segunda-feira, 31 de julho de 2017

Gênios também amam #2 | O Teorema Katherine - John Green | Por Mich Fraga


"Havia espaço suficiente para ser qualquer pessoa – qualquer uma, exceto a que ele já fora, porque se tinha uma coisa que Colin tinha aprendido, era que não se pode impedir o futuro de acontecer. E pela primeira vez na vida, Colin sorriu pensando no futuro infinito que se descortinava à sua frente."

Continuando com a nossa coluna sobre “os gênios também amam”, a resenha da vez é O Teorema Katherine que, apesar de não ser nenhum lançamento, é um livro o qual eu nunca havia dado uma chance com receio do título (e tenho amigos que são fãs do autor que também não haviam lido esse livro pelo mesmo motivo) haha. Então, essa coluna veio muito a calhar, pois me deu a oportunidade de ler histórias que naturalmente eu não leria.

O Teorema Katherine conta a história do Colin que é fissurado pelo nome Katherine e já namorou 19 garotas com esse nome... Bem, na verdade nenhum desses namoros foi bem sucedido, mas o Colin é um garoto super inteligente e muito focado, ele se apropria de suas frustrações amorosas para criar um teorema que cataloga as pessoas de duas formas.

Assita a vídeo resenha e confira.


E você? Já leu esse livro? Conhece algum outro livro com essa temática? Deixe seu comentário que eu vou adorar saber.

Até a próxima!
domingo, 30 de julho de 2017

Nossa Música - Dani Atkins | Editora Arqueiro | Texto por Regiane Medeiros


– Como você soube que ele estava aqui? Quem contou?
– Eu... Eu estava em casa... A polícia me avisou – respondeu Ally. – Encontraram meu número na carteira dele. O que você está fazendo aqui, Charlotte?
Por um momento as palavras dela me deixaram sem fala. Ela estava delirando? Era ela que não devia estar na sala. Era ela a intrusa.
– Por favor, vá embora. Seu lugar não é aqui – declarei.
– Não faço a menor ideia do que você está falando, mas é claro que meu lugar é aqui. O homem que eu amo está lutando pela vida, onde mais eu deveria estar?
– Ele não é seu marido. É meu! – gritei, a voz embargada enquanto as lágrimas que eu não queria que ela testemunhasse começavam a rolar.
Os olhos de Ally se arregalaram, incrédulos. Ah, claro, como se ela não soubesse que tínhamos nos casado.
– David? – perguntou ela, trêmula, e, só de ouvir o nome dele em sua boca, já sentia ódio. – David está aqui? Neste hospital? Nesta emergência?
Seus olhos  fitaram os meus e, dentro deles, vi o reflexo de meu próprio ceticismo diante do que o destino  fizera mais uma vez: nos reunira de forma implacável, sem que pudéssemos fugir.
– Não é por causa do seu marido que eu estou aqui. É por causa do meu – explicou Ally.

Conforme o tempo vai passando e a gente amadurece, olhamos para trás com um olhar mais brando, mais gentil. Mas algumas lembranças, algumas marcas, nós evitamos porque nos causam uma dor tão familiar quanto no primeiro momento em que a sentimos, e nenhum de nós quer se manter preso a uma dor dessas, ainda que ela se torne uma velha conhecida.

Mas, como você lida com algo ou alguém  que te machucou tanto, quando o destino lhe coloca frente a esse alguém de maneira que não possa se esconder? E em uma situação em que novas feridas podem ser abertas? Como a gente encara o passado sem perder o que construímos no presente?

Não existe resposta certa a essas perguntas e esse é o dilema apresentando em Nossa Música, livro mais recente da autora londrina Dani Atkins e publicado pela Editora Arqueiro. A autora teve ótimo acolhimento do público com seus livros anteriores, Uma Curva no Tempo (2015) e A História de Nós Dois (2016), ainda não lidos por mim – o que eu pretendo remediar em breve!!!

O início dessa história já é um tremendo baque. Temos dois homens em situações distintas, que acabam parando na emergência de um hospital, correndo sério risco de vida. Suas esposas, cada uma em um momento particular – uma cuidando de afazeres domésticos, enquanto a outra faz as unhas em um salão chique – são notificadas e correm para esse hospital o quanto antes. O que elas não imaginam, é que esse encontro vai catalisar uma volta ao passado, algo que ambas não desejariam nem em seus momentos de maior força interior.


David foi o primeiro amor de Ally, em uma época da juventude de ambos em que ambos não tinham muita maturidade para realmente levar um relacionamento a sério, a ponto de passar por cima de medos e mal entendidos e o rompimento deixou aos dois magoados e com um pedaço de seus corações permanentemente ligados ao outro. Eles conseguiram seguir em frente, Ally casando-se com Joe e David com Charlotte, em relações aparentemente mais harmônicas e livres de grandes conflitos.

Oito anos se passam desde o último encontro eles, mas nenhum dos dois conseguiu de fato superar a perda do primeiro amor, ainda que estejam felizes com suas vidas atuais e cheios de planos para o futuro. Um futuro que parece não mais existir diante da gravidade do presente.

David sofre um ataque cardíaco e precisa ser socorrido rapidamente, enquanto Joe, em um momento de solidariedade e responsabilidade, acaba caindo em um lago congelado, chegando ao hospital em estado gravíssimo devido à hipotermia e afogamento sofridos.

A vida de ambos corre perigo e um infeliz acaso acaba reunindo as duas mulheres, que nunca perdoaram uma à outra pelo que houve no passado. 

"Entre nós havia tanto combustível para desavenças que a mais íntima centelha poderia desencadear uma explosão, algo que nenhuma das duas era capaz de lidar no momento."

Porém, conforme a noite passa e ambas não conseguem fugir da presença uma da outra, acabam revivendo o passado de dor, mas também acabam amadurecendo os próprios sentimentos e tomam decisões que vão afetar não só suas vidas, como a de todas as pessoas que as rodeiam.

"Parece que algo, como um arame farpado invisível, nos mantém amarrados todos juntos. Você acha que já passou, acha que está livre, mas, se correr muito na direção oposta...bem, ele corta você."

Com muita sensibilidade e delicadeza, Dani nos envolve na vida dessas quatro pessoas, que bem poderiam ser nossos amigos, nossos familiares ou nós mesmos, tornando essa uma leitura de aprendizado e reflexão profunda, que nos deixa pensando e pensando e pensando, por muito tempo depois de finalizado o correr dos olhos pelo texto, deixando um aperto no coração ao nos imaginar na pele de qualquer um deles. Para seguir em frente, só respirando muito fundo mesmo!!!!

"Nós nos despedimos daqueles que amamos milhares de vezes durante a nossa vida: a cada vez que saem pela porta de casa, a cada vez que desligamos o telefone, a cada aceno de adeus. Só não sabemos qual dessas despedidas será a derradeira. Não é para sabermos."



Ally e Charlotte poderiam ter sido grandes amigas se David nunca tivesse entrado em suas vidas. Mas ele entrou e, depois de ser o primeiro grande amor (e também a primeira grande desilusão) de Ally, casou-se com Charlotte. 

Oito anos depois do último encontro, o que Ally menos deseja é rever o ex e sua bela esposa. Porém, o destino tem planos diferentes e, ao longo de uma noite decisiva, as duas mulheres se reencontram na sala de espera de um hospital, temendo pela vida de seus maridos. Diante de incertezas que achavam ter vencido, elas precisarão repensar antigas decisões e superar o passado para salvar aqueles que amam. 

Com a delicadeza tão presente em seus livros, Dani Atkins mais uma vez nos traz uma história de emoções à flor da pele, um drama familiar comovente que não deixará nenhum leitor indiferente.
sexta-feira, 28 de julho de 2017

Livros para Ler no Inverno | Por Mich Fraga


Somente agora em julho que o frio resolveu dar as caras e o inverno coincide justamente com o período de férias escolares. Melhor que isso, só aproveitar as férias lendo um bom livro debaixo das cobertas acompanhado de uma caneca de chocolate quente!

Neste vídeo selecionei cinco livros que são a cara do inverno, cujas narrativas são rápidas e empolgantes. Provocando frio na espinha, ou calorzinho o coração, estes são livros que você não pode deixar de conhecer.

Confira o vídeo e aproveite um pouquinho do frio das férias para colocar a leitura em dia ;)



E você? Qual livro você acha que é a cara do inverno? Deixe a sua indicação de leitura, vou adorar descorir!

Até a próxima.
quinta-feira, 27 de julho de 2017

Fazer nada também pode ser uma boa opção - Converse com o seu Vazio | Por Marcelo Marchiori



Para não perder tempo, vamos começar esse ensaio de forma prática. Quero que pegue uma folha em branco e coloque um lápis ou uma caneta ao lado dela. Para que o artigo seja mais bem aproveitado é muito importante que, mesmo que você não realize essa tarefa concretamente, tenha essa imagem em pensamento.

Uma folha em branco, com uma caneta ao lado, nos induz ao preenchimento desse vazio, não é? Pois bem, é para fazer exatamente o inverso. Hoje iremos aceitar o vazio.

Esse vazio é o vazio que existe em sua vida. Aquele bloqueio criativo, aquela carência insaciável, aquele silêncio incômodo... enfim, essa folha em branco é o reflexo de todos aqueles momentos em que a melancolia do nada se abateu sobre você. O nosso velho e conhecido tédio existencial.

Peço para realmente não enrolar. Observe bem esse vazio, note como ele é capaz de incomodar, como bate aquela vontade de preenchê-lo com alguma coisa...qualquer coisa parece ser melhor que lidar com o vazio.

Ele dói, não é?

E então? Com o que você normalmente preenche os seus “nadas”?  Comida, sexo, trabalho, compras, autoajuda... Note bem o formato do seu vazio, o que cabe dentro dele? Quais são os seus contornos? Ele tem fim?


A conclusão ocidental de que “a natureza abomina o vácuo” causou erroneamente a ideia de que devemos também odiar o vazio. Tudo aquilo que não for preenchido de função prática (ganhar dinheiro, trazer mais foco, te fazer mais forte) não teria sentido.

Se não há vazio, não há espaço para se colocar o novo. Tornamo-nos acumuladores existências, lotados de tralhas afetivas que não precisamos e que, há muito tempo, não sabemos para que servem (não estariam elas, então, vazias de sentido?). Portas mentais atravancadas de quinquilharias, relacionamentos falidos, restos de comida pouco nutritivas.

Teu vazio não é como o meu ou como o de seus amigos. Cada um lida de uma forma diferente com ele; cada vazio é capaz de gerar espaços diferenciados. É ele quem permite o formato da sua personalidade e deveria ser mais bem tratado.

O psicólogo junguiano James Hillman lembra que o vazio está criando uma forma, um jeito específico de existir. O vazio estabelece modos de conter, modos de medir, modos de diferenciar.

O conteúdo pode importar e, sim, ele importa. Mas perceba como estar em frente de uma tela em branco é permissão para muitas possibilidades. Quando um relacionamento termina, lembre-se como vazio causado é motivo de incomodo, mas também proporciona um mundo a ser recriado de forma nova, às vezes, mais rico e mais autêntico.

A questão é que o vazio não deixará de ser incomodo, mas pode ser vivenciado como possibilidade. Sem um espaço em branco, nada de novo pode entrar na sua vida. Continue por mais um tempo diante da folha, deixe a caneta quieta no canto dela.

Acredite, você ainda precisa bater um bom papo com seu vazio antes de colocar qualquer coisa nele.



Marcelo Marchiori é psicólogo clínico, especialista em interpretação de sonhos e imaginação ativa. Realiza atendimentos presenciais e online, além de palestras e cursos com temas psicológicos. Escreve [quase] diariamente sobre psicologia, comportamento e sociedade. Pode ser seguido por seu perfil no Facebook.
quarta-feira, 26 de julho de 2017

Jogo de Sedução - Nora Roberts | Editora Harlequin | Texto por Vanessa Silveira


Oi gente! 

Hoje trago para vocês a resenha de um romance publicado pela Harlequin, cuja autora é a Nora Roberts, vulgo “a incógnita” haha, pra quem não sabe, eu e a Nora temos uma relação de amor e ódio, ou eu gosto demais, ou eu simplesmente detesto, no caso de JOGO DE SEDUÇÃO tive uma grata surpresa!

Jogo de sedução é o primeiro da série Clã dos MacGregors. Logo no início do livro, temos um esquema com uma árvore genealógica que explica direitinho quem faz parte da família. Neste primeiro volume, conhecemos Serena MacGregor, a caçula da família. Serena é uma moça de temperamento firme e ideias bem diferentes das de seu clã - ou seja, a moça não se deixou influenciar pelos privilégios de ser filha de Daniel MacGregor, que é dono de um império. 

Serena é dona de uma inteligência inegável e é o orgulho de seu pai. Depois de muito estudar e se dedicar ao seu futuro, decide dar um tempo em tudo e simplesmente partir. Mas, aqui temos a filha de um poderoso milionário que, ao invés de tirar um ano sabático para descansar, resolve trabalhar como crupiê no cassino de um navio, (acho que não mencionei que ela é fera nos jogos e sabe identificar os melhores jogadores e apostadores) pasmem pessoas, a moça é uma caixinha de surpresas! Claro que seu pai não ficou nada satisfeito em ver sua caçula trabalhando em um cassino de navio e dormindo em uma cabine que mais parece um armário mas, como Serena é impetuosa, conseguiu o que queria e embarcou a bordo do Celebration sem grandes problemas com a família.

Após algumas temporadas a bordo do Celebration, e já quase completando um ano no navio, Serena decide que esta será sua última viagem. Sentia-se realizada nesta etapa da vida, como se tivesse vencido mais uma barreira: conheceu pessoas, se reinventou todos os dias e aprendeu muito a bordo, ali ela não era a filha de Daniel MacGregor, era simplesmente Serena, a Crupiê do cassino, mas já era hora de voltar para casa e pensar no futuro.


Justin Blade é um homem que ganhou a vida por mérito próprio e muito sacrifício. Descendente de Índios Comanche, ele entende de jogos e riscos, e decide por meio de um amigo descansar a bordo do famoso Celebration. Por frequentar muito o cassino, acaba se interessando pela bela e misteriosa Crupiê. Blade nunca teve nada fácil na vida, lutou para ganhar cada centavo do seu atual império, de forma que é um homem que sabe o que quer e. no momento. o que ele mais quer tem um nome, cabelos loiros e olhos violeta: Serena MacGregor.

A atração entre os dois é inevitável, mas Serena prefere manter distância, pois sente que algo em Justin é perigoso para ela - porém, passar dez dias confinada em um navio com um estranho que está deliberadamente disposto a te conquistar não é tarefa fácil, mais difícil ainda quando este estranho tem os olhos mais verdes que você já viu e te persegue por todo lugar! (pobre Serena).

O que nenhum dos dois sabe é que esse encontro foi arquitetado (maliciosamente hehe) por uma pessoa muito próxima que sonha em ver os dois como um casal, e que os mesmos são pecinhas no tabuleiro desse jogador! Mas, apesar do plano, a atração entre os dois é instantânea e, mesmo que ambos neguem, não dá pra fugir por muito tempo, e os dois terão que vencer os obstáculos impostos pelo temperamento de ambos, e tentar driblar as ciladas que vêm pelo caminho, inclusive uma terceira pessoa que está decidida a tirar a vida de um deles.

                                               
Jogo de sedução como eu havia mencionado anteriormente, é um romance que me surpreendeu positivamente. Eu venho de uma série de livros da Nora Roberts que não me agradou (deixando claro que amo muitos livros dela), e tive medo que isso se repetisse aqui, porém, gostei bastante da história, bem leve e divertida, e a autora não focou apenas nos personagens principais. Como é o primeiro de uma série, gostei que ela trabalhou na construção dos personagens secundários, uma vez que vamos vê-los nos demais livros da série; pude também conhecer e identificar o temperamento de cada membro da família, o que eu achei muito bacana. Sobre os principais, eu adorei a Serena, é o estilo de mocinha que eu adoro! Daquelas que não se curvam cheias de amor, mas que dão trabalho, (desculpa sociedade, sou dessas!). O Justin, apesar de tudo, foi muito perseverante e tem meu respeito, queria um Comanche daqueles na minha vida! Enfim, gostei muito do livro e recomendo pra quem quer uma história leve e divertida, bem estilo romance de banca, que eu adoro por sinal.

Beijinhos! ;)
Vanessa 


Jogo de Sedução - Nora Roberts

Sinopse: Uma mulher forte, inteligente e audaciosa. Um homem cínico, intenso e cativante. Esta é receita ideal para um romance explosivo e inesquecível. Justin Blade sabia exatamente o que queria quando sentou na mesa de blackjack comandada por Serena MacGregor… e não era vencer o jogo. Dona de olhos hipnotizantes, ela penetrou sua mente como nenhuma outra mulher já havia conseguido. Mas será que esse relacionamento irá resistir quando todas as cartas forem colocadas na mesa?


segunda-feira, 24 de julho de 2017

Gênios também amam #1: “A Gramática do Amor”, de Rocio Carmona | Texto por Mich Fraga


Eu e Rebeca estávamos conversando sobre livros que abordam o amor, todos os tipos de amor, de uma forma mais lógica, mais científica e que fuja dos padrões. E para começar essa nova coluna aqui no blog, teremos a resenha de “A Gramática do Amor”, da autora catalã Rocio Carmona.

Carmona aborda com maestria o poder transformador que a literatura tem sobre as pessoas. A protagonista encontra-se sob um turbilhão de emoções e seu professor de gramática a ajudará a encontrar as respostas nas páginas de grandes clássicos da literatura.

Confira a vídeo resenha e mergulhe de cabeça na ciência da linguagem.


E você, conhece algum livro que aborde essa temática? Deixa nos comentários a sua indicação.

Até a próxima.

[Novidades das Editoras] Vida e Morte de M. J. Gonzaga de Sá - Lima Barreto | Ateliê Editorial


O escritor carioca Lima Barreto será o homenageado da 15ª edição da Festa Literária Internacional de Paraty / FLIP, que acontece nos dias 26 a 30 de julho de 2017. Uma de suas obras, Vida e Morte de M. J. Gonzaga de Sá, foi recentemente publicada pela Ateliê Editorial, e o público da FLIP poderá participar do lançamento no dia 27 de julho (quinta-feira) na Livraria das Marés

Aliás, nossa colunista Mich Fraga estará acompanhando de perto a FLIP, e logo logo compartilhará aqui no blog um vídeo sobre a obra do autor e também impressões deste festival literário :)


Sobre a obra: Lima Barreto iniciou o projeto de Vida e Morte de M J Gonzaga de Sá em 1906, mas o livro só foi publicado mais de uma década depois, em 1919. Isso porque, com dois projetos de romances em mãos – Vida e Morte e Recordações do Escrivão Isaías Caminha – o carioca resolve apresentar Recordações para seu editor. A razão está em uma carta de Lima Barreto a Gonzaga Duque: “Era um tanto cerebrino, o Gonzaga de Sá, muito calmo e solene, pouco acessível, portanto. Mandei as Recordações do Escrivão Isaías Caminha, um livro desigual, propositalmente malfeito, brutal por vezes, mas sincero sempre”.

De fato, Vida e Morte de M. J. Gonzaga de Sá é um romance com um enredo mínimo  e voltado a questões filosóficas e existenciais. O narrador, Augusto Machado, assume uma postura de discípulo de Gonzaga de Sá, um velho funcionário público, e faz do romance uma espécie de uma biografia deste, reproduzindo conversas  sobre vários temas do cotidiano da cidade e sobre as reformas urbanísticas que estavam em curso no início do século na cidade do Rio de Janeiro. Neste ponto: “Lima Barreto apresenta no livro uma visão histórica que se opunha à visão Positivista (teleológica) que predominava em nosso meio intelectual. Quando havia um coro favorável a soterrar nosso passado colonial, ele trazia uma noção relativa do belo e de uma história que não devia ser lida de maneira linear”, explica o organizador.

Apesar da morte prematura, aos 41 anos, o legado de Lima Barreto à literatura brasileira é de grande importância. Por isso, discutir sua obra e colocar sua produção literária à disposição do público é bastante significativo. “[...]Vida e Morte não mereceu tanta atenção da crítica, dos leitores e do mercado editorial – gerando uma espécie de ciclo de esquecimento. Espero que a partir desta edição possamos ver novos estudos sobre esta importante obra”, conclui Scheffel.

[Novidades das Editoras] Coração e alma - Maylis de Kerangal | Rádio Londres Editores


E julho também é mês de mais um lançamento da Rádio Londres Editores! Coração e alma, da autora Maylis de Kerangal, narra o drama de duas famílias sujeitas ao difícil episódio da doação e transplante de órgãos. Em 2016, sua história, considerada uma das maiores obras da literatura francesa, foi adaptada para o cinema pela escritora e cineasta Katell Quillévéré. Assista ao trailler:


Sinopse: Coração e alma é a história de um transplante cardíaco. É um relato de precisão cirúrgica, repleto de personagens inesquecíveis, em que histórias pessoais, diálogos e descrições técnicas se entrelaçam num ritmo frenético, digno de um grande filme de ação. O romance narra as vinte e quatro horas épicas entre um terrível acidente de trânsito ocorrido depois uma sessão de surf cheia de adrenalina — que causa a morte cerebral de um rapaz de 20 anos, Simon — e o instante em que seu coração recomeça a bater no peito de uma parisiense de 50 anos, Claire. Uma viagem emocionante e tocante, um tour de force que manterá o leitor em suspense até a última linha.

E tem promoção da Rádio Londres! Comprando pelo site da Editora, você ganha frete grátis e 10% de desconto <3 Imperdível :)


Bio da autora: Maylis de Kerangal nasceu em Toulon, em 1967, e passou a infância em Le Havre. Estudou História e Filosofia em Rouen e Paris. Entre 1991 e 1996, trabalhou nas Éditions Gallimard. Depois de um tempo nos Estados Unidos, resolveu voltar a estudar Ciências Sociais na França. Em 2000, escreveu seu primeiro romance e, desde então, tornou-se escritora em tempo integral. É autora dos romances Corniche Kennedy (2008, adaptado para o cinema em 2016) e Naissance d’un pont (vencedor dos Prêmios Franz Hessel e Médicis em 2010), entre outros. Coração e alma (2014), seu aclamado quinto romance, venceu os prêmios Grand Prix RTL-Lire, Roman des étudiants France Culture-Télérama, Prix Orange du Livre, Prix des Lecteurs de L’Express-BFMTV, Prix Relay e Wellcome Book Prize, e ganhou uma adaptação cinematográfica em 2017.


domingo, 23 de julho de 2017

Uma noite inesquecível - Lisa Kleypas | Editora Arqueiro



"Sua beleza não era fria e imaculada, mas quente e ligeiramente desalinhada. O cabelo castanho, sedoso como uma fita, parecia ter sido preso às pressas. Enquanto tirava as luvas com um puxão firme na ponta de cada dedo, ela olhou para Rafe com seus olhos verdes da cor do oceano.

Aquele olhar não deixou dúvidas de que a Srta. Appleton não o apreciava, nem confiava nele. E nem deveria, pensou Rafe achando graça. Ele não era exatamente conhecido por suas intenções honrosas em relação às mulheres.

Ela se aproximou dele de uma maneira contida que incomodou Rafe por algum motivo. Ao senti-la mais perto ele quis... bem, não sabia bem o que queria fazer, mas poderia começar pegando-a no colo e atirando-a no sofá mais próximo."

Autora da série As Quatro Estações do Amor, Lisa Kleypas retorna ao universo vitoriano em Uma noite inesquecível, o quinto livro desta sequência que conta a história das amigas Annabelle, Evie, Daisy e Lillian e de suas disputas e conquistas em nome do amor. À primeira vista, conhecer a obra de um autor a partir do "último capítulo" pode parecer complicado mas, além de contar com um prólogo que resume os títulos anteriores, Uma noite inesquecível é escrito como um conto a parte, já que o protagonista da vez se chama Rafe Bowman, irmão de Daiy e Lillian, recém-chegado dos Estados Unidos e que retorna a Londres para conhecer uma nova pretendente. Ou seja, ao mesmo tempo em que a autora provoca uma curiosidade acerca do passado da família Bowman e seus amigos, é possível se divertir com as aventuras (e, principalmente, ousadia!) dos personagens deste novo livro sem ficar confuso em relação a toda a trama.

Aliás, aventura é pouco, porque esta Noite Inesquecível é na verdade sinônimo de uma bela confusão familiar e muitas confissões e descobertas amorosas!

Um segundo aliás: não imaginava que os livros da Lisa Kleypas flertassem com a literatura hot! Pelo menos nesse livro, especificamente, tanto a autora como a tradução da Arqueiro conduzem muito bem as cenas amorosas, com toda descrição necessária a cada encontro, sem perder a sagacidade da corte e o momento da conquista:

"- Você me quer - murmurou ele. (...) Eu mexo com suas tendências criminosas e você com certeza desperta o pior em mim. - Ele correu a boca pelo pescoço dela, parecendo saborear os movimentos rápidos e instáveis de sua respiração. - Beije-me - sussurrou ele. - Só uma vez, e eu a deixo ir...

(...) Era mais do que um beijo... era uma frase de beijos ininterruptos, as sílabas quentes e doces (...). 

- Você quer que eu me desculpe? - perguntou ele.

(...) - Não vejo sentido nisso - disse ela em voz baixa. - Você não estaria sendo sincero mesmo." 

O pano de fundo para este enredo amoroso é uma celebração natalina realizada na propriedade rural de lorde Westcliff. Dentre os convidados devidamente selecionados, Rafe e os Bowman eram os mais aguardados, assim como os membros da família Blandford, que aspiravam o matrimônio de sua filha Natalie com o primogênito americano, ainda que seus modos fossem nada aristocráticos: 

"- É uma união estranha em alguns aspectos - continuou Blandford. (...) Embora eu lamente que o sangue e a nobreza estejam passando a significar tão pouco. O futuro está diante de nós, e pertence a alpinistas sociais, como os Bowmans. E a homens como lorde Westcliff, (...) conhecido como progressista, tanto política como financeiramente. Entre seus muitos investimentos, Westcliff fizera fortuna a partir do crescimento da indústria ferroviária (...), enquanto a maioria dos membros da nobreza ainda estavam satisfeitos em garantir lucros a partir da tradição centenária de ter inquilinos em suas terras." 

Enquanto protagonista, Rafe desempenha muito bem o papel de "cavalheiro errante", especialmente ao assumir o risco de desafiar sua família para a realização de seu maior desejo - que, spoiler seja dito, não necessariamente está relacionado ao projeto de casamento arranjado pelos Bowman neste feriado na mansão dos Westcliff.

Desde o início da história é possível prever - e torcer - para que Rafe corresponda ao amor despertado pela Srta. Appleton - cujo primeiro nome não é Natalie, claro. Afinal, é sempre uma boa experiência encontrar um texto que, mesmo com a previsibilidade orientada pela sinopse, consegue prender o leitor até o último capítulo e, quem diria, até mesmo durante as cenas amorosas mais descritivas (que, em algumas obras, costumam ser até meio bregas, não acham?).

E como não poderia deixar de ser, após a leitura deste romance de época de Lisa Klaypas, chegamos a conclusão de que o amor é o que torna não apenas a Noite Inesquecível, mas toda uma vida. E que vale a pena ler, acreditar e desejar histórias assim em nosso caminho.

Leitura mais que recomendada! Parabéns Arqueiro pelo lançamento :)


Uma noite inesquecível - Lisa Kleypas

O Natal está se aproximando e Rafe Bowman acaba de chegar a Londres para uma união arranjada com Natalie Blandford. Com sua beleza estonteante e o físico imponente, ele tem certeza de que a linda aristocrata logo cairá a seus pés.

No entanto, seus terríveis modos americanos e sua péssima reputação de farrista deixam Hannah, a prima da moça, chocada. Determinada a proteger Natalie, ela vai tornar a tarefa de cortejar a jovem muito mais difícil do que Rafe esperava.

Hannah, porém, logo começa a se importar mais do que gostaria com o rude pretendente da prima. Rafe, por sua vez, passa a apreciar um pouco demais a companhia de Hannah, uma mulher forte e pragmática com um coração doce e gentil. E quando Daisy, Lillian, Annabelle e Evie, quatro amigas inseparáveis que já conseguiram encontrar o homem de seus sonhos, decidem agir como cupidos, quem sabe o que pode acontecer?

Uma noite inesquecível é uma viagem mágica pela Londres vitoriana, com os diálogos espirituosos e personagens memoráveis que consagraram Lisa Kleypas como uma das autoras de romances de época mais aclamadas pelo público. Nesta continuação da série As Quatro Estações do Amor, os mais cínicos se tornam românticos e até os mais tímidos suspiram, arrebatados de paixão.


A Inesperada Herança do Inspetor Chopra - Vaseen Khan | Editora Morro Branco | Texto por Luana Souza


Como quem é vivo sempre aparece, cá estou eu de novo para resenhar mais um livro. Para quem não sabem quem sou, olá! Meu nome é Luana e eu sou dona do blog Memorialices, apaixonada por livros, fotografia e Rainha Vermelha nas horas em que não estou no mundo humano. 

A resenha de hoje é de um livro muito legal, e que já entrou para a lista de favoritos de 2017!



Sinopse: No dia de sua aposentadoria, o inspetor Chopra herda dois inesperados mistérios. O primeiro é o afogamento de um jovem pobre, cuja suspeita morte ninguém quer investigar. O segundo é um bebê elefante.

Enquanto sua busca por pistas o leva através da movimentada cidade de Mumbai - das ricas mansões ao submundo sombrio das favelas - Chopra começa a suspeitar que há bem mais por trás dos dois mistérios do que ele pensava. E rapidamente descobre que um determinado elefante pode ser exatamente o que um homem honesto precisa...


Quero começar dizendo que, no início, a leitura demorou um pouco a me prender. Na verdade, eu só fiquei presa de verdade na história lá pela página 80, mesmo que o restante anterior seja suficientemente divertido e até aleatório. O Inspetor (aposentado) Chopra herdou um elefante! Tem coisa mais engraçada e inusitada que essa? 

Algo que pode deixar algumas pessoas incomodadas é o fato de livro se passar na Índia, pois a cultura exótica de lá vai totalmente de encontro a do Brasil, e isso está presente ao longo da leitura, tanto nas palavras, quanto nos cenários e nos próprios costumes.


Agora, falando sobre a história, depois que conseguimos pegar o ~pique~ é praticamente impossível parar de ler, pois ficamos realmente envolvidos com tudo sobre o Inspetor (aposentado) Chopra, seu elefante, e até com os personagens secundários. 

O mistério é muito bem construído, e tudo é regado a boas doses de humor e aleatoriedades. Por exemplo, uma das cenas que mais me fez rir foi uma que se passa dentro de um shopping, onde o Inspetor (aposentado) Chopra tenta fazer o Ganesha (nome do elefantinho) subir uma escada rolante, haha. Ah, também há outros assuntos envolvidos, como as reflexões de Chopra sobre se aposentar precocemente e como a cidade a qual ele sempre referiu-se como sendo "sua" está se modernizando.

É possível ver a relação de Chopra com o elefantinho crescendo, e, enquanto isso, somos guiados por passeios coloridos e quentes pelas ruas de Mumbai e por uma investigação que vai muito além do assassinato que começou tudo isso. Ah, também percebemos que Ganesha não é mesmo um elefante comum! 

Uma história leve, divertida e encantadora e que merece se tornar uma série, pois tenho certeza que a Agência de Detetives Baby Ganesh ainda tem muitos casos para resolver :) 


Nunca havia tido contato com a Editora Morro Branco, esta que acabou de chegar ao mercado editorial, mas fiquei extremamente feliz por "A Inesperada Herança do Inspetor Chopra" ter sido meu pioneiro com suas publicações, mas eu também já estou interessada nos outros títulos!

Eu fiquei maravilhada com o cuidado que a edição teve! A capa, por si só, já é um encanto, mas os outros detalhes, como por exemplo a folha de guarda, as páginas amareladas, a diagramação, o elefantinho que dá início a cada capítulo... tudo isso gerou um livro físico lindo e que combina perfeitamente com a história ♡


Espero que vocês tenham gostado da resenha e das fotografias. Alguém se animou a ler? Quem já leu? Vou adorar ler os comentários aqui no post :) 

xoxo, Luana Souza {volto pra cá assim que possível, hehe}


Leia também a primeira resenha sobre o Inspetor Chopra postada aqui no blog :)

sábado, 22 de julho de 2017

Especial Jane Austen | Por Michelle Fraga



Dia 18 de julho de 2017 foi o bicentenário de morte da autora britânica Jane Austen. Fãs do mundo todo estão fazendo suas homenagens e eu não poderia ficar de fora.

Jane Austen foi a primeira autora internacional que eu li. Aos 14 anos eu fui presenteada com um exemplar de Orgulho & Preconceito, da editora Martin Claret, e de lá para cá a minha paixão pela autora se consolidou cada vez mais.


A princípio, ao mau leitor, as obras de Jane Austen podem parecer indicativas do bom comportamento da sociedade da época, mas o leitor atento logo descobre que a autora utiliza de sutileza e ironia para questionar os padrões da sociedade britânica na qual estava inserida. 



O mais incrível em Austen é que, assim como as irmãs Brontë, ela conseguiu publicar seus livros e ter reconhecimento em vida sem precisar adotar um pseudônimo masculino. Em 1811 conseguiu a primeira publicação de Razão & Sensibilidade (que teve seu bicentenário em 2011). Em 1813 foi a vez de Orgulho & Preconceito ser publicado e trazer à tona a famosa frase: “É verdade universalmente conhecida que um homem solteiro e muito rico precisa de esposa”. Uma tremenda ironia que vai ganhando força no papel de Lizzie Bennet. Em 1814 foi a vez de Mansfield Park ser publicado, trazendo à tona temas polêmicos como abolição da escravatura, inteligência feminina, infidelidade conjugal e bissexualidade. Em 1815 é a vez de Emma, que foi seu último livro publicado em vida e que recebeu muitas críticas positivas. Jane partiu precocemente em 1817, aos 41 anos de idade, em virtude de uma insuficiência adrenal primária. Postumamente, em 1818, os manuscritos de Persuasão e A Abadia de Northanger foram publicados, pois estavam finalizados desde o ano anterior. Foram encontrados, também, outros manuscritos inacabados, como seu último romance Lady Susan e alguns contos.



Confira abaixo a vídeo resenha de Mansfield Park com comentários sobre os outros livros (todos com publicação pela editora Martin Claret) e as adaptações cinematográficas.


E vocês, são fãs de Jane Austen? Qual livros da autora preferem?

Nos vemos na próxima,
Mich Fraga

quinta-feira, 20 de julho de 2017

Anatomia de Julho #2 | Por Jonatas T. B.




Sobre o mar, nenhum filho do homem caminha, pois hoje não há tempestade.

À margem da enseada. Alheio ao atol, às angras, distante dos marinheiros submersos em bruma. Um albatroz coroa a penha. As penas farfalham. O céu está vazio. A vaga cinza se estende às veias do horizonte.

- É teu o oceano inteiro.

Interrompo a travessia por terra, caminho para eflúvio espumoso. Persigo os degraus das ondas.

A água, de repente, me espeta. Arremete contra meu rosto, me afoga. Agarra aos calcanhares, eu retraio. Adentro a concha em espiral secreta, meus ossos erodindo feito castelo.

As invasões, salinas e breves, de espuma me enchem os pulmões.

Limpa da garganta a pronúncia do primeiro nome.

Água nos ouvidos me ensurdecem, em ameaça:

Ou o mar. Ou nada.





Por: Jonatas T. B.
Foto: Rebeca C.

Leia o texto #1 da série


quarta-feira, 19 de julho de 2017

Encarando a Autossabotagem – 3 Lições Práticas | Por Marcelo Marchiori

(texto originalmente publicado no site Fãs da Psicanálise)


Todos nós já tivemos algum momento em que nosso principal inimigo fomos nós mesmos.

Aquele documento importante para uma prova que acabamos deixando esquecido em cima da mesa… Aquela confusão com o horário de um compromisso que poderia mudar os rumos de nossa carreira… Aquela vozinha que diz constante e irritantemente: “não vai dar certo”.

Existem infinitas formas de trair a si mesmo, cada pessoa [e seu respectivo inconsciente] encontra meios para o autoengano, para autossabotagem. Como bem sabemos, ninguém é igual a ninguém e para vencer esses fantasmas internos que nos traem, devemos passar por um processo detalhado de autoconhecimento.

No esforço de atentar para alguns movimentos de autossabotagem e as formas de enfrenta-los, apresento 3 lições muito trabalhadas na minha prática com a clínica em psicologia.

Primeiro, falemos sobre aqueles que reclamam do azar em suas vidas.

Imagine uma pessoa em uma situação minimamente estável, mas sem condições de crescimento pessoal. Essa pessoa diz de todas as oportunidades que lhe foram tiradas, sobre como a sorte parece estar contra ela, que as injustiças do destino recaem todas sobre os seus ombros.

Quando olhamos mais perto, percebemos que o sujeito em questão negou todas as possibilidades de crescimento, sempre tinha uma desculpa muito bem articulada, pelo menos para si mesmo, dos motivos pelos quais não deveria se arriscar.

Sair de uma condição estável para uma empreitada em direção à projetos mais arrojados, com raríssimas exceções, significa risco. Apesar de algumas histórias de sucesso, sabemos que muita gente acaba fracassando nessas tentativas e nada mais natural que sentir receio.

É muito importante deixar claro que não tem problema nenhum querer estabilidade, decidir continuar na chamada zona de conforto, o problema é estar alienado dessa decisão. Quando sabemos a razão de nossas decisões não precisamos inventar tragédias pessoais que expliquem nossa atual condição. Claro que ninguém quer perceber que uma boa parte de nossa insatisfação foi causada por nossas próprias escolhas, mas, por mais desagradável que seja, é muito mais saudável.


Outra forma comum de autossabotagem acontece por uma busca desmedida pelo sublime.

É visto normalmente entre pessoas com uma forte tendência intelectual e/ou espiritual. Capaz de paralisar em função de expectativas exageradas.

Quando o sujeito espera que exista algo muito especial por trás das ações, ele fica sem capacidade de realizar o mínimo. Esquece que toda realização começa com um pequeno ato e acaba tentando queimar etapas, desesperadamente, quando na verdade não consegue sair do lugar.

É importante voltar a atenção para o pragmático, para a realização prática e pequena das coisas. Um aprendizado que vem de algumas tradições ocultistas deve ser relembrado: o pequeno reflete o grande.

Em muitas dessas ordens discretas, sejam elas orientais ou ocidentais, o candidato a iniciação não começa suas atividades pelos segredos filosóficos e milenares, mas pela atividade prática diária. Ficam a cargo deles as tarefas domésticas… limpar, cozinhar, cuidar das hortas…

Como uma pessoa poderá lidar com os grandes segredos do universo se não é capaz de arrumar a própria cama?

Por último, mas que é não menos comum, podemos falar sobre uma autossabotagem de origens afetivas.

É muito comum em relacionamentos amorosos ou contextos familiares. A pessoa tem boas capacidades de crescimento, mas se priva de alçar voos maiores para continuar cabendo na relação que busca preservar.

Por mais que essas relações possam produzir felicidade, com o passar do tempo a frustração pode ser maior que os benefícios. Devemos ter em mente que as pessoas, por mais que sejamos animais relacionais, são, cada uma delas, responsáveis por seus próprios percursos e histórias.

Não adianta se privar de suas qualidades para preservar o outro de encarar suas próprias limitações… não existirão ganhos com isso, nem para si, nem para o outro.

Dificilmente alguém conseguirá viver feliz com uma ancora que puxa seus resultados para baixo. Por mais duro que pareça, às vezes, o melhor é deixar para trás quem não quer ou não consegue nos acompanhar em nossa jornada.

Conhece outras formas de autossabotagem? Compartilhe com a gente. Vejo vocês nos comentários!

 

Marcelo Marchiori é psicólogo clínico, especialista em interpretação de sonhos e imaginação ativa. Realiza atendimentos presenciais e online, além de palestras e cursos com temas psicológicos. Escreve [quase] diariamente sobre psicologia, comportamento e sociedade. Pode ser seguido por seu perfil no Facebook.


terça-feira, 18 de julho de 2017

Jane Austen roubou meu namorado - Cora Harrison | Editora Rocco


Seja na Londres de muitos séculos ou em nossos dias, a inimizade e conflito serão sempre parte de nosso cotidiano. Afinal, é de nossa natureza provocar o dissenso entre familiares e amigos, especialmente no que diz respeito a relacionamentos amorosos, é aí que a confusão fica maior ainda, não é verdade?

Jane Austen roubou meu namorado é o segundo livro de Cora Harrison baseado no legado literário da escritora inglesa Jane Austen. No primeiro volume da série, Eu fui a melhor amiga de Jane Austen, Cora recria os anos iniciais da adolescência das primas Jane e Jenny, mesclando fato e ficções acerca da sociedade britânica dos anos 1790. Nesta continuação, as personagens (agora crescidas, a poucos anos do fim da adolescência,) compartilham um cotidiano repleto de sonhos e perspectivas amorosas, e também algumas desilusões. Publicadas no Brasil pelo selo Rocco Jovens Leitores, ambas histórias apresentam uma escrita leve, onde a atmosfera de confissões e segredos de seus capítulos envolve o leitor e o aproxima deste universo à primeira vista tão distante de nossa realidade contemporânea.

Partindo de referências direta da vida e obra de Jane Austen (principalmente de seus diários), a autora recria situações de época em uma espécie de "fanfic" onde a própria Austen é a protagonista. O que me chamou atenção na história foi a forma universal com que o amor e o romance podem aparecer em nossa vida (tendo em mente, é claro, os contrastes geracionais e culturais de cada época): ao lidar com sentimentos que nos acompanham em todas as idades, é bem possível aproximarmos a Inglaterra vitoriana de nossa vida hoje, já que é próprio do humano tanto sentir inveja como empatia, traição e compromisso, assim como calúnia e cumplicidade, enfim, e as personagens de Cora Harrison poderiam muito bem atravessar alguma fenda temporal e conhecer o amor aqui em nossos dias. Sei que parece absurdo, risos, mas vamos aos "fatos":

- O livro fala da cumplicidade entre as primas Jane Austen e Jenny Cooper e de como esta parceria é uma espécie de alento e alívio tanto para os dias difíceis como para a diversão que vez por outra preenche as páginas de seus diários - ou seja, a história fala desta relação entre amigos de infância e melhores amigos, e não consigo lembrar em algo mais universal que este sentimento fraterno;

- Cora Harrison também é mestra em criar inimizades e vilões: Augusta (a tia-madrasta), Edward-John (o irmão que passou a ser o seu tutor, logo após a morte de sua mãe), Lavínia (a fofoqueira-rival que tenta acabar com a reputação de Jane na vizinhança), Philly (apenas uma conhecida, porém bem "cobra" em determinado ponto da história), enfim, inúmeros atores cuja personalidade certamente conhecemos, e que na trama de Harrison foram estrategicamente posicionados para tornar a vida das primas Jane e Jenny (especialmente de Jenny) um pouco mais complicada;

- A presença na trama do jovem Harry, o personagem que desde a infância é amigo dos Austen, especialmente de Jane, que o considerava o melhor cúmplice de seus aventuras em Southampton, tanto no pique-esconde da primeira idade como nos planos e sonhos da adolescência. Levanta a mão quem conhece, viveu ou vive uma relação de amizade assim o/

Ou seja, mudam os ares, os costumes e nossa ideia de liberdade, mas a busca por amizade, amor e felicidade nos acompanha desde sempre, e para sempre.


Mas voltando a trama: como não poderia faltar em um romance histórico, Cora Harrison dedica grande parte do livro aos sentimentos da prima Jenny, que sonha em escapar aos cuidados excessivos de sua tia-madrasta e viver ao lado de Thomas, um jovem capitão da marinha que se apaixonou pela simplicidade de nossa protagonista.

O livro também mostra o amadurecimento da jovem Jane, que passa a nutrir uma paixão maior pela literatura e também pela ideia de um romance, tanto em sua vida pessoal como nas páginas de seu diário. Neste cenário da adolescência e suas descobertas, poderia Jane encontrar o amor em sua própria história, ou será que o futuro lhe reservaria alguma surpresa?

Assim como nos originais de Austen, a história de Cora é ambientada em uma Inglaterra aristocrática repleta de bailes e cortejos, onde através da formalidade da dança muitos sonhos poderiam ser nutridos: para Jane, era certo que a afeição pelo jovem Newton (aliás, treta à vista: Newton pertencia aos sonhos de Lavínia, a bela da vizinhança, que, por não ter seu amor correspondido, dedicou seus dias a criar grandes inimizades com Jane) poderia render páginas e páginas de manuscritos, mas... e quanto ao amor? Poderia Jane realmente ver através do azul dos olhos do rapaz?

Do outro lado do salão, estava a prima Jenny, que ansiosa aguardava o momento em que o jovem capitão Thomas viria ao seu encontro e ambos compartilhariam uma vida juntos.

Mas, como não poderia faltar em todo romance, o par-amoroso poderá a qualquer momento ser surpreendido pela inveja e maldade de quem o cerca...

O que fazer nessa hora? Na história de Cora Harrison, por sua atmosfera-Austen, aliada a uma escrita young adult, é certo que a felicidade estará sempre em perspectiva - e, quem sabe, a um passo de sua própria realização, mesmo com todo esforço envolvido.

Jane Austen roubou meu namorado é, de fato, uma leitura agradável e divertida, e não apenas para os fãs de Jane Austen :) Vale conhecer!



Baseado nos diários da escritora Jane Austen na adolescência, este divertido romance juvenil é uma história de aventura, mistério, fofocas e, claro, flertes e paixões. Uma das autoras mais queridas em todo o mundo, cujo bicentenário de morte ocorre este ano, Jane Austen (1775-1817) segue arrebanhando uma legião de fãs em pleno século XXI com romances nos quais retrata a sociedade inglesa de sua época com precisão e ironia. Em Jane Austen roubou meu namorado, a escritora irlandesa Cora Harrison recria, para os jovens de hoje, a atmosfera dos livros da própria Jane Austen, mesclando ficção e dados reais, a partir dos diários da autora de Orgulho e preconceito. O livro retrata as peripécias amorosas da futura escritora, que já se considerava uma especialista em assuntos do coração, e de sua prima Jenny.

Para compor as personagens, a escritora Cora Harrison foi atrás de documentos e antigas cartas de Jane Austen e sua família. Além de escrever uma história leve e divertida, ela entrega aos jovens fãs de Jane Austen detalhes da vida da aclamada escritora inglesa.

A busca sofrida de Martha Perdida - Caroline Wallace | Editora Rocco - Fábrica 231 | Texto de Regiane Medeiros



“Numa era utilitária, acima de tudo, é uma questão de grande importância que os contos de fada sejam respeitados” (Charles Dickens)

Contos de fadas permeiam a imaginação humana, desde o início dos tempos, antes mesmo que a palavra escrita surgisse, sendo transmitidos oralmente de geração em geração. Cada cultura tem suas próprias histórias e lendas, assim como cada um de nós tem também o próprio conto pessoal, que flutua entre momentos de alegria e de tristeza.

Ter consciência da própria história, faz com que tenhamos um domínio maior sobre nós mesmos e nossas capacidades. A sensação de não saber quem somos ou de onde viemos, é aterradora e nos faz cair em um redemoinho difícil de sair sem se machucar no processo.

A busca pela própria identidade, é uma constante na nossa formação como indivíduos e é também o tema central desse romance young adult, brilhantemente escrito por Caroline Wallace e distribuído no Brasil pela Editora Rocco através do selo Fábrica 231. A Busca Sofrida de Martha Perdida fala muito sobre isso, sobre a procura de quem somos e de onde viemos, para então seguir em frente.


Martha Perdida trabalha no Achados e Perdidos da estação Lime Street em Liverpool, Inglaterra. Foi “esquecida” ali quando tinha três meses de vida e a Mãe, responsável pelo setor na época, acabou ficando com ela e a criando. Quer dizer, explorando, já que Martha desde cedo teve que lutar muito para fazer valer o pão que comia. Criada em um ambiente hostil por uma fanática religiosa, Martha chega aos dezesseis anos, sem saber muito sobre si, apenas que não pode deixar a Estação Lime Street ou a mesma vai desmoronar. É isso mesmo, Martha nunca pôs os pés fora da estação. Mas ela está feliz com isso, lá ela tem tudo de que precisa e pode girar à vontade entre os transeuntes da estação, algo que ela adora:

“Adoro girar. Não é a maneira mais eficiente de circular, mas, após meses e meses de prática, acho que aperfeiçoei a forma mais brilhante de giro” – pág. 10

A vida de Martha começa a mudar, quando recebe um livro de alguém que parece conhecer muito bem sua história ou a parte do seu conto de fadas que ela não conhece. A partir de uma troca de correspondências bem peculiar, Martha vai embarcar em uma aventura pela busca da própria identidade, acompanhada de um grupo de amigos bem singulares: Elisabeth, a dona do Café ao lado do Achados e Perdidos, que ama Rock’n Roll e distribuir bolo para quem ela acha que precisa se sentir melhor, mas que carrega uma enorme tristeza dentro de si; George Harris, um imenso e jovem soldado romano que não gosta de mudar sua rotina, a não ser para ver Martha sorrir, com um coração tão grande quanto sua estatura; e William, um homem marcado por uma tragédia familiar e que vive nos túneis e canais da estação Lime Street, cuja recuperação social une ainda mais o quarteto.

No meio do caminho, nossa doce Martha se envolve com um mistério que tem a ver com uma mala supostamente repleta de artigos raros e inéditos dos Beatles, além de ter que encontrar a urna com as cinzas do dono da mala.

“Vejo as pessoas correndo por aí e me pergunto se alguma delas poderia ser minha mãe, meu pai, um irmão, um primo. Olho para tornozelos e pulsos. Olho as formas das sobrancelhas e a maneira como as pessoas falam. Tento reconhecer a pessoa que eu perdi” – pág. 60.


Será que Martha vai conseguir deixar a todos felizes, sem ter que abrir mão de si mesma no meio do caminho? Esse é um questionamento que eu me fiz durante toda a leitura junto com ela. Com uma fascinante mistura de Amélie Poulain e Hugo Cabret, somos conduzidos em uma aventura maravilhosa pela mente de uma jovem que carrega dentro de si a sabedoria de alguém que já perdeu muito e por isso se doa tanto em fazer todos a sua volta sorrirem, ao mesmo tempo em que sua imaginação moldada por uma Mãe perversa e doente, a faz ter atitudes infantis e peculiares, deixando as pessoas que a conhecem, atônitas.

“Quando tudo é tirado de você, você tem duas escolhas. Você luta para pegar de volta ou desmorona e morre” – pág. 288

A edição desse livro está bem diferenciada, condizendo com seu conteúdo: não há divisão em capítulos numerados e a história é quase toda narrada por Martha. Nos interlúdios de sua narrativa temos as “cartas” escritas nos livros que chegam à Martha, contando sua história, os cartazes que ela coloca na plataforma 6 em resposta, reportagens do Liverpool Daily Post, cartas a pessoas “importantes” escritas por Martha e também citações de autores e celebridades, com frases que mostram a importância de se acreditar em narrativas e no que podemos aprender com elas.

Em meio a personagens apaixonantes (e alguns detestáveis, porque sempre tem né?), livros, música, bolo, medo do Diabo e seus ratos, somos levados a uma jornada repleta de adrenalina e surrealidade, com um final intenso e catártico que vai deixar a todos com o coração curado, assim como a população de Liverpool com o retorno de um filho amado – só lendo para saber de quem estou falando ;)


Em A busca sofrida de Martha Perdida, Caroline Wallace conta uma história envolvente, que mistura ficção e fatos reais – Mal Evans existiu, era próximo dos Beatles e acabou morto pela polícia nos Estados Unidos, tendo suas cinzas perdidas ao serem enviadas para a Inglaterra. Com uma narrativa deliciosa, a autora convida a acompanhar Martha em uma jornada emocionante e surpreendente, cujas respostas podem estar mais perto do que se imagina, num livro que é a mistura perfeita de A invenção de Hugo Cabret e O fabuloso destino de Amelie Poulain.
segunda-feira, 17 de julho de 2017

Recebidos de Julho - Parte 1 | Editoras Novo Conceito, Arqueiro e Fragmentos


Julho deveria ser um mês de férias para todos, mas apenas o Jonatas conseguiu uma folguinha nesse meio tempo; enquanto isso, algumas cartinhas muito bacanas chegaram na casa da Regiane e aqui no Rio também, e a gente não poderia deixar de compartilhar aqui no blog os unboxings de toda essa alegria!

Nesta primeira postagem, apresentamos um lançamento de ficção da autora independente Simone S. Miranda e dois romances das editoras Arqueiro e Novo Conceito. Conheçam as novidades:



Um Verão para Recomeçar - Morgan Matson
Editora Novo Conceito

Sinopse: A família de Taylor Edwards não é muito próxima - todos estão ocupados demais com seus afazeres -, mas, quase sempre, eles se dão muito bem. Quando o pai de Taylor recebe más notícias sobre a saúde dele, a família decide passar, todos juntos, o verão na casa do lago Phoenix.

Fazia cinco anos que eles não passavam o verão naquele lugar, que agora parece bem menor do que antes. E, apesar da tristeza, os momentos em família os aproximam novamente. Além disso, Taylor descobre que as pessoas que ela pensou ter deixado para trás, continuam ali: sua ex-melhor amiga e seu primeiro amor (que está muito mais bonito do que antes).

Com o passar do verão, e com os laços quase refeitos, Taylor e sua família tornam-se cada vez mais conscientes de que estão correndo contra o tempo diante da doença de seu pai. Mas, apesar de tudo, o aprendizado que fica é que sempre é possível ter uma segunda chance.



Uma noite inesquecível - Lisa Kleypas 
Editora Arqueiro

Sinopse: O Natal está se aproximando e Rafe Bowman acaba de chegar a Londres para uma união arranjada com Natalie Blandford. Com sua beleza estonteante e o físico imponente, ele tem certeza de que a linda aristocrata logo cairá a seus pés.

No entanto, seus terríveis modos americanos e sua péssima reputação de farrista deixam Hannah, a prima da moça, chocada. Determinada a proteger Natalie, ela vai tornar a tarefa de cortejar a jovem muito mais difícil do que Rafe esperava.

Hannah, porém, logo começa a se importar mais do que gostaria com o rude pretendente da prima. Rafe, por sua vez, passa a apreciar um pouco demais a companhia de Hannah, uma mulher forte e pragmática com um coração doce e gentil. E quando Daisy, Lillian, Annabelle e Evie, quatro amigas inseparáveis que já conseguiram encontrar o homem de seus sonhos, decidem agir como cupidos, quem sabe o que pode acontecer?

Uma noite inesquecível é uma viagem mágica pela Londres vitoriana, com os diálogos espirituosos e personagens memoráveis que consagraram Lisa Kleypas como uma das autoras de romances de época mais aclamadas pelo público. Nesta continuação da série As Quatro Estações do Amor, os mais cínicos se tornam românticos e até os mais tímidos suspiram, arrebatados de paixão.



Selo Fragmentos

Sinopse: Cheio de histórias de lutas pelo poder, dimensões paralelas, deuses e seres fantásticos, o planeta Elvengray enfrenta uma nova Era, onde um dos mais poderosos Guardiões Ancestrais, Luther, absorve suas energias mágicas e proclama-se Imperador, impondo sua tirania.

Com o último suspiro do líder do Conselho dos Seis, assassinado por Luther, uma Profecia é feita, prometendo ao seu povo que, um dia, um grupo extraordinário renasceria, jovens reencarnados com a alma da deusa, com a única missão de libertá-los deste terrível vilão.

Acompanhe Mynna, Baeriel, T'Lorien, Cordellia, Ellos, Gustaff e Zelwski, os Novos Guardiões, em uma jornada épica pelos cinco Reinos, cheia de perigos e reviravoltas, em busca de aliados para a batalha final contra o Imperador, na tentativa de trazer novamente a paz ao planeta.


Estamos super animados! <3 Toda ansiedade pra saber o que nossos colunistas vão falar a respeito destas histórias!

E você, já resenhou algum desses livros? Conta pra gente!

Até a próxima,
Rebeca C.