Drácula - Bram Stoker | Editora Martin Claret | Texto por Regiane Medeiros

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E para finalizar a leitura da edição especial Clássicos do Terror da Editora Martin Claret, vamos falar sobre Drácula, escrito pelo irlandês Bram Stoker e publicado pela primeira vez em 1897, e que atualmente encontra-se em domínio público, sendo acessível em língua inglesa em diversas bibliotecas online. Embora não seja a primeira história escrita sobre vampiros, definitivamente foi a que os popularizou e tornou-se a maior referência sobre esses seres que sempre despertam curiosidade, fascínio e uma atração irresistível.

Jonathan Harker, jovem advogado inglês, faz uma viagem à Transilvânia para tratar de negócios jurídicos com o cliente do escritório para o qual trabalha, o Conde Drácula. O início da viagem de Jonathan já começa cheia de mistérios, pois ao chegar ao vilarejo de Bistritz, na região dos montes Cárpatos em um local remoto da Europa, acaba conhecendo um pouco sobre a história local e as superstições daquele povo, tão diferentes do que ele está acostumado na Inglaterra. Tais superstições se aplicam inclusive ao próprio Conde, nobre senhor da região.

“Quando lhe perguntei se conhecia o Conde Drácula e se poderia dizer-me algo sobre seu castelo, tanto ele como sua esposa se benzeram e, dizendo não saber absolutamente nada, simplesmente se recusaram a prosseguir com a conversa” – pág. 234.

Inicialmente encantado com o local e a educação do Conde, Jonathan acaba um pouco deslumbrado com o requinte e a aparente riqueza que o cerca, ainda que durante o caminho que percorreu até chegar ali, tenha passado por tantas situações estranhas que já deveriam ter lhe alertado de que algo estava muito errado com seu anfitrião. Mas é difícil ser indiferente à figura imponente e nobre do Conde, principalmente quando seu diálogo é tão rico e cheio de sentimentos.


“Não procuro alegria e prazeres nem desejo a ardente voluptuosidade de muito sol e de águas brilhantes que agradam aos jovens e alegres. Já não sou jovem e meu coração, cansado de chorar durante anos os mortos, não se adapta aos prazeres. (...) Amo a escuridão e a sombra, e gosto de ficar a sós com meus pensamentos, quando possível” – págs. 250 e 251.

Mas Jonathan não demora a perceber que tem algo sinistro acontecendo ao tentar explorar o castelo e descobrir que todas as portas de acesso ao lado externo, se encontram trancadas, bem como a ausência de criados, tendo observado sorrateiramente o Conde fazendo alguns serviços domésticos. Em um estalo, o jovem percebe que é um prisioneiro do castelo. Com essa constatação, suspeitas sobre o anfitrião começam a surgir, especialmente ao se dar conta de que Drácula nunca se alimenta durante as refeições, parece nunca dormir em um horário socialmente aceitável e não apresenta reflexo ao espelho: “Súbito, senti que alguém colocava a mão sobre meu ombro e ouvi a voz do Conde, que me desejava bom dia. Assustei-me, pois me perturbava o fato de que não o vira, uma vez que o espelho refletia todo o aposento atrás de mim.(...) Tendo respondido ao cumprimento do Conde, voltei-me para o espelho novamente, a fim de verificar como me enganara. Porém desta vez não havia possibilidade de erro: o espelho não revelava homem algum junto de mim, mas eu podia vê-lo sobre o meu ombro! Todo o quarto atrás de mim se projetava no espelho, porém nele não havia sinal de homem, a não ser eu mesmo. Isso era assustador e, somado a tantas outras coisas fantásticas, principiava a aumentar aquela vaga sensação de insegurança que eu sempre sentia quando o Conde estava próximo” – pág. 252.

Vendo-se prisioneiro, Jonathan começa a arquitetar formas de se libertar antes que se torne alvo de um destino que ele não consegue identificar, mas que pressente e do qual quer se esquivar, apegando-se a objetos que lhe foram entregues por pessoas no caminho durante a sua viagem até o castelo: “Por que me haviam dado o crucifixo, o dente de alho, a rosa silvestre e o cornogodinho? Abençoada seja aquela bondosa mulher que pendurou este crucifixo ao meu pescoço! Ele me proporciona consolo e força sempre que o toco” – pág. 254.

A partir de então, segue-se uma série de descobertas que vai levar Jonathan ao limite da sanidade mental e física, em uma busca frenética para colocar fim ao reinado de horror que Drácula começa a impor à Londres. Durante essa empreitada, ele vai contar com a ajuda de  Abraham Van Helsing, professor de antropologia e filosofia, especialista em doenças obscuras, além de ser um cientista de métodos pouco ortodoxos, fazendo uso de símbolos religiosos para derrotar seus inimigos, bem como de alguns amigos e da própria esposa, Mina, que durante um tempo acaba sendo acometida por uma “maldição”, que a conecta psiquicamente ao Conde Drácula e dessa ligação é que surge a inspiração para um plano que pode finalmente, livrá-los do mal que os cerca.

Dos três romances clássicos do terror que li, esse foi o mais difícil, não apenas por ser o mais longo, mas por algumas características que tornaram a leitura mais lenta, ainda que os acontecimentos me instigassem a prosseguir. O livro é todo narrado através de epístolas escritas pelos personagens, relatos em diário, jornais e registros de bordo, mas tudo era tão detalhado (inclusive o conteúdo das refeições feitas por Jonathan, por exemplo), que eu às vezes voltei alguns trechos para ter certeza de que não tinha deixado passar nada de importante, tamanha a minha distração durante a leitura.


Apesar disso, a linguagem do texto não é tão formal e teve uma ou outra palavra apenas que eu precisei buscar o significado ou do que se tratava, para entender, por isso a leitura também não é complexa de se fazer, é apenas um pouco cansativa. Mas isso só dura até começar a ação de verdade, a caçada ao predador mais temido dentre os seres sobrenaturais, pois a partir de então, a leitura é fluida e instigante. 

Eu gostei muito do fato do autor ter incluído entre os protagonistas da história, mulheres que não fizeram apenas figuração, elas participaram ativamente de todo o enredo e isso foi muito positivo em se tratando de uma obra do séc. XIV, onde a maioria dos enredos dá preferência aos narradores masculinos, bem como o protagonismo das histórias, mesmo escritas por mulheres, acabava caindo também sobre o gênero masculino.

Outro ponto positivo, foi que mesmo conhecendo a história e tendo visto muitas versões cinematográficas, a obra é surpreendente e digna do status de obra referencial de terror, apresentando surpresas e momentos realmente assustadores, quando comparada aos outros dois enredos lidos anteriormente.

Espero que vocês tenham curtido essa nossa viagem ao mundo clássico do terror e que apreciem essas leituras, que já se tornaram atemporais. Nós aqui, aguardamos quais serão as próximas apostas da Editora Martin Claret no nicho da literatura clássica.

Beijinhos, até breve!
Gih



Nesta edição, reunimos três clássicos do terror mundial. Frankenstein (1818), da autora inglesa Mary Shelley, tornou-se um dos maiores clássicos da literatura de terror e conta a história do dr. Victor Frankenstein. Essa história ficou imortalizada no teatro e no cinema em várias adaptações. O médico e o monstro (1886) aborda a dialética dos valores morais em forma assombrosa e vai além do bem e do mal da alma humana. O escritor escocês Robert Louis Stevenson impregnou neste romance um forte clima de apreensão, suspense, terror e perplexidade, que garantem a atenção do leitor do início ao fim. O romance gótico Drácula (1897), do autor britânico Bram Stocker, narra a história do Conde Drácula, vilão morto-vivo da Transilvânia, que se tornou o típico representante do mito do vampiro. Tradutores: Roberto L. Ferreira, Cabral do Nascimento, Maria L. L. Bittencourt.
 

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