sábado, 8 de abril de 2017

Branco como a Neve, de Salla Simukka – Trilogia da Branca de Neve, volume 2 | Novo Conceito | Texto por Gih Medeiros



Engraçado como o nome de um livro e sua capa podem nos enganar sobre o seu conteúdo não é mesmo? Quando Branco como a Neve, da autora finlandesa Salla Simukka, publicado no Brasil pela Editora Novo Conceito chegou, olhando apenas para a capa, pensei que se tratava de uma história de vampiros (é, a imaginação aqui é fértil – risos). Depois, ao olhar a contracapa e ver escrito no alto “A trilogia da Branca de Neve”, pensei que era uma adaptação moderna do clássico conto da garota mais bonita do reino que precisa fugir para uma escura floresta antes que seja morta a mando da madrasta, que tem muita inveja de sua beleza natural – vamos combinar que os contos de fadas não são tão legais depois que a gente cresce e deixa de prestar atenção somente nas partes musicais e no felizes para sempre!!! Nenhuma dessas impressões se confirmou!

Ao pesquisar sobre o primeiro livro, já que não o li anteriormente, descobri que a Branca de Neve dessa história, é a jovem Lumikki – que em finlandês significa Branca de Neve! Surpresa!!! – uma garota com um passado de sofrimento devido a segredos familiares, bullying na escola e o terror vivido nas mãos de um grupo mafioso. Após a resolução da situação em que ela se envolveu por pura falta de sorte e muita curiosidade, Lumikki só quer ser uma garota comum e se misturar aos turistas que invadem a cidade de Praga no verão, enquanto tenta driblar as tentativas da família de aproximação, agora que ela está de férias e não há empecilhos para que ela os visite.

Mas, Lumikki é uma dessas pessoas que atraem problemas, por mais que tente fugir deles. Durante um passeio, a jovem é abordada por uma moça alguns anos mais velha que ela, lhe dizendo em sueco que é sua irmã. Assim como Lumikki, nós leitores ficamos, “tipo, oi?”. Só que a história da garota desperta lembranças antigas em Lumikki, lembranças essas um tanto sombrias (no melhor estilo pesadelo mesmo!!!), ainda que sua atitude seja extremamente suspeita – afinal, quem te convida pra uma conversa e de repente sai correndo? Quem te convida a ir à sua casa e quando chega no portão diz que você não é bem vindo naquele momento?


Confuso? Sim. Antes que se dê conta do que realmente está acontecendo, Lumikki se vê envolvida em uma seita religiosa perigosa, e se une a um jornalista de caráter duvidoso que está em busca de um grande furo de reportagem para alavancar sua carreira. Muitos são os perigos que a dupla vai enfrentar, mas Lumikki não teme o perigo nem a morte... Teme não ter respostas a perguntas que não podem ser feitas em voz alta. Teme a opressão de não conseguir esquecer o toque de alguém que partiu seu coração há muito tempo. Teme não conseguir se sentir em casa, em lugar algum.

“Saudade era um sentimento com o qual era difícil viver em paz. Ela não pedia permissão. Não se importava com hora nem lugar. Era desmedida e exigente, gananciosa e egoísta. Ela turvava os pensamentos ou os tornava demasiadamente claros, demasiadamente nítidos. A saudade queria que Lumikki se submetesse incondicionalmente” (p. 59)

O tema dessa história parece ser bem interessante, mas o achei pouco desenvolvido. Acostumada com os detalhes que Dan Brown nos fornece em seus suspenses similares a esse, foi difícil não fazer um comparativo. Há uma grande falta de informações mais concretas, já que o desenrolar da história é rápido e dinâmico, o que para os leitores que não gostam de enredos muito descritivos, é favorável, a leitura é bem rápida e limpa. Mas, achei que faltou um pouco mais de desenvolvimento nos acontecimentos e um link maior entre eles. O ponto mais forte do livro a meu ver, foi o gancho para o próximo volume, Preto como o Ébano, que ainda não foi lançado, e que promete responder muitas das nossas dúvidas e das de Lumikki também. Aguardemos o final da jornada dessa Branca de Neve, que de princesa não tem nada, mas que já passou por situações tão cruéis quanto a sua xará do mundo de contos de fadas.

 


Recuperando-se do terror que vivenciou nas mãos da máfia, Lumikki tem a chance de deixar a Finlândia, se livrando das roupas pesadas, das lembranças sombrias... e do perigo. Ela só quer ser uma garota normal, misturar-se à multidão de turistas e aproveitar as férias.

Quando Lumikki conhece Zelenka, uma jovem misteriosa que alega ter o mesmo sangue que ela, as coincidências são inquietantes. Rapidamente ela se vê envolvida no mundo triste daquela mulher, descobrindo peças de um mistério que irá conduzi-la a uma seita secreta e aos mais altos escalões do poder corporativo.

Para escapar dessa trama asfixiante, Lumikki não poderá fazer tudo sozinha. Não desta vez.

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