o mesmo nome de uma personagem messiânica pertencente ao folclore das regiões mais distantes de Venda, uma mulher também chamada Jezelia. Dia a dia a jovem descobre que há muito mais nobreza do que imaginava nos ritos e costumes daquele povo bárbaro, ainda que vivessem de pilhagem e a liderança fosse sucedida com base na espada. Conforme investiga os corredores escuros e passagens secretas do Sanctum (a principal cidadela de Venda), descobre seus segredos místicos e aparições enigmáticas, provando-se a si que os antigos mitos de origem são algo mais que lendas, são uma realidade cujo destino de Lia não se poderá discernir.

Assim como o primeiro livro da série, a narrativa é em primeira pessoa alternando-se em alguns capítulos para o ponto de vista de outros personagens como Kaden e Rafe. Então, são evidentes os sentimentos e conflitos internos, o que pessoalmente me causou certa angústia, pois eu sabia claramente os objetivos dos personagens e que entrariam em conflito logo adiante. Por exemplo, as pretensões de Rafe em oposição às de Kaden pelo amor de Lia. Sempre imaginava como seria o desfecho provavelmente trágico deste impasse amoroso.

Esse novo volume é um verdadeiro jogo de engano e mentiras, cujos jogadores muitas vezes arriscam suas vidas por mero orgulho. É também um cenário grandioso a ser explorado, um mundo fantástico com a mesma proporção dos inúmeros mistérios que povoam cada floresta e corredor sombrio. Se você aprecia essas características em uma história, The Heart of Betrayal será uma ótimo opção.

Características físicas do livro: A capa dura possui arte e impressão caprichada. O design e a tipografia são bem agradáveis. Gosto muito do mapa que nesta edição está na cor vermelha-sangue. O papel é bem leve e resistente, o que facilita na leitura quando estiver deitado. Acabamento excelente, como tudo que já li da editora Darkside até hoje.


Abaixo, sinopses do segundo e terceiro volumes da série:


The Heart of Betrayal 
Mary E. Pearson

A série Crônicas de Amor e Ódio, iniciada com THE KISS OF DECEPTION, virou a queridinha dos leitores mais apaixonados. Encantou os fãs de fantasia do mundo todo - e pegou os brasileiros pelo coração.

A história de Lia inspirou muitos leitores a embarcarem em uma jornada extraordinária repleta de ação, romance, mistério e rivalidade, pintados em um universo deslumbrante criado pela premiada escritora Mary E. Pearson, que consegue - como poucos - erguer um mundo poderoso e repleto de personagens cativantes.


The Beauty of Darkness
O volume final da fantasia que arrebatou os leitores brasileiros

A trilogia Crônicas de Amor e Ódio chega ao fim de maneira arrasadora. Iniciada em The Kiss of Deception, a série encantou os fãs de fantasia - e conquistou os corações dos brasileiros.

A história de Lia inspirou muitos leitores a embarcarem em uma jornada extraordinária repleta de ação, romance, mistérios e autoconhecimento, em um universo deslumbrante criado pela premiada escritora Mary E. Pearson, onde o poder feminino é a força motriz capaz de mudar e fazer toda a diferença no novo mundo em construção.

Pré-Venda: Pedro Bandeira e Guido Carlos Levi - Melodia Mortal: Sherlock Holmes investiga as mortes de gênios da música | Editora Rocco

sexta-feira, 24 de março de 2017

Meu nome é John H. Watson, M.D. Tornei-me conhecido em todo o mundo escrevendo histórias dos outros. Na realidade, de um outro, o meu amigo Sherlock Holmes. Como testemunha, sempre estive presente em suas aventuras, mas é provável que minha figura não tenha sido marcante para os leitores, ofuscado que sempre fui pela imagem do meu biografado. No entanto, se alguém encontrar estes manuscritos, talvez não se importe de conhecer um pouco da vida de quem popularizou o morador que fez famosa a então desconhecida Baker Street, 221B.

Pedro Bandeira não é apenas um escritor, mas um (senão O) expoente da literatura infantojuvenil brasileira! É autor da série Os Karas (os idosos que nem eu certamente lembrarão com aquela saudade dos livros A Droga da Obediência e A Droga do Amor), além do clássico de A Marca de uma Lágrima e dezenas de outros títulos, felizmente ainda presentes nos catálogos das editoras.

Quem ainda não teve a oportunidade de conhecer o trabalho do autor, pode se juntar a nós e contar os dias para o lançamento de Melodia Mortal, seu primeiro trabalho de ficção adulta, escrito em parceria com Guido Carlos Levi. O projeto será publicado pelo selo Fábrica 231 da Rocco e já está em pré-venda na Amazon <3

Confira a sinopse: "Será que Mozart foi assassinado por Salieri? Tchaikovsky morreu de cólera ou envenenamento? Chopin morreu mesmo tuberculoso? E Beethoven, foi vítima do alcoolismo? A resposta, ou pelo menos algumas hipóteses plausíveis para essas perguntas, estão em Melodia mortal, estreia na ficção adulta de um dos maiores autores para o público juvenil do país. Escrito a quatro mãos por Pedro Bandeira com o médico Guido Levi, o livro examina, à luz dos conhecimentos da medicina contemporânea, os indícios possíveis sobre as mortes polêmicas de alguns grandes compositores da música clássica. E quem conduz a investigação é ninguém menos que Sherlock Holmes, auxiliado pelo seu fiel escudeiro, o doutor John H. Watson, que narra as aventuras do detetive na empreitada. Talvez não seja possível, tanto tempo depois, elucidar a causa dessas mortes que a medicina da época não foi capaz de precisar, mas a diversão é garantida neste romance cheio de teorias científicas e enigmas que formam um intricado quebra-cabeça, na tradição da melhor literatura policial."

Apenas: imperdível!!! <3


Leia um trecho de Melodia Mortal no site da Rocco :)

Os Veranistas - Emma Straub | Editora Rocco

"A partida sempre chegava como uma surpresa, não importava quanto tempo fazia que as datas vinham se aproximando no calendário. Jim havia feito as malas na noite anterior, mas, agora, momentos antes da partida agendada, sentia-se inquieto. Estava levando livros suficientes? (...) Estava levando seu tênis de corrida? (...) Em outro lugar da casa, Jim ouvia a mulher a filha em idênticos acessos de pânico de última hora, subindo e descendo às pressas as escadas, com um derradeiro item esquecido em uma pilha perto da porta.

Jim teria retirado das malas certas coisas se possível: o último ano de sua vida e os cinco anteriores, que o haviam subjulgado; o jeito com o Franny o olhava do outro lado da mesa de jantar à noite; (...) os dias monótonos que teria que preencher ad infinitum."


Férias frustradas em família. Parece título de filme dos anos 80, e poderia também ser uma breve descrição para o livro Os Veranistas, da autora Emma Straub.

Em uma narrativa meticulosa, Emma transforma em ficção o cotidiano de uma típica família americana: a história tem início com Jim, esposo e marido, atualmente afastado de suas atividades profissionais (ou seja, demitido), vivendo a chamada crise de meia idade, e fazendo as malas para uma viagem em família rumo a ilha de Maiorca, na Espanha. Passagem aérea em mãos, Jim tenta convencer sua esposa e filha de que esta é uma oportunidade em anos, e que o descanso e reencontro entre familiares e amigos será ótimo para acalmar os ânimos e reaproximá-los, afinal, apesar dos pesares (e eram muitos os pesares mesmo), ainda eram uma família, eram ainda a família Post.

É claro que uma despesa de viagem assim, em meio a uma demissão recente, só poderia ser na verdade um álibi de Jim para (tentar) colocar em prática seu plano de reconciliação, afinal, ele realmente desapontara sua esposa e filhos, e o livro segue com esta crença de que algumas semanas de paradisíacas férias farão com que Jim novamente conquiste a atenção e respeito de sua família - ou pelo menos um pouco de tranquilidade (e menos louças atiradas na parede) em sua própria casa.

Por entre malas e aeropostos, a autora nos apresenta Franny, a esposa, que, por culpa de Jim (assim acredita), carrega as amarguras (e sim, histerias) de um relacionamento de muitas décadas, mas que ainda necessário. Afinal, o que diriam os vizinhos de seu fracassso como mãe, exímia anfitriã de jantares e reuniões, e claro, esposa de Jim? Não, não, um divórcio não estava nos planos de Franny, mesmo após O Incidente (mais conhecido como "pisada de bola" de Jim), já que seu orgulho era maior que qualquer adversidade, e manter o nome dos Post seu nome e reputação era mesmo uma questão de princípio.

A terceira personagem Veranista é Sylvia, a filha recém-universitária que, muito a contragosto, embarca nesta viagem com os Post, já sabendo que um reencontro com seu irmão Bobby (o irmão mais velho e "bon vivant") e um curso intensivo de espanhol eram as "surpresas" que a aguardavam em Maiorca. Com esta "disposição" no rosto e alguns livros ena mala, Sylvia começou a rascunhar uma irônica, porém previsível, lista de afazeres pré-faculdade:

"Sylvia abriu novamente a agenda e retornou à lista que havia elaborado: Coisas para Fazer Antes da Faculdade. Até o momento, havia apenas quatro entradas: 1. Comprar lençóis extralongos. 2. Geladeira? 3. Pegar um bronzeado. (Artificial?) (Ah, me matar primeiro.) (Não, matar meus pais.) 4. Perder a virgindade. Sylvia sublinhou o último item da lista, em seguida desenhou alguns rabiscos na margem. Aquilo abrangia basicamente tudo." 

Quando em Maiorca, após alguns mapas e estradas errados, Jim, Franny e Sylvia chegaram a um vilarejo paradisíaco, onde uma paradisíaca residência os aguardava. Outros personagens também se juntaram ao trio: Bobby e sua namorada Carmen (uma mulher bonita e independente, porém muito mais velha que Bobby - Carmen fora uma espécie de chefe-supervisora de Bobby!, e nem é preciso dizer que este era um grande desgosto para Franny, não é mesmo), além de Charles (melhor amigo e confidente de Franny) e seu marido Lawrence. 

A história de Emma Straub é assim feita de minuciosos hábitos, confissões, desaforos e desejos da familia Post; Os Veranistas acaba sendo um livro extremamente detalhado, e por vezes denso, que quase se arrasta, como um relacionamento que sobrevive graças a esta desnecessária porém desmedida atenção ao nada, a cada coisinha que desfaz ou providencia o nosso caminho. Os Veranistas é então uma história sem muitas estórias (ainda que um amor de praia, um desejo de juventude e uma traição de escritório sejam alguns dos episódios quase incendiários desta viagem em família), e portanto uma espécie de (irônica) alegoria para o cotidiano de qualquer um de nós que se disponha a não mais viver sozinho.

"Apesar das circunstâncias, Franny estava satisfeita (...) por ter seus dois patinhos juntos sob seu teto mais um pouco. (...) O coração era um órgão complexo em qualquer idade. Os adolescentes não eram menos suscetíveis à verdadeira mágoa e à luxúria do que a serem atropelados por um ônibus. Na realidade, as chances eram dramaticamente mais elevadas.

(...) Franny fechou os olhos e pousou o rosto no ombro de Jim. (...) Não havia nada mais difícil ou mais importante na vida do que concordar, todas as manhãs, em manter o curso, retornar ao antigo eu, de muitos anos atrás, e tomar a mesma decisão. (...) Franny entrelaçou firmemente ambos os braços no braço direito de Jim, pronta para qualquer turbulência adiante."


Os Veranistas - Emma Straub

Uma quinzena de férias com hospedagem numa casa confortável, com piscina, em local ensolarado, repleto de praias belíssimas, na companhia da família e de amigos íntimos nem sempre corresponde a momentos agradáveis e de lazer. Em Os veranistas, a escritora Emma Straub analisa as contraditórias relações de afeto na contemporaneidade, deslocando para Palma de Maiorca, na Espanha, um grupo de sofisticados nova-iorquinos que estão vivendo uma fase de transição de suas vidas, enquanto superam traições amorosas. O resultado é um romance encantador sobre a vida em família, a amizade e o amor.

 Montando cenas incômodas, em que eclodem as pequenas rusgas permitidas pela intimidade entre pessoas que se conhecem profundamente, Emma Straub entrega os personagens ao leitor, que os recebe como membros de sua própria família. Os hábitos de cada um, que irritam ou encantam os demais, compõem essa extensa e intensa reunião de figuras notáveis, mas que são tão familiares quanto as que encontramos no dia a dia. Uma narrativa que hipnotiza o leitor por sua aparente simplicidade e, principalmente, pela profundidade do que discute: a dificuldade das escolhas numa sociedade em que todas as ligações podem ser facilmente desfeitas.

#TBT - O Pequeno Príncipe | Resenha por Jonatas T. B.

quinta-feira, 23 de março de 2017
- Eu posso levar-te mais longe que um navio, disse a serpente.
Ela enrolou-se na perninha do príncipe, como um bracelete de ouro:
Aquele que eu toco, eu o devolvo à terra de onde veio, continuou a serpente. Mas tu és puro. Tu vens de uma estrela ...
O pequeno príncipe não respondeu.
- Tenho pena de ti, tão fraco, nessa Terra de granito. Posso ajudar-te um dia, se tiveres muita saudade do teu planeta. Posso ...
- Oh! Eu compreendi muito bem, disse o pequeno príncipe. Mas por que falas sempre por enigmas?
Eu os resolvo todos, disse a serpente.
E calaram-se os dois.
 

Há pouco mais de um ano Rebeca me concedeu a oportunidade de escrever com toda liberdade resenhas a respeito de livros que de algum modo preencheram positivamente minha vida. Confesso nunca ter sido fã de resumir ou criticar ou descrever qualquer coisa de maneira objetiva feito resenhas, mas, como aqueles que acompanham Papel Papel há tempos já sabem, notei que havia algo de diferente nos textos do blog, uma qualidade especial na forma como se transmitia as ideias, algo que ia para além de aparente pessoalidade e autenticidade almejados por tantos outros. Algumas vezes acontecia de maneira sutil, outras explicitamente, mas era evidente, pois sempre me deparava com teor poético raro neste tipo de texto, o que me fez perceber não se tratar apenas de resenhas comuns, mas de pequenas peças que expressavam exatamente aquilo que uma obra de arte essencialmente pretende ao encontrar conosco: a beleza.

Isso me encorajou a escrever. Tudo que escrevi desde então foi tentativa de imitar e reproduzir o mesmo teor poético dos textos do Papel Papel. Uma das minhas maiores felicidades foi a resenha sobre O Pequeno Príncipe, de Antoine de Saint-Exupéry. “Antoine de Saint-Exupéry retorna ao deserto”. Além de ser o texto que mais gosto, depois de tê-lo escrito, recebi um convite de Rodrigo Ferreira para participar no site Nerd Geek Feelings. Entre tantas pessoas talentosas, lá conheci um sujeito com voz de galã chamado Sérgio Silva. Ele é muito importante nesta história porque foi ele quem deu vida produzindo versões em áudio de uma resenha sobre a HQ Soppy (Phillippa Rice) e uma adaptação em HQ de Coração das trevas (Conrad). E é este sujeito com voz de galã que também deu vida ao texto “Antoine de Saint-Exupéry retorna ao deserto” que vocês poderão ouvir.



 Escute a versão narrada da resenha de O Pequeno Príncipe feita em parceria com o Vooozer
uma plataforma de áudio criada para dar voz a internet.
Aperte o play, escute o áudio e dê sua opinião nos comentários :)


De certo modo esta postagem é uma carta pública de agradecimento a todos que participam do Papel Papel (Bruno Fraga, Regiane, Rafa Vieira, Giselle Passos , Rebeca) e do Nerd Geek Feelings (Raquel Pinheiro, Midian Araújo, Mariane Kelczeski, Sofia Maia, Gustavo Almeida e Emanuel Victor, Rodrigo Farias, Sérgio Delduque, Tatiana Stefani, Luiz Alexandre Andrade). Espero que apreciem esta pequena confissão sobre as inúmeras experiências maravilhosas em nossa jornada pelo universo da literatura.

Um forte abraço a todos!
Jonatas

21 de Março - Dia da Poesia | Hilda Hilst - Antologia | Companhia das Letras e José Olympio

terça-feira, 21 de março de 2017
"As pessoas perguntam sempre por que a gente escreve e eu fico pensando em todos os motivos que levam de repente uma pessoa a escrever e penso que a raiz disso em mim está na vontade de ser amada, numa avidez pela vida. Quem sabe também se não é uma necessidade de viver o transitório com intensidade, uma força oculta que nos impele a descobrir o segredo das coisas. (...) Eu fico impressionada quando ouço pessoas que dizem sentir prazer em escrever. Para mim é sofrimento, um sofrimento de que não posso fugir, mas me amedronta. Penso que escrever serve mais para perdurar, para existir fora de nós mesmos, nos outros. (...) É por isso que penso que o que me leva a escrever é uma vontade de ultrapassar-me, ir além da mesquinha condição de finitude." (Trecho de entrevista de Hilda Hilst para O Estado de São Paulo, 1975)

No Dia da Poesia, uma das notícias que mais me chamou a atenção foi a de um lançamento da Companhia das Letras (já em pré-venda na Amazon e com um grande desconto!) com toda a obra poética de Hilda Hilst. O livro de 616 páginas reúne poemas de seus mais de vinte títulos, além de inéditos, e inclui comentários críticos de Lygia Fagundes Telles, posfácio de Victor Heringer e carta de Caio Fernando Abreu para Hilda. Um dos melhores lançamentos do ano, com toda certeza!


Outro lançamento recente, também relacionado a obra de Hilda, é o livro Numa Hora Assim Escura, publicado pela José Olympio. Resultado de anos de pesquisa, o projeto da autora Paula Dip reúne cartas de Caio Fernando Abreu enviadas a Hilda Hilst entre os anos de 1971 e 1990. O projeto gráfico da obra está lindo, e conta com diversas imagens dos poetas, assim como facsimiles das cartas datilografadas e manuscritas. Aliás, este livro também está em promo na Amazon hoje, aproveitem!

Sobre  obra: "Inéditas, algumas (cartas) ainda em envelopes selados, escritas à mão em papéis amarelados, devorados por cupins, ou datilografadas, elas estavam com o poeta baiano Antonio Nahud Júnior que, assim como Caio, viveu na companhia de Hilda na Casa do Sol, que recebeu de Hilda após uma briga com Caio, quando ela queria queimar tudo para afastá-lo de vez da sua vida. Confessional e íntimo, o conteúdo dessas correspondências revelou a grande amizade e o verdadeiro caso de amor literário entre os dois. Numa hora assim escura é uma reunião de cartas repletas de expressão e a transcrição do laço entre esses dois grandes escritores, que Paula nos apresenta com a sensibilidade de sempre."



Alguns excertos de poemas de Hilda Hilst:



II

Tateio. A fronte. O braço. O ombro.
O fundo sortilégio da omoplata.
Matéria-menina a tua fronte e eu
Madurez, ausência nos teus claros
Guardados.
Ai, ai de mim. Enquanto caminhas
Em lúcida altivez, eu já sou o passado.
Esta fronte que é minha, prodigiosa
De núpcias e caminho
É tão diversa da tua fronte descuidada.
Tateio. E a um só tempo vivo
E vou morrendo. Entre terra e água
Meu existir anfíbio. Passeia
Sobre mim, amor, e colhe o que me resta:
Noturno girassol. Rama secreta.

 (Em: Prelúdios-intensos para os desmemoriados do amor)



XIII

Ávidos de ter, homens e mulheres
Caminham pelas ruas. As amigas sonâmbulas
Invadidas de um novo a mais querer
Se debruçam banais, sobre as vitrines curvas.
Uma pergunta brusca
Enquanto tu caminhas pelas ruas. Te pergunto:
E a entranha?
De ti mesma, de um poder que te foi dado
Alguma coisa mais clara se fez? Ou porque tudo se perdeu
É que procuras nas vitrines curvas, tu mesma,
Possuída de sonho, tu mesma infinita, maga,
Tua aventura de ser, tão esquecida?
Por que não tentas esse poço de dentro
O incomensurável, um passeio veemente pela vida?

Teu outro rosto. Único. Primeiro. E encantada
De ter teu rosto verdadeiro, desejarias nada.


(Em: Poemas aos homens do nosso tempo)



Sobre a autora: "Hilda Hilst (1930-2004) foi uma ficcionista, cronista, dramaturga e poeta brasileira, considerada pela crítica especializada como uma das maiores escritoras em língua portuguesa do século 20.

Hilda iniciou sua produção literária em São Paulo, com o livro de poemas Presságio (1950). Em 1965, ela se muda para Campinas e inicia a construção da Casa do Sol, para ser um porto seguro de sua criação. É na Casa do Sol que Hilda dedica-se exclusivamente ao trabalho literário, realizando ali mais de 80% de sua obra. Em 1967, ela estreia na dramaturgia e em 1970, na ficção, com Fluxo floema.

Dona de uma linguagem inovadora e abrangente, Hilda produziu mais de quarenta títulos, entre poesia, teatro e ficção, e escreveu por quase 50 anos, recebendo importantes prêmios literários do Brasil. Criadora de textos em que Atemporalidade, Real e Imaginário se fundem, e os personagens mergulham no intenso questionamento dos significados, buscando compreensão e encontro do essencial, Hilda retrata sem cessar a frágil e surpreendente condição humana.

Muitos de seus livros tiveram as edições originais esgotadas. A partir dos anos 2000, a Globo Livros reeditou sua obra completa, e em 2016 os direitos de publicação passaram para a Companhia das Letras. Hilda já ganhou traduções em países como Itália, França, Portugal, Alemanha, Estados Unidos, Canadá, Argentina.

O acervo pessoal deixado pela escritora se divide, hoje, entre a Sala de Memória Casa do Sol — onde há, inclusive, produções inéditas — e o Centro de Documentação Cultural Alexandre Eulálio da Universidade Estadual de Campinas (Cedae-Unicamp)." 

(texto retirado do site do Instituto Hilda Hilst)

Cadu e Mari - A. C. Meyer | Galera Record

segunda-feira, 20 de março de 2017

"Uma angústia toma conta do meu peito e fico pensando por que eu estava indo para casa se tudo o que queria era ficar com ela. Sim! Eu queria ficar colado nela o máximo que pudesse. Sentir seus beijos, seu corpo contra o meu, ouvir sua risada e vê-la adormecer novamente. Decidido, ligo o alerta e faço o retorno mais próximo, em direção à casa dela. Sorrindo, chego à conclusão de que essa foi a minha melhor ideia de todos os tempos!"

Cadu e Mari é o primeiro romance de A. C. Meyer ambientado no Rio de Janeiro, esta cidade de inúmeros contrastes, onde a poucos metros de distância é possível encontrar pessoas de universos muito distintos, e que fora das páginas de um romance talvez não imaginassem verdadeiramente se encontrar.

E pra falarmos desse amor de além-mar (ou melhor, para além do túnel que divide a cidade), é preciso dizer que Cadu e Mari são personagens que carregam em suas atitudes e personalidades um pouco da característica dos bairros em que habitam: por exemplo, é bem comum o hábito do esporte e da aparência-de-verão nos jovens de regiões litorâneas, assim como o costume de se divertir pelos diversos bairros que contornam o balneário; já para o habitante da zona norte (ou seja, aquele que precisa pegar um bom trânsito ou pelo menos metrô e ônibus para chegar até a praia), é bem maior o lazer e convívio em sua própria vizinhança, especialmente quando há essa proximidade de quarteirão entre famílias e melhores amigos - afinal, nada como uma conversa na praça, no portão de casa ou no barzinho da esquina. E como esse contraste entre a capital e o interior é uma característica comum à maioria de nossas cidades, este é um dos primeiros pontos que irão aproximar o leitor da história de Cadu e Mari, personagens cujo cotidiano e dramas são assim bem parecidos como os nossos, inclusive quando o amor resolve atravessar o caminho.

À primeira vista, se nos concentrarmos apenas na sinopse do livro, é bem provável que algum capítulo de novela venha à nossa mente (e não apenas pelo encanto da paisagem carioca, mas pelo conhecido enredo do "desejo proibido" vivido por seus personagens), e com ele as seguintes perguntas: é possível viver um romance legítimo em meio a diferenças sociais e estreitas relações de trabalho e poder? E como pode o amor sobreviver aos conflitos e ambições cotidianas, assim como às opiniões e preconceitos de nossos familiares e amigos? Cadu e Mari é com toda certeza uma história que fortalece o que há de bom do amor, porém, assim como em diversos momentos da série After Dark, A. C. Meyer nos traz de volta à crueldade das relações humanas, e a cada capítulo nos lembra o quanto somos vulneráveis, sujeitos às impressões do próximo, e sempre fugindo ao que o nosso próprio coração aos gritos tenta nos dizer.

Histórias como as de Cadu e Mari são também uma alegoria para as situações inesperadas de nossos dias, assim como para o inevitável de nosso destino; afinal, pode parecer óbvio, mas como viver um romance sem que este contamine todo o nosso cotidiano, atitudes e discurso? É impossível não ver a pessoa amada em tudo, e ser assim exagerado, todo declarações e desejo... Com este indefinido porém pulsante sentimento em mãos, facilmente nos encontraremos na voz de A. C. Meyer, cuja cumplicidade ressoará em todo aquele que em algum momento já se sentiu tumultuadamente apaixonado.

E por falar em 'tumulto', lá pelo meio da trama o leitor encontrará um episódio que poderá colocar em xeque toda a relação construída por Cadu e Mari; como uma espécie de 'choque de realidade', este incidente fará com que ambos os personagens sejam confrontados pela instabilidade de suas paixões, assim como por seus medos e dúvidas a respeito do que sentem enquanto casal.

Quem já conhece a autora pode ter a certeza de encontrar em Cadu e Mari a imagem de um par que irá a todo custo lutar por sua felicidade; aos novos leitores, permitam-se a experiência de acreditar que o melhor ainda está por vir, e que até mesmo nas situações mais impossíveis algo grandioso poderá acontecer. Eu sei que a gente cresce e deixa de entender a lógica do amor, e por vezes o amaldiçoa, e desaprende até a amar; histórias como as de A. C. Meyer nos encorajam então a perceber que não é preciso ter os olhos perfeitos para perder-se no olhar de alguém - afinal, enquanto houver cumplicidade, será possível enxergar além do horizonte, e quem sabe, em meio a um novo episódio de amor, finalmente nos encontrar.



Cadu e Mari

Uma história cheia de romance, humor, música e as paisagens arrebatadoras do Rio de Janeiro como cenário. Da autora da série After Dark.

Mariana trabalha em uma badalada revista de moda. Tem um bom salário, é muito competente... E tem uma queda pelo chefe, daquelas bem poderosas. Eles vivem em mundos completamente diferentes, e Mariana sabe que nunca acontecerá nada entre os dois. Até que Carlos Eduardo repara que sua secretária é muito, muito bonita. O amor entre os dois é arrebatador, e Cadu e Mari sentem que nasceram um para o outro. Mas as coisas logo começam a desandar. Talvez Cadu ainda não esteja preparado para confiar em uma pessoa que teve uma vida tão diferente da sua; talvez Mari ainda não se sinta segura em dividir sua realidade com o chefe. Para viver esse amor, os dois precisarão enfrentar preconceitos e vencer intrigas. Será que estão prontos?


A menina que não acredita em milagres | Editora Novo Conceito | Texto por Mayara Nascimento


Campbell ou Cam, como todos a chamam, tem 17 anos e está no último ano do colégio. Nada de anormal para uma adolescente, exceto pelo fato de ela enfrentar há sete anos um câncer que não a abandona e que agora está prestes a por um fim em sua vida. 

“A ciência não era suficiente agora, o que você precisa é de um milagre” (p. 28)

Cam tem uma personalidade forte; mesmo sabendo que pode morrer em breve, ela se fechou para o mundo, deixando os sentimentos bons bem guardados. Por fora ela só demonstra indiferença em relação à doença, muita ironia e um humor negro (que é o que faz a gente dar algumas risadas mesmo em meio a tanto drama). 

Ao longo desse tempo de tratamento, ela conheceu Lilly (que também estava com câncer). Unidas pela mesma doença, elas se tornaram melhores amigas, e tentavam aproveitar ao máximo os momentos. Juntas em um acampamento, e por incentivo de Lilly, elas fizeram uma lista denominada Lista do Flamingo, onde cada uma delas iria listar coisas para fazer quando se curassem do câncer (isso quando ainda não sabiam que não teria mais cura para elas). 

Até então, a lista de Cam estava esquecida, mas por acaso ela a achou no dia em que recebeu seu diagnóstico, e decidiu começar a realizar cada item que escrevera ali -dentre eles estava perder a virgindade, roubar, beber cerveja, etc. 

A família de Cam não conseguia aceitar que era o seu fim, tinha de haver algum tratamento alternativo, tinha que ter alguma coisa que pudessem fazer, tinha que existir um milagre. Mas, Cam não acredita em milagres. Ainda assim, sua mãe, Alicia, encontrou informações sobre uma “cidade mágica” chamada Promise, que segundo relatos já havia curado muitas pessoas.

“A esperança minha amiga, é a própria recompensa” (p. 154)

Não tinha tempo a perder, então, as três (contando com a irmã mais nova de Cam) partiram para um verão de probabilidades. 


Promise realmente parecia mágica, tinha um pôr do sol maravilhoso e a maresia trazia cheiro de vida. Lá Cam fez novos amigos, arrumou um emprego e conheceu Asher – neto dos fundadores da cidade, um rapaz simples e encantador – talvez a magia do lugar estivesse nele.

Em Promise, Campbell percebeu que o câncer não era tudo o que restara em sua vida e, mesmo que não tenha se tornado a pessoa mais otimista do mundo, ela passou a fazer o possível para não por fim ao otimismo das pessoas que amava. 

“O amor, Cam tinha de admitir, poderia ser real. E o amor permanece”. (p. 200)

Entre risos e lágrimas, li esse livro pensando nas oportunidades... Que muitas vezes escapam por que simplesmente desistimos de nós. Mas, esquecemos que sempre existe quem não desiste da gente nunca. E talvez seja isso o que podemos chamar de milagres – o amor, a empatia, a gentileza. Esse YA não é simplesmente uma história de amor adolescente, é uma história de amor pela vida. 

Por fim, gostaria de me apresentar: Me chamo Mayara Nascimento e expresso o meu amor pelos livros lá no Instagram literário @surfandoempaginas. Deixo aqui o meu muito obrigada a Rebeca pelo convite de resenhar esse livro para vocês! Espero que gostem! 


A menina que não acredita em milagres
Wendy Wunder

Sinopse: Campbell tem 17 anos. Ela não acredita em Deus. Muito menos em milagres

Cam sabe que tem pouco tempo de vida, por isso quer viver intensamente e fazer tudo o que nunca fez, no tempo que lhe resta. Mas a mãe de Cam não aceita o fato de perder a filha, assim, ela a convence a fazer uma viagem com ela e a irmã para Promise um lugar conhecido por seus acontecimentos miraculosos.

Em Promise, Cam se depara com eventos inacreditáveis, e, também, com o primeiro amor. Lá encontra, finalmente, o que estava procurando mesmo sem saber.

Será que ela mudará de ideia em relação à probabilidade de milagres?

A Menina que não Acredita em Milagres vai fazer você rir, chorar e repensar sua conduta de vida.

Uma semana e(m) um dia #20

domingo, 19 de março de 2017
No post de hoje, Bruno, Rafa, Rebeca e Regiane compartilham dicas de filmes, música e livros.


Bruno

Não sou cinéfilo. Meu interesse por cinema não é inexistente, mas muito seletivo, entretanto, venho aqui no post de hoje mais do que falar sobre o filme que assisti essa semana, e sim falar sobre como um filme pode expandir nossa compreensão acerca de livros que tenhamos lido, mesmo quando o filme não é bom. Vou exemplificar:

Um dos meus livros favoritos é Heart of Darkness (Coração das Trevas) de Joseph Conrad, e o filme mais famoso adaptado desta obra é o excelente Apocalypse Now, de Francis Ford Copolla, um clássico que soube captar muito bem os aspectos psicológicos do livro, entretanto, com roteiro e cenários que em nada parecem o do livro. Graças a um amigo, descobri também que existia um filme que (teoricamente) era mais fiel ao livro desde o título: Heart of Darkness, de 1993 do diretor Nicolas Roeg, um filme exclusivo para Tv. Bem, não vou falar que o filme é muito bom, eu diria que ele é no máximo competente, porém, mesmo um filme que não surpreenda pela qualidade trouxe pontos interessantes para quem já leu o livro, afinal, estamos recebendo toda uma nova perspectiva (do diretor) sobre algo que gostamos (o livro), não só pela questão visual, mas os dialógos, o enfoque, os detalhes adicionados e removidos etc que podem complementar a interpretação sobre a leitura prévia. Acredito que muita gente faça isso, e recomendo que continuem; após ler seu livro favorito, vá dar uma olhada se existe uma versão em filme, nem que seja pra assistir com intuito de reclamar depois.


Rafa

Minha leitura atual O orfanato da Srta. Peregrine para crianças peculiares, do autor Ransom Riggs, publicado pela Intrínseca. Estou cada vez mais apaixonada por esse livro, a história é mágica, envolvente e cheia de aventuras e perigos. Como sabem, esse livro virou o filme O lar das crianças peculiares, de Tim Burton, então, se você viu o filme, já sabe que o livro é melhor ainda!! Essa é uma ótima dica para essa semana, embarcar no passado e enfrentar os perigos no presente. Bom fim de semana e até a próxima!!

Sinopse: Jacob Portman cresceu ouvindo as histórias fantásticas que o avô, Abe, contava. Na época da Segunda Guerra Mundial, o avô havia morado numa ilha remota, num casarão que funcionava como abrigo para crianças. Lá, Abe convivera com uma menina que levitava, uma garota que produzia fogo com as mãos, um menino invisível... Entretanto, todas essas histórias foram perdendo o encanto à medida que Jacob crescia. Até que, aos dezesseis anos, tudo volta à tona para se provar real.

Abalado com a morte misteriosa do avô, Jacob decide ir à tal ilha para tentar entender as últimas palavras de Abe: "Encontre a ave. Na fenda. Do outro lado do túmulo do velho." Ele encontra o casarão em ruínas, mas, ao passar por um túnel subterrâneo, o menino se vê em outra época, décadas atrás: em 3 setembro de 1940. Nesse lugar protegido no tempo, ele conhece crianças com habilidades peculiares e encontra as respostas para todas as suas perguntas. Mas o fascínio inicial logo se transforma em uma luta para sobreviver e salvar a vida de seus novos amigos.

Viagens no tempo, mulheres que se transformam em aves, crianças com dons inusitados e monstros à espreita. Bem-vindo ao lar da srta. Peregrine para crianças peculiares, um fascinante mundo novo pronto para ser descoberto.



Rebeca

Não é a primeira vez que compartilho minha admiração por Humberto Gessinger e pelo legado e contribuição da banda Engenheiros do Hawaii para a história do rock brasileiro. Gosto demais das composições e letras do Humberto, assim como de sua voz, que felizmente mantém seu vigor, mesmo após 30 anos de carreira. Assistir a um show assim histórico foi como uma silenciosa realização, onde a nostalgia das canções que eu desde sempre ouvi se conectavam com minha apreciação de hoje, já adulta, e com inúmeras memórias e sentidos adicionados às letras que antes eu cantava apenas por sua melodia. A foto acima foi tirada a alguns bons metros de distância do palco (não consegui chegar tão cedo pra ficar pertinho do palco, snif) e mostra o formato atual dos shows do Gessinger, que continua tocando baixo e guitarra e gaita e até sanfona em suas apresentações, acompanhado pelo baterista Rafa Bisogno e o guitarrista Nando Peters (com o perdão do comentário, mas que guitarrista fraco ao vivo! Realmente não sei como o Humberto o convidou para os shows). Quanto ao repertório do show, o destaque foi para um dos discos mais conhecidos dos Engenheiros, A Revolta dos Dandis, de 1987, e também incluiu canções de diversos momentos da carreira do Humberto, como Eu que não amo você, Faz parte, Era um garoto que como eu amava os Beatles e os Rolling Stones... Nostalgia pura! <3 Enfim, espero ter a oportunidade de assistir mais um show do Humberto, e que dessa vez não demore 30 anos pra que isso aconteça rs.


Regiane

Amizade é uma coisa tão maravilhosa que sempre nos acolhe e conforta nos momentos certos, ainda que não se saiba o bem que está sendo feito ao enviar um singelo pacote pelos correios, com um presentinho de aniversário que chegou uma semana depois, mas na hora mais necessária!!!

Dentro desse pacote veio uma ecobag (tipo, eu nunca disse isso aqui, mas eu amo ecobags, tenho várias!!!!) da Rocco com a capa de The Crave, novo sucesso de Verônica Roth, os livros Dartana (do querido André Vianco, mestre do terror e sobrenatural nacional!!!!), publicado pelo selo Fábrica 231 da Rocco e Branco como a Neve de Salla Simukka (parece um suspense de vampiros com essa capa, certo? Mas só parece!!!!) publicado pela Novo Conceito e ambos terão resenhas aqui em breve ;)

Também veio um livro lindo de um autor nacional, Daniel Duarte, que é o criador do Ig Siga os Balões que é cheio de mensagens fofas e inspiradoras, e acaba de lançar o livro baseado em suas postagens!!!! E claro que pra completar a alegria do meu coraçãozinho, não podia faltar mimos de papelaria né? Uma paixão em comum com a amiga que me enviou tudo isso <3 tem adesivos, post-it e um caderninho exclusivo e personalizado!!!

Só quero dizer, muito obrigada Reb pelo carinho e pela amizade nesse tempo em que nos conhecemos, e por abrir espaço aqui no blog para meus devaneios, leituras, opiniões críticas e discussões sobre tudo e sobre nada. Fazer parte da equipe Papel Papel foi uma das melhores coisas que me aconteceram nos últimos tempos e todos os dias eu agradeço a Papai do Céu pela sua vida!!! <3

Boa semana e boas vibrações galera! E lembrem-se de agradecer pelas verdadeiras amizades que a vida nos traz! Beijinhos!!!

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